sábado, 23 de abril de 2016

Discurso de Fidel no Congresso do PCC


“É um esforço sobre-humano dirigir qualquer povo em tempos de crise. Sem eles[os dirigentes], as mudanças seriam impossíveis. Em uma reunião como esta, aos mais de mil representantes escolhidos pelo próprio povo revolucionário, que a eles delegou sua autoridade, significa a maior honra que receberam na vida, e a isso se soma o privilégio de ser revolucionário que é o resultado de nossa própria consciência.
Por que eu me tornei um socialista, de forma mais clara, por que eu me tornei um comunista? Essa palavra que expressa o conceito mais distorcido e caluniado da história por aqueles que tiveram o privilégio de explorar os pobres, despossuídos uma vez que eles foram privados de todos os bens materiais que proporcionam o trabalho, talento e energia humana. Desde quando o homem vive neste dilema, ao longo do tempo, sem limite. Eu sei que vocês não precisam dessa explicação, mas talvez alguns dos ouvintes.
Falo simplesmente para que se compreenda melhor que não sou ignorante, extremista, ou cego, ou que não adquirida a minha ideologia por conta própria estudando economia.
Eu não tive preceptor, quando era um estudante de direito e ciência política, naquelas em que eles tem um grande peso. Desde que tinha ao redor de 20 anos, gostava de esportes e de escalar montanhas. Sem preceptor para me ajudar no estudo do marxismo-leninismo; não era mais do que um teórico e, é claro, tinha total confiança na União Soviética. A obra de Lenin seria ultrajada após 70 anos de revolução. Que aula de história! Podemos dizer que não devem transcorrer outros 70 anos para que ocorra outro evento como a Revolução Russa, para que a humanidade tenha outro exemplo de uma grande Revolução Social, [como a] que significou um grande passo na luta contra o colonialismo e seu ajudante, o imperialismo .
Talvez, no entanto, o maior perigo agora pairando sobre a terra deriva do poder destrutivo das armas modernas que poderia minar a paz no mundo e tornar impossível a vida humana na superfície terrestre.
As espécies desapareceriam como os dinossauros desapareceram, talvez não haveria tempo para novas formas de vida inteligente ou talvez o calor do sol cresça até fundir todos os planetas do sistema solar e seus satélites, como muitos cientistas reconhecem. Se certas, as teorias de vários deles, que não são leigos ignorantes, o homem prático deve aprender mais e se adaptar à realidade. Se a espécie sobrevive a um espaço de tempo muito maior, as gerações futuras saberão muito mais do que nós, mas primeiro terão que resolver um grande problema: Como alimentar os milhares de milhões de seres humanos cujas realidades inevitavelmente colidem com os limites para a água e os recursos naturais que necessitam?
Alguns ou talvez muitos de vocês se perguntem onde está a política neste discurso. Acreditem, eu tenho vergonha de dizer isso, mas a política está aqui nestas palavras moderadas. Esperemos que muitos humanos se preocupem com essas realidades e não continuem como nos dias de Adão e Eva a comer maçãs proibidas. Quem vai alimentar as pessoas famintas da África sem a tecnologia na ponta dos dedos, sem chuva, sem barragens, sem depósitos subterrâneos cobertos por areias? Veremos o que dizem que os governos que quase em sua totalidade subscreveram os compromissos climáticos.
Devemos martelar constantemente sobre estas questões e eu não quero me estender além do essencial.
Devo, em breve, cumprir 90 anos, eu nunca teria pensado em tal ideia e isso nunca foi o resultado de um esforço, foi capricho da sorte. Logo serei, já como todos os demais. A todos nós chegará nossa vez, mas ficaram as idéias dos comunistas cubanos como prova de que neste planeta, se você trabalha com fervor e dignidade, é possível produzir os bens materiais e culturais que os seres humanos necessitam, e nós devemos lutar incansavelmente para obtê-los. Para nossos irmãos da América Latina e do mundo, devemos transmitir que o povo cubano vencerá.
Talvez seja a última vez fale nesta sala. Eu votei em todos os candidatos apresentados para consulta pelo Congresso e agradeço ao convite e a honra de que me escutem. Felicito a todos, e, em primeiro lugar, ao companheiro Raul Castro por seu magnífico esforço.
Empreenderemos a marcha e aperfeiçoaremos o que devemos melhorar, com a máxima lealdade e força unida, como Martí, Maceo e Gómez em marcha imparável.
Fidel Castro Ruz”


AmBev investe na produção cervejeira cubana



No dia 28 de janeiro de 2014, uma subsidiária da AB InBev, a AmBev, adquiriu 50% de participação na Cerveceria Bucanero S.A. (CBSA), uma empresa cubana do ramo da produção e comércio de cerveja. Os outros 50% permanecem propriedade do governo cubano.





A AB InBev, uma empresa de capital aberto, formou-se através de sucessivas fusões de três grupos cervejeiros internacionais: a empresa belga Interbrew, a brasileira AmBev e a estadunidense Anheuser-Busch.
Antes de ser adquirida pela AB InBev, a AmBev era o maior produtor de cerveja da América Latina e ocupava a quinta posição no mercado mundial em seu ramo.
Segundo relatórios conjuntos da AB InBev com a US Securities and Exchange Commission (SEC), a CBSA passa a ser operada como uma empresa mista (joint-venture) cujo diretor-geral é indicado pela Ambev. As principais marcas da CBSA são Bucanero e Cristal. Em 2014, a CBSA vendeu 130 milhões de litros, o que representa 0,3% do volume global da AmBev, que chega a quase 46 bilhões de litros anuais.



A maior parte da produção da CBSA é vendida em Cuba, mas uma pequena parte é exportada e comercializada por alguns distribuidores de outros países, com exceção dos Estados Unidos. CBSA também importa e vende em Cuba cervejas de filiais da AmBev não sediadas nos EUA; em 2014, estas importações ficaram abaixo de meio milhão de litros.
A CBSA é a maior produtora de cerveja de Cuba. Com sede corporativa em Havana, sua produção é feita em Holguín, na região oriental da ilha, conhecida pela qualidade superior de suas águas. A fábrica da CBSA foi construída em 1980 com tecnologia alemã.
A capacidade de produção normal da CBSA supera os 150 milhões de litros por ano – o que representa mais de 450 milhões de copos de cerveja.




CBSA tem conquistado reconhecimento internacional, obtendo vários prêmios, entre os quais o Monde Selection da Europa. Bucanero MAX, uma cerveja «Premium», e Cristal, “a preferida de Cuba”, obtiveram a medalha de ouro por sua excepcional qualidade no evento de 2007. Monde Selection é um festival anual aberto não competitivo de alimentos e bebidas.

Retirado de Cuba Journal

Imagens de Frei Betto em visita ao Memorial Hélio Dutra em Cuba






Retirado de NESCUBA

quarta-feira, 13 de abril de 2016

GCUB assina acordo de cooperação com o Ministério de Educação Superior de Cuba


Na foto, da esquerda para a direita: Diretora de Relações Internacionais do Ministério, María Victoria Villavicencio Plasencia; Ministro Rodolfo Alarcón Ortiz e Reitora Miriam da Costa Oliveira (UFCSPA). Procedendo à assinatura do acordo, Vice-Ministra Aurora Fernández González (à esquerda) e Diretora Executiva do GCUB, Professora Doutora Rossana Valéria de Souza e Silva (à direita).

Brasília, 18/02/2016

No dia 17 de fevereiro, em Havana, o Grupo Coimbra de Universidades Brasileiras (GCUB) assinou Acordo Geral de Cooperação Educacional com o Ministério da Educação Superior de Cuba, em cerimônia oficial com o Ministro, Doutor Rodolfo Alarcón Ortiz, a Vice-Ministra, Aurora Fernández González, e a Diretora de Relações Internacionais do Ministério, María Victoria Villavicencio Plasencia. Na ocasião, o GCUB foi representado pela Vice-Presidente e Reitora da UFCSPA, Magnífica Miriam da Costa Oliveira, e pela Diretora Executiva, Professora Doutora Rossana Valéria de Souza e Silva.



Presentes na foto: Reitores de universidades cubanas; Reitor Targino de Araújo Filho (UFSCar), representando a ANDIFES; Professor Doutor Paulo Speller, Presidente da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI); Reitora Roselane Neckel (UFSC); Reitor Carlos Alexandre Netto (UFRGS); Reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho (UNILA); Vice-Presidente do GCUB, Reitora Mirian Miriam da Costa Oliveira (UFCSPA) e Diretora Executiva do Executiva do GCUB, Professora Rossana Valéria de Souza e Silva.

Além da assinatura do acordo, os representantes do GCUB estiveram em Havana por ocasião do 10º Congresso Internacional de Educação Superior "Universidad 2016". 

Retirado de GCUB

quinta-feira, 7 de abril de 2016

“Olhando para Cuba”: Coletivo de jornalistas brasileiros lança blog sobre o país socialista




No último dia 31 de março o auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo foi sede, mais uma vez, da reunião dos membros do Coletivo de Jornalistas e Comunicadores Amigos de Cuba, em que nesta ocasião realizou o lançamento de seu blog - Olhando para Cuba.

Com a participação de Ivette Martínez, representante de imprensa do Consulado de Cuba em São Paulo, Vítor Ribeiro, coordenador do coletivo e do jornalista Lucas Medina, editor do blog, se formalizou a publicação na internet de “Olhando para Cuba” que pode ser acessado através do seguinte endereço:http://www.olhandoparacuba.blogspot.com.br/

Segundo a diplomata cubana, “o blog será um espaço de interação e registro de debates reflexões que serão feitos pelos membros do coletivo sobre temas das variadas áreas da sociedade cubana”. Acrescentou ainda que “a grande imprensa brasileira tem uma postura crítica e de forma geral fornece uma imagem negativa sobre Cuba, assim este espaço deve servir para que os jornalistas amigos desconstruam tal imagem, refletindo sobre a realidade e as realizações da sociedade cubana”.

O design do espaço virtual foi concebido para agrupar informações sociopolíticas, culturais, científicas, desportivas, audiovisuais e opinativas. Seu editor, Lucas Medinas, destacou “que a página também facilita acesso aos sites e blogs brasileiros - que sistematicamente publicam informações sobre a ilha e aos meios cubanos oficiais e alternativos - que oferecem informação confiável sobre Cuba”.

Para Vítor Ribeiro, coordenador e diretor jurídico do Sindicato de Jornalistas de São Paulo, é muito positivo ter um espaço que informe os profissionais interessados em realizar uma matéria jornalística sobre Cuba ou em viajar a ilha. Considero que “o blog tem que ter essa visão integral de oferecer um serviço de informação, postar artigos sobre como funciona a sociedade cubana, sobre a oferta turística, sobre os eventos e assim tentar alcançar outros jornalista e internautas”.

Durante o lançamento os participantes realizaram sugestões sobre conteúdos que podem ser incluídos no blog. Todas as intervenções, assim como os comentários publicados no perfil do Coletivo no facebook, saudaram a iniciativa do blog e concordaram que “Olhando para Cuba” será o mais próximo da realidade cubana.

Tradução e adaptação: Sturt Silva/Solidários a Cuba.

Retirado de SOLIDARIOS

quinta-feira, 3 de março de 2016

Vamos pra Cuba: Rolling Stones anunciam show grátis em Havana

Banda, que fará primeira visita à ilha, também comanda campanha de doações de equipamento musical para artistas do país caribenho.


Apresentação dos Rolling Stones em São Paulo. Por Efe

A banda de rock Rolling Stones anunciou em seu site oficial, nesta terça-feira (01/03), que irá fazer um show de graça em Havana, Cuba, no dia 25 de março. Será a primeira vez da banda na ilha.

“Nós nos apresentamos em vários lugares especiais durante nossa longa carreira, mas este show em Havana será um marco para nós e, nós esperamos, para todos os nossos amigos em Cuba também”, disse a banda em comunicado.

O anúncio foi feito poucas semanas depois do presidente norte-americano, Barack Obama, anunciar uma visita à ilha. Será a primeira visita de um presidente dos EUA ao país em 88 anos.

A apresentação faz parte do tour de Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Roonie Wood pela América Latina, chamado de Olé. Eles já passaram pela Argentina, Chile, Uruguai e Brasil. Na próxima semana, ainda visitarão Colômbia, Peru e México.

Além disso, a banda também está com uma campanha de doação de instrumentos e equipamento musical para músicos cubanos de todos os gêneros. 

domingo, 17 de janeiro de 2016

Cuba, o ebola e o compromisso cubano com a África

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Via Prensa Latina em 13/1/2016

Entramos em 2016 e a epidemia de ebola na África se aproxima do final, graças a um esforço global liderado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no qual Cuba teve um papel importante, assim como em outras batalhas vitoriosas nesse continente.
Mais de dois anos depois do surto de febre hemorrágica ter começado, em Guiné, as redes de transmissão do vírus foram interrompidas e a Libéria e Serra Leoa vão pelo mesmo caminho, segundo a OMS. A notícia foi recebida com alegria e esperança nesses três países, os mais afetados pela doença, que só ali contagiou 29 mil pessoas e provocou a morte de 11.300.
Este vírus foi detectado pela primeira vez em 1976 na África Central e seu nome se deve a sua descoberta em uma aldeia da República Democrática do Congo situada perto do rio Ébola.
Trata-se de uma doença grave, frequentemente mortal, que provoca febres elevadas, dores musculares, de cabeça e garganta, disfunção renal e hepática e hemorragias internas e externas.
O mais recente surto que começou em Guiné no final de 2013 é o pior registrado até agora, com uma taxa de mortalidade entre 50 e 90%.
A epidemia não teve repercussões negativas só na saúde, mas também alterou a vida econômica e social do povo e afetou todos os setores, entre eles a educação, o comércio, o turismo e o transporte.
Em momentos em que muitos temiam que o vírus acabasse vencendo a humanidade, a OMS e a ONU lançaram um chamado a todos os países a comprometer seus esforços no combate ao ebola.
Durante uma reunião realizada em setembro de 2014 em Genebra, Cuba foi o primeiro país a dar uma resposta à emergência, com o anúncio do envio a Serra Leoa de 165 colaboradores.
O contingente estava integrado por 62 médicos e 103 enfermeiros com mais de 15 anos de experiência profissional e que já tinham trabalhado em países abalados por desastres naturais e de saúde.
“Para uma nação tão pequena, a quantidade de médicos e enfermeiras que estão enviando e a rapidez com que responderam, é realmente maravilhoso”, disse naquela ocasião à Prensa Latina a diretora geral da OMS, Margaret Chan.
A diretora agradeceu a generosidade do governo e dos profissionais cubanos e destacou que se tratava da maior resposta recebida até esse momento por um Estado no combate à emergência. Ainda que sejam necessários todo tipo de esforço em todo o mundo, desde laboratórios móveis até salas de isolamento, o primeiro são os recursos humanos.
“O mais importante são as pessoas; pessoas que sentem compaixão, médicos e enfermeiras que saibam como reconfortar os pacientes e também saibam como se manter a si mesmos a salvo”, disse Chan.
Ao todo, Cuba enviou à África 256 colaboradores do contingente Henry Reeve que conseguiram salvar centenas de vidas e trabalharam não só na atenção direta aos pacientes, mas também na prevenção.
Para ajudar a combater o problema, as autoridades cubanas expressaram, inclusive, a disposição dos especialistas da Ilha a trabalhar lado a lado com profissionais da área médica dos Estados Unidos, um país com o qual estavam interrompidas as relações diplomáticas há mais de meio século.
“Eu sabia que Cuba não nos deixaria sozinhos. Vocês são fiéis a sua origem, a suas raízes africanas, isso é o que Fidel lhes ensinou”, disse o presidente de Serra Leoa, Ernest Bai Koroma.
O altruísmo dos médicos cubanos não é um fato isolado, mas faz parte da solidariedade mantida pela Revolução para o continente africano quase desde o triunfo de 1959.
Em 1963, a maior das Antilhas enviou a primeira brigada à Argélia e no último meio século mais de 76.700 colaboradores em saúde cooperaram com 39 países africanos.
A ajuda não se limita ao campo da saúde, mas abarca também outras esferas como educação, esportes, cultura e as ciências.
Menção aparte merece a valiosa contribuição internacionalista de Cuba à libertação de Angola, à independência da Namíbia e ao fim do vergonhoso regime de apartheid na África do Sul.
Recentemente, cumpriram-se 40 anos da proclamação da independência angolana, ocasião na qual vários líderes políticos desse país destacaram o apoio solidário da Revolução Cubana que permitiu mudar o mapa político no sul da África.
O fato foi lembrado também durante o 6º Período de Sessões da Assembleia Nacional do Poder Popular, realizado em dezembro, onde o presidente cubano Raul Castro reiterou que seu país continuará cumprindo seus compromissos de cooperação com as nações africanas.

Retirado de LIMPINHO e CHEIROSO

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Quem foi José Martí?




Em 1953, em seu histórico "A História me absolverá", Fidel Castro Ruz, ao descrever as dificuldades e a censura a ele impostas na prisão, afirmava "(...)Da mesma forma se proibiu que chegassem em minhas mãos os livros de Martí; parece que a censura da prisão os considera muito subversivos. Será que é porque eu digo que Martí era o autor intelectual do 26 de Julho? [...]. Não importa! Trago no coração as doutrinas do maestro e no pensamento os nobres ideais de todos os homens que defederam a liberdade dos povos”.

José Julián Martí y Pérez nasceu em Havana em 1853. Quando tinha apenas 15 anos, eclode uma rebelião pela independência da ilha, conhecida como Grito de Yara, liderada por Carlos Manuel de Céspedes (1819-1894), advogado e dono de terras cubano que teria libertado seus escravos e desafiado o poderio espanhol. A partir de então, começa a luta pela Independência que dura muitas décadas, destacando três principais guerras: a Grande Guerra ou Guerra dos Dez Anos (1868-1878); a Guerra Chiquita (1879-1880); a Guerra Hispano-Cubana ou Guerra Chica (1895-1898).

Com apenas 16 anos, José Martí iniciou seus trabalhos jornalísticos, publicando artigos contra o colonialismo. Com essa idade é condenado a seis anos de prisão, acusado de subversão. De início fica preso em uma pedreira fazendo trabalho forçado, mas depois é enviado para a Espanha. Em decorrência das correntes do presídio desenvolve um sarcocele que o acompanhará durante grande parte da vida.

Mesmo longe de sua terra, não abandonou seu espírito revolucionário, continuou produzindo artigos e divulgando suas ideais antiimperialistas.  Por complicações de saúde, Martí vai para Madrid, onde realiza diversas cirurgias e acompanha de perto a Proclamação da República na Espanha (1873). Nesse contexto, escreve seu artigo “A Revolução Espanhola diante da Revolução Cubana“, em que acusava os espanhóis de apresentarem uma política contraditória: em seu país defendiam ideais de liberdade, de formação de uma república, que eram negadas às suas colônias. Apesar dos problemas de saúde e financeiros, em 1874 se forma em Direito Civil e Canônico, Filosofia e Letras na Universidade de Zaragoza.

Em 1875 ruma para o México, com o objetivo de ajudar no sustento de sua família e para se aproximar de Cuba. É lá que tem maior contato com a população de cultura indígena, e partir disso, intensifica sua reflexão sobre a questão racial e a luta contra o racismo.

“Depois de ferir seu espírito de homem, já não sobra ao índio dos campos mais que costas para levar as cargas da igreja, para pagar tributo aos caciques, para comprar as telas do espanhol”(1)

Em 1878, a primeira guerra de Independência terminava, os dois lados afirmavam o Pacto de Zanjón, e assim Martí pôde regressar a Cuba. Une-se ao Comitê Revolucionário Cubano, fundado por Calixto Garcia(3). Um ano depois, é acusado de conspiração e novamente é deportado para Espanha, não podendo participar da Guerra Chiquita. Logo depois, consegue ir para os Estados Unidos, onde organiza em Nova York um Comitê Revolucionário Cubano. No dia 24 de janeiro de 1880, José Martí realiza seu primeiro discurso nos EUA, fazendo um chamado pela união de todas as forças revolucionárias, no qual afirma:
 “Os grandes direitos não se compram com lágrimas — mas com sangue. [...] Que futuro sombrio o da nossa terra se abandonamos a seu próprio esforço os bravos que lutam e não nos unimos para auxiliar [...]. Antes de abrandar o esforço de fazer a pátria livre e próspera, o mar do sul se unirá ao mar do norte, e nascerá uma serpente do ovo da águia”.


Se no período inicial em terras yanques Martí expressava certa admiração, mais tarde não pôde se calar, frente a ameaça que via crescer diariamente: "Da nossa sociologia e de suas leis pouco se sabe, tão precisas como essa outra: Os povos da América são mais livres e prósperos à medida que se afastarem dos Estados Unidos”.
Em 1881, viaja para Venezuela, com a influência das ideias de Simón Bolívar, passa a defender ainda mais uma identidade latino-americana.

Criticava o costume dos jovens ricos a copiar a cultura do exterior e debatia a importância de uma transformação cultural. Dizia aos jovens que deixassem “as calças da Inglaterra, o colete parisiense, o jaquetão da América do Norte e o Chapelão da Espanha”.

Em seguida, Martí é nomeado presidente interino da Comitê Revolucionário Cubano e com o tempo se torna um líder para a comunidade dos exilados em função das guerras independentistas. Nessas batalhas, de caráter popular, 80% dos soldados eram negros, entre eles muitos mambíses, escravos libertos(5).

Estátua de José Martí segurando o menino Elian frente a atual embaixada dos Estados Unidos em Cuba.

Em 1892, nos Estados Unidos, com Maceo e Gómez, Martí funda o Partido Revolucionário Cubano, propondo a libertação de Cuba e de Porto Rico.

Redigem em 1895 um documento denominado “O Partido Revolucionário Cubano à Cuba”, conhecido também como “Manifesto de Montecristi”. Nele apresentam as propostas para a insurreição.

No mesmo ano, quando Martí regressava a Cuba numa embarcação vinda do Haiti é surpreendido pelo ataque de cerca de 600 soldados espanhóis, e assim, em 19 de maio, é baleado e morto. O intelectual humanista e democrata morria no campo de batalha.

Sobre esse homem, destacou Ernesto "Che" Guevara certa vez: “Martí foi o mentor direto da nossa Revolução, o homem cuja palavra se recorria sempre para dar a interpretação justa dos fenômenos históricos que estávamos vivendo e o homem cuja palavra e cujo exemplo havia que recordar cada vez que se quisesse dizer ou fazer algo transcendente nesta Pátria... porque José Martí é muito mais que cubano: é americano; pertence a todos os vinte países de nosso continente e sua voz se escuta e se respeita não só aqui em Cuba, mas em toda América”.

José Martí viveu apenas 42 anos, mas, mais de um século depois ainda é lembrado e admirado por aqueles que sustentam a luta de seu povo por sua auto-determinação e contra o imperialismo.

Foi poeta, escritos, orador e jornalista, e assim, iluminou e ilumina o caminho de outros muitos revolucionários e heróis latino americanos.

De seu pensamento e ação se destacam a denúncia das consequências do imperialismo nascente nos Estados Unidos para toda a América, a unidade capaz de aglutinar os combatentes revolucionários e o exemplo de conduta e entrega a causa da libertação nacional.

“O verdadeiro homem não busca o lado que se vive melhor, mas sim o lado que está o dever; e esse é o verdadeiro homem, o único homem prático, cujo sonho de hoje será a lei de amanhã, porque ele que pôs os olhos nas entranhas universais, e viu ferver os povos, ardentes e ensanguentados, no caldeirão dos séculos sabe que no futuro fez a diferença, está do lado do dever”
José Martí, En Hardman Hall, Nueva York, 10 de octubre de 1890

NOTAS:

(1) Trecho do texto de Martí - Pátria e Liberdade - em que denuncia as condições das quais os índios eram vítimas

(2) Acordo que, dentre outras coisas, concedeu anistia aos exilados políticos

(3) General de destaque que combteu na Guerra dos Dez Anos

(4) Publicado por Martí no jornal Patria, Nova York, 1894.

(5) Mambises é uma palavra de origem creole, lingua falada no Haiti. Com o tempo, a expressão “mambí” se tornaram sinônimo de “soldado do Exército Libertador”  ou ainda “Defensor da Causa da Independência”.

Retirado de Fuzil Contra Fuzil

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Razões de Cuba - Todos os 6 vídeos com legendas em português

Razões de Cuba. Série em 6 vídeos curtos, legendados em português para quem tem interesse em aprender mais sobre a Ilha.












sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Documentário - Bloqueio: a guerra contra Cuba [em português]


"Bloqueio: a guerra contra Cuba", documentário de 2005, aborda o bloqueio econômico contra Cuba, as ações de terror estadunidense contra o socialismo cubano e a resistência dos cubanos para serem protagonistas de suas próprias histórias.

Assista: