segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Unesco aceita Palestina como membro pleno da instituição

Presidente de Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas,
mostra cópia de pedido de adesão à ONU em setembro

A Unesco, agência cultural da ONU (Organização das Nações Unidas), decidiu na segunda-feira, dia 31, admitir a entrada da Palestina como membro total no órgão, mesmo com opositores afirmando que isso poderia ameaçar os esforços de paz na região.

“A Conferência Geral decidiu pela admissão da Palestina como membro de pleno direito na Unesco”, anunciou a secretária-geral da 36ª Conferência.

A resolução foi aprovada com 107 votos a favor e 52 abstenções. Foram contra 14 membros, entre eles Estados Unidos, Israel, Canadá e Alemanha. O Reino Unido se absteve da votação. Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul e França votaram a favor.

“Esta votação vai apagar uma pequena parte da injustiça cometida contra o povo palestino”, afirmou o ministro das Relações Exteriores palestino, Riyad al-Malki.

Para conceder o status de estado-membro à Palestina, a Unesco necessitava do voto afirmativo de dois terços dos 193 países representados na votação.

A condição anterior dos palestinos era de membro observador. A solicitação de mudança de status é parte da batalha diplomática empreendida pelo povo árabe para que sejam reconhecidos como Estado, o que culminaria em sua tentativa de ingressar na ONU.

A agência é a primeira da organização em que os palestinos buscaram integração como membro total desde que o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, entrou com o pedido de assento na ONU, em 23 de setembro.
Os EUA já disseram que vetariam a reivindicação palestina na ONU e também são os principais opositores, com Israel, aos pedidos de que os palestinos sejam membros totais de outros órgãos.

A admissão representa uma vitória moral aos palestinos na tentativa de obter a condição de membro pleno da ONU, mas pode ter um grande custo para a Unesco.

Dentro da lei norte-americana, a entrada dos palestinos na Unesco levaria a um corte no financiamento proveniente dos EUA, cuja contribuição representa 22% da verba total da agência, e a secretária de Estado estadunidense, Hillary Clinton, havia alertado no início do mês que a contribuição poderia ser suspensa.

“Eu incitaria o conselho executivo da Unesco a repensar antes de prosseguir com esse voto, porque a decisão sobre o status [da Palestina] precisa ser tomada nas Nações Unidas e não em um de seus grupos auxiliares”, disse Hillary na ocasião.

domingo, 30 de outubro de 2011

Em programa de Marília Gabriela, dr. Sócrates faz defesa de Cuba


Em entrevista ao programa “De frente com Gabi”, no SBT, na quarta-feira, dia 26, o ex-jogador e atual analista político-esportivo Sócrates deixou a “atriz-jornalista” Marília Gabriela de saia justa. Quando ela diz “embargo”, ele rebate e menciona bloqueio. Mostrando seu lado humanista, Sócrates afirma: “Não existe sociedade perfeita, mas existe algumas que se aproximam daquilo que eu acredito e Cuba é exatamente isso.”

sábado, 29 de outubro de 2011

Cuba na Unesco

Emir Sader, via Carta Maior

Discurso de Miguel Diaz-Canel, ministro da Educação Superior de Cuba na Assembleia Geral da Unesco.

O mundo vive indignado. Os povos se rebelam contra as injustiças e as promessas vazias. Se indignam pelas frustrações acumuladas e pela ausência de esperanças. Se rebelam contra um sistema devastador que já não pode seguir enganando com um falso rosto humano. Um sistema que continua marginalizando as maiorias excluídas, em benefício de um punhado de privilegiados que possuem tudo. Que não repara no resgate de banqueiros corruptos que multiplicam seus lucros, enquanto diminuem os recursos para a educação, saúde ou criação de empregos.

A crise do sistema capitalista é sistêmica e multissetorial. É crise financeira, econômica e social e também ética. Os poderosos apostam na guerra como recurso de sua salvação. Repartem o mundo entre si impunemente e encarregam a tarefa à belicosa Otan. Ainda não terminaram de destruir a Líbia e já ameaçam a Síria. Quem de nós irá segui-los?

São as guerras de novo tipo com armas que se chamam “inteligentes” mas que matam e destroem indiscriminadamente. São guerras de conquista para se apropriar dos recursos energéticos e minerais com os quais oxigenar suas vorazes economias. Com a cumplicidade de seus empórios midiáticos, que agem também como armas no combate, pretendem convencer-nos da “mudança de regime” e da “responsabilidade de proteger”. É a nova filosofia colocada em prática para o mesmo objetivo de continuar explorando-nos.

A única ofensiva que não podem livrar suas armas nem suas vorazes empresas, a única contenda legítima que não estão dispostos a empreender, é a necessária contra a fome, o analfabetismo, a incultura e a pobreza para, efetivamente, democratizar a democracia, proteger os excluídos e mudar a atual ordem mundial.

A Unesco – que em sua carta constitutiva declarou: “Dado que as guerras nascem na mente dos homens, é na mente dos homens que devem se erigir os baluartes da paz” – está chamada a desempenhar um papel de vanguarda na incansável luta por um mundo melhor, em que os seres humanos possam viver livres do temos e da ignorância.

É na Unesco onde devem levantar-se as armas da educação, da ciência e da cultura para lutar pela paz e pela compreensão mútuas, para que as bombas deixem de matar e mutilar os seres humanos, para que não se destruam as escolas, nem os museus, para que a ciência progrida nos laboratórios e a cultura enriqueça o mundo espiritual. Para que as gerações presentes e futuras possas desfrutar da beleza única e irreprodutível do sistema e seus mais de 900 lugares de patrimônio mundial.

Para isso é preciso refundar a organização e será necessário fazê-lo com maios pressa e decisão. A reforma em curso, que empreendeu nossa ativa e enérgica diretora geral, necessita chegar até os próprios cimentos da instituição. Deve ser profunda e radical. Deve reposicionar e tornar mais visível nossa ação. Deve sair dos escritórios burocráticos para chegar às pessoas comuns e atender suas necessidades elementares, aquelas que temos como mandato.

A educação tem que ser a verdadeira prioridade das prioridades, tanto no compromisso político como no financeiro. É inadmissível que no mundo existam quase 800 milhões de analfabetos, dos quais 2/3 são mulheres. É inadmissível que quase 70 milhões de crianças não tenham uma escola onde receber a luz da educação.

Cuba, pobre e bloqueada, com seu método de alfabetização “Eu Posso, Sim”, conseguiu em pouco tempo e com escassos recursos, mas com enorme paixão solidária, alfabetizar 5.706.082 pessoas em 28 países da América Latina e Caribe, África, Europa e Oceania. Agradecemos à Diretora Geral seu reconhecimento à eficácia deste programa como método de cooperação Sul-Sul, assim como sua disposição reiterada de acolher as boas práticas no âmbito da educação.

A 36ª Conferência Geral deve deixar estabelecidas as pautas da mudança e do reposicionamento da Unesco no sistema multilateral.

A conferência deve se pronunciar ademais, e esperamos que o faça de maneira clara e inequívoca, em relação a um tema de transcendental importância: a admissão da Palestina como Estado membro da Unesco. Não se trata de uma opção. Resulta uma obrigação ética e moral diante da cruel e prolongada injustiça que sofre o povo palestino. Cuba deseja reiterar seu firme e decidido apoio à solicitação da Palestina e espera que a decisão de seu ingresso à Unesco contribua aos objetivos da paz e da universalidade que animam a nossa organização.

Não devo concluir minhas palavras, sem reclamar e exigir, em nome do povo cubano, a libertação de nossos Cinco heróis, quatro deles injustamente prisioneiros em prisões do império e um, René, cumprindo uma pena adicional de três anos falsamente denominada “liberdade vigiada”.

Cuba, que segue firmemente comprometida com a Unesco e com os valores que esta representa, confina na liderança da diretora geral, para o fortalecimento e refundação da organização.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Camilo Cienfuego continua vivo

Camilo Cienfuegos é a imagem e o coração do povo cubano. Por causa de sua alegria e ternura, todas as crianças o conhecem e o amam.

Em 28 de outubro, Cuba homenageou, como faz todos os anos, Camilo Cienfuegos pelo 52º aniversário de sua morte. Ao lado de Fidel Castro, Che Guevara e Raul Castro, Camilo foi um dos líderes da Revolução Cubana que derrotou o ditador Fulgêncio Batista em 1º de janeiro de 1959.

Revolucionário convicto
Camilo Cienfuegos Gorriarán nasceu em 6 de fevereiro de 1932. Aos 17 anos, por motivos econômicos, foi trabalhar numa tienda. Em 1952, depois do golpe militar de Fulgêncio Batista, Camilo muda para os Estados Unidos. Quando regressa a Cuba em 1954, a luta contra o regime de Batista crescia e Camilo se incorporou a ela.

Em 7 de dezembro de 1955, ele é ferido durante uma manifestação estudantil e em janeiro de 1956 é preso. Após ser solto, viaja novamente para os Estados Unidos. Em seguida vai para o México onde conhece os revolucionários cubanos, que haviam participado do ataque ao quartel de Moncada.

Em 25 de novembro de 1956, junto com Fidel, Raul, Che e outros revolucionários, Camilo embarca no Granma do porto de Tuxpan, no México, para mudar a história de Cuba. Chegam à Ilha em 2 de dezembro. Os rebeldes planejaram começar a Revolução por Sierra Maestra e obtiveram êxito. Em seguida, Fidel Castro planejava a ofensiva final para tomar o controle das grandes cidades. Fidel e Raul marcharam com 200 homens para Santiago de Cuba, onde receberiam o reforço de outros 600 rebeldes para tentar ocupar a cidade. Enquanto isso, Che Guevara, com 148 homens, atravessava a província de Las Villas, em direção às montanhas Escambray e à cidade de Santa Clara. Camilo Cienfuegos comandava uma coluna de 82 homens, movendo-se paralelamente às forças de Che. O alvo dele era Havana.

Após várias batalhas contra o exército de Batista, a Revolução triunfa. Em 2 de janeiro de 1959, Camilo e Che entraram em Havana e assumiram o controle das instalações militares para evitar qualquer reação do Exército.

Hábil estrategista, dotado de uma simplicidade e de uma espontaneidade que se integravam, Camilo protagonizou na história de Cuba proezas imortais. Entregando-se de corpo e alma aos riscos da luta, ele desafiava constantemente o perigo.

“Camilo – disse Che – foi o companheiro de 100 batalhas, o homem de confiança de Fidel nos momentos difíceis da guerra e o lutador abnegado que fez sempre do sacrifício um instrumento para temperar seu caráter e o moral da tropa”.

Acidente aéreo
Diante de uma conspiração em Camagüey, Camilo cumpre a ordem do comandante Fidel Castro de derrotar os traidores. Em 28 de outubro de 1959, no vôo do regresso a Havana, ele desaparece junto com os demais companheiros no oceano, o que causou grande comoção em toda a sociedade cubana, que durante vários dias procurou algum vestígio do líder guerrilheiro, sem obter sucesso. Rapidamente, Cienfuegos se tornou um dos mártires da Revolução. Prova disso é que, todo dia 28 de outubro, as crianças cubanas jogam flores ao mar, em sua homenagem.

Em um de seus discursos na época da catástrofe, Fidel Castro disse o seguinte: “Homens como Camilo surgirão do povo e viverão para o povo. Nossa única compensação ante a perda de um companheiro tão querido é saber que o povo de Cuba produz homens como ele. Camilo vive e viverá junto o povo.”


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

6 de outubro: 35 anos do atentado contra um avião civil cubano onde morreram 73 pessoas

O embaixadorCarlos Rafael Zamora Rodriguez
Foto: Gabriel Bernardo

Gabriel Bernardo

Em entrevista concedida ao Fazendo Media, o embaixador da República de Cuba no Brasil, Carlos Rafael Zamora Rodriguez, fala sobre as relações diplomáticas Brasil–Cuba e a batalha há mais de uma década para libertação dos Cinco heróis cubanos, presos em Miami.

Como estão as relações diplomáticas Brasil–Cuba com o governo Dilma? Mudou alguma coisa em relação ao que era com o governo Lula?
As relações diplomáticas Cuba–Brasil são excelentes. A relação entre esses países irmãos vem se aprofundando há 25 anos, quando se estabeleceu um vínculo diplomático assim que José Sarney assumiu a Presidência do Brasil. A partir daí as relações diplomáticas Cuba–Brasil vêm melhorando a cada governo e hoje em dia são excelentes. Existe uma amplitude boa de intercâmbio do ponto de vista econômico e comercial, e o Brasil é o nosso segundo parceiro no continente sul-americano e nos planos políticos e diplomático. Há um intercâmbio muito aberto e transparente.

O que Cuba tem feito pela Campanha de Libertação dos Cinco Heróis Cubanos, sobretudo agora com a libertação condicional de René Gonzalez por três anos em Miami?
É importante observar que, no dia 6 de outubro de 1976, completaram 35 anos do atentado contra um avião civil cubano [avião DC-10], onde morreram 73 pessoas. Esse é o exemplo mais ilustrativo de terrorismo exercido contra Cuba nos últimos 50 anos. Cuba sofreu centenas de ações terroristas que vitimaram mais de 5 mil cubanos, entre mortos e feridos com sequelas, durante meio século. Todas elas vindas do território dos Estados Unidos. Dessa forma é que são organizadas ações contra Cuba. E neste sentido é que Cuba se reporta aos Estados Unidos, no sentido de dar um fim a estas atividades terroristas. Em qualquer parte do mundo é definida pelos juristas a necessidade tardia que estas atividades violentas, que destruíram vidas e afetaram bastante a economia cubana. Uma via que Cuba utilizou foi enviar os cinco cubanos para fazer atividades monitorando as atividades de grupos terroristas dentro dos Estados Unidos. Com isso foi possível evitar outras ações terroristas. O governo de Cuba recebeu, em 1996, informações de que Luis Posada Carriles foi o responsável pelo atentado que derrubou o DC-10 da aviação cubana em 1976 e que também planejava fazer outro atentado contra um avião de civis que voavam entre países da América Central. Constatou-se também, nesta época, que Posada Carriles dirigiu ações terroristas em Havana contra um hotel para minar o turismo. O comandante Fidel Castro leu isto na carta e então a enviou para o escritor Gabriel Garcia Marquez, para que enviasse ao governo do presidente Bill Clinton. Evidente que Clinton se preocupou com o que estava acontecendo. Uma delegação dos EUA foi a Cuba para ver o assunto. Houve uma reunião com o governo de Cuba e lhes foi entregue uma grande quantidade de informações com dados, provas e evidências da existência de grupos terroristas nos EUA. Lamentavelmente, nenhum terrorista até hoje foi julgado e não se fez nada para combater o terrorismo contra Cuba. E ainda foram presos todos os cinco companheiros, que teriam oferecido boa parte das informações das atividades terroristas que iam sendo realizadas pelos grupos terroristas nos EUA. Há um processo contra os cinco companheiros cubanos [Antônio Guerrero, Fernando Gonzalez, Gerardo Hernandez, Ramon Labañino e René Gonzalez] cheio de irregularidades, e eles foram submetidos a maus-tratos. Foram presos por ajudar a expor as atividades de grupos terroristas nos Estados Unidos contra Cuba. Os EUA buscaram em Miami todas as atividades contra Cuba e depois contrataram um jornalista para assediar uma campanha contra os Cinco. Nessas condições, foram julgados e condenados nossos companheiros com uma extensa pena e prisões perpétuas. Agora o processo está praticamente encerrado e não há nenhuma maneira de obter notícia. Todos foram condenados injustamente com crueldade. Ultimamente parece uma ação política contra Cuba e ao mesmo tempo continua-se esquecendo as ações e atos adicionais de crueldade. Não é permitido, por exemplo, nossos companheiros terem visitas de suas famílias.

Qual a postura dos organismos internacionais em relação à Posada Carriles e aos Cinco heróis cubanos?
É claro que existe uma batalha não só em Cuba, mas também internacional do Comitê das Nações Unidas contra as detenções ilegais e a tortura. O comitê emitiu um pronunciamento, onde considera o processo de detenção dos Cinco cubanos arbitrário. Ele também abriu no âmbito internacional um informe em relação à situação dos Cinco, que deve ser tratado em outros conselhos de direitos humanos pelo fato de os companheiros cubanos estarem sofrendo condições avessas às prisões. E enquanto isso, Posada Carriles está livre e o governo dos EUA não quer julgá-lo, apesar de ser um assassino confesso e autor do caso do avião. Nessas circunstâncias, se acaba de cumprir o período de prisão de René Gonzalez. Sua condenação foi cumprida até o último minuto, e quando está para se libertar tem uma pena adicional de três anos em liberdade condicional a cumprir em Miami.

René Gonzalez corre risco de vida nestes três anos em Miami?
Sim, o grupo terrorista cubano-americano, no qual ele atuou buscando informação, pode tentar matá-lo. René foi separado de sua família. Essa é uma situação que ele terá de atravessar durante este período. Eu creio na voz internacional e que todo o mundo se dirija fazendo um apelo aos norte-americanos, devido à tamanha injustiça que está acontecendo.

Alguns grupos de solidariedade estão engajados na campanha pela libertação dos Cinco. O que nós, aqui do Brasil, podemos fazer?
Ao povo brasileiro só tenho de agradecer através de ti e de sua mídia pelo reforço e solidariedade. O povo brasileiro se sensibilizou fortemente com este tema. Precisamos do Brasil, no sentido de continuar com seu esforço.

Cuba está abrindo crédito a produtores e trabalhadores independentes, a fim de atualizar seu modelo econômico. A grande mídia remete isso como o início de um colapso do regime cubano. Quais são as mudanças que Cuba está realmente fazendo?
No 4º Congresso do Partido Comunista de Cuba, a Ilha definiu a atualização do modelo econômico cubano. Durante seis meses, todos os dias, em todos os lugares da Ilha, foram apresentadas mais de 800 mil propostas políticas, conhecidas como alinhamento de política econômica e social. Cada alinhamento corresponde a uma esfera que tem como objetivo a atualização do modelo econômico cubano, que foi debatido com toda a população cubana. Dois terços destas propostas foram modificados em uma votação popular, buscando o consenso de todo o país. O debate aberto e franco em toda a Ilha é método que Cuba adota com muita frequência. Depois de todo esse debate, se aprovou no Congresso definitivamente com algumas emendas incluídas pelos deputados. Hoje, esse documento aponta nossa política de atualização de um momento econômico e social para o país. O alinhamento da política tem como estrutura todo o esquema empresarial do país para um melhor funcionamento, tanto no aspecto governamental como na descentralização das atividades empresariais e econômicas. Esse alinhamento está também no sentido de oferecer uma forma não estatal de pequena produção e ou de empreendedorismo, como é chamado aqui no Brasil. O caso mais comum no Brasil é o modelo de cooperativa de trabalho. Neste contexto, o governo está entregando terras ociosas para que sejam cultivadas a fim de substituir importações e oferecer uma segurança complementar a Cuba. Este processo terá melhor resultado, e também existem cubanos apoiando com insumos, equipamentos e outras formas de apoio para ajudar a conseguir melhores resultados agrícolas. Existe um processo pelo qual o Brasil colocou sua intenção de cooperar, e nessa negociação estamos nesse momento.

Cuba e Brasil estão trabalhando juntos pela recuperação do Haiti. O que tem sido feito?
Acredito que a ajuda e o apoio que Cuba oferece atualmente para formar profissionais do mundo todo é importante, mas temos de reduzir um pouco essa formação pelas dificuldades econômicas que os países têm. Cuba já graduou mais de mil médicos na América Latina e no Caribe. Com foco principalmente na Venezuela e em outros países, formando médicos. No Brasil, Cuba já graduou cerca de 400 médicos brasileiros. Cuba tem a ciência de que o Brasil precisa muito de médicos. Existem regiões brasileiras que precisam de médicos e a população brasileira precisa de trabalhadores melhor formados. Brasil e Cuba estão trabalhando juntos no Haiti, onde vamos oferecer à população haitiana mais de 800 profissionais entre médicos e profissionais da saúde. O terremoto em 2010 reforçou esta necessidade. O Brasil assumiu uma parceria com El Salvador em um acordo tripartite, para contribuir com todo o problema da saúde haitiano.

Que tipo de conceitos Cuba está mudando?
Cuba é uma sociedade onde se exerce a maior igualdade possível, porém não se pode exercer uma espécie de igualitarismo falso. Todos nós somos iguais nos direitos, nos deveres e perante a lei. Mas não somos iguais em relação a cada pessoa. Em todas essas décadas, Cuba aplicou mecanismos que reduzem muito as diferenças, como, por exemplo, a garantia a toda a população do mínimo de produtos quando há o máximo de escassez. Creio que é importante quando se tem pessoas vulneráveis, que essas pessoas recebam um subsídio em determinado momento. É o que posso explicar, grosso modo nesse momento. O tema exige um tempo muito maior para ser explicado.

Matemáticos revelam rede capitalista que domina o mundo

Este gráfico mostra as interconexões entre o grupo de 1.318 empresas transnacionais
que formam o núcleo da economia mundial. O tamanho de cada ponto representa
o tamanho da receita de cada uma. [imagem: Vitali et al.]
Da New Scientist, via Inovação Tecnológica

Conforme os protestos contra o capitalismo se espalham pelo mundo, os manifestantes vão ganhando novos argumentos.

Uma análise das relações entre 43 mil empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas – sobretudo bancos – tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global. A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça. Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global.

“A realidade é complexa demais, nós temos de ir além dos dogmas, sejam eles das teorias da conspiração ou do livre mercado,” afirmou James Glattfelder, um dos autores do trabalho. “Nossa análise é baseada na realidade.”

Rede de controle econômico mundial
A análise usa a mesma matemática empregada há décadas para criar modelos dos sistemas naturais e para a construção de simuladores dos mais diversos tipos. Agora ela foi usada para estudar dados corporativos disponíveis mundialmente.

O resultado é um mapa que traça a rede de controle entre as grandes empresas transnacionais em nível global.

Estudos anteriores já haviam identificado que algumas poucas empresas controlam grandes porções da economia, mas esses estudos incluíam um número limitado de empresas e não levavam em conta os controles indiretos de propriedade, não podendo, portanto, ser usados para dizer como a rede de controle econômico poderia afetar a economia mundial – tornando-a mais ou menos instável, por exemplo.

O novo estudo pode falar sobre isso com a autoridade de quem analisou uma base de dados com 37 milhões de empresas e investidores. A análise identificou 43.060 grandes empresas transnacionais e traçou as conexões de controle acionário entre elas, construindo um modelo de poder econômico em escala mundial.

Poder econômico mundial
Refinando ainda mais os dados, o modelo final revelou um núcleo central de 1.318 grandes empresas com laços com duas ou mais outras empresas – na média, cada uma delas tem 20 conexões com outras empresas.

Mais do que isso, embora este núcleo central de poder econômico concentre apenas 20% das receitas globais de venda, as 1.318 empresas em conjunto detêm a maioria das ações das principais empresas do mundo – as chamadas blue chips nos mercados de ações.

Em outras palavras, elas detêm um controle sobre a economia real que atinge 60% de todas as vendas realizadas no mundo todo.

E isso não é tudo.

Superentidade econômica
Quando os cientistas desfizeram o emaranhado dessa rede de propriedades cruzadas, eles identificaram uma “superentidade” de 147 empresas intimamente inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas.

“Na verdade, menos de 1% das companhias controla 40% da rede inteira,” diz Glattfelder.

E a maioria delas são bancos.

Os pesquisadores afirmam em seu estudo que a concentração de poder em si não é boa e nem ruim, mas essa interconexão pode ser.

Como o mundo viu durante a crise de 2008, essas redes são muito instáveis: basta que um dos nós tenha um problema sério para que o problema se propague automaticamente por toda a rede, levando consigo a economia mundial como um todo.

Eles ponderam, contudo, que essa superentidade pode não ser o resultado de uma conspiração – 147 empresas seria um número grande demais para sustentar um conluio qualquer.

A questão real, colocam eles, é saber se esse núcleo global de poder econômico pode exercer um poder político centralizado intencionalmente.

Eles suspeitam que as empresas podem até competir entre si no mercado, mas agem em conjunto no interesse comum – e um dos maiores interesses seria resistir a mudanças na própria rede.

As 50 primeiras das 147 empresas transnacionais superconectadas são Barclays plc; Capital Group Companies Inc; FMR Corporation; AXA; State Street Corporation; JP Morgan Chase & Co; Legal & General Group plc; Vanguard Group Inc; UBS AG; Merrill Lynch & Co Inc; Wellington Management Co LLP; Deutsche Bank AG; Franklin Resources Inc; Credit Suisse Group; Walton Enterprises LLC; Bank of New York Mellon Corp; Natixis; Goldman Sachs Group Inc; T Rowe Price Group Inc; Legg Mason Inc; Morgan Stanley; Mitsubishi UFJ; Financial Group Inc; Northern Trust Corporation; Société Générale; Bank of America Corporation; Lloyds TSB Group plc; Invesco plc; Allianz SE 29. TIAA; Old Mutual Public Limited Company; Aviva plc; Schroders plc; Dodge & Cox; Lehman Brothers Holdings Inc; Sun Life Financial Inc; Standard Life plc; CNCE; Nomura Holdings Inc; The Depository Trust Company; Massachusetts Mutual Life Insurance; ING Groep NV; Brandes Investment Partners LP; Unicredito Italiano SPA; Deposit Insurance Corporation of Japan; Vereniging Aegon; BNP Paribas; Affiliated Managers Group Inc; Resona Holdings Inc; Capital Group International Inc; China Petrochemical Group Company.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Em votação na ONU, 186 países aprovam fim de bloqueio a Cuba

Karol Assunção, via Adital

Pela 20ª vez, o bloqueio a Cuba foi tema de votação na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Como nas edições anteriores, os participantes da Assembleia rechaçaram o bloqueio econômico, comercial e financeiro promovido pelos Estados Unidos contra a nação cubana. A votação terminou na tarde da terça-feira, dia 25, com 186 votos a favor do desbloqueio, dois contra e três abstenções.

A votação contou com 191 das 193 nações que fazem parte do organismo internacional. Assim como a realizada no ano passado, os dois votos negativos foram dos Estados Unidos e de Israel. Ilhas Marshall, Micronésia e Palau se abstiveram e Suécia e Líbia não participaram da votação.

Esta foi a 20ª votação – terceira na gestão do mandatário estadunidense Barack Obama – realizada nas Nações Unidas sobre o bloqueio estadunidense a Cuba. A primeira, segundo informações de Telesur, ocorreu em 1992, quando 59 países votaram a favor do desbloqueio, três contra e 71 se abstiveram. De lá para cá, as votações se repetiram, com rechaço cada vez maior ao bloqueio.

De acordo com um informe apresentado pelo Ministério das Relações Exteriores de Cuba à Assembleia da ONU por ocasião da votação, o bloqueio estadunidense causou, até 2010, um prejuízo econômico por volta de US$975 bilhões à Ilha. Segundo o relatório cubano, apesar de algumas medidas positivas promovidas pelos Estados Unidos, o bloqueio permanece.

“Apesar da retórica oficial que pretende convencer a opinião pública internacional de que o atual Governo norte-americano tem introduzido uma política de mudanças positivas, Cuba continua também sem poder comercializar com subsidiárias de empresas norte-americanas em países terceiros e os empresários de nações terceiras interessados em investir em Cuba são sistematicamente ameaçados e incluídos em listas negras”, destaca o informe.

Além disso, o Ministério das Relações Exteriores de Cuba revela que o país continua sem poder exportar e importar produtos e serviços dos Estados Unidos, assim como não pode utilizar o dólar norte-americano em negócios internacionais ou possuir contas com essa moeda em bancos de outros países. O documento cubano ainda lembra que o país não tem acesso a créditos de bancos estadunidenses nem de instituições financeiras internacionais.

“O bloqueio viola o direito internacional, é contrário aos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e constitui uma transgressão ao direito à paz, ao desenvolvimento e à segurança de um Estado soberano. É, em sua essência e objetivos, um ato de agressão unilateral e uma ameaça permanente contra a estabilidade de um país. O bloqueio constitui uma violação massiva, flagrante e sistemática dos direitos humanos de todo um povo. Viola também os direitos constitucionais do povo norte-americano, ao infringir sua liberdade de viajar a Cuba. Viola, ademais, os direitos soberanos de muitos outros Estados por seu caráter extraterritorial”, ressalta.

Para ler o relatório completo, clique aqui.

Fidel confirma que Cuba vai pedir pela 20ª vez o fim do bloqueio na ONU

O líder Fidel Castro afirmou na terça-feira, dia 25, que mais uma vez será levada à ONU a proposta que pede o fim do bloqueio estadunidense contra Cuba.

Via Blog La Militancia Roja, com informações Central contra o Terrorismo Midiático

Incrível, mas será o 20º ano consecutivo do pedido e infelizmente como já é sabido, pela 20ª vez de nada vai adiantar, porque os ianques que se sentem mesmo os “donos do mundo” não vão acatar qualquer tipo de resolução a este respeito.

Mesmo assim Cuba fará o pedido, tentando dizer a necessidade de colocar fim ao bloqueio mantido pelos Estados Unidos contra a Ilha e a reivindicação será feita pelo chanceler Bruno Rodriguez Parrilla. Ele vai apresentar um extenso relatório, que mostra detalhadamente todos os danos sofridos por Cuba neste quase meio século, em função da atitude covarde, cruel e destemperada dos estadunidenses. Para se ter uma ideia, num cálculo superficial, o prejuízo cubano está na casa dos US$975 bilhões.

O texto a ser apresentado, conforme Fidel Castro disse em entrevista, sustenta ainda que as medidas estadunidenses não só persistem, como se intensificam apesar do crescente apoio que a comunidade internacional tem dado a Cuba.

No ano passado e no mesmo plenário da ONU, 187 países voltaram condenando a medida ianque e os únicos votos negativos foram os dos Estados Unidos e Israel. Na oportunidade, as únicas abstenções partiram das Ilhas Marshall, Micronésia e Palau.

É importante lembrar ainda que há um mês a presidenta Dilma Rousseff se tornava a primeira mulher a abrir os trabalhos da Assembleia Geral da ONU e com ela meia centena de governantes do todo o mundo pediu no palco das Organizações das Nações Unidas o reconhecimento do Estado da Palestina e o fim do bloqueio de Washington contra Cuba.

Na ocasião, o ministro cubano de Relações Exteriores Bruno Rodriguez denunciou a intensificação do bloqueio e as tentativas de subverter a ordem constitucional e, ao mesmo tempo, reiterou a disposição e o interesse do governo de Cuba em avançar para a normalização de relações com os Estados Unidos.

Esta será a terceira condenação da ONU desde a chegada do atual presidente, Barack Obama, aquele eleito como Nobel da Paz... Pobre paz!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Mercenários: A perigosa provocação à Cuba

Um dos barcos utilizados pelos terroristas
Francisco Alvarado Godoy, via Solidários/SC.

No próximo 9 de dezembro, às vésperas do Dia Internacional dos Direitos Humanos, um grupo de contrarrevolucionários radicados na Flórida, mobilizados pela organização terrorista Movimento Democracia, zarparão desde Cayo Hueso até as costas cubanas, utilizando uma frota de embarcações, para montar um perigoso espetáculo midiático cujas derivações políticas são impresumíveis.

Até o momento é impreciso determinar se será uma só embarcação de 80 pés que estará envolvida ou se incorporarão à louca aventura outras embarcações. Junto ao Movimento Democracia, participarão representantes de outras organizações anticubanas, como a Organização de Jovens Exilados Cubanos (Ojec), Agenda Cuba, a Assembleia da Resistência Cubana (ARC) e o Partido Pró Direitos Humanos de Cuba.

O terrorista e organizador deste novo show, Ramon Saul Sanchez, presidente do Movimento Democrático, declarou em uma coletiva para a imprensa, com total impunidade, que a provocação em curso tem como finalidade “levar aos cubanos na Ilha uma mensagem de solidariedade que se visualize das três províncias – La Habana, Pinar del Río e Matanzas – por meio de um espetáculo de fogos artificiais”.

Plenamente consciente de que esta delicada operação marítima agrava as relações entre Cuba e EUA, o próprio Raul Sanchez declarou: “Os riscos são o mar; que a tirania não nos agrida, ou que o governo dos EUA não nos detenha, como já aconteceu.”

O governo norte-americano deve tomar consciência do fato indiscutível de que esta nova provocação o coloca frente a sérias responsabilidades, dado o fato de que alguma das embarcações poderiam cruzar o limite das 12 milhas e entrar nas águas jurisdicionais cubanas, o que representaria um perigoso ponto de conflito, pois Cuba, obviamente, tem o legítimo direito de responder a essa provocação de entrada ilícita a suas fronteiras marítimas por parte de alguma destas embarcações.

Cuba – tal como ocorreu em 24 de fevereiro de 1996, ocasião em que foram derrubados dois aviões de pequeno porte da organização terrorista Hermanos al Rescate, após várias violações do espaço aéreo cubano e com a complacência do governo norte-americano, que ficou omisso após diversas advertências e comunicados oficiais a respeito dessas provocações – tem o direito soberano de fazer respeitar suas fronteiras.

A parte norte-americana, até o momento, não tomou ação alguma para deter este ato provocador, o que confirma o grau de impunidade com o que atuam os grupos terroristas anticubanos sediados em terras estadunidenses. As agências governamentais dos EUA, como o FBI, o ICE, a guarda costeira e outras entidades conhecem muito bem os antecedentes delituosos e terroristas deste grupo e principalmente do senhor Ramon Saul Sanchez Rizo.

Até o momento, somente a porta-voz da guarda costeira, Marylin Fajardo, limitou-se a declarar que sua agência não tem autoridade para intervir em uma atividade deste tipo.

Para obter sucesso no show provocador, os grupos se valem da mídia vinculada à máfia anticubana como El Nuevo Herald, El Diario de las Américas, Radio Martí, blogs contrarrevolucionários como Punto de Vista e agências de imprensa internacionais. Todos estes meios de comunicação não apenas dão detalhes da perigosa aventura, como também servem para incitar os cidadãos residentes na Ilha a somarem-se ao evento mediante atos de desobediência civil.

Antecedentes provocadores do Movimento Democracia
Até o momento, esta organização realizou aproximadamente 16 expedições marítimas às costas de Cuba, utilizando fogos de artifício.

O Movimento Democracia – criado em 13 de julho de 1995, a partir da Comissão Nacional Cubana junto a contrarrevolucionários de Nova Iorque, Nova Jérsei, Flórida e Porto Rico – é conhecido em Miami como o Movimento Cepillo, por sua tendência de arrecadar fundos dentro da comunidade cubana nos EUA e por manter uma permanente atitude provocadora contra o território cubano, buscando sempre fomentar animosidades entre Cuba e EUA. Conta com a emissora Radio Democracia e não passa de 20 membros com fortes laços com outras organizações terroristas.

Segundo o site EcuRed, “seus líderes sempre foram Ramon como presidente; Luís Felipe Rojas, secretário de imprensa; Norman del Valle, chefe de operações; Frank Álvarez, chefe naval; Ramon Diaz, chefe de segurança; e Marcelino Garcia, chefe do grupo aéreo. Luís Felipe Rojas, o homem de maior confiança de Ramon Saul, é sobrinho-neto do capacho da tirania batistiana Cornélio Rojas. Norman del Valle possui um negócio de contratações em Miami e está vinculado ao terrorista “Pepe” Hernandez, diretor da FNCA”. A organização mantém uma página no Facebook (clique aqui).

A rota do dinheiro evidencia como recebem financiamento de representantes e organizações da direita cubano-americana, como a FNCA, a família Bacardi, diretores vinculados ao Ocean Bank, a empresas de advogados de Miami Mortgase e os contrarrevolucionários já falecidos, Elena Diaz-Verson e Arnaldo Monzón, diretores da FNCA que financiou também as operações terroristas contra Cuba a partir da América Central de Posada Carriles, assinala o mesmo EcuRed.

Em várias oportunidades, tal como ocorreu nas provocações em 13 de julho de 1996, em 1997 e depois em janeiro de 1998 quando tentaram provocar um incidente durante a visita do Papa João Paulo 2º à Cuba.

O movimento decidiu não escutar deliberadamente as frágeis pressões das autoridades norte-americanas apesar de que foram retidas as embarcações Democracia e Direitos Humanos em setembro de 1997 e em dezembro de 1998, respectivamente. Essas medidas impostas pelas autoridades de EUA foram ignoradas descaradamente pelo terrorista Ramon Saul, que chegou ao descaramento de enviar lanchas teledirigidas por GPS, como ocorreu com uma delas em junho de 1998, que encalhou na praia de El Chivo, na então cidade de Havana, carregada de propaganda incitando a subversão.

A partir de 1999, incrementou seus vínculos com terroristas e organizações contra revolucionárias de Miami, tais como Alpha 66, a FNCA, o CLC, o CID e a Federação Sindical de Plantas Elétricas, Gás e Água de Cuba no exílio, dentre outras, assumindo ainda maior papel provocador e perigoso. Suas posições de linha dura os levaram a participar ativamente do sequestro de Elian Gonzalez e na defesa de Posada Carriles e seus cúmplices enquanto se encontravam detidos no Panamá.

O chefe do Movimento Democracia, Ramon Saul Sanchez, nasceu em Colón, Matanzas, Cuba em 1954. Ainda jovem, foi para os EUA, vinculando-se com apenas 17 anos a grupos terroristas como Frente de Libertação Nacional Cubano (FLNC), Abdala, Alpha 66, Jovens da Estrela, Coru, Organização para a Libertação de Cuba, Omega 7 e Cuba Independente e Democrática (CID). Imediatamente, desenvolveu uma ativa participação em atos terroristas de grande projeção e perigo, no assassinato de quatro norte-americanos cuja aeronave explodiu em pleno voo. Acompanhou-o em suas ações o terrorista Francisco Eulálio Castro Paz, de histórica bandidagem como homicídios e narcotráfico, assim como Orlando Bosch Ávila.

Ramon Saul esteve envolvido nas ações realizadas pela organização terrorista Ação Cubana, dedicada ao envio de cartas bombas a missões diplomáticas de Cuba no exterior, particularmente em 1974. Ramon Saul é técnico em eletrônica e vive no endereço 7105 SW 8 TH Street Suite 101, Piso 2, Brickelave, Miami. FL 33144 (2000).

Seus vínculos mais frequentes foram com terroristas Luís Posada Carriles, Sérgio Francisco Gonzalez Rosquete, Higinio Diaz Ané, Justo Regalado Borges, José Basulto, Rodolfo Frómeta Caballero, Ruben Dario Lopez Castro, Nelsy Ignacio Castro Matos, Orlando Gutierrez Boronat, Enrique Encinosa Canto dentre outros.

Conclusões
A atual administração do presidente Obama deve tomar consciência do perigo que representa a frota que chegará à costa cubana no próximo dezembro, assim como as profundas implicações e responsabilidades que terá de assumir se alguns dos experimentados terroristas e provocadores, ávidos de criminal protagonismo, ousarem cruzar as águas territoriais cubanas. Obama tem a palavra para deter esta aventura sem cabimento, fomentada pela ultradireita anticubana e seus próprios políticos.

Cuba, de sua parte, não esquecerá seu legítimo direito de defender-se de qualquer agressão ou provocação. A grande maioria do povo cubano ignorará esta nova fanfarrice midiática e não se prestará a ela, disposto a dar-lhe justa resposta a quem, ansioso em encher seus bolsos de dólares provenientes de seus amos do norte, tentem sair às ruas para realizar qualquer provocação contrarrevolucionária. Estão advertidos!

Tradução: Coletivo Paulo Petry, núcleo da UJC/PCB em Cuba.

domingo, 23 de outubro de 2011

ONU rumo à 20ª condenação ao bloqueio dos EUA contra Cuba

Enquanto os Estados Unidos intensificam seu bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba, a Assembleia Geral da ONU avança na terça-feira, dia 25, para uma nova condenação quase unânime a esse cerco. É a 20ª condenação em 20 anos consecutivos.

Via Vermelho, com informações da Prensa Latina

O tema voltará a ser analisado pelo órgão máximo das Nações Unidas na terça-feira, dia 25, quando será submetida à votação uma resolução que insistirá no pedido de acabar com essas medidas implantadas há quase 50 anos.

Um documento similar foi adotado no ano passado no mesmo plenário da ONU, quando, dos 187 países, somente os votos contrários dos Estados Unidos e de Israel e as abstenções de Ilhas Marshall, Micronésia e Palau, foram contra à suspensão do bloqueio assassino.

O tema aparece explicado em detalhe em um relatório distribuído sob o título “Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba”.

Nesse texto, o governo cubano sustenta que as medidas estadunidenses contra a ilha caribenha persistem e se intensificam apesar da crescente e categórica demanda da comunidade internacional para sua eliminação.

Também sublinha que o atual governo dos EUA adotou algumas medidas positivas, mas insuficientes, limitadas e sem a intenção de alterar o emaranhado de leis, regulações e disposições que reafirmam a política de bloqueio contra Cuba.

Nesse sentido, o documento recorda que as diferentes leis relacionadas com o bloqueio não apenas são mantidas, como também constituem a arquitetura jurídica de uma política que qualifica como um ato de genocídio e de guerra.

Devido a esse cerco, Cuba não pode exportar, nem importar livremente produtos e serviços para ou dos Estados Unidos, sequer utilizar o dólar estadunidense em transações financeiras internacionais, ou ter contas nessa moeda em bancos de outros países.

Também não pode ter acesso a créditos de bancos nos Estados Unidos, de suas filiais em terceiros países e de instituições internacionais como o Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Cuba considera que a retórica oficial dos EUA pretende convencer a opinião pública internacional de que a atual administração na Casa Branca tem introduzido uma política de mudanças positivas.

Mas a Ilha continua sem poder comercializar com subsidiárias de empresas dos Estados Unidos em terceiros países e os empresários dessas nações interessados em investir em Cuba são sistematicamente ameaçados e incluídos em listas negativas.

Do mesmo modo, Washington recrudesceu a perseguição das transações financeiras internacionais de Cuba, incluídas as provenientes de organismos multilaterais de cooperação com a Ilha.

Essa linha de agressão constitui um dos traços distintivos da aplicação da política do bloqueio sob a atual administração, afirma o documento apresentado aos países membros da ONU.

E ao mesmo tempo, diz, os grupos anticubanos que controlam o Comitê de Relações Exteriores da Câmara de Representantes querem impedir a presença de companhias estrangeiras na exploração de petróleo na zona econômica exclusiva de Cuba.

O documento revela que o dano econômico direto ocasionado ao povo cubano pela aplicação do assédio dos Estados Unidos, até dezembro de 2010 e a preços correntes, chega a uma cifra que supera os 104 bilhões de dólares.

Mas quando é levada em consideração a depreciação do dólar frente ao valor do ouro no mercado financeiro internacional, a afetação à economia cubana é superior aos US$975 bilhões.

Por tudo que foi exposto, Cuba assegura que o governo do presidente Barack Obama tem mantido intacta a política de bloqueio, um cerco que transgride o direito à paz, ao desenvolvimento e à segurança de um Estado soberano.

Também é uma violação dos direitos humanos de todo o povo cubano e dos benefícios constitucionais dos estadunidenses, ao impedir sua liberdade de viajar a Cuba, e de muitos outros Estados por seu caráter extraterritorial.

O governo cubano destaca que Obama conta com prerrogativas suficientes para modificar significativamente o bloqueio contra Cuba, inclusive sem a intervenção do Congresso, e reclama seu levantamento “sem mais demora e de maneira incondicional”.

sábado, 22 de outubro de 2011

Fernando Morais: Livro é ‘furo jornalístico’ sobre guerra dos EUA contra Cuba

Via Vermelho, com informações do Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé

Em debate ocorrido na quinta, dia 20, no Teatro da Faculdade Paulista de Comunicação (Fapcom), o escritor e jornalista Fernando Morais apresentou Os últimos soldados da Guerra Fria, seu novo livro. Promovido pelo Barão de Itararé, revista Fórum e Circuito Fora do Eixo, o evento também contou com as presenças de Socorro Gomes, Lázaro Mendez Cabrera, Max Altman e mediação de Renata Mieli e Renato Rovai.

Em sua nova obra, lançado pela Companhia das Letras, Fernando Morais retoma a reportagem literária em torno de Cuba. O escritor mineiro ganhou notoriedade com a publicação do emblemático A Ilha, em 1976, quando em plena ditadura militar brasileira, desmitificou e escancarou uma realidade social totalmente diferente da que era passada pela grande mídia.

A obra é fruto de uma pesquisa minuciosa sobre a Rede Vespa, uma agência secreta cubana que infiltrou agentes em organizações estadunidenses de extrema-direita, na década de 1990. O turismo era a indústria cubana que mais crescia e essas organizações recebiam dinheiro para promover ataques terroristas à Ilha (por exemplo, jogar pragas em lavouras cubanas, interferir nas transmissões da torre de controle do aeroporto de Havana, plantar bombas e disparar rajadas de metralhadora em locais cheio de turistas e cidadãos cubanos).

“Em 1998, quando estava nos Estados Unidos, com a minha esposa, escutei na rádio um breve relato sobre agentes secretos cubanos presos. Na hora pensei: aí tem algo interessante”, afirma Morais. Depois disso, foram mais de 20 viagens para Miami e Cuba, análise de documentos secretos e centenas de entrevistas. O resultado é uma extensa reportagem com os melhores elementos literários de um romance de espionagem.

Para o escritor, o que surpreende é que seu livro conta novidades do passado, e isso significa muito quando se trata de Cuba. “Essa história, na verdade, é um furo jornalístico. O que revela que a postura da grande imprensa em relação à Ilha permanece inalterada mesmo após 52 anos de Revolução”, diz.

Durante sua exposição, Fernando Morais fez questão de criticar a grande imprensa brasileira. O escritor, em começo de carreira, chegou a trabalhar na Veja, mas faz questão de ponderar, bem humorado: “naquele tempo, Fidel Castro dava capa positiva na Veja”. Segundo ele, o veículo ainda não publicou “uma sílaba” sobre o livro, mas diz gozar do privilégio de entrar na revista pela “porta da frente”, ou seja, pelas mãos dos leitores, já que o livro está entre os mais lidos.

Com uma boa recepção até o momento, Os últimos soldados da Guerra Fria terá diversas traduções e já foi negociado para virar filme. Fernando Morais justifica: “A história não precisa de adjetivo. É uma história com tutano, osso e pele. Nem o mais talentoso romancista daria conta de contá-la de forma tão rica como ela é na realidade.”

Para o cônsul de Cuba, Lázaro Mendes Cabrera, a obra é uma grande contribuição à luta da Ilha e reflete o sentimento de solidariedade que há entre os povos latino-americanos. Socorro Gomes, a presidente do Centro Brasileiro de Luta Pela Paz (Cebrapaz), também ressalta essa questão, lembrando a cooperação internacional que Cuba promove na área da medicina e da educação.

Os Cinco cubanos ignorados pela mídia
O tema dos Cinco cubanos ignorados pela mídia também foi abordado pela mesa. Advogado, jornalista e membro do Comitê Brasileiro pela Libertação dos 5 Patriotas Cubanos, Max Altman comentou que o livro tem quebrado barreiras importantes para a divulgação do caso. “Levamos nossa luta à imprensa brasileira por diversas vezes, mas simplesmente não há interesse nenhum da parte deles”, afirma.

Altman chamou a atenção para o fato de que, enquanto os cubanos estão encarcerados em solitária, sem luz, água e incomunicáveis, Luis Posada Carriles caminha tranquilamente pelas ruas da Flórida. Ele foi responsável por explodir um avião cubano com 73 passageiros em pleno voo, no ano de 1976.

Para Fernando Morais e demais debatedores, o que os Estados Unidos não aceitam e os grandes veículos de comunicação, por consequência, também não, é que um país tão pequeno como Cuba esteja resistindo, há tanto tempo, à maior máquina econômica e militar da história. Os últimos soldados da Guerra Fria retrata, com primor literário, um capítulo importante e oculto dessa história.

Empresários de EUA criticam bloqueio a Cuba


Líderes empresariais dos Estados Unidos e funcionários cubanos analisaram na sexta-feira, dia 21, o impacto do bloqueio norte-americano contra a Ilha nas áreas de saúde, alimentação e turismo, e qualificaram a medida como um ato de guerra.

Os oradores intervieram em uma videoconferência realizada desde o Teatro do Ministério de Relações Exteriores de Cuba, e o salão de protocolo de sua Seção de Interesses em Washington.

O foro teve lugar a poucos dias de a Organização de Nações Unidas votar uma resolução de rejeição ao cerco comercial e econômico com um custo para o país caribenho superior a US$975 bilhões.

Um dos conferencistas foi Bob Schwartz, membro do Fundo para a Educação de Incapacitados de Nova Iorque, que condenou a proibição a médicos norte-americanos de viajar a Cuba a ensinar técnicas inovadoras de cirurgia ou fazer experimentos conjuntos.

Cuba tem muito a oferecer em termos de saúde a Estados Unidos como são suas pesquisas contra o câncer e os tratamentos contra as úlceras do pé diabético, os quais evitariam a sua nação milhares de amputações a cada ano, sublinhou.

Pela parte cubana, o doutor Antônio Gonzalez, funcionário do Ministério de Saúde, precisou que, nos últimos 12 meses, o impacto do bloqueio no setor médico ascende a US$15 milhões.

De acordo com Gonzalez, essa despesa deve-se a compra de medicamentos em mercados longínquos e ao aumento nos custos de importação de materiais descartáveis, equipes médicas, medicinas e peças de reposto.

A conferencista Lisa Simon, presidenta da Associação Nacional de Viagens dos Estados Unidos, abordou em sua fala as restrições dos médicos de viajar à Ilha.

“Os estadunidenses estão cada vez mais interessados em conhecer o que acontece em Cuba, mas estão impossibilitados em viajar”, assinalou.

Afirmou que a eliminação parcial dessas restrições implementadas neste ano pelo presidente, Barack Obama, impulsionou a visita de quase 400 mil visitantes cubano-americanos em 2011, e a entrada nos EUA de outros 50 mil estadunidenses.

Antes do triunfo da revolução cubana em 1959, 90 por cento dos vôos turísticos norte-americanos tinha como destino a Cuba, um processo que quebrou nos anos 60 por causa do bloqueio, sublinhou desde Havana Miguel Figueras, funcionário do Ministério de Turismo.

Ao analisar o tema alimentar, a presidenta da Federação Nacional do Arroz dos Estados Unidos, Betsy Nard, comentou que esse setor tem sido um dos mais afetados pelo bloqueio contra o povo cubano.

A empresária reiterou que o objetivo principal da federação conseguir o comércio total e aberto com Cuba.

“Preferimos ver o embargo comercial contra Cuba levantado completamente e conseguir a venda de produtos agrícolas a essa nação , expressou.

A videoconferência foi organizada pela chancelaria cubana em vésperas de que Nações Unidas aprovar na terça-feira, dia 25, sua 20ª condenação em 20 anos consecutivos ao bloqueio que, há meio século, os Estados Unidos mantém contra Cuba.