sábado, 8 de outubro de 2011

Depois de 44 anos, Che Guevara ainda vive

Dia 8 de outubro marca o aniversário da morte do ícone da rebeldia e da revolução da América Latina.


Homem de personalidade forte, orador inteligente, hábil estrategista e, acima de tudo, extremamente voluntarioso e decidido. Não se adaptou à burocracia e, em 1965, deixou o cargo de ministro da Economia de Cuba porque “outros países do mundo clamavam por revoluções”. Na Bolívia isolado em território desconhecido e sem apoio do partido comunista local, foi perseguido pelo exército e levado para o povoado de La Higuera, onde foi assassinado no dia seguinte.

Depois de intenso tiroteio, com sua arma avariada e com a perna ferida por uma bala, Che Guevara rendeu-se. Naquela altura, a aparência dele era assustadora. Parecia um mendigo, magro, sujo e esfarrapado. Levaram-no para um casebre em La Higuera que servia como escola rural. Lá, ele tinha a companhia dos cadáveres de dois jovens guerrilheiros cubanos, com quem passou sua última noite.

Foi interrogado pelo tenente André Selich, quem arrancou de Che a frase “eu fracassei, está tudo terminado e é por essa razão que me vê neste estado”. Depois de muitas tentativas de interrogatório também do coronel Joaquim Zenteno Anaya e do agente cubano-americano da CIA, Félix Rodrigues, chega então pelo rádio, ao meio-dia e meia, a ordem final do general René Barrientos, do alto comando boliviano de La Paz, que segundo Selich era “proceder a eliminação do senhor Guevara”.

Apesar de nenhum deles concordarem com a execução, pois Che valia muito mais vivo do que morto, para o expor derrotado e exigir de Cuba uma indenização para cobrir os gastos deixados pelas guerrilhas e colaborar com os familiares de bolivianos mortos. Mas, a ordem teve de ser cumprida. Mário Terán, o homem que executou Ché, disse que as últimas palavras dele foram “ É melhor assim [...]. Eu nunca deveria ter sido capturado vivo.”

A única ordem dada a Terán sobre a execução foi de livrar o rosto e que só atirasse do pescoço para baixo. Terán puxou o gatilho e atirou nos braços e nas pernas e enquanto Che se contorcia de dor e mordia os pulsos na tentativa de evitar gritar, uma outra rajada foi disparada. A bala fatal penetrou no tórax de Che, eram 13:10, quando Rodriguez olhou no relógio ao ouvir o último disparo. Che morre no dia 8 de outubro de 1967, aos 39 anos de idade, com 11 tiros.

Che foi jogado no concreto de uma lavanderia com a cabeça apoiada na pia e os olhos abertos. Dois dias depois jogaram seu corpo com as mãos decapitadas numa cova secreta próximo a Vallegrande. Ele e mais sete outros foram enterrados nesse lugar num segredo que duraria quase três décadas. O exército boliviano temia que seu túmulo virasse centro turístico devido à fama que Guevara tinha na América Latina.

Desde então, o dia 8 de outubro é o “Dia do Guerrilheiro Heroico” em Cuba, durante o qual são prestadas homenagens a Che Guevara.

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