sábado, 15 de outubro de 2011

Pedro Belasco: Che, modelo de moral

Che Guevara é um mito mundial que sobrevive em cada manifestação de revolta contra o poder capitalista.

Pedro Belasco, Via Correio do Brasil

Afirmar que a memória de Che permanece viva seria muito pouco para o “eterno revolucionário” cujo internacionalismo de sua presença não tem precedente. Está “presente” em qualquer manifestação popular, em qualquer comício em qualquer lugar do mundo, tornou-se ídolo da juventude mundial, símbolo de radical disputa e revolução permanente, fonte de inspiração para muitas faces da arte.

Jean-Paul Sartre o caracterizou em 1968 como “uma das maiores figuras humanas do século 20”. Mas, também, neste século 21 a figura de Che permanece viva como nunca na América Latina e no mundo inteiro, onde o lema “socialismo ou barbárie” torna-se novamente atual.

Hoje, a Bolívia, com Evo Morales na Presidência de República, honra Che oficialmente. Mas também a América Latina, de modo geral, evolui – de uma ou de outra forma – rumo à direção do que Che sonhou, porém não por intermédio das armas, mas com múltiplos movimentos populares e vitórias eleitorais de frentes de forças da esquerda, na base de programas antineoliberais.

União da AL
Em um período de profunda crise, como a atual que é, também, crise de valores, é de particular importância destacar que Che desperta consciências não porque foi um grande teórico ou porque representa a correta “receita para uma revolução”, mas como modelo de moral de um combatente irreconciliável e internacionalista, na teoria e na prática.

“Meu marxismo tem raízes profundas”, escreveu na última carta a seus pais. Se for realizada uma pesquisa questionando qual era sua nacionalidade, dificilmente haveria respostas certas.

Che nasceu na Argentina, mas é herói da América Latina e símbolo de sua união. Foi um dos líderes da Revolução Cubana e seu indiscutível teórico. Abandonou seu cargo de ministro da Indústria para lutar ao lado dos movimentos nacionalistas libertários na África. Depois foi à Bolívia, onde tentou organizar um movimento de guerrilha, mas encontrou grandes dificuldades e, finalmente, foi morto, não como gostaria de ter sido – em pé, lutando – mas assassinado.

Transcorrendo o século 21, o mito de Che não sofreu desgaste, mas cresce incessantemente e internacionaliza-se, particularmente entre os jovens do planeta. E isso ocorre porque a crise do sistema é profunda e multidimensional, e o mundo deverá mudar radicalmente e derrubar as desigualdades que destroem as sociedades e imobilizam as capacidades criativas dos seres humanos. A própria vida na Terra está ameaçada pela galopante decadência ambiental, consequência do predominante modelo neoliberal de crescimento.

Che está mais vivo hoje. Propõe a esquerda como postura e modelo de vida. Fala direto no coração e na consciência com as mesmas palavras, com as quais falou a seus filhos em sua última carta:

“Acima de tudo, sejam sempre capazes de sentir profundamente qualquer injustiça que está sendo cometida contra qualquer um, em qualquer canto deste mundo. É a característica mais bela de um revolucionário.”
Ernesto Che Guevara, guerrilheiro heroico

Pedro Belasco é cientista social.

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