sábado, 12 de novembro de 2011

Emir Sader: América Latina, pé de página para os EUA

Emir Sader, via Carta Maior

Quando ganhou, como todo presidente norte-americano, Bush filho também disse, em 2000, que a América Latina se tornaria ”um compromisso fundamental” de sua presidência. Em seu livro de memórias, Pontos de decisão, ele dedica menos de 0,5% das 497 páginas dedicadas ao continente. Nenhuma referência ao Brasil.

Em sua biografia política, Minha vida, Clinton dedica cerca de 10 páginas do total de 957 à América Latina, cerca de 1% do livro, quase todas referidas a Haiti e a Cuba.

Madeleine Albright, ex-secretária de Estado, no seu livro Madame secretary, dedica uma dezena de páginas à América Latina, do total de 562, com alguns parágrafos dispersos sobre Cuba e o Haiti.

Condoleezza Rice vem de publicar seu Nenhuma honra mais alta: 98% do total de 766 páginas são dedicadas ao Oriente Médio, à Russia, à Ásia e apenas 2% – umas 15 páginas – à América Latina.

Enquanto isso, os EUA exportam três vezes mais para a América Latina do que a China; 43% das exportações totais dos EUA vêm para a América Latina e o Caribe, que é fonte cada vez mais importante de petróleo e é a região com mais impacto em temas como a imigração e o narcotráfico. No entanto, Clinton escreve, no último número da revista Foreign Policy, “O século do Pacífico”, que “o futuro da geopolítica se decidirá na Ásia e não no Afeganistão”.

Os EUA, junto com a direita latino-americana – a partidária e a midiática –, não têm o que propor ao continente. Nem alternativas por parte das direitas locais, nem alternativas econômicas por parte dos EUA sempre em recessão.

Cabe ao continente – que, para os EUA, é um pé de página nas biografias de seus ex-dirigentes – aproveitar-se da hegemonia que o modelo dominante na região adquire, para avançar na consolidação dos processos de integração regional e na construção de modelos alternativos ao neoliberalismo que a direita e os EUA impuseram a nossos países.

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