segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Manuel E. Yepe: EUA semeiam tempestades

Para nada contribuíram com o propósito de evitar o flagelo terrorista em nível global ações dos Estados Unidos supostamente voltadas para este fim em consequência dos atos criminosos de 11 de setembro de 2001.

Por Manuel Yepe, em Cubadebate, via Vermelho

Nem a promulgação das chamadas leis patrióticas que autorizavam execuções extrajudiciais ou detenções arbitrárias de cidadãos nacionais ou estrangeiros, nem as ações encobertas violadoras de leis e fronteiras, nem a discriminação e perseguição de imigrantes, nem o abandono do Direito Internacional Humanitário, nem as sanções unilaterais, nem as “listas” ou certificações de países com turvos fins políticos serviram para evitar o terrorismo.

Em vez disso, ganha força atualmente nos Estados Unidos uma nova forma de promover o terrorismo. Depois que a oligarquia estadunidense, embriagada de poder, inaugurou a promoção dos sequestros de aviões como arma de sua guerra mediática contra Cuba, não passou muito tempo para que esse delito terrorista repercutisse contra a superpotência. Somente com a colaboração oficial e sincera de Cuba pôde-se dar fim a esta perigosa moda.

Recentemente, com similar embriaguez, especialistas militares e de inteligência estadunidenses sugeriram durante uma audiência convocada por vários legisladores do partido republicano na Câmara de Representantes do Congresso dos Estados Unidos a conveniência de levar a cabo assassinatos seletivos de altas patentes dos guardiães da revolução iranianos e ciberataques contra esse país.

“O Irã tem demonstrado com o presumido complô para tentar matar o embaixador saudita em Washington que representa uma ameaça inclusive dentro dos Estados Unidos, e não se deve descartar qualquer tipo de medida contra esse país”, afirmaram por sua parte os republicanos sem fazer notar que Teerã tinha desmentido com prontidão a acusação qualificando-a de manobra absurda.

“Por que não matá-los? Esta gente matou cerca de um milhar dos nossos, por que não os assassinamos mediante operações secretas?”, declarou o general da reserva Jack Keane, ex-chefe do Estado Maior do Exército diante do Subcomitê de Contraterrorismo e Inteligência da Câmara. “Temos de agarrá-los pelo pescoço. Eles têm de sentir esse tipo de pressão.”

“Já basta. Está claro que essas sanções não são suficientes”, disse o chefe do Subcomitê de Contraterrorismo e Inteligência, o deputado republicano pelo Texas, Michael McCaul, referindo-se às penalidades que os Estados Unidos impõem ao Irã desde há três décadas.

“Este foi um complô real. Para mim isso muda as regras do jogo. Nenhuma opção deve ficar fora da mesa”, acrescentou o deputado republicano por Nova Iorque Peter King. “Não creio que vamos intimidar essa gente a menos que matemos alguém”, disse por sua parte Reuel Marc Gerecht, especialista da Fundação para a Defesa das Democracias.

Correntemente, se emprega o termo “terrorismo” em casos de ações levadas a cabo por unidades secretas ou irregulares que, dada sua inferioridade militar para enfrentar as instituições armadas governamentais, operam fora dos parâmetros das guerras.

Mas é óbvio que é uma linguagem terrorista a que os Estados Unidos estão empregando, não só contra o Irã, mas em escala mundial, seguramente estimulados pelos “exitosos” recentes assassinatos em abundância do líder da organização terrorista Al Qaeda, Osama Bin Laden, e do chefe de Estado da República de Massas (Jamahiriya) da Líbia, coronel Muamar Kadafi, duas das figuras mais intensamente demonizadas pelos meios de comunicação estadunidenses nos últimos anos.

O povo estadunidense, que também sofreu os horrores do terrorismo e não é responsável pelas atrocidades de seu governo, pode sair também perdedor nesta legitimação das execuções extrajudiciais que a superpotência promove ao mais alto e em todos os níveis dos governos sem respeito pelas fronteiras nem às soberanias nacionais.

Manuel E. Yepe é advogado, economista e jornalista. Ele é professor no Instituto Superior de Relações Internacionais, em Havana. Ele foi embaixador de Cuba na Romênia, diretor geral da agência Prensa Latina, vice-presidente do Instituto Cubano de Rádio e Televisão; fundador e diretor nacional do Sistema de Informação Tecnológica (TIPS) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em Cuba, e secretário do Movimento Cubano pela Paz e Soberania dos Povos.

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