terça-feira, 22 de novembro de 2011

Oliver Stone: “Não há democracia nos EUA, mesmo com Obama.”


O cineasta norte-americano Oliver Stone (foto) declarou no sábado, dia 19, em Argel, Argélia, que os Estados Unidos não vivem na democracia, mesmo sob a presidência de Barack Obama, eleito em 2008, e criticou Wall Street, a atitude bélica norte-americana e a indiferença de seus compatriotas com relação ao resto do mundo.

Em entrevista coletiva em francês, intercalada por algumas expressões em inglês, Stone, cuja mãe é francesa, disse que os “indignados” norte-americanos que protestam contra Wall Street deveriam deslocar seu movimento de protesto contra o sistema financeiro “a Washington e não a Nova Iorque, para ter maior impacto”.

Segundo o diretor de filmes como Wall Street, poder e cobiça (1987) e Wall Street: o dinheiro nunca dorme (2010), é assim que as pressões sobre os políticos para sanear o sistema financeiro serão “eficazes”.

O cineasta, cujo pai é um ex-operador financeiro de Wall Street, foi convidado ao festival de cinema autoral de Argel, que começa na terça-feira, dia 29. Ele se disse “consternado de ver como o dinheiro é venerado pelos norte-americanos” e com os efeitos da crise econômica.

“A classe média [norte-americana] é a primeira vítima, mas nada consegue mexer com o sistema” norte-americano, ao qual qualificou de “não democrático, mesmo depois da chegada de Obama” ao poder.

O cineasta denunciou “30 anos de mentiras” contadas nos Estados Unidos e mencionou a guerra do Vietnã, que o inspirou a dirigir Platoon (1986). Segundo ele, os norte-americanos viveram com a ideia de que “o comunismo vai dominar o mundo”, enquanto ele caiu em 1989.

Perguntado sobre o apoio norte-americano a Israel, Stone afirmou que “não se pode falar disso nos Estados Unidos. Há um poder tal, o dinheiro, a imprensa e o lobby são mais que os fatos, a verdade, não aparece”, disse.

Stone julgou seus compatriotas com severidade. “Os norte-americanos não estão tão interessados nos problemas do exterior”, disse. “Não têm empatia por eles”, acrescentou.

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