terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O problema de direitos humanos em Cuba está em Guantânamo

Dilma defende parceria estratégica e duradoura entre Brasil e Cuba

Dilma foi recebida no aeroporto pelo ministro das Relações
Exteriores Bruno Rodriguez Parrilla. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR


A presidenta Dilma Rousseff desembarcou no Aeroporto Internacional José Martí, de Havana, na segunda-feira, dia 30, para sua primeira visita oficial à Cuba na condição de chefe de Estado. Segundo o Ministério das Relações Exteriores brasileiro, a visita contribuirá para aprofundar o crescente diálogo e cooperação no relacionamento bilateral, com ênfase na agenda econômica, que experimentou crescimento importante e grande diversificação nos últimos anos. O comércio bilateral entre Brasil e Cuba registrou valor recorde em 2011, totalizando US$642 milhões (31% a mais que 2010). Fazem parte da comitiva presidencial os ministros Antônio Patriota (Relações Exteriores), Fernando Pimentel (Desenvolvimento), Alexandre Padilha (Saúde) e o assessor de assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia.

A presidenta Dilma Rousseff defendeu na terça-feira, dia 31, uma parceria “estratégica e duradoura” para acelerar o desenvolvimento cubano. Em entrevista coletiva após visita ao Memorial de José Martí [assista no final da matéria], na Praça da Revolução, a presidenta citou os investimentos brasileiros no Porto de Mariel e o financiamento da produção por meio do Programa Mais Alimentos.

Além da cooperação econômica, a presidenta Dilma falou ainda sobre direitos humanos, tema que, segundo ela, deve ser discutido dentro de uma “perspectiva multilateral”.

“Não é possível fazer da política de direitos humanos só uma arma de combate político-ideológico. O mundo precisa se convencer de que é algo que todos os países do mundo têm de se responsabilizar, inclusive o nosso. Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro. Nós, no Brasil, temos os nossos. Então, eu concordo em falar de direitos humanos dentro de uma perspectiva multilateral. Acho que esse é um compromisso de todos os povos civilizados. Há, necessariamente, muitos aspectos a serem considerados. De fato, é algo que nós temos de melhorar no mundo, de maneira geral. Nós não podemos achar que direitos humanos são uma pedra que você joga só de um lado para o outro. Ela serve para nós também.”

Na primeira visita oficial a Cuba, presidenta Dilma Rousseff se reúne
com o presidente Raul Castro. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Agenda
Na terça-feira, a presidenta Dilma Rousseff participou de cerimônia de oferenda floral ao monumento de José Martí na Praça da Revolução. Após visita ao Memorial, ocorreu a cerimônia oficial de boas-vindas. Logo após, Dilma se reuniu com o presidente de Cuba, Raul Castro, onde foram assinadas várias parcerias entre Brasil e Cuba para aprofundar a cooperação bilateral nas áreas técnica, científica e tecnológica, sobretudo nas áreas de agricultura, segurança alimentar, saúde e produção de medicamentos.

O presidente Raul Castro ofereceu almoço em homenagem à presidenta Dilma no Salão de Protocolo de Cubanacán e, em seguida, visitaram as obras do Porto de Mariel executadas por uma empresa brasileira. Trata-se de projeto estratégico para o aumento do intercâmbio comercial de Cuba. Cerca de 80% do montante necessário à ampliação conta com financiamento brasileiro, no valor total de US$683 milhões.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Emir Sader: A Cuba que Dilma visita

Emir Sader, via Carta Maior

Assim que Fidel e seus companheiros tomaram o poder e o governo dos EUA acentuou suas articulações para tratar de derrubar o novo poder, a grande burguesia cubana e uma parte da classe média alta foram se refugiar em Miami. Bastava esperar que mais um governo rebelde capitulasse diante das pressões norte-americanas ou fosse irremediavelmente derrubado. Afinal, nenhum governo latino-americano rebelde tinha conseguido sobreviver. Poucos anos antes Getulio Vargas tinha-se suicidado e Perón tinha abandonado o governo. Os dois governos da Guatemala, que tinham ousado colocar em prática uma reforma agrária contra a United Fruis – hoje reciclada no nome para Chiquita –, sofreram um violento golpe militar.

Como um governo cubano rebelde, em plena guerra fria, a 110 quilômetros do império, conseguiria sobreviver? Cuba era o modelo do “pátio traseiro” dos EUA. Era ali que a burguesia estadunidense passava suas férias como se estivesse numa colônia sua. Era ali que os filmes de Hollywood encontravam os cenários para seus melosos filmes sentimentais. Era ali que um aristocrata cubano tinha importado Esther Williams para inaugurar sua casa no centro de Havana, mergulhando numa piscina cheia de champanhe. Era em Cuba que os milionários norte-americanos desembarcavam com seus iates diretamente aos hotéis com cassinos ou as suas casas, sem sequer passar pelas alfândegas. Era ali que os marinheiros norte-americanos se embebedavam e ofendiam os cubanos de todas as formas possíveis. Era para Cuba que a Pan American inaugurou seus voos internacionais. Era ali que as construtoras de carros norte-americanas testavam seus novos modelos, um ano antes de produzi-los nos EUA. Foi em Cuba que a máfia internacional fez seu congresso mundial no fim da 2ª Guerra, para repartir seus mercados internacionais, evento para o qual contrataram o jovem cantor Frank Sinatra para animar suas festas. Em suma, Cuba era um protetorado norte-americano.

Os que abandonaram o país deixaram suas casas intactas, fecharam as portas, pegaram o dinheiro que ainda tinham guardado e foram esperar em Miami que o novo governo fosse derrubado e pudessem retomar normalmente sua vida num país de que se consideravam donos, associados aos gringos.

Há um bairro em Miami que se chama Little Havana, onde os nostálgicos ficam olhando para o Sul, cada vez menos esperançosos de que possam retornar a uma ilha que já não podem reconhecer, pelas transformações radicais que sofreu. Participaram das tentativas de derrubada do regime, a mais conhecida delas a invasão na Baía dos Porcos, que durou 72 horas, mesmo se pilotada e protagonizada pelos EUA – presidido por John Kennedy naquele momento. Os EUA tiveram que mandar alimentos para crianças para conseguir recuperar os presos da invasão, numa troca humanitária.

Cuba mudou seu destino com a Revolução, conseguiu ter os melhores índices sociais do continente, mesmo como país pequeno, pobre, ao lado dos EUA, que mantem o mais longo bloqueio da história – há mais de 50 anos –, tentando esmagar a Ilha.

Durante um tempo Cuba pôde apoiar-se na integração ao planejamento conjunto dos países socialistas, dirigida pela URSS, que lhe propiciava petróleo e armamento, além de mercados para seus produtos de exportação. O fim da URSS e do campo socialista aparecia, para alguns, como o fim de Cuba. Depois da queda sucessiva dos países do Leste Europeu, a imprensa ocidental se deslocou para Cuba, instalou-se em Havana Livre, ficaram tomando mojitos e daiquiris, esperando para testemunhar a ansiada queda do regime cubano. (Entre eles estava Pedro Bial e a equipe da Globo.)

Passaram-se 23 anos e o regime cubano está de pé. Desde 1959, dez presidentes já passaram pela Casa Branca e tiveram de conviver com a Revolução Cubana – de que todos eles previram o fim.

Cuba teve de se reciclar para sobreviver sem poder participar do planejamento coletivo dos países socialistas. Cuba teve de fazer um imenso esforço, sem cortar os direitos sociais do seu povo, sem fechar camas de hospitais, nem salas de aulas, em vez da URSS de Gorbachev, que introduziu pacotes de ajuste e terminou acelerando o fim do regime soviético.

É essa Cuba que a Dilma vai encontrar. Em pleno processo de reciclagem de uma economia que necessita adaptar suas necessidades às condições do mundo contemporâneo. Em que Cuba intensificou seu comércio com a Venezuela, a Bolívia, o Equador – por intermédio da Alba –, assim como com a China, o Brasil, dentre outros. Mas que necessita dar um novo salto econômico, para o que necessita de mais investimentos.

Necessita também aumentar sua produtividade, para o que requer incentivar o trabalho, de acordo com as formulações de Marx na Crítica do Programa de Gotha, de que o princípio do socialismo é o de que “a cada um conforme o seu trabalho”, a fim de gerar as condições do comunismo, em que a fartura permitira atender “a cada um conforme suas necessidades”.

Cuba busca seus novos caminhos, sem renunciar a seu profundo compromisso com os direitos sociais para toda a população, a soberania nacional e a solidariedade internacional. Cuba segue desenvolvendo suas políticas solidárias, que permitiram o fim do analfabetismo na Venezuela e na Bolívia e o avanço decisivo nessa direção em países como o Equador e a Nicarágua.

Cuba mantém sempre, há mais de dez anos, a Escola Latino-Americana de Medicina, que já formou na melhor medicina social do mundo, de forma gratuita, milhares de jovens originários de comunidades carentes de todo o continente – incluídos os EUA. Cuba promove a Operação Milagre, que já permitiu que mais de 3 mil latino-americanos pudessem recuperar plenamente sua visão.

Cuba é uma sociedade humanista, que privilegia o atendimento das necessidades de seus cidadãos e dos de todos os outros países necessitados do mundo. Que busca combinar os mecanismos de planejamento centralizado com incentivos a iniciativas individuais e a atração de investimentos, na busca de um novo modelo de crescimento, que preserve os direitos adquiridos pela Revolução e permite um novo ciclo de expansão econômica.

Aqueles que se preocupam com o sistema político interno de Cuba têm de olhar não para Havana, mas para Washington. Ninguém pode pedir a Cuba relaxar seus mecanismos de segurança interna, sendo vítima do bloqueio e das agressões da mais violenta potência imperial da história da humanidade. A pressão tem de se voltar e se concentrar sobre o governo dos EUA, para o fim do bloqueio, a retirada da base naval de Guantânamo do território cubano e a normalização da relação entre os dois países.

É essa Cuba que a Dilma vai se encontrar, intensificando e ampliando os laços de amizade e os intercâmbios econômicos com Cuba. Não por acaso o Brasil só restabeleceu relações com Cuba depois que a ditadura terminou, intensificando essas relações no governo Lula e dando continuidade a essa política com o governo Dilma.

Após Fórum Social, Dilma vai a Cuba


Na primeira viagem internacional do ano, Dilma Rousseff vai a Cuba, para visita oficial na terça-feira, dia 31. Ela se reunirá com o líder Raul Castro e visitará obras de porto financiadas em 80% pelo Brasil. Um encontro com Fidel não está previsto, mas pode ocorrer. Após ir ao Fórum Social, Dilma faz outro gesto à esquerda em ano eleitoral.

André Barrocal, via Carta Maior

A presidenta Dilma Rousseff viaja na segunda-feira, dia 30, à cidade de Havana, a capital de Cuba, para uma visita oficial no dia seguinte. É a primeira viagem internacional da presidenta em 2012, num giro que terá ainda, na quarta-feira, dia 1º, uma esticada até o Haiti, onde o Brasil lidera forças de paz das Nações Unidas desde 2004.

Dilma decolará para Cuba a partir de Salvador, onde cumpre agenda na segunda-feira. Como pousará só no fim do dia, não terá compromissos oficiais e, segundo assessores governamentais, nem particulares. Seguirá direto para o hotel.

Na terça-feira, dia 31, Dilma fará uma visita ao memorial José Martí, um dos pontos históricos de Havana, e, depois, irá ao Palácio da Revolução, para uma reunião com o chefe do governo cubano, Raul Castro. Além do encontro privado entre ambos, deverá haver uma outra reunião, mais ampla, com a presença de ministros dos dois lados.

Por enquanto, não está na programação de Dilma um encontro com Fidel Castro, irmão de Raul. O que não significa que não possa acontecer, segundo assessores diplomáticos brasileiros – na última vez que o ex-presidente Lula foi à ilha, o encontro dele com Fidel foi acertado na hora.

À tarde, depois das reuniões com as autoridades cubanas, a presidenta vai visitar as obras de um porto que está sendo construído no litoral cubano com 80% de financiamento brasileiro, o Porto de Mariel. Segundo os dois países, a obra, orçada em US$850 milhões, vai ajudar a melhorar o comércio exterior da Ilha.

Com o Brasil, o comércio exterior cubano movimentou US$640 milhões, considerando o fluxo de mercadorias nos dois sentidos.

A ida da presidenta a Cuba é o mais um sinal político à esquerda emitido por Dilma neste início de 2012, ano em que haverá eleição municipal. Na semana passada, a presidenta foi ao Fórum Social Temático, uma versão reduzida do grande encontro da esquerda e dos inimigos do neoliberalismo. Dilma teve a chance – foi convidada –, mas não foi ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, uma espécie de antítese do Fórum Social.

Guerra Fria
No encontro em Porto Alegre, Cuba e a viagem de Dilma foram notícia, durante debate sobre o livro Os últimos soldados da Guerra Fria, do escritor e jornalista Fernando Morais.

O livro conta a história de cinco cubanos presos e condenados na Flórida, reduto de organizações anticastristas nos Estados Unidos, por participarem de um grupo criado pela inteligência castrista para impedir atentados terroristas contra a ilha. Para a Justiça norte-americana, porém, os cinco eram terroristas e espiões.

“Foi um processo absolutamente injusto”, afirmou o escritor, que lançará a obra em Cuba em abril ou maio, em seguida nos EUA e, ainda este ano, em Portugal, México e Espanha. “As pessoas precisam saber o que é essa indecência”, disse, para quem há uma “máquina de desinformação mundial” a disseminar apenas a versão norte-americana.

No debate, Morais, especialista em Cuba, foi questionado se acreditaria que Dilma poderia – e conseguiria – interceder junto ao governo dos EUA para que os Cinco, que são considerados heróis nacionais em Cuba, fossem soltos – um deles está condenado a duas prisões perpétuas.

Dilma deve se encontrar com o presidente Barack Obama em março, em viagem oficial aos EUA, um ano depois da vinda dele ao Brasil, e poderia levar algum recado de Raul a Obama. Há inclusive uma “moeda de troca”, um norte-americano preso recentemente em Cuba, por tentar entrar no país sem declarar todos os equipamentos que tinha, levantando suspeitas sobre suas intenções.

Morais não acredita, contudo, que Dilma teria sucesso, caso tentasse, numa eventual intermediação entre Raul e Obama, ao menos neste assunto.

O escritor também comentou o caso da blogueira Yoani Sanchez, que discorda do regime castrista e usa a internet para criticá-lo. Quando soube que Dilma iria a Cuba, Yoani pediu um visto ao governo brasileiro, para vir ao país. O Ministério das Relações Exteriores aceitou dar um visto especial de 90 dias, mas a blogueira ainda precisa de autorização das autoridades do país dela para viajar.

Segundo Morais, ajudar Yoani é ficar contra a Revolução Cubana, que ele encara como positiva para A Ilha, título de um famoso livro que ele escreveu sobre aquele país.

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Os últimos soldados da Guerra Fria passaram pelo Fórum Social em Porto Alegre

Fernando Morais relança seu livo no FST. Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Samir Oliveira, via Sul21

Ao ouvir uma notícia no rádio enquanto estava num táxi em São Paulo, em 1998, Fernando Morais pensou que poderia escrever um livro de aventuras sobre o assunto. Mas acabou colidindo com uma história política. Ao longo de três anos de trabalho, o jornalista descobriu que também havia amor, sonhos e personagens fascinantes por trás da trajetória dos cinco cubanos presos nos Estados Unidos, acusados de conspiração contra o governo. O resultado está condensado nas 416 páginas do livro Os últimos soldados da Guerra Fria, relançado na sexta-feira, dia 27, em Porto Alegre, dentro das atividades da edição temática do Fórum Social Mundial.

Fernando Morais contou os bastidores da obra numa descontraída conversa com leitores no Sindibancários. Ele explicou que enfrentou preconceitos tanto em Cuba quanto nos Estados Unidos. Os primeiros desconfiavam de suas intenções, achavam que ele poderia preparar material contrário à Revolução. Os norte-americanos viam o autor – que também escreveu a biografia de Olga Benário – como um comunista convicto.

Persistente, o jornalista insistiu, incomodou, fez inúmeras e complicadas viagens a Havana e Miami, até que conseguiu ter acesso a documentos oficiais. Também conversou com agentes aposentados do FBI que participaram da prisão dos cubanos e, inclusive, entrevistou os detidos.

“Percebi que metade dessa história é cubana e a outra metade, norte-americana”, comentou. Para contar a história de Gerardo Hernandez, Ramon Labañino, Fernando Gonzalez, Antônio Guerrero e René Gonzalez, o escritor chegou a interceder junto ao presidente venezuelano, Hugo Chavez, e ao amigo Frei Betto – que se encontraria com Raul Castro, comandante da ilha comunista – para que ambos aliviassem as restrições que o regime estava impondo à liberação de documentos oficiais sobre o caso.

As investidas funcionaram. “Uma semana depois recebi um e-mail informando que os documentos estariam disponíveis”, conta. A partir daí, ele mergulhou num “megadossiê” que Fidel Castro havia enviado ao então presidente norte-americano, Bill Clinton, expondo o perigo das atividades que a comunidade anticastrista em Miami estava realizando.

As informações haviam sido coletadas justamente pelos agentes cubanos enviados à Flórida em 1990, que viveram até 1998 totalmente infiltrados nas organizações de extrema-direita que planejavam e executavam atos terroristas contra o regime de Cuba. Fernando Morais também conseguiu por as mãos num relatório feito por Gabriel Garcia Marquez, que intermediou as conversas entre Fidel e Clinton. “O informe é uma delícia, qualquer coisa escrita por ele é uma delícia, até bula de remédio”, brincou.

O jornalista conversou, em Havana, com um dos mercenários contratados pelas organizações de extrema-direita em Miami para colocar bombas na capital cubana. “Uma pessoa totalmente fora de esquadro. Disse que não fez aquilo por dinheiro ou ideologia, mas porque queria ser igual ao Silvester Stallone”, contou, arrancando risos do público.

O salvadorenho Raul Ernesto Cruz, que está preso em Cuba, era segurança de celebridades e decidiu largar tudo para colocar bombas em Havana. Ganhava US$1,5 mil por artefato. Quando Morais passou mais de 12 horas conversando com ele na prisão, Raul Ernesto ainda estava condenado à morte – posteriormente, sua pena foi abrandada.

Na ocasião, o ex-terrorista confessou ao escritor brasileiro que teria um final bem diferente de seu ídolo. “Sabe qual a merda? O Stallone termina os filmes na cama da Sharon Stone e eu vou terminar na frente de um pelotão de fuzilamento”, comparou.

O livro de Fernando Morais já vendeu mais de 70 mil exemplares e será comercializado no Estados Unidos, em Cuba, na Espanha, em Portugal e no México. Além disso, já está com os direitos comprados para se tornar um filme.

O escritor espera que a penetração da obra nos Estados Unidos ajude a informar melhor os norte-americanos sobre a história dos cinco cubanos detidos no país. “A sociedade norte-americana praticamente não tem notícias desse caso, há uma profunda desinformação”, critica.

Tarso Genro: “Esquerda precisa perder
o medo da mídia.”
O jornalista considera que o processo contra os cubanos – agentes do governo comunista infiltrados em organizações anticastristas de extrema-direita nos Estados Unidos – acusados de conspiração é uma “indecência” e uma “hipocrisia” do governo norte-americano. “Com o livro, tenho a possibilidade de contar a história dessa indecência para o maior número de pessoas possível”, anima-se.

O governador Tarso Genro (PT) esteve presente no lançamento do livro de Fernando Morais, Os últimos soldados da Guerra Fria, e disse que os partidos políticos de esquerda não costumam debater temas complexos, como o caso do governo cubano, por exemplo, por terem medo das reações da imprensa ao tema. “Há um esvaziamento dos valores da esquerda mundial. Em regra, as esquerdas secundarizam debates como esse sobre Cuba porque sabem que serão mastigados negativamente pela mídia, que cria uma série de ‘pré-conceitos’”, criticou.

O governador disse que esses “pré-conceitos” da mídia sobre determinados temas constituem-se numa “arma política de dominação contra a esquerda”. “Esses temas ácidos não têm composto a agenda da esquerda no país por medo da mídia. Esse medo tem que ser vencido, senão a esquerda não se recupera. É preciso coragem”, conclamou Tarso.

Ele diz que, nos Estados Unidos, a mídia consolidou na “cidadania média” norte-americana a informação de que os cubanos presos são “espiões e terroristas”. “Estavam lá para investigar dentro da comunidade civil cubana atos de terrorismo praticados por cubanos”, explicou o governador.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Inscrições abertas para a 6ª Brigada Internacional 1º de Maio – Cuba 2012

De 25 de abril a 6 de maio, acontecerá a 6ª Brigada Internacional 1° de Maio, que irá a Cuba para participar de jornadas de trabalho voluntário e para melhor compreender a realidade cubana. Esta brigada é dedicada ao 40º aniversário da fundação do Cijam – Acampamento Julio Antonio Mella e participará do desfile do Dia Internacional dos Trabalhadores, que acontece na Praça da Revolução. Os interessados podem se inscrever até 30 de março. A seguir, o programa.

PROGRAMA
Data
22 de abril a 6 de maio de 2012

Objetivos
Possibilitar a maior compreensão da realidade cubana e realização de jornadas de trabalho voluntário.

Atividades
Visitas a lugares de interesses históricos, econômicos, cultural e social na capital e na província; conferências sobre atualidade nacional e encontros com organizações da sociedade cubana e trabalho no campo.

Locais de visita
Havana, Artemisa e Pinar del Rio

Custos e hospedagem
São 14 noites sendo dez noites no Cijam, localizado em Caimito a 45 km de Havana, e quatro noites em Pinar del Rio.

Preço: 295 CUC + 25 CUC (taxa de embarque na volta) = 320 CUC aproximadamente 260 euros a serem pagos em Cuba, equivalente a cerca de R$650,00 a R$700,00. Deve-se fazer o câmbio em euros ou dólares no aeroporto de Havana por CUC.

Incluem: alojamento (quartos com seis pessoas no Cijam) e Hotel na Província, alimentação completa, traslado de ida e volta do aeroporto, transporte para todas as atividades e visitas a museus.

Passagem: pode adquirida em qualquer agência ou companhia aérea.

Dicas: a Copa Airlines tem voos para Cuba via Panamá, saindo de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Porto Alegre e Manaus.

Adquirindo a passagem pela Copa Airlines (Belo Horizonte–Panamá–Havana) junto à Associação Cultural José Martí/MG, o interessado terá 10% de desconto, sendo 5% para o brigadista e 5% para ACJM/MG. Na tarifa econômica, a passagem custa US$932,00 (se comprar com antecedência) + R$69,00 (taxa de embarque) e R$90,00 (ACJM/MG referente ao 5% de desconto).

Como exemplo, em 20 de janeiro de 2012, a passagem pela Copa Airlines custava R$1.645,00 (parcelada em cinco vezes no cartão de crédito) + R$69,00 (taxa de embarque) + R$90,00 (ACJM/MG) = R$1.804,00. É importante lembrar que este valor varia de acordo com a cotação do dólar do dia e a tarifa da passagem.

Outra opção é a Cubana Aviacion via Caracas, saído de São Paulo. Consulte uma agência para obter mais detalhes.

Documentação
Passaporte válido, cartão internacional de vacina de febre amarela e seguro viagem.
O visto de entrada é comprado no momento do embarque na própria Copa Airlines por US$25,00, pagos em reais pela cotação do dia

Informações e inscrições
As inscrições se encerrarão em 30 de março e poderão ser feitas com Telma Araújo, brigadista do Movimento de Solidariedade a Cuba, pelo correio eletrônico telma.araujo25@gmail.com ou pelos telefones (31) 3261-5148; (31) 8828-9288 (operadora Oi); (31) 9176-3263 (operadora Tim); ou, ainda, diretamente no ICAP.

O brigadista deve se comprometer a cumprir toda a programação e observar as normas de conduta, disciplina e convivência social.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Há 159 anos, nascia José Martí, o grande mártir da Independência de Cuba

Em 28 de janeiro de 2012, comemora-se 159º aniversário de nascimento do mentor intelectual dos revolucionários cubanos, José Julián Martí (Havana, Cuba, 28 de janeiro de 1853 – 19 de maio de 1895, Dos Rios, Cuba).

Filho de pai espanhol e mãe natural das Ilhas Canárias, José Martí é considerado o apóstolo e o grande mártir da Independência de Cuba em relação à Espanha. Além de poeta e pensador fecundo, desde sua mocidade demonstrou sua inquietude cívica e sua simpatia pelas ideias revolucionárias que gestavam entre os cubanos.

Influenciado pelas ideias de independência de Rafael Maria de Mendive, seu mestre na escola secundária de Havana, inicia sua participação política escrevendo e distribuindo jornais com conteúdo separatista no início da Guerra dos Dez Anos. Com a prisão e deportação de seu mestre Mendive, cristaliza-se a atitude de rebeldia que Martí nutria contra a dominação espanhola.

Em 1869, com apenas 16 anos, publica uma folha impressa separatista, El Diablo Cojuelo e o primeiro e único número da revista La Patria Libre. No mesmo ano passa a distribuir um periódico manuscrito intitulado El Siboney. Pouco depois é preso e processado pelo governo espanhol por estar de posse de papéis considerados revolucionários. É condenado a seis anos de trabalhos forçados, mas passa somente seis meses na prisão até que, em 1871, com a saúde debilitada, sua família consegue um indulto e obtém a permuta da pena original pela deportação à Espanha. Na Espanha, Martí publica, naquele mesmo ano, seu primeiro trabalho de importância: El Presidio Político en Cuba, no qual expõe as crueldades e os horrores vividos no período em que esteve na prisão em Cuba. Nesta obra já se encontrariam presentes o idealismo e o estilo vigoroso que tornariam Martí conhecido nos círculos intelectuais de sua época. Mais tarde dedica-se ao estudo do Direito, obtendo o doutorado em Leis, Filosofia e Letras da Universidade de Zaragoza em 1874.

Em 19 de maio de 1895, no comando de um pequeno contingente de patriotas cubanos, após um encontro inesperado com tropas espanholas nas proximidades do vilarejo de Dos Ríos, José Martí é atingido e vem a falecer em seguida. Seu corpo, mutilado pelos soldados espanhóis, é exibido à população e posteriormente sepultado na cidade de Santiago de Cuba, em 27 de maio do mesmo ano.

Para Martí, a luta deveria ser uma verdadeira transformação cubana em todos os aspectos: econômico, político e social. Os ideais de Martí, junto com o marxismo-leninismo, guiam a política de Cuba até hoje

Pablo Milanés – Yo soy un hombre sincero

Versos de José Martí


Guajira Guantanamera
Versos de José Martí

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Eleições nos EUA: Republicanos atacam Cuba e desejam morte de Fidel em debate na Flórida


Enquanto Cuba procura o entendimento para acabar com o bloqueio assassino, alguns pré-candidatos às próximas eleições estadunidenses destilam seu ódio e mantêm suas posições contra a paz mundial. Rick Santorum classificou Cuba como uma “ameaça grave” para a segurança americana; Gingrich disse que não permitiria “mais quatro anos de ditadura” na Ilha.


Se os pré-candidatos republicanos à Presidência dos Estados Unidos divergem em muitos temas, o mesmo não se pode dizer em relação a Cuba. Ainda mais se o local do debate for o estado da Flórida, reduto da dissidência cubana. Em debate realizado na noite de segunda-feira, dia 23, em Tampa, dois dos quatro pré-candidatos que ainda seguem na disputa atacaram o governo de Raul Castro e fizeram ameaças.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Newt Gingrich, afirmou que caso fosse eleito, em novembro, não permitiria “mais quatro anos de ditadura” em Cuba. Apesar de descartar o uso de tropas militares norte-americanas no país, o pré-candidato defendeu o uso de espionagem, “como [o ex-presidente Ronald] Reagan fez com os soviéticos”.

O ex-senador Rick Santorum apoiou a proposta de Gingrich de espionagem e classificou Cuba como uma “ameaça grave” para a segurança norte-americana.

“As sanções devem continuar até que os irmãos Castro estejam mortos. Cuba, Venezuela e Nicarágua têm redes crescentes de gente que trabalha com jihadistas e iranianos, e estão dispostos a construir plataformas militares a 150 quilômetros da nossa costa”, acusou.

Entre os pré-candidatos, o ex-governador de Massachussets, Mitt Romney, foi mais ameno em suas críticas ao país. O republicano afirmou os EUA irão se manter “ao lado daqueles cubanos que querem liberdade”.

Romney ainda criticou as ações do atual presidente norte-americano, Barack Obama, que em seu governo tomou medidas que amenizaram a relação entre Washington e Havana. As mudanças incluem a possibilidade de viajar ao país caribenho para visitar familiares, além da permissão para o envio de remessas de dinheiro aos cubanos da Ilha.

O único dos pré-candidatos que não fez críticas a Cuba foi o congressista Ron Paul. Segundo ele, os EUA precisam abandonar “a estratégia de não falar com as pessoas. A Guerra Fria acabou.”

Houve tempo ainda para que Romney respondesse o que faria caso recebesse uma ligação anunciando a morte do ex-presidente cubano Fidel Castro. “Agradeceria ao céu a devolução do ex-líder cubano ao seu criador”. Gingrich, entretanto, retrucou que Fidel não deverá “conhecer seu criador”, já que “irá para outro lugar”, claramente se referindo ao inferno.

Primárias
A política dos EUA em relação ao Cuba foi tema do debate por conta da grande comunidade de cubanos que vive na Flórida. O estado deverá receber no próximo dia 31 as próximas primárias do Partido Republicano.

As três primeiras disputas entre os pré-candidatos republicanos realizadas até agora mostraram equilíbrio. Santorum foi o vencedor em Iowa, Romney ficou à frente em New Hampshire e Gingrich venceu a prévia da Carolina do Sul.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Panamá: Advogado pede extradição de grupo que planejou assassinar Fidel‎ em 2000

Posada Carriles

“São os tribunais e não o chanceler panamenho os que têm de decidir sobre a extradição solicitada do terrorista Luis Posada Carriles e seus comparsas”, disse no sábado, dia 21, o advogado de acusação, Rafael Rodriguez. A extradição de Posada Carriles e também Guillermo Novo, Pedro Remon e César Matamoros, assim como do panamenho José Hurtado, foram solicitadas na sexta-feira, dia 20.

O processo foi aberto após uma tentativa de atentado contra o ex-presidente cubano Fidel Castro em 2000 na Universidade do Panamá, na 10ª Cúpula Ibero-Americana. Os envolvidos foram presos na capital panamenha, porém receberam o indulto. “O indulto, que ilegal e grosseiramente lhes concedeu a ex-presidenta Mireya Moscoso, facilitando a fuga do Panamá, vai por água abaixo, pois foi declarado inconstitucional pelo 2º Tribunal, que confirmou a sentença do Julgado Quinto Penal do grupo terrorista”, disse Rodriguez.

“Todo este processo e as reações que têm gerado demonstram que Posada Carriles e seus comparsas são terroristas a serviço do governo e das entidades oficiais dos Estados Unidos”, afirmou o advogado.

O chanceler do Panamá, Roberto Henriquez, declarou que não vai processar a extradição, segundo o jornal La Estrella. “Isto, no entanto, é um assunto que não lhe compete, mas aos tribunais, e nossa solicitação já foi apresentada”, insistiu o advogado. “Se o tribunal decide em nosso favor, o chanceler é obrigado a tramitar a decisão.”

O tribunal panamenho confirmou a sentença do Julgado Quinto Penal mediante rdital no qual notifica oito anos de prisão para Posada Carriles e Jimenez; sete anos para Novo Sampol, Remon e Matamoros; e quatro anos para Hurtado.

A decisão, com conferência do magistrado suplente Secundino Mendieta, resolve a apelação apresentada por defensores e processantes a favor destes últimos. No entanto, essas condenações não foram por posse de explosivos para assassinar, reclamação ainda pendente.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Bandido cubano morre e vira “dissidente”


Além disso, após morrer Wilman Villar Mendoza se torna “lutador dos direitos humanos para a imprensa imperialista.


Mais uma vez, pululam notícias na mídia burguesa internacional, reproduzidas aqui (1 2 3 4) por seus lacaios brasileiros, sobre a morte de um “dissidente” cubano.

As notícias dão conta da morte de Wilman Villar Mendoza, por greve de fome. Imediatamente seu nome foi colocado na categoria de “dissidente”, sendo que os mercenários conhecidos cubanos logo procuraram transformá-lo em um herói.

O imperialismo ianque também não perdeu tempo e considerou o falecido como um “lutador pelos direitos humanos”.

Comprovando o lamaçal de mentiras em que se mantêm o império e seus abjetos funcionários – os mercenários cubanos – a notícia não menciona um simples fato.

Por que este sujeito estava preso?

Teria ele protestado veementemente contra o governo cubano? Teria ele lançado notas contra a Revolução? Teria ele denunciado o ataque aos direitos humanos em Cuba?

Os mercenários logo disseram que a razão dos quatro anos de prisão incluiria desobediência, resistência e delitos contra o Estado. Mas não falam a causa verdadeira. O motivo de sua prisão é a simples e conhecida violência doméstica.


Bateu na mulher (acima a reprodução do laudo pericial das agressões), foi denunciado pela sogra e acabou sendo preso e condenado. Isto é, sua prisão não tinha qualquer caráter político.

“Rebelou-se” contra a cadeia, manteve uma greve de fome e, apesar dos cuidados que recebeu dos médicos cubanos, faleceu. Agora, virou herói da corja assassina de Miami e tantos outros lugares.

Percebam a informação trazida pela mídia, por intermédio do mercenário Farinas: “De acordo com os dissidentes, Villar era um opositor “ativo” desde o último mês de setembro, quando uniu-se à ilegal União Patriótica de Cuba”. Isto é, antes bandido, agora dissidente.

É assim, em Cuba, bandido vira “dissidente” e “lutador dos direitos humanos”.

Nota oficial do governo cubano sobre a morte de Wilman Villar Mendoza

Às 18h45min, do dia 19 de janeiro, em Santiago de Cuba, faleceu o preso comum, Wilman Villar Mendoza, no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Clínica Cirúrgica Doctor Juan Bruno Zayas, devido à falência múltipla de órgãos, resultado de um processo de respiração séptico severo.

Essa pessoa havia sido transferida com urgência, em 13 de janeiro, do Centro Penitenciário Aguadores, para Hospital Provincial Saturnino Lora, ao apresentar sintomas de pneumonia grave, no pulmão esquerdo. Recebeu toda a atenção destinada a pacientes naquelas condições, que consistem, geralmente, na aplicação de ventilação e nutrição artificial, injeção de líquidos, produtos derivados do sangue, suporte com drogas vasoativas e antibióticos de largo espectro, de última geração.

O Hospital Cirúrgico Juan Bruno Zayas, onde faleceu, é um dos centros hospitalares de maior nível na região oriental do país e sua CTI conta com vasta experiência no atendimento a pacientes em estado grave.

Villar Mendoza residia em Contramaestre, província de Santiago de Cuba e estava cumprindo uma sentença de prisão, desde 25 de novembro de 2011, sob a acusação de desacato, atentado e resistência.

O fato pelo qual ele foi condenado deu-se durante um escândalo público em que agrediu e provocou lesões no rosto de sua esposa, diante do que sua sogra solicitou a intervenção das autoridades. Ao ser interpelado pelos policiais da PNR, resistiu e agrediu-os, sendo então preso.

Seus parentes mais próximos estavam cientes de todos os procedimentos que foram utilizados em seus cuidados, ademais reconhecem o esforço da equipe de especialistas que o tratou.

Em relação a este fato, as agências de notícias estrangeiras, em particular as de Miami, promovem uma campanha internacional difamatória, em conluio com elementos contrarrevolucionários internos, os quais apresentavam Villar Mendoza como um suposto “dissidente”, que falecera depois de fazer uma greve de fome na prisão. A este respeito, há abundantes provas e depoimentos que demonstra não se tratar de um “dissidente” e tampouco estar em greve de fome.

Wilman Villar, após cometer o crime, foi julgado em liberdade, quando começou a associar-se a elementos contrarrevolucionários, em Santiago de Cuba, acreditando que sua participação nos grupos mercenários lhe permitiria escapar à justiça.

Cuba lamenta a morte de qualquer ser humano; condena firmemente a manipulação descarada orquestrada por nossos inimigos; e saberá desmontar esta nova agressão, com a verdade e firmeza que caracteriza nosso povo.

Tradução: Robson Luiz Ceron

Mais informações: aqui e aqui.

Plataforma chega a Cuba para primeira grande exploração de petróleo

Via Efe

A plataforma petrolífera Scarabeo-9, contratada pela companhia hispano-argentina Repsol YPF para realizar perfurações nas águas cubanas do Golfo do México, chegou à Ilha com o propósito de iniciar suas operações em breve.

A plataforma se encontra atualmente a cerca de 10 milhas do litoral nas águas do ocidente de Cuba e, desde quinta-feira, dia 19, pode ser vista do litoral de Havana.

Segundo informações de fontes do setor à Agência Efe, a equipe se dirigirá para uma região do oeste cubano em frente ao litoral da localidade de Mariel e a previsão é de que suas operações de perfuração comecem em breve.

Antes de começar esses trabalhos, a plataforma desenvolverá outras operações logísticas, de abastecimento e outras provisões.

A plataforma construída na China e em Cingapura era esperada há meses em Cuba, onde as autoridades do setor petroleiro tinham informado de sua possível chegada para o verão de 2011 e depois para o fim de dezembro.

A equipe contratada por Repsol YPF iniciará explorações profundas para determinar o potencial de petróleo que Cuba dispõe em sua Zona Econômica Exclusiva (ZEE) nas águas do Golfo do México, cuja extensão é de cerca de 112 mil quilômetros quadrados.

A ZEE de Cuba está dividida em 59 blocos, dos quais 22 são contratados por várias companhias petrolíferas estrangeiras como Repsol YPF, a venezuelana PDVSA e a vietnamita PetroVietnam.

Segundo dados oficiais, a Ilha mantém também oito blocos de perfuração em terra negociados com a empresa nacional Cupet e cinco mais com companhias estrangeiras.

Dirigentes cubanos afirmam que, após as análises realizadas nos últimos anos, foram reveladas mais de 20 prospecções com importância comercial em sua ZEE e estima que as reservas da área estudada estão entre 5 bilhões e 9 bilhões de barris de petróleo.

A indústria básica estima que, em 2011, Cuba tenha produzido cerca de 4 milhões de toneladas de petróleo, número que repete pelo quinto ano consecutivo.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Programação da Associação Cultural José Martí/RS no Fórum Social Temático

Entre os dias 24 e 29 de janeiro de 2012, a Associação Cultural José Martí/RS (ACJM/RS) promoverá várias atividades no Fórum Social Temático (FST), do Rio Grande do Sul. A programação da ACJM/RS está a seguir. Observe também outras atividades do FST clicando em FST 2012.

24 de janeiro de 2012, 15:00, Porto Alegre
Participação da Marcha de Abertura do Fórum Social Temático
Local: Largo Glênio Peres

24 de janeiro de 2012, 20:30, Porto Alegre
Apresentação MusicAmerica, na abertura do FST
Local: Anfiteatro Por-do-Sol

25 de janeiro de 2012, das 9:00 às 18:00, Canoas
1º Encontro Mundial das Redes de Pontos de Cultura do Programa Cultura Viva, uma promoção da Representação do Rio Grande do Sul, na Coordenação Nacional dos Pontos de Cultura, em parceria com a ACJM/RS.
Local: Parque Esportivo Eduardo Gomes – Parcão
Participantes: Gloria Teresa Gusmanich Renaut (Paraguai), produtora, entre outros, do Festival Latino-americano em Assunção e Quito denominado Canto de Todos Carmen Lucía Reyes de Mejía (Nicarágua), produtora cultural popular; Alejandro Rubbo (Uruguai), Coordenador de Relacionamento com a Comunidade da República do Uruguai, Coordenador do Museu do Carnaval, Montevidéu e Presidente de Associação Civil Canelones De-Muestra e Célio Turino (Brasil), um dos idealizadores do Programa Cultura Viva com o Projeto Pontos de Cultura, e ex – Secretário de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura no Governo Luiz Inácio Lula da Silva; Jorge Iván Blandón Cardona (Colômbia), representante da Plataforma Puente, Rede Latino-Americana de Pontos de Cultura desde Medellín; Maria Laura Couto (Argentina), coordenadora do Programa de Práticas Culturais Transformadoras e de Políticas de Intervenção Cultural em Contextos de Encarceramento e Setores Sociais Vulneráveis, do Instituto Cultural de Buenos Aires; TT Catalão, poeta e ex-secretário de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura no Governo Lula e idealizador do Projeto Puntos Sin Fronteras.

25 de janeiro de 2012, 20:00, Novo Hamburgo
Apresentação MusicAmerica
Local: Pavilhão da Fenac (palco principal)

27 de janeiro de 2012, das 14:00 às 17:00, São Leopoldo
Mesa de debates sobre Produção para Inclusão Cultural
Local: Centro Municipal de Eventos
Participantes: Pedro Vasconcellos, Secretário da Cultura do Município de São Leopoldo; Gloria Teresa Gusmanich Renaut (Paraguai); Carmen Lucia Reyes de Mejía (Nicarágua); Alejandro Rubbo (Uruguai) e Célio Turino (Brasil); Fabiana Menini, do Instituto Trocando ideias (Brasil) e Lúcio Maia, representante da Nação Zumbi de Pernambuco (Brasil)

28 de janeiro de 2012, das 18:00 às 23:00, São Leopoldo
Apresentação MusicAmerica
Local: Centro Municipal de Eventos (palco principal)
Brasil: RS – Pedro Munhoz, Raul Ellwanger, Nelson Coelho de Castro, Zé Martins e Leonardo Ribeiro;
Minas Gerais – Victor Batista, acompanhado de Antonio João (Galba) e Negrinho Martins;
Nicarágua – Luis Enrique Mejia Godoy, com Manuel Guadamuz, Rigoberto Osorio, Jayron Noel Sandoval Montano e Edwin Rayo;
Cuba – Mauricio Figueiral;
Argentina – Paula Ferré;
Uruguai – Héctor Numa de Moraes;
Equador – Rede Equatoriana de Trovadores – Fabian Jarrin, Gloria Arcos e Fabian Massuh;
Paraguai – Ricardo Flecha, acompanhado do músico Oscar Fadlala.

O que há por trás da blogueira Yoani Sanchez

As suspeitas em torno da movimentação da blogueira mercenária cubana às vésperas da ida de Dilma a Havana.

Hélio Doyle, via Brasil 247

Com a aproximação da viagem da presidente Dilma Rousseff a Havana, volta à cena a blogueira Yoani Sanchez, hoje a mais conhecida opositora da revolução vitoriosa em 1959 e do sistema socialista que vigora em Cuba desde 1961. Yoani, ao contrário de outros opositores residentes em Cuba, não lidera um grupo político, mas dispõe de um blog que é traduzido em 18 línguas. Ela gravou um vídeo pedindo à presidente Dilma que interceda para que o governo cubano lhe dê autorização para vir ao Brasil. E o senador petista Eduardo Suplicy tem feito gestões públicas para a blogueira possa vir à Bahia para o lançamento de um documentário em que é personagem.

No Itamaraty, não oficialmente, há a suspeita de que a movimentação em torno da vinda de Yoani está sendo feita por setores interessados em prejudicar a visita de Dilma a Raul Castro, colocando-se na pauta da mídia um tema político que possa constranger os cubanos e reduzir o impacto dos pontos econômicos e comerciais da viagem. E Suplicy faz seu papel porque quer aparecer na mídia. É possível, pois qualquer um que conhece o jeito cubano de enfrentar situações adversas sabe que esse tipo de pressão é o mais contraproducente possível caso o objetivo fosse realmente trazer Yoani à Bahia.

Para o governo cubano, Yoani, jovem, bonita e fluente, é sustentada financeiramente pelos Estados Unidos para ser a mais influente opositora do regime, utilizando-se das redes sociais para disseminar pelo mundo posições contrárias ao regime – embora, em Cuba, sua repercussão seja quase nula. Uma das maneiras de remunerá-la, segundo os cubanos, é a concessão de prêmios patrocinados por instituições contrárias a Cuba. O embaixador de Cuba em Brasília, Carlos Zamora, assegura que oficialmente não foi apresentado ao consulado o documento básico para iniciar os trâmites para a viagem: uma carta-convite formal a Yoani.

O presidente cubano Raul Castro já anunciou, em diversas ocasiões, que haverá mudanças na legislação que regula as viagens de cubanos ao exterior, abrandando-se as exigências. O tema, porém, está associado a outra questão delicada: a política dos Estados Unidos em relação à imigração de cubanos para aquele país. Cuba acusa os Estados Unidos de negarem vistos de entrada a cubanos, ao mesmo tempo em que os incentivam a sair ilegalmente do país.

Em 2010, Yoani deu uma entrevista ao jornalista francês Salim Lamrani, que conhece bem a história e a situação de Cuba. É na verdade um diálogo dele com a blogueira, em que ela se vê contestada e acaba caindo em contradições e demonstrando desconhecimento sobre questões simples. A propósito, as fotos sobre o alegado sequestro de Yoani nunca foram mostradas.

Clique aqui para ler a íntegra da entrevista e cada um faça seu juízo.

Galeano em Cuba: “Nunca conheci país tão solidário como este.”

Eduardo Galeano foi recebido por Roberto Fernandez
Retamar, presidente da Casa das Américas
Via Cubadebate e lido no Vermelho

O escritor uruguaio Eduardo Galeano afirmou na sexta-feira, dia 13, em sua chegada a Havana, que a neutralidade é impossível em um mundo que está dividido entre os indignos e os indignados.

“Qualquer um pode ser indigno ou indignado”, afirmou, em breve conversa com jornalistas em sua chegada à capital cubana depois de mais de dez anos de ausência, convidado pela Casa das Américas, para o Prêmio Literário 53 [anos da Revolução Cubana], que ocorreu na segunda-feira, dia 16.

A crise que o planeta enfrenta tem levado muitos povos a aceitar o inaceitável, forçando-os à indignidade. É por isso que, segundo ele, os movimentos emergentes, como o dos indignados, de repente, tornam-se perigosamente contagiante em todos os países. Ninguém pode deter a capacidade viral que tem a indignação, disse referindo-se aos movimentos sociais que surgiram em vários países para expressar seus protesto contra a desigualdade e o desemprego.

Em sua opinião, em todos os lugares se pode respirar uma energia de mudança que procura se manifestar. A esquerda, segundo ele, está por toda parte. Processos de mudança que realmente ocorrem, crescem lentamente de baixo para cima e de dentro para fora. Às vezes, eles são silenciosos, quase secretos, mas existem em toda parte.

“Eu volto para Cuba sem ter saído, porque esta ilha permaneceu sempre viva em mim, em minhas palavras, em minhas ações e em minha memória, uma memória viva de tudo o que dela recebi. Nunca ocultei minha admiração por esta Revolução, um exemplo de dignidade nacional e da solidariedade em um mundo onde o patriotismo é um direito negado aos países pequenos e pobres. Nunca na minha vida conheci um país tão solidário como este, nenhuma revolução tão oferecida aos demais (seres humanos) como esta”, assegurou.

Referindo-se a sua relação com a Casa das Américas, “minha casa”, disse ele, lembrou que, no início, era um caso de amor pouco correspondido.

“Eu me lembro como eu escrevi As Veias Abertas [da América Latina, principal obra na vida do autor]… para chegar a tempo do concurso literário. Tanto esforço e perdi na competição”, lembrou.

Três vezes vencedor do prêmio, logo em seguida, Galeano retorna à instituição para apresentar seu livro Espelho, uma história quase universal, Menção Honrosa de Narrativa do Prêmio José María Arguedas 2011. Eduardo Galeano foi recebido por Roberto Fernández Retamar, presidente da Casa das Américas

“Este texto oferece uma tentativa de ajudar na recuperação do arco-íris terrestre, que contém mais cores e esplendor do que o arco-íris celeste. Queria ajudar a recuperar essas cores perdidas, porque estamos cegos, mutilados por uma longuíssima tradição de racismo, de machismo, elitismo, de militarismo e de outros ismos que nos impedem de descobrir toda a plenitude de nossa beleza possível”, apontou.

Assista a seguir um vídeo, produzido em julho de 2011, com algumas mensagens de Eduardo Galiano.