quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Eleições nos EUA: Republicanos atacam Cuba e desejam morte de Fidel em debate na Flórida


Enquanto Cuba procura o entendimento para acabar com o bloqueio assassino, alguns pré-candidatos às próximas eleições estadunidenses destilam seu ódio e mantêm suas posições contra a paz mundial. Rick Santorum classificou Cuba como uma “ameaça grave” para a segurança americana; Gingrich disse que não permitiria “mais quatro anos de ditadura” na Ilha.


Se os pré-candidatos republicanos à Presidência dos Estados Unidos divergem em muitos temas, o mesmo não se pode dizer em relação a Cuba. Ainda mais se o local do debate for o estado da Flórida, reduto da dissidência cubana. Em debate realizado na noite de segunda-feira, dia 23, em Tampa, dois dos quatro pré-candidatos que ainda seguem na disputa atacaram o governo de Raul Castro e fizeram ameaças.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Newt Gingrich, afirmou que caso fosse eleito, em novembro, não permitiria “mais quatro anos de ditadura” em Cuba. Apesar de descartar o uso de tropas militares norte-americanas no país, o pré-candidato defendeu o uso de espionagem, “como [o ex-presidente Ronald] Reagan fez com os soviéticos”.

O ex-senador Rick Santorum apoiou a proposta de Gingrich de espionagem e classificou Cuba como uma “ameaça grave” para a segurança norte-americana.

“As sanções devem continuar até que os irmãos Castro estejam mortos. Cuba, Venezuela e Nicarágua têm redes crescentes de gente que trabalha com jihadistas e iranianos, e estão dispostos a construir plataformas militares a 150 quilômetros da nossa costa”, acusou.

Entre os pré-candidatos, o ex-governador de Massachussets, Mitt Romney, foi mais ameno em suas críticas ao país. O republicano afirmou os EUA irão se manter “ao lado daqueles cubanos que querem liberdade”.

Romney ainda criticou as ações do atual presidente norte-americano, Barack Obama, que em seu governo tomou medidas que amenizaram a relação entre Washington e Havana. As mudanças incluem a possibilidade de viajar ao país caribenho para visitar familiares, além da permissão para o envio de remessas de dinheiro aos cubanos da Ilha.

O único dos pré-candidatos que não fez críticas a Cuba foi o congressista Ron Paul. Segundo ele, os EUA precisam abandonar “a estratégia de não falar com as pessoas. A Guerra Fria acabou.”

Houve tempo ainda para que Romney respondesse o que faria caso recebesse uma ligação anunciando a morte do ex-presidente cubano Fidel Castro. “Agradeceria ao céu a devolução do ex-líder cubano ao seu criador”. Gingrich, entretanto, retrucou que Fidel não deverá “conhecer seu criador”, já que “irá para outro lugar”, claramente se referindo ao inferno.

Primárias
A política dos EUA em relação ao Cuba foi tema do debate por conta da grande comunidade de cubanos que vive na Flórida. O estado deverá receber no próximo dia 31 as próximas primárias do Partido Republicano.

As três primeiras disputas entre os pré-candidatos republicanos realizadas até agora mostraram equilíbrio. Santorum foi o vencedor em Iowa, Romney ficou à frente em New Hampshire e Gingrich venceu a prévia da Carolina do Sul.

Um comentário:

  1. Acho que deveria ser mais evidenciado a distinção da opinião do Ron Paul em relação aos outros candidatos. Eu assisti o debate, e em quanto os outros candidatos defendem posições absurdas em relação à América Latina, Ron Paul defendeu o fim da tutela Norte Americana, da interferência nos assuntos internos dos Estados Latino Americanos (Venezuela, Nicarágua etc) e o fim TOTAL DO EMBARGO COMERCIAL COM CUBA. Esta é uma posição muito corajosa de se tomar, especialmente em Florida onde o Lobby Anti Castro é muito forte, e demonstrou um carácter muito forte por parte do Ron Paul. E que infelizmente não é mencionado pela a impressa.

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