sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Galeano em Cuba: “Nunca conheci país tão solidário como este.”

Eduardo Galeano foi recebido por Roberto Fernandez
Retamar, presidente da Casa das Américas
Via Cubadebate e lido no Vermelho

O escritor uruguaio Eduardo Galeano afirmou na sexta-feira, dia 13, em sua chegada a Havana, que a neutralidade é impossível em um mundo que está dividido entre os indignos e os indignados.

“Qualquer um pode ser indigno ou indignado”, afirmou, em breve conversa com jornalistas em sua chegada à capital cubana depois de mais de dez anos de ausência, convidado pela Casa das Américas, para o Prêmio Literário 53 [anos da Revolução Cubana], que ocorreu na segunda-feira, dia 16.

A crise que o planeta enfrenta tem levado muitos povos a aceitar o inaceitável, forçando-os à indignidade. É por isso que, segundo ele, os movimentos emergentes, como o dos indignados, de repente, tornam-se perigosamente contagiante em todos os países. Ninguém pode deter a capacidade viral que tem a indignação, disse referindo-se aos movimentos sociais que surgiram em vários países para expressar seus protesto contra a desigualdade e o desemprego.

Em sua opinião, em todos os lugares se pode respirar uma energia de mudança que procura se manifestar. A esquerda, segundo ele, está por toda parte. Processos de mudança que realmente ocorrem, crescem lentamente de baixo para cima e de dentro para fora. Às vezes, eles são silenciosos, quase secretos, mas existem em toda parte.

“Eu volto para Cuba sem ter saído, porque esta ilha permaneceu sempre viva em mim, em minhas palavras, em minhas ações e em minha memória, uma memória viva de tudo o que dela recebi. Nunca ocultei minha admiração por esta Revolução, um exemplo de dignidade nacional e da solidariedade em um mundo onde o patriotismo é um direito negado aos países pequenos e pobres. Nunca na minha vida conheci um país tão solidário como este, nenhuma revolução tão oferecida aos demais (seres humanos) como esta”, assegurou.

Referindo-se a sua relação com a Casa das Américas, “minha casa”, disse ele, lembrou que, no início, era um caso de amor pouco correspondido.

“Eu me lembro como eu escrevi As Veias Abertas [da América Latina, principal obra na vida do autor]… para chegar a tempo do concurso literário. Tanto esforço e perdi na competição”, lembrou.

Três vezes vencedor do prêmio, logo em seguida, Galeano retorna à instituição para apresentar seu livro Espelho, uma história quase universal, Menção Honrosa de Narrativa do Prêmio José María Arguedas 2011. Eduardo Galeano foi recebido por Roberto Fernández Retamar, presidente da Casa das Américas

“Este texto oferece uma tentativa de ajudar na recuperação do arco-íris terrestre, que contém mais cores e esplendor do que o arco-íris celeste. Queria ajudar a recuperar essas cores perdidas, porque estamos cegos, mutilados por uma longuíssima tradição de racismo, de machismo, elitismo, de militarismo e de outros ismos que nos impedem de descobrir toda a plenitude de nossa beleza possível”, apontou.

Assista a seguir um vídeo, produzido em julho de 2011, com algumas mensagens de Eduardo Galiano.


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