domingo, 8 de janeiro de 2012

Mercenários em Cuba: Entre o dilema da desfaçatez e o fracasso

Aday del Sol Reyes, Via Vermelho

No final do ano passado, Fulton Armstrong, um assessor da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA, divulgou um comunicado, reafirmando o fracasso dos programas dirigidos, a partir de Washington, para promover a subversão em Cuba.

Segundo ele, no artigo intitulado “É hora de limpar os programas que promovem a mudança do regime em Cuba”, publicado no The Miami Herald, os programas apoiados pela Usaid contra Cuba “têm os sinais de uma operação de inteligência encoberta” e, acrescenta, “como os milhões de dólares que foram repassados para derrubar o governo cubano, esses programas fracassaram”.

Como esperado, as declarações de Armstrong não tiveram repercussão midiática nenhuma, como fora o caso também do tributo que o governo dos EUA fez recentemente a uma das “dissidentes” cubanas, a falecida Laura Pollan, líder das chamadas “Damas de Branco”.

Qualquer leitor medianamente informado poderia pensar que o assessor mentia, especialmente quando se considera a distribuição de medalhas e reconhecimentos, feitos nas últimas semanas – até mesmo no Congresso dos Estados Unidos – à “oposição” cubana.

O que talvez não se saiba é que, em 2011, nunca ficou tão explícita a dependência dos chamados cubanos “dissidentes” a seus mestres de Washington.

Depois de abril do ano passado, quando o senador John Kerry encabeçou uma comissão para determinar onde foram parar, realmente, os milionários fundos da Usaid, destinados à subversão em Cuba, blogueiros cubanos pró-revolucionários revelaram os recibos de pagamento feitos por Washington às tão honradas “Damas de Branco”, para realizar suas provocativas “marchas”.

Esses recibos confirmaram dados revelados pelo WikiLeaks, acerca das instruções dadas pelo chefe do Escritório de Interesses Norte-Americanos (Sina), em Havana, Jonhatan Farrar, para o pagamento dos serviços das referidas damas.

De acordo com Farrar, para proteger as “Damas” das implicações e consequências que poderiam trazer esse tipo de transações entre mercenários cubanos, o mais recomendável era fazer o pagamento de forma clandestina, como havia sido feito em outras ocasiões: “As damas receberam, no passado, fundos de “membros da família”, residentes nos EUA, através da Western Union.”

Da mesma forma, o portal WikiLeaks revelou que tanto a blogueira Yoani Sanchez e seu marido [o ex-jornalista cubano, Reynaldo Escobar] mantiveram relações estreitas com o Escritório de Interesses Norte-Americanos (Sina), em Havana.

Ambos foram descritos como pessoas que supostamente abandonaram suas carreiras promissoras na Europa (Suíça) e voltaram à Cuba para promover a mudança na Ilha.

Em outro despacho da mesma fonte, o marido da blogueira foi exposto – um dos grandes medos da Sina em relação ao WikiLeaks – como um “informante” dessa representação diplomática.

O então chefe da Sina, Michael Parmly, não poupou elogios aos números oferecidos pela fonte, o próprio Reynaldo Escobar, sobre o processo eleitoral cubano.

Da mesma forma, também no final do ano passado, as redes sociais cubanas expuseram os abraços efusivos que a atual líder das “Damas de Branco”, Berta Soler, dava nos funcionários da Sina, bem como a entrada furtiva da multipremiada Yoani Sanchez, na casa do atual chefe do Escritório, John Caulfield, por ocasião de outro “ato”, aliás, em honra a Pollan.

Além da complacência que administração estadunidense possui com certos grupos mafiosos que governam estados eleitorais chaves, como é o caso da Flórida, a arrogância imperial não permite reconhecer o fracasso apontado por Armstrong, no seu quase censurado artigo.

Cuba, por outro lado, tem sido muito explícita sobre isso. Como disse o presidente cubano, em dezembro passado: “Obama parece estar desinformado e não entende que Cuba fez grandes sacrifícios para defender sua liberdade; assim, um grupinho de mercenários não acabará com os sonhos de um povo revolucionário, armado, treinado e livre, que nunca vai desistir de defender-se”.

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