domingo, 26 de fevereiro de 2012

Dilma e os 5 cubanos presos nos EUA

Mario Augusto Jakobskind, via Quem tem medo da democracia?

Quando se aproxima a visita do papa Bento 16 a Cuba, já se falando inclusive de um possível encontro entre o chefe da Igreja Católica e Fidel Castro, um tema pode entrar na pauta de discussões: os quatro cubanos presos nos Estados Unidos. O que seria o quinto foi solto, mas impedido de voltar para Cuba durante três anos.

Além de terem sido condenados sob a absurda alegação de serem espiões, os 5 foram julgados sob pressão de extremistas vinculados a grupos do exílio cubano em Miami mobilizados há anos com o objetivo de desestabilizar o governo da ilha caribenha.

O cubano solto e sem poder regressar para seu país de origem, além de ser obrigado a usar um objeto eletrônico no tornozelo para controle de seus passos, continuará vivendo por três anos na mesma cidade onde moram os extremistas responsáveis por atentados ocorridos em Cuba e que foram denunciados exatamente pelos 5. Trata-se de uma das maiores aberrações jurídicas no mundo nos últimos tempos.

O senador Eduardo Suplicy, do PT de São Paulo, assumiu compromisso público de sugerir que a presidenta Dilma Rousseff peça ao presidente dos Estados Unidos Barack Obama que faça justiça e ordene a libertação deles. É difícil, mas tentar não custa, apesar dos votos de Miami que Barack Obama quer abocanhar.

A promessa foi feita durante o lançamento do livro de Fernando Morais, Os últimos soldados da Guerra Fria, realizado por ocasião do Fórum Social Mundial Temático, em Porto Alegre, no Sindicato dos Bancários. A sugestão foi aplaudida pelos presentes, um deles o ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra.

Suplicy achou a ideia “excelente” e se comprometeu a falar com Dilma Rousseff sobre o tema, bem como fazer um pronunciamento no Senado em favor dos 5 cubanos presos nos Estados Unidos. Aguarda-se então que o parlamentar cumpra sua palavra.

Não custa nada lembrar a Suplicy da importância de Dilma Rousseff fazer a sugestão a Obama, com quem se encontrará no próximo dia 14 de abril, pois com uma canetada do presidente da República os 5 poderão voltar para Cuba imediatamente.

Quem quiser se comunicar com o senador petista para lembrá-lo pode mandar um correio eletrônico para eduardo.suplicy@senador.gov.br ou então pelo telefone (61) 3303-3213 ou fax (61) 3303-2816.

Dilma Rousseff agora tem de mostrar que seu governo não está sendo submetido a pressões, como alguns acreditam acontece. Tal argumento é levantado sobretudo depois do voto do Brasil na Organização das Nações Unidas ao lado dos Estados Unidos, Reino Unido, França etc., culpando apenas o governo sírio pelo banho de sangue que acontece naquele país árabe, absolvendo totalmente a oposição, que segundo denúncias estaria recebendo ajuda de forças estrangeiras dos EUA a Al Qaeda, passando pelo Mossad e M-16 britânico.

Já o Ministério do Exterior russo afirmou, por intermédio do porta-voz Alexander Lukashevich, que o Observatório Sírio de Direitos Humanos, que informa diariamente ao Ocidente sobre os acontecimentos na Síria, é integrado por duas pessoas, o diretor R. Abdurajman e um tradutor. Ambos vivem em Londres e o diretor é proprietário de uma cafeteria. Fica como sugestão de pauta para os jornalões entrevistarem o “bem informado” Abdurajman.

Outro tema que de modo geral a mídia de mercado tem ignorado são os recentes acontecimentos na Líbia, onde o país retornou à Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, depois de excluído nos últimos meses do governo de Muammar Khadafi.

O representante do Conselho Nacional de Transição fez um pronunciamento nesta esfera posicionando-se contra os gays, dizendo que esse grupo é pernicioso à humanidade. Na prática, o governo líbio imposto pela Otan está reforçando a homofobia.

Como se não bastasse, notícias procedentes da Líbia dão conta que seguem as violações dos direitos humanos praticadas pelo governo títere da Otan. Há informações segundo as quais os 35 mil habitantes da localidade de Tauerga, a maioria negros, vivem atualmente em campos de refugiados. Estão sendo vítimas das milícias de Misrata por terem apoiado Muammar Khadafi.

Os líbios de Tauerga descendem de escravos levados à Líbia no século 18. Eles são agradecidos a Khadafi por terem as suas condições de vida melhorada. O governo anterior possibilitou aos habitantes da cidade, que dista pouco mais de 30 quilômetros de Misrata, educação e ainda por cima tiveram integrantes nomeados para altos postos no Exército.

Durante a guerra civil combateram contra Misrata, cujas milícias agora estão cometendo atrocidades sob o beneplácito dos dirigentes líbios atuais e o silêncio da aliada Organização do Tratado do Atlântico Norte.

Outro fato que indica como está a situação no país bombardeado durante mais de oito meses pela Otan é o de uma jornalista. Hala Misrati, de 31 anos, apresentadora de TV, conhecida defensora do governo Khadafi, foi presa pelo governo do Conselho Nacional de Transição e assassinada depois de sofrer torturas e estupros, segundo relato de jornalistas.

Misrati era militante e quando da captura de Trípoli pelo CNT apareceu na TV desafiando de arma na mão os que tomavam o poder com a ajuda da Otan. Agora, para se vingar, os democratas líbios a assassinaram. O atual governo confirmou a morte da jornalista, mas sem entrar em detalhes.

Pode-se imaginar como serão as eleições na Líbia marcadas para o segundo semestre deste ano.

Enquanto isso, Israel anunciou a aprovação da construção de 500 casas adicionais na colônia de Shilo, localizada entre as cidades palestinas de Ramallah e Nablus, na Cisjordânia.

E o governo de Benyamin Nethanyahu continua a dizer cinicamente que almeja a paz. O troglodita que comanda Israel criticou o recente acordo da Al Fatah com o Hamas e usa o pretexto como justificativa para interromper qualquer tipo de negociação.

Trata-se de sofisma, porque na prática com a construção de novos assentamentos, Israel demonstra que não quer mesmo nenhum tipo de acordo. Muito pelo contrário, quer levar adiante o projeto bíblico da Grande Israel. E quem sofre com isso são os palestinos, um povo que há anos tenta em vão ter uma pátria livre e soberana.

E além do mais, setores da ultradireita de Israel, cujo representante mais notório é o atual Ministro do Exterior, Avigdor Lieberman, defendem um ataque ao Irã. É possível que estejam informados que o Hezbollah, segundo o professor Luís Alberto Moniz Bandeira, possui 10 mil mísseis escondidos em residências particulares apontadas para Israel.

Como desprezam a vida humana, pode ser que queriam mesmo correr o risco.

Mario Augusto Jakobskind é jornalista. Tem no blog Quem tem medo da democracia? um “Céu de Montevidéu”.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Raul Castro se reúne com senadores norte-americanos

Questões de interesse das duas nações foram discutidas no encontro.


Sem relações políticas, diplomáticas, econômicas, comerciais e financeiras com os Estados Unidos há meio século, Cuba recebeu na sexta-feira, dia 24, uma delegação de parlamentares norte-americanos que visita o país. O presidente cubano, Raul Castro, reuniu-se com os senadores Patrick Leahy (Partido Democrata) e Richard Shelby (Partido Republicano).

De acordo com informações do jornal Granma, os senadores norte-americanos estão em Havana para discutir questões de interesse das duas regiões. O ministro cubano dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodriguez Parrilla, também participa das reuniões.

Desde 1962, Cuba é submetida a um rigoroso bloqueio econômico, comercial, financeiro e bancário por parte do governo dos EUA. Em decorrência dessas restrições, os cubanos vivem sob um rígido sistema de contenção de despesas e gastos.

Governo da Bahia inicia diálogo com cubanos para intercâmbio nos esportes

Para viabilizar o acordo de cooperação técnica entre Cuba e Bahia, o governo baiano buscará apoio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores.


Representantes do Ministério dos Esportes de Cuba visitaram, na quinta-feira, dia 9, a Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), para iniciar diálogo com o governo do estado com vista à realização de um intercâmbio esportivo entre a Bahia e Cuba. Nilton Vasconcelos, secretário de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, e Raimundo Nonato Tavares, o Bobô, diretor geral da Sudesb, receberam a comitiva cubana.

“Ficamos muito felizes em recebê-los aqui e por iniciar esse diálogo. Principalmente por toda a tradição esportiva de Cuba. E temos certeza de que será de muita importância para ambas as partes a promoção dessa cooperação técnica”, disse o secretário Nilton Vasconcelos.

“Viemos apresentar a ideia de um intercâmbio de esportes com o objetivo de cooperação e apoio para desenvolver o esporte na Bahia, com o intuito de trocar experiências para capacitação de pessoal. É um diálogo inicial para identificar as áreas de interesse. O secretário Nilton, por exemplo, nos apontou três modalidades como eixos iniciais: boxe, judô e atletismo”, disse Ileana Alfonso, especialista de Relações Internacionais do Ministério dos Esportes de Cuba.

O caso do boxe é emblemático com relação ao caráter positivo desse possível intercâmbio. Cuba é um dos países mais fortes no boxe olímpico, enquanto a Bahia é, também, um dos estados com mais força no cenário do boxe brasileiro. A seleção brasileira, por exemplo, é formada, em sua maioria, por atletas baianos. Um deles, Éverton Lopes, conquistou o título mundial em 2011.

Para viabilizar o acordo entre Cuba e Bahia, o estado buscará apoio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores. Recentemente, a ABC viabilizou um bem-sucedido acordo de cooperação técnica entre a Bahia e a República Dominicana para transferência da tecnologia do Serviço de Intermediação para o Trabalho (SineBahia) para o país caribenho.

Uma equipe de técnicos da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) já esteve na República Dominicana, explicando a metodologia do SineBahia e passando a experiência para representantes do governo. Também um grupo de técnicos do trabalho dominicano esteve na Bahia para observar de perto o funcionamento do serviço.

Brigadistas fazem declaração de solidariedade a Cuba

Texto recebido por e-mail

Em 1959, Cuba fez sua revolução e estimulou o surgimento de diversos movimentos de oposição ao imperialismo em toda América Latina. Outra sociedade começava a se tornar realidade para um “outro mundo” possível. A partir do momento em que Cuba optou pela posição no campo socialista, os EUA iniciaram e ainda impõem um bloqueio econômico rigoroso e desumano. Há 50 anos o sistema político socialista cubano é caluniado, difamado e descaradamente distorcido pela grande mídia mundial. Este resiste a todas as mentiras da imprensa dominante e manipuladora, a todas as investidas terroristas arquitetadas pelo governo dos Estados Unidos, resiste também com força e criatividade à escassez de bens, alimentos e a proibição de importar ou exportar novas tecnologias.

Apesar destas dificuldades, Cuba optou em diversas ocasiões por desenvolver ações solidárias junto a vários países, principalmente os mais pobres, como dar asilo político a companheiros latino-americanos perseguidos nos períodos duros da ditadura ou enviar profissionais cubanos de alta competência em missões humanitárias.

Cuba é hoje um país onde a seguridade social está garantida. Todos os cubanos e cubanas, de qualquer idade, têm direito à educação, em todos os níveis, sendo esta gratuita, totalmente subsidiada, de qualidade e avançada. O mesmo ocorre com demais direitos sociais: alimentação, saúde, pesquisa, habitação, lazer, aposentadoria, cultura e esportes.

Por tudo isso, nós, os brigadistas da 19ª Brigada Internacional de Solidariedade a Cuba, nos colocamos a favor e à disposição para o enfrentamento, por meio da denúncia aberta dos seguintes pontos:

● contra as campanhas caluniosas promovidas pelos monopólios imperialistas midiáticos;

● pela libertação dos 5 heróis cubanos presos injustamente por lutar contra o terrorismo;

● pelo fim do criminoso bloqueio econômico;

● pela desativação da base militar de Guantânamo;

● pelo respeito ao direito de escolha política do povo cubano.

Para alcançar nossos propósitos nos comprometemos a:

● desmistificar, a partir de nossa experiência vivida, a realidade cubana tergiversada, construída pelos meios de comunicação em função do imperialismo;

● difundir o caso dos 5 heróis por intermédio de todos os instrumentos de comunicação que temos à disposição em cada território, para assim trabalhar pela libertação dos mesmos;

● compromisso e adesão com a Revolução Cubana e suas propostas democráticas, por meio de reavaliação de nossos valores e prioridades centrando-as mais na essência de “ser” em lugar do “ter”, dando sentido a nossa ação a partir de uma prática comprometida;

● promover a participação e organização de novos movimentos com o fim de conscientizar e somar novos companheiros para as próximas brigadas e estimular a união dos povos latino-americanos.

● denúncia massiva das condições desumanas vividas pelos prisioneiros da base militar de Guantânamo, sua origem e permanência imperialista através da emenda Platt.

Celebramos a criação recente da Celac – Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe. Esperamos que esta união de nossos povos seja o reflexo do desejo de heróis libertadores de nossas terras cujos pensamentos coincidem com os de José Martí, Herói Nacional Cubano.

Caimito, Artemisa, 4 de fevereiro de 2012.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Cuba combate corrupção em todos os níveis da sociedade

“A responsabilidade do mercado negro não é do povo é de quem tem o produto e não o administra”, disse Gladys Bejerano.


A procuradora-geral de Cuba, Gladys Bejerano (foto), disse no domingo, dia 19, que o governo cubano combate “a ilegalidade, as indisciplinas e os atos de corrupção” em todos os níveis [da sociedade]”.

“A responsabilidade do mercado negro não é do povo é de quem tem o produto e não o administra, mas o enfrentamento [a essa prática] tem de ser entre todos. Se alguém vende é porque alguém compra e não falamos nada”, explicou Bejerano, em uma entrevista ao jornal Juventud Rebelde.

Segundo a procuradora-geral, “há uma mistura de tolerância, indisciplina, ilegalidade e corrupção. Temos de gerar nas pessoas a obrigação e o dever de defender o que é nosso”, expôs, acrescentando que “se alguém ganhar porque trabalha muito, que ganhe, não estamos contra isso”.

Bejerano completou que o que deve ser feito é “não aceitar que alguém ganhe dinheiro roubando o povo” e que a solução contra a corrupção em Cuba é o “controle real, diário e sistemático”.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Deputados nos EUA pedem manutenção do bloqueio contra Cuba

Os idiotas acreditam que com isso Cuba vai se render ao império. Desde dezembro de 2010, o prejuízo do bloqueio já supera os US$104 bilhões.


Os deputados norte-americanos defenderam na terça-feira, dia 7, a manutenção do bloqueio contra Cuba após cinco décadas do decreto do bloqueio comercial, que é criticado pela imensa maioria da comunidade internacional.

Em um comunicado conjunto, os congressistas Ileana Ros-Lehtinen, David Rivera, Mario Diaz Balart, do Partido Republicano, e Albio Sires, do Partido Democrata, insistiram na permanência da medida que pretende dificultar a vida dos cubanos e desmontar o sistema político do país.

Diaz Balart criticou o presidente Barack Obama e o acusou de oferecer “concessões unilaterais” a Cuba enquanto poderia aplicar novas sanções contra a Ilha para privar o governo de apoio financeiro.

Os deputados defendem o endurecimento da postura dos EUA e incentivam regulamentações para reforçar o cerco contra Havana e frear o desenvolvimento econômico da nação caribenha.

O grupo se opõe ao fim determinado por Obama para as restrições adotadas durante a administração Bush, que permitia aos cubanos residentes nos EUA somente uma viagem a seu país de origem a cada três anos e um limite de US$100,00 mensais em remessas.

Essa nova disposição, aprovada há 12 meses, liberava algumas viagens acadêmicas, religiosas, culturais ou esportivas, mas sob regulações específicas que, desde já, deixam intacta a proibição do fluxo livre de norte-americanos a Cuba.

As autoridades cubanas acreditam que essas mudanças sejam insuficientes e extremamente limitadas, pois não alteram a complexa estrutura de leis, regulações e cláusulas que determinam a política de bloqueio contra Cuba.

Apesar das crescentes críticas de mais de 185 nações da comunidade internacional expressadas em votações sucessivas das Nações Unidas durante os últimos 20 anos, o governo norte-americano mantém essa política.

O dano econômico direto sobre o povo cubano desde dezembro de 2010, em valores corrigidos, eleva-se a uma cifra que supera os US$104 bilhões. Ao se levar em consideração a desvalorização da moeda, os efeitos seriam superiores a US$975 bilhões.

Conforme apontou recentemente o Centro para a Democracia nas Américas, várias vozes dos EUA defendem uma mudança na política da Casa Branca, o que proporcionaria benefícios para as sociedades cubana e norte-americana

Essa organização defende o fim do atual método de desconstrução do sistema político e sua substituição por um que contemple novas políticas no sentido da normalização e reconhecimento do governo cubano, ressalta o grupo na sua página na internet.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Eduardo Guimarães: Chavez ainda enterrará Merval e o resto da mídia moribunda

Eduardo Guimarães em seu Blog da Cidadania

Não faz muito tempo, li no portal do jornal O Estado de S.Paulo na internet um artigo de uma das marionetes dos barões da imprensa atacando o que chamou de “jornalismo cidadão”. O sujeito dizia que blogs como este não teriam qualidade jornalística, não checariam informações como a grande imprensa, e que, portanto, não seriam confiáveis.

Naquele momento, a primeira coisa que me veio à mente foi a ficha policial falsa que o jornal Folha de S.Paulo recebeu por e-mail de fonte anônima há alguns anos e publicou no alto de sua primeira página, com o maior destaque possível. Fiquei me perguntando como alguém pode ser tão cara-de-pau a ponto de dizer que uma imprensa que faz isso seria mais confiável.

Para fortalecer sua teoria, o teleguiado da família Mesquita usou como “exemplo” de sua tese notícias veiculadas por blogs sobre desaparecidos durante o massacre do Pinheirinho. O tal “blogueiro” do Estadão mentiu dizendo que blogs anunciaram mortes, quando anunciaram desaparecimentos.

O fato é que a blogosfera tem sido um exemplo de bom jornalismo, pois, quando erra, faz suas reparações e permite espaço ao contraditório de suas diversas linhas editoriais, contraditório esse que a grande imprensa nega a quem dela diverge.

Se checagem rigorosa de informações for evidência de bom jornalismo – e é, apesar de não ser a única –, a mídia da ficha falsa da Dilma ou do grampo sem áudio no STF agora tem mais um passivo, a morte iminente de Hugo Chavez que começou a ser anunciada em janeiro e que na última quinta-feira, dia 16, foi endossada, sem checagem, pelo “imortal” Merval Pereira.

Leia, abaixo, post de Merval em seu blog no qual “mata” Hugo Chavez.

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16/2/12
Quadro grave

A saúde do presidente Hugo Chavez, da Venezuela, pode afetar a eleição presidencial. Os últimos exames, analisados por médicos brasileiros, indicam que o câncer está em processo de metástase, se alastrando em direção ao fígado, deixando pouca margem a uma recuperação.

Como a eleição presidencial se realiza dentro de 8 meses, a 7 de outubro, dificilmente o presidente venezuelano estaria em condições de fazer uma campanha eleitoral que exigirá muito esforço físico, pois a oposição já tem em Henrique Capriles um candidato de união.

O ex-embaixador dos Estados Unidos na OEA, Roger Noriega, invocando informações de dentro do governo venezuelano, escreveu artigo recentemente no portal de internet da InterAmerican Security Watch intitulado “A grande mentira de Hugo Chavez e a grande apatia de Washington”.

Nesse artigo ele dizia que o câncer está se propagando mais rapidamente do que o esperado e poderia causar-lhe a morte antes mesmo das eleições presidenciais.

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Em primeiro lugar, que “exames analisados por médicos brasileiros” são esses? Quem são os tais “médicos brasileiros”? Como os tais “exames” foram obtidos? A mídia, que acusa blogs de não checarem informações, ignora cuidados mínimos ao divulgar uma notícia dessa gravidade, que, sendo verdadeira, teria implicações estrondosas na geopolítica das Américas.

Merval não checou nada e ainda trocou as bolas. Confundiu matérias que saíram em órgãos de imprensa espanhóis e norte-americanos que fazem oposição cerrada a Chavez com uma notícia divulgada pela “Folha.com” em julho do ano passado. Leia a matéria, abaixo:

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19/7/2011
Exames mostram que Chavez tem câncer de próstata, dizem médicos

Profissionais brasileiros que tiveram acesso aos exames de Hugo Chavez dizem que o presidente venezuelano tem câncer de próstata.

A informação é da coluna de Mônica Bérgamo publicada nesta terça-feira na Folha e cuja íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.

A informação, contudo, não foi confirmada pelo urologista Miguel Srougi, especialista em câncer de próstata que foi chamado para a reunião com os diplomatas venezuelanos.

Ele prefere manter o silêncio para evitar falhas e diz que Chavez “fez muito bem” de ir para Cuba, onde terá a intimidade preservada.

Chavez revelou ter câncer em 30 de junho, após semanas de especulação, em uma mensagem lida em rede nacional em Havana, onde deveria encerrar uma turnê de visitas iniciada no Brasil no começo do mês.

Menos de quatro dias depois do anúncio da doença, Chavez retornaria de surpresa a Caracas, às vésperas do aniversário de 200 anos do país.

Naquele momento, ele anunciou ter feito duas cirurgias em Cuba – uma delas para a retirada de um tumor. Chavez não informa que órgãos ou tecidos foram atingidos pelo câncer nem qual seu estágio. Negou, porém, que a doença tenha atingido o cólon ou o estômago.

A coluna de Bergamo de sábado (16) já apontava indícios de lesão na próstata do presidente venezuelano, mas ressaltava que mais exames eram necessários.

Até semana passada, tudo indicava que Chavez viria ao Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para fazer sessões de quimioterapia contra seu câncer, como fez seu colega paraguaio, Fernando Lugo, que sofreu de câncer linfático no ano passado.

No sábado, dia 16, contudo, Chavez chegou à Cuba, onde informou que deseja seguir o tratamento quimioterápico para câncer. Ele não descartou uma visita futura ao Brasil, no entanto.

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Além de preguiçoso – ou mal-intencionado – ao checar informações, Merval nem soube identificar a origem de boatos que pretendem apenas desestabilizar, tanto na Venezuela quanto no exterior, a candidatura de Chavez à reeleição.

Quem saiu primeiro com essa história de metástase do câncer de próstata do líder venezuelano foi o diário norte-americano Wall Street Journal, em novembro do ano passado. Diz o journal:

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Os relatórios, com base em entrevistas com pessoas que tiveram acesso à equipe médica de Chavez, alimentam rumores recentes de que o homem que governa a Venezuela desde 1999 não será saudável o suficiente para disputar a reeleição em outubro, potencialmente jogando o futuro político do país em dúvida.

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No final do mês passado, o diário espanhol ABC, que faz oposição a Chavez – bastando, para comprovar, fazer busca de seu nome no sítio do veículo, onde se constatará uma impressionante artilharia contra ele –, publicou matéria anunciando que o venezuelano teria um ano de vida a menos que aceite um tratamento intensivo.

O artigo do ex-embaixador dos Estados Unidos na OEA Roger Noriega, invocado por Merval, baseia-se nas mesmas invenções sobre “médicos” que teriam “analisado exames” de Chavez e concluído que seu câncer estaria se espalhando rapidamente.

Chega a ser ridículo achar que médicos brasileiros, espanhóis e norte-americanos teriam tido acesso livre a exames de um Chavez que nega peremptoriamente que sua doença tenha-se agravado e que certamente toma todos os cuidados com informações sobre a própria saúde.

Aliás, não se entende de que adiantaria um homem que tem menos de um ano de vida disputar uma eleição. Sendo eleito em outubro, se seu estado de saúde moribundo fosse real, ele não viveria para assumir o cargo. Teria de estar louco para se meter em tal empreitada sabendo que mesmo vencendo a eleição seria derrotado.

A estratégia da direita midiática internacional é óbvia: acha que pode fazer o povo venezuelano deixar de votar em Chavez com medo de que ele morra e deixe o país acéfalo.

Chavez praticamente não deu bola a uma notícia que já corre o mundo há semanas e que chega atrasada ao Brasil. Aliás, fez troça. Mas os mervais e os PIGs espalhados pelo mundo mergulharam de cabeça no que julgam um filão, cheios de esperança que estão no candidato com que a direita venezuelana deve tentar retomar o poder, o tal de Henrique Capriles.

Se essa direita midiática não fosse tão preguiçosa e tivesse se dado ao trabalho de fazer o que este blogueiro fez muitas vezes ao incursionar nos cerros (morros) de Caracas, desjejuando arepa (espécie de pão sírio), suero (coalhada) e (chá) enquanto ouvia o verdadeiro povo venezuelano, entenderia o que jamais entendeu.

Chavez não é causa, é consequência. Assim como Evo Morales, Rafael Correa, Lula e outros presidentes progressistas que decorreram da onda de governos de esquerda que na década passada varreu a América Latina, ele é o braço político do povo. Se morresse, o povo acharia um substituto.

Essa gente não entende que a morte de Chavez o transformaria em um mártir e permitiria a seu partido eleger qualquer “poste”, sem falar na fúria que seria desencadeada entre a imensa maioria de venezuelanos que o apoia com a alma não por ele mesmo, mas porque é o campeão que aquele povo encontrou para reverter a concentração de renda que esmagou a Venezuela por décadas.

O povo venezuelano já está escolado. Em cada uma das sucessivas eleições que Chavez venceu sem que houvesse um único questionamento sério e reconhecido, até a antevéspera de cada um daqueles pleitos a direita midiática sempre disse que daquela vez ele estaria derrotado por antecipação.

Chavez não está moribundo, quem está é essa direita demente que jamais entendeu que ao menos nesta parte do mundo os povos já sabem que não podem permitir que ela volte a governar até que o mal que perpetrou ao longo de séculos seja desfeito. Chavez, portanto, viverá para assistir ao enterro político dessa gente.

Pequenos negócios movimentam a economia cubana

Carlos Batista, via AFP

Quando a companhia suíça Victorinox abriu sua loja de cutelaria em Havana muitos pensaram que estavam loucos, pois ninguém compraria seus produtos a preços tão elevados, porém passados 14 meses acusa um resultado de muito êxito.

“Compraram não somente turistas russos, chineses, mexicanos, venezuelanos, pois dizem que os preços são menores que em seus países, como também muitos cubanos, dos ‘paladares’ [restaurantes privados] e pessoas com ingressos”, comentou um empregado à AFP.

A loja, numa rua movimentada de “La Habana Vieja”, vende canivetes e outros artigos que valem desde 4 CUCs [pesos convertíveis de valor equivalente ao dólar] até várias centenas.

A exemplo de outras capitais latino-americanas, Havana possui agora casas de cadeias internacionais como Mango, Benetton, Adidas e Victorinox e lojas estatais que vendem uma variedade de artigos eletrônicos e eletrodomésticos.

Além do mais, restaurantes com mais de 100 cadeiras como o Castropol, de uma sociedade de descendentes espanhóis, e a estatal Pelenque estão geralmente cheios e, diferentemente de anos passados, seus comensais são majoritariamente cubanos.

Qualquer economista recém-desembarcado ficaria desconcertado: segundo dados oficiais, os cubanos tiveram ingressos em 2010 de cerca de 39,5 bilhões de pesos (US$1,6 bilhão) e gastaram um pouco mais.

As políticas do presidente Raul Castro abriram espaço a negócios privados, o que incrementou os ingressos e o consumo de muitas famílias.

Somam-se uma maior flexibilidade dos Estados Unidos para que os cubanos-estadunidenses enviem remessas a suas famílias na Ilha e os numerosos profissionais cubanos, médicos principalmente, que trabalham em missões no exterior e ganham em divisas.

Em 2011 os cubanos passaram ao segundo lugar na classificação por nacionalidade em hospedagem nos hotéis de turismo, logo depois dos canadenses, com gastos de US$41 milhões no primeiro semestre, segundo cifras oficiais.

Já em 2010, 3 milhões de cubanos se hospedaram em hotéis: 93.400 em instalações 5 estrelas e 465.000 em hotéis 4 estrelas.

O principal comentarista econômico do país, Ariel Terrero, disse que “vários setores da sociedade estão se reestruturando”. Identificou quatro grupos: “Um que tinha baixa capacidade de ingresso, outros com capacidade de ingresso média, média alta e alta. Na dependência desses quatro níveis vão sendo formadas estruturas se tendências de preços no mercado”, disse Terrero em seu programa de TV.

Matéria publicada originalmente no site do jornal El Nuevo Herald de Miami, de linha editorial fortemente contrarrevolucionária, de 14 de fevereiro.

Texto traduzido e enviado por Max Altman

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Fidel Castro se encontra com intelectuais de 22 países em Havana


“Tem de lutar, não podemos nos deixar vencer pelo pessimismo. É o nosso dever”, disse Fidel.

Por mais de nove horas Fidel Castro conversou com intelectuais de 22 países. Entre os presentes estavam Adolfo Perez Esquivel, Prêmio Nobel de la Paz; Sergio Pitol, Prêmio Cervantes 2005. Também estiveram presentes Stella Calloni, Carlo Frabetti, Francois Houtart, Frei Betto, Ignacio Ramonet, Atilio Borón, Farruco Sesto, Miguel Bonasso, Carmen Bohórquez, Peter Phillps, Santiago Alba e Mayda Acosta.




segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

EUA preparam terreno para aplicar em Cuba a “fórmula Líbia”


“O Departamento de Estado dos EUA já está organizando em Cuba redes que permitam difundir falsas informações e criar o ambiente propício para a intervenção na Ilha”, está é a denúncia que o blogueiro cubana, Iroel Sanchez.

Leia seu texto completo ou acompanhe pelo vídeo abaixo.

Aécio Neves ataca Cuba e se esquece de Minas

Altamiro Borges em seu blog

Em sua coluna na Folha desta semana, Aécio Neves voltou a tratar de política externa, desta vez para demonizar Cuba. O senador tucano, famoso por sumir de Minas Gerais e curtir suas “folgas” em Miami e Paris, tenta se cacifar como líder da direita nativa. O texto, uma cópia dos memorandos da CIA, objetiva fustigar a política externa soberana, ativa e altiva, iniciada no governo Lula.

Com o título “O silêncio do PT”, o artigo critica o “autoritarismo do regime cubano” e o “regime dinástico dos irmãos Castro”. No tocante ao autoritarismo, os jornalistas mineiros conhecem bem as práticas ditatoriais da dupla Aécio/Andrea. Já os professores, que realizaram a sua mais longa greve no ano passado, são testemunhas da postura truculenta dos filhotes do ex-governador.

Nada sobre o bloqueio dos EUA
O senador tucano também descreve as reais dificuldades vividas pelos 11,2 milhões de cubanos. Mas não diz uma linha sobre o criminoso bloqueio econômico imposto pelos EUA, que completou 50 anos na semana passada. Ele também nada fala sobre a miséria que campeia em Minas, com milhões de pessoas abandonadas pelo poder público, ou sobre as vítimas das recentes enchentes no estado.

Em outro trecho, o tucano esbanja cinismo. Ela critica a “falta de horizonte das novas gerações” de cubanos. O senador realmente está distante do seu estado. Ele esquece que milhões de jovens mineiros, sem qualquer horizonte, já tentaram migrar para os EUA – submetendo-se à violência do império na fronteira com o México e à humilhação do trabalho degradante no solo ianque.

As garras do império
Reforçando a campanha midiática em defesa da blogueira Yoani Sanchez, que vários documentos e vídeos comprovam ser uma mercenária dos EUA, Aécio Neves critica os “olhos fechados” da presidenta Dilma Rousseff em sua recente visita a Cuba. Toda essa histeria para, no final, afirmar que “o flerte com regimes fechados e totalitários, como o de Cuba e o do Irã, expõe publicamente a tentação autoritária que o PT tenta dissimular e que, no entanto, parece estar inscrito no DNA do partido”.

Aos poucos, o senador tucano, tão afastado de Minas Gerais, vai mostrando suas garras para a disputa presidencial de 2014. Com seu artigo na Folha, ele deve ter conquistado mais alguma simpatia dos EUA. No futuro, novos documentos vazados pelo WikiLeaks podem revelar as tramas do colonizado mineiro.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Rádio e TV Martí: A impotência da potência

Omar Pérez Salomón, no blog La pupila insomne e lido no Vermelho

Um dos projetos de lei que mais preparação, análise e discussão tem tido na Câmara e no Senado dos Estados Unidos é sem dúvida o que foi apresentado no início dos anos de 1980, que contemplava a criação, financiamento e operação por parte do governo dos Estados Unidos, de uma estação de rádio destinada a transmitir exclusivamente para Cuba.

O próprio presidente Ronald Reagan assinou a ordem executiva 12.323, em 22 de setembro de 1981, mediante a qual criava a Comissão Presidencial para a Radiodifusão para Cuba, que teria como objetivo analisar a criação de um novo “serviço radiofônico” dirigido especificamente a Cuba. É necessário destacar que um de seus membros era Jorge Mas Canosa, presidente da organização contrarrevolucionária e terrorista, Fundação Cubano-Americana.

Os projetos de lei apresentados foram tratados por várias subcomissões e comissões de ambas as casas legislativas durante todo o ano de 1982, as quais convocaram numerosas audiências públicas nas quais prestaram depoimentos especialistas em programação radiofônica, relações políticas internacionais, engenharia, integrantes das distintas associações de radiodifusores, e funcionários da administração norte-americana.

Em maio de 1985, após um sinuoso caminho de disputas legislativas formais, tem lugar o advento da emissora anticubana com o nome do apóstolo da independência de Cuba, materializando-se uma nova agressão à soberania do espaço radioelétrico cubano.

Pensaram que estas transmissões teriam a mesma efetividade que as realizadas pela Rádio Europa Livre e Rádio Liberdade para os países do leste europeu, no sentido de favorecer a subversão político-ideológica para destruir a Revolução Cubana.

Depois de quase 27 anos de fracassadas transmissões da mal chamada Rádio Martí para a maior das Antilhas, por parte de cinco administrações norte-americanas, fica evidente a impotência da potência mais poderosa do planeta, para cumprir seus objetivos imperiais com relação a Cuba. É tanta a soberba, que desconhecem as reiteradas chamadas de atenção feitas ao governo de Washington pela União Internacional de Telecomunicações, organismo da ONU.

Por estes dias, a Conferência Mundial de Radiocomunicações, que se realiza em Genebra, reafirmou que os Estados Unidos violam as normas às quais está sujeita por invadir o território cubano com frequências radioelétricas enviadas a partir de aeronaves, que interferem em canais de televisão e frequências de rádio em ondas médias e FM que se encontram em serviço na Ilha.

O deslocamento de aviões para as transmissões ilegais constitui uma das ações mais provocadoras e perigosas. Uma medida como esta só se tomou anteriormente durante situações de guerra, como as do Vietnã e do Iraque e significa uma clara violação da soberania cubana.

As transmissões da “Rádio e TV Martí” a partir de uma aeronave começaram em agosto de 2004 e vêm até nossos dias, gastando uma soma considerável de dinheiro dos contribuintes norte-americanos. Cada emissão contra Cuba custa mais de US$100 mil. Tais emissões são pagas com um orçamento aprovado pelo Congresso estadunidense, que este ano fiscal prevê mais de US$30 milhões.

Ao longo de mais de cinco décadas, as sanções e restrições econômicas contra Cuba têm sido acompanhadas de operações diversionistas e iniciativas para criar, financiar e dirigir uma quinta coluna contra a ordem constitucional cubana.

A emissão de sinais de rádio e televisão para Cuba a partir do território norte-americano, que hoje chega a mais de duas mil horas semanais de programação anticubana, incluídas alocuções que convocam atos terroristas, tem sido uma verdadeira guerra nos terrenos técnico, diplomático e de inteligência, onde a potência imperial tem levado a pior, pois cada vez mais é possível neutralizar o sinal da televisão inimiga em suas distintas variantes e a recepção da Rádio Martí se mantém em baixo perfil.

Talvez por isso a atual administração de Barack Obama se empenha em incrementar estas transmissões, apesar das acusações da Conferência Mundial de Radiocomunicações.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Série especial sobre Cuba na Band é propaganda pró-capitalista

Imagem de abertura do especial sobre
Cuba produzido pela TV Bandeirantes
Desde a terça-feira, dia 7, o Jornal da Band (TV Bandeirantes), transmite uma série de reportagens “especiais” sobre Cuba. Com o subtítulo “Os contrastes da Ilha fechada para o mundo”, o que se vê é um amontoado de senso comum e preconceitos ocidentais contra a soberania e legitimidade de Cuba.

Vanessa Silva, via Vermelho

O mote da série é o aniversário de 50 anos do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos à Ilha. O próprio repórter chama o feito de “desumano” e pontua que a ação já foi condenada diversas vezes pela ONU. Mas não esclarece em nenhum momento que todas as dificuldades da Ilha decorrem deste bloqueio.

A maneira como a situação é apresentada leva o telespectador a crer que os problemas são causados pelos “irmãos Castro”, não pelos Estados Unidos e sua ação criminosa. Reportagem publicada pelo Vermelho em outubro de 2011 elucida que a indústria leve de Cuba, somente em 2010, perdeu US$9,76 milhões, em consequência do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos EUA.

Os “irmãos Castro” não são ditadores e tampouco inexiste democracia em Cuba. Em discurso proferido por ocasião da 1ª Conferência Nacional do Partido Comunista de Cuba, em janeiro deste ano, o presidente Raul Castro reafirma: “Se escolhemos soberanamente, com a participação e o apoio do povo, a opção martiana [de José Martí, líder das lutas pela independência de Cuba] do partido único, o que devemos fazer é promover a maior democracia em nossa sociedade, começando por dar o exemplo dentro das fileiras do Partido.” Mas ele disse democracia? Pois é, cara pálida!

O povo cubano participa ativamente das tomadas de decisões do partido. Entre os meses de dezembro de 2010 e fevereiro de 2011, mais de 8 milhões de cidadãos cubanos – em um universo de 11 milhões, de acordo com o censo de 2009 – debateram as reformas econômicas e discutiram sobre o futuro da Ilha. “Foi um verdadeiro e amplo exercício democrático. O povo manifestou livremente suas opiniões, esclareceu dúvidas, propôs modificações, expressou suas insatisfações e discrepâncias e também sugeriu abordar a solução de outros problemas”, detalhou o jornalista e estudioso das questões internacionais, Max Altman, em agosto de 2011. (Acompanhe a entrevista aqui).

A reportagem da Band serve meramente como propaganda pró-capitalista e é um desserviço público. Ao exacerbar as dificuldades de consumo, fica claro que o repórter comunga de uma visão neoliberal que “tenta transformar tudo em mercadoria”, de forma “que tudo se venda, tudo se compre, que tudo tenha preço”, como esclarece o sociólogo Emir Sader.

A próxima reportagem tratará dos efeitos da liberação do comércio de carros e imóveis. Não é de se esperar algo melhor. Quem não viu o vídeo, não vale a pena.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Blogueira Yoani Sanchez é colaboradora do Instituto Millenium

Blogueira cubana integra grupo de colaboradores do instituto financiado pelos grupos midiáticos O Estado de S.Paulo, Editora Abril e RBS, entre outras empresas, para defender valores liberais no Brasil. Na página da entidade, Yoani Sanchez desfruta a companhia de articulistas como Reinaldo Azevedo, Denis Rosenfield, Ali Kamel, Merval Pereira, Marcelo Madureira, Carlos Alberto Sardenberg e Carlos Alberto Di Franco, um dos integrantes mais ilustres da Opus Dei no Brasil.


A blogueira cubana Yoani Sanchez é colaboradora do Instituto Millenium, entidade financiada por um grupo de grandes empresas de comunicação (O Estado de S.Paulo, Editora Abril e RBS) e de outros setores (Gerdau, Vale, Suzano, entre outras), para defender os valores liberais no Brasil. Entre eles, segundo informa o site da entidade, destacam-se a eficiência, a economia de mercado, a responsabilidade individual, a propriedade privada e a meritocracia.

Apresentada como webmaster, articulista, editora do portal “Desde Cuba” e criadora do site Generación Y, Yoani Sanchez faz parte do seleto grupo de colaboradores do Millenium que reúne nomes como Reinaldo Azevedo, Denis Rosenfield, Ali Kamel, Merval Pereira, Marcelo Madureira, Carlos Alberto Sardenberg e Carlos Alberto Di Franco, um dos integrantes mais ilustres da Opus Dei no Brasil.

Apesar de se apresentar como “apartidário”, o Instituto Millenium teve uma participação ativa na campanha presidencial de 2010 no Brasil. Em março daquele ano, em seminário promovido pelo instituto em São Paulo, representantes de grandes empresas de comunicação do país afirmaram que o PT é um partido contrário à liberdade de expressão e à democracia e que, se Dilma fosse eleita, o “stalinismo seria implantado no Brasil”. “Então tem de haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução dos meios de comunicação. Temos de ser ofensivos e agressivos, não adianta reclamar depois”, disse na época o ex-cineasta Arnaldo Jabor.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

EUA violam espaço de radiodifusão cubano

Via Efe

A Conferência Mundial de Radiocomunicações, que se celebra em Genebra até 17 de fevereiro, reafirmou que os Estados Unidos violam as normas às que estão sujeitos por “invadir o território cubano com frequências radioelétricas enviadas desde aeronaves”.

A conferência confirmou sem necessidade de votação uma conclusão adotada em sua edição anterior de 2007, na qual se estabeleceu que “toda estação de radiodifusão a bordo de uma aeronave que transmita exclusivamente a território de outro país sem seu consentimento não cumpre o regulamento de radiocomunicações”.

O diretor de regulações e normas do Ministério de Informática e de Comunicações de Cuba, Wilfredo Lopez, denunciou ante o fórum “o incremento das interferências”, e afirmou que as autoridades estadunidenses “estão usando frequências adicionais, apesar de que as mesmas estão inscritas no registro internacional de frequências para uso de estações de radiodifusão cubanas”.

Lopez assinalou que mais de 20 transmissores de radiodifusão de diferentes serviços sonoros e de televisão “transmitem mais de 2.000 horas semanais de programação anticubana, incluídas alocuções que convocam a atos terroristas”.

“Estas transmissões difundem uma programação desenhada para promover a desestabilização e a emigração ilegal com o fim de contribuir com seu objetivo de derrocar a um governo estrangeiro, legitimamente constituído e de fomentar uma crise artificial que sirva de pretexto a uma eventual agressão militar contra Cuba”, agregou Lopez.

A Conferência especificou além do mais, que apesar das numerosas solicitações da União Internacional de Telecomunicações (UIT), Washington não eliminou as interferências que suas transmissões causam aos serviços de radiodifusão cubanos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Fernando Morais × Yoani Sanchez

De Porto Alegre, onde participou do Fórum Social Temático, Morais foi taxativo: “Não mexerei um palito pela blogueira cubana.”

Altamiro Borges, via Brasil de Fato

Conhecido defensor de Cuba e um dos jornalistas mais renomados do Brasil, autor do clássico A Ilha e do recém-lançado Os últimos soldados da Guerra Fria, Fernando Morais não se curva diante do endeusamento midiático da dissidente Yoani Sanchez. De Porto Alegre, onde participou do Fórum Social Temático, ele foi taxativo: “Não mexerei um palito pela blogueira cubana.”

O motivo é simples. Para ele, toda a campanha midiática em defesa de Yoani Sanchez e as críticas à Revolução Cubana “só ajudam o inimigo” – os Estados Unidos, que mantêm um criminoso bloqueio à Ilha. “Sou defensor da liberdade de expressão. Mas, em primeiro lugar, defendo o direito de 11 milhões de cubanos que estão sendo espezinhados pelos norte-americanos”.

Fernando Morais participou de um debate no dia 27 de janeiro sobre o seu novo livro, Os últimos soldados da Guerra Fria, que trata da prisão e condenação nos EUA dos cinco cubanos que investigavam as ações terroristas da máfia de Miami. Ele conhece a fundo as provocações patrocinadas e financiadas pelo império contra a revolução cubana e não se ilude com o alarde midiático.

“Já perdi a inocência com os Estados Unidos. Na política externa, não faz a menor diferença se é democrata ou republicano. Quem meteu os norte-americanos nas piores aventuras externas foram os democratas”, argumentou. Para ele, o governo Obama “não mudou absolutamente nada” nas relações com Cuba e mantém o bloqueio, as provocações e os subsídios à conspiração na Ilha

“Em nome de minhas convicções, não posso apoiar uma moça que vem dedicando sua vida a combater a Revolução. Eu não vou mexer um palito para que essa moça venha ao Brasil”, concluiu. Fernando Morais reconhece que há limitações em Cuba, mas afirma que isto não justifica as tentativas do império para derrubar o regime cubano, ferindo sua soberania e independência.