terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Fernando Morais × Yoani Sanchez

De Porto Alegre, onde participou do Fórum Social Temático, Morais foi taxativo: “Não mexerei um palito pela blogueira cubana.”

Altamiro Borges, via Brasil de Fato

Conhecido defensor de Cuba e um dos jornalistas mais renomados do Brasil, autor do clássico A Ilha e do recém-lançado Os últimos soldados da Guerra Fria, Fernando Morais não se curva diante do endeusamento midiático da dissidente Yoani Sanchez. De Porto Alegre, onde participou do Fórum Social Temático, ele foi taxativo: “Não mexerei um palito pela blogueira cubana.”

O motivo é simples. Para ele, toda a campanha midiática em defesa de Yoani Sanchez e as críticas à Revolução Cubana “só ajudam o inimigo” – os Estados Unidos, que mantêm um criminoso bloqueio à Ilha. “Sou defensor da liberdade de expressão. Mas, em primeiro lugar, defendo o direito de 11 milhões de cubanos que estão sendo espezinhados pelos norte-americanos”.

Fernando Morais participou de um debate no dia 27 de janeiro sobre o seu novo livro, Os últimos soldados da Guerra Fria, que trata da prisão e condenação nos EUA dos cinco cubanos que investigavam as ações terroristas da máfia de Miami. Ele conhece a fundo as provocações patrocinadas e financiadas pelo império contra a revolução cubana e não se ilude com o alarde midiático.

“Já perdi a inocência com os Estados Unidos. Na política externa, não faz a menor diferença se é democrata ou republicano. Quem meteu os norte-americanos nas piores aventuras externas foram os democratas”, argumentou. Para ele, o governo Obama “não mudou absolutamente nada” nas relações com Cuba e mantém o bloqueio, as provocações e os subsídios à conspiração na Ilha

“Em nome de minhas convicções, não posso apoiar uma moça que vem dedicando sua vida a combater a Revolução. Eu não vou mexer um palito para que essa moça venha ao Brasil”, concluiu. Fernando Morais reconhece que há limitações em Cuba, mas afirma que isto não justifica as tentativas do império para derrubar o regime cubano, ferindo sua soberania e independência.

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