sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Pequenos negócios movimentam a economia cubana

Carlos Batista, via AFP

Quando a companhia suíça Victorinox abriu sua loja de cutelaria em Havana muitos pensaram que estavam loucos, pois ninguém compraria seus produtos a preços tão elevados, porém passados 14 meses acusa um resultado de muito êxito.

“Compraram não somente turistas russos, chineses, mexicanos, venezuelanos, pois dizem que os preços são menores que em seus países, como também muitos cubanos, dos ‘paladares’ [restaurantes privados] e pessoas com ingressos”, comentou um empregado à AFP.

A loja, numa rua movimentada de “La Habana Vieja”, vende canivetes e outros artigos que valem desde 4 CUCs [pesos convertíveis de valor equivalente ao dólar] até várias centenas.

A exemplo de outras capitais latino-americanas, Havana possui agora casas de cadeias internacionais como Mango, Benetton, Adidas e Victorinox e lojas estatais que vendem uma variedade de artigos eletrônicos e eletrodomésticos.

Além do mais, restaurantes com mais de 100 cadeiras como o Castropol, de uma sociedade de descendentes espanhóis, e a estatal Pelenque estão geralmente cheios e, diferentemente de anos passados, seus comensais são majoritariamente cubanos.

Qualquer economista recém-desembarcado ficaria desconcertado: segundo dados oficiais, os cubanos tiveram ingressos em 2010 de cerca de 39,5 bilhões de pesos (US$1,6 bilhão) e gastaram um pouco mais.

As políticas do presidente Raul Castro abriram espaço a negócios privados, o que incrementou os ingressos e o consumo de muitas famílias.

Somam-se uma maior flexibilidade dos Estados Unidos para que os cubanos-estadunidenses enviem remessas a suas famílias na Ilha e os numerosos profissionais cubanos, médicos principalmente, que trabalham em missões no exterior e ganham em divisas.

Em 2011 os cubanos passaram ao segundo lugar na classificação por nacionalidade em hospedagem nos hotéis de turismo, logo depois dos canadenses, com gastos de US$41 milhões no primeiro semestre, segundo cifras oficiais.

Já em 2010, 3 milhões de cubanos se hospedaram em hotéis: 93.400 em instalações 5 estrelas e 465.000 em hotéis 4 estrelas.

O principal comentarista econômico do país, Ariel Terrero, disse que “vários setores da sociedade estão se reestruturando”. Identificou quatro grupos: “Um que tinha baixa capacidade de ingresso, outros com capacidade de ingresso média, média alta e alta. Na dependência desses quatro níveis vão sendo formadas estruturas se tendências de preços no mercado”, disse Terrero em seu programa de TV.

Matéria publicada originalmente no site do jornal El Nuevo Herald de Miami, de linha editorial fortemente contrarrevolucionária, de 14 de fevereiro.

Texto traduzido e enviado por Max Altman

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