sábado, 11 de fevereiro de 2012

Rádio e TV Martí: A impotência da potência

Omar Pérez Salomón, no blog La pupila insomne e lido no Vermelho

Um dos projetos de lei que mais preparação, análise e discussão tem tido na Câmara e no Senado dos Estados Unidos é sem dúvida o que foi apresentado no início dos anos de 1980, que contemplava a criação, financiamento e operação por parte do governo dos Estados Unidos, de uma estação de rádio destinada a transmitir exclusivamente para Cuba.

O próprio presidente Ronald Reagan assinou a ordem executiva 12.323, em 22 de setembro de 1981, mediante a qual criava a Comissão Presidencial para a Radiodifusão para Cuba, que teria como objetivo analisar a criação de um novo “serviço radiofônico” dirigido especificamente a Cuba. É necessário destacar que um de seus membros era Jorge Mas Canosa, presidente da organização contrarrevolucionária e terrorista, Fundação Cubano-Americana.

Os projetos de lei apresentados foram tratados por várias subcomissões e comissões de ambas as casas legislativas durante todo o ano de 1982, as quais convocaram numerosas audiências públicas nas quais prestaram depoimentos especialistas em programação radiofônica, relações políticas internacionais, engenharia, integrantes das distintas associações de radiodifusores, e funcionários da administração norte-americana.

Em maio de 1985, após um sinuoso caminho de disputas legislativas formais, tem lugar o advento da emissora anticubana com o nome do apóstolo da independência de Cuba, materializando-se uma nova agressão à soberania do espaço radioelétrico cubano.

Pensaram que estas transmissões teriam a mesma efetividade que as realizadas pela Rádio Europa Livre e Rádio Liberdade para os países do leste europeu, no sentido de favorecer a subversão político-ideológica para destruir a Revolução Cubana.

Depois de quase 27 anos de fracassadas transmissões da mal chamada Rádio Martí para a maior das Antilhas, por parte de cinco administrações norte-americanas, fica evidente a impotência da potência mais poderosa do planeta, para cumprir seus objetivos imperiais com relação a Cuba. É tanta a soberba, que desconhecem as reiteradas chamadas de atenção feitas ao governo de Washington pela União Internacional de Telecomunicações, organismo da ONU.

Por estes dias, a Conferência Mundial de Radiocomunicações, que se realiza em Genebra, reafirmou que os Estados Unidos violam as normas às quais está sujeita por invadir o território cubano com frequências radioelétricas enviadas a partir de aeronaves, que interferem em canais de televisão e frequências de rádio em ondas médias e FM que se encontram em serviço na Ilha.

O deslocamento de aviões para as transmissões ilegais constitui uma das ações mais provocadoras e perigosas. Uma medida como esta só se tomou anteriormente durante situações de guerra, como as do Vietnã e do Iraque e significa uma clara violação da soberania cubana.

As transmissões da “Rádio e TV Martí” a partir de uma aeronave começaram em agosto de 2004 e vêm até nossos dias, gastando uma soma considerável de dinheiro dos contribuintes norte-americanos. Cada emissão contra Cuba custa mais de US$100 mil. Tais emissões são pagas com um orçamento aprovado pelo Congresso estadunidense, que este ano fiscal prevê mais de US$30 milhões.

Ao longo de mais de cinco décadas, as sanções e restrições econômicas contra Cuba têm sido acompanhadas de operações diversionistas e iniciativas para criar, financiar e dirigir uma quinta coluna contra a ordem constitucional cubana.

A emissão de sinais de rádio e televisão para Cuba a partir do território norte-americano, que hoje chega a mais de duas mil horas semanais de programação anticubana, incluídas alocuções que convocam atos terroristas, tem sido uma verdadeira guerra nos terrenos técnico, diplomático e de inteligência, onde a potência imperial tem levado a pior, pois cada vez mais é possível neutralizar o sinal da televisão inimiga em suas distintas variantes e a recepção da Rádio Martí se mantém em baixo perfil.

Talvez por isso a atual administração de Barack Obama se empenha em incrementar estas transmissões, apesar das acusações da Conferência Mundial de Radiocomunicações.

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