sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Série especial sobre Cuba na Band é propaganda pró-capitalista

Imagem de abertura do especial sobre
Cuba produzido pela TV Bandeirantes
Desde a terça-feira, dia 7, o Jornal da Band (TV Bandeirantes), transmite uma série de reportagens “especiais” sobre Cuba. Com o subtítulo “Os contrastes da Ilha fechada para o mundo”, o que se vê é um amontoado de senso comum e preconceitos ocidentais contra a soberania e legitimidade de Cuba.

Vanessa Silva, via Vermelho

O mote da série é o aniversário de 50 anos do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos à Ilha. O próprio repórter chama o feito de “desumano” e pontua que a ação já foi condenada diversas vezes pela ONU. Mas não esclarece em nenhum momento que todas as dificuldades da Ilha decorrem deste bloqueio.

A maneira como a situação é apresentada leva o telespectador a crer que os problemas são causados pelos “irmãos Castro”, não pelos Estados Unidos e sua ação criminosa. Reportagem publicada pelo Vermelho em outubro de 2011 elucida que a indústria leve de Cuba, somente em 2010, perdeu US$9,76 milhões, em consequência do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos EUA.

Os “irmãos Castro” não são ditadores e tampouco inexiste democracia em Cuba. Em discurso proferido por ocasião da 1ª Conferência Nacional do Partido Comunista de Cuba, em janeiro deste ano, o presidente Raul Castro reafirma: “Se escolhemos soberanamente, com a participação e o apoio do povo, a opção martiana [de José Martí, líder das lutas pela independência de Cuba] do partido único, o que devemos fazer é promover a maior democracia em nossa sociedade, começando por dar o exemplo dentro das fileiras do Partido.” Mas ele disse democracia? Pois é, cara pálida!

O povo cubano participa ativamente das tomadas de decisões do partido. Entre os meses de dezembro de 2010 e fevereiro de 2011, mais de 8 milhões de cidadãos cubanos – em um universo de 11 milhões, de acordo com o censo de 2009 – debateram as reformas econômicas e discutiram sobre o futuro da Ilha. “Foi um verdadeiro e amplo exercício democrático. O povo manifestou livremente suas opiniões, esclareceu dúvidas, propôs modificações, expressou suas insatisfações e discrepâncias e também sugeriu abordar a solução de outros problemas”, detalhou o jornalista e estudioso das questões internacionais, Max Altman, em agosto de 2011. (Acompanhe a entrevista aqui).

A reportagem da Band serve meramente como propaganda pró-capitalista e é um desserviço público. Ao exacerbar as dificuldades de consumo, fica claro que o repórter comunga de uma visão neoliberal que “tenta transformar tudo em mercadoria”, de forma “que tudo se venda, tudo se compre, que tudo tenha preço”, como esclarece o sociólogo Emir Sader.

A próxima reportagem tratará dos efeitos da liberação do comércio de carros e imóveis. Não é de se esperar algo melhor. Quem não viu o vídeo, não vale a pena.

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