sábado, 31 de março de 2012

“Memorial Hélio Dutra”, em Havana, aproxima brasileiros e cubanos


Inaugurado em 8 de janeiro de 2011, o “Espaço do Brasil em Cuba – Memorial Hélio Dutra”, com o apoio do Instituto Cubano de Amizade entre os Povos (ICAP), tem como proposta fomentar o intercâmbio cultural, artístico e científico entre os dois países. A seguir, os objetivos e atividades propostas pelo projeto.

Objetivos
● Divulgar a cultura cubana e brasileira entre brasileiros e cubanos, por meio da realização de atividades culturais e artísticas;

● Estreitar os laços de amizade e solidariedade;

● Intensificar o intercâmbio científico, cultural e artístico entre os dois países;

● Desenvolver atividades comemorativas das datas históricas dos dois países;

Atividades
● Culinária (Brasil e Cuba – diferentes regiões);

● Músicas (Brasil e Cuba);

● Exposições de pintura, escultura e artesanato (Brasil e Cuba);

● Curso de português;

● Acervo bibliográfico de literatura, cinema, artes em geral, política, história e arquitetura;

● Acervo de CDs e DVDs;

● Oficinas sobre diferentes temas sobre a realidade brasileira e cubana;

● Comemorações de datas históricas de Cuba e do Brasil.

Quem foi Hélio Dutra?
O mais brasileiro dos cubanos e o mais cubano dos brasileiros. Assim era chamado Hélio Dutra, falecido aos 96 anos, completados em 21 de novembro de 2004, 60 dos quais vividos em Cuba.

Hélio Dutra Domingues nasceu em 1908 no então Estado de Rio de Janeiro, filho de Oswaldo José Dutra e Eulina Domingues Dutra. Teve um filho, Sérgio Dutra, casado com Lourdes, e dois netos, Sérgio e Carolina.

Hélio Dutra desde pequeno contribuiu para a economia da família, composta de sete pessoas, e trabalhou como mensageiro de duas farmácias no bairro de Ipanema. Depois foi meio-prático de farmácia – conseguiu estudar até dois anos de estudos ginasiais –, office-boy, datilógrafo, vendedor de apólices de seguro e reservista numa linha de tiro.

Em 1934, passou a trabalhar no Laboratório Labrápia. Nessa época, ingressa no Partido Comunista Brasileiro. Em 29 de outubro de 1945, após o término da 2ª Guerra Mundial, chegou a Cuba com a finalidade de instalar uma filial do laboratório na Ilha.

Entre 1946 e 1958, depois de muitos percalços pessoais e financeiros, consegue estabilizar a pequena filial em Havana e, em 1948, abre uma unidade na Colômbia e outra na cidade do México, em 1950.

Em 1952, o general Fulgêncio Batista sobe novamente ao poder e a luta revolucionária em Cuba se reinicia. Os efeitos do golpe ditatorial se fazem sentir em todos os aspectos da vida nacional e também na indústria farmacêutica, afetada pela crise econômica e pelo contrabando propiciado pelas autoridades da época.

Durante todo esse período, ocasionado por conjunturas econômicas desfavoráveis, Hélio foi obrigado a sair momentaneamente de Cuba, mas sempre optou pelo seu retorno à Ilha, como sede permanente do seu trabalho.

As lutas revolucionárias que antecederam ao triunfo da Revolução Cubana aproximaram a Hélio de seus ideais de transformação social e da luta pelo alcance de justiça social. Apesar dos convites para deixar o país e trabalhar com os norte-americanos, que ofertavam salários de milhares de dólares, Hélio decidiu aderir ao processo revolucionário, entregando o laboratório ao governo que o nacionalizou.

Foi testemunha dos grandes feitos da Revolução Cubana e divulgador das ideias de José Martí, escrevendo, sob o título da Frágua Martiana, numerosos artigos sobre a obra e a ação revolucionária do Herói Nacional de Cuba.

Foi membro das Milícias de Tropas Territoriais (MTT) e membro do Partido Comunista de Cuba (PCC). Casou-se pela terceira vez no dia 16 de fevereiro de 1968 em Havana com a cubana Ella Alvarez Delgado, sua companheira inseparável nos últimos 40 anos.

Escreveu em 1988 o livro Querida Ilha, com duas edições esgotadas, que, como disse Fernando Morais, “mostra mais do que um retrato heroico da Revolução Cubana, pois é acima de tudo uma apaixonada declaração de amor”.

Ella e Hélio Dutra, lutadores incansáveis pela
solidariedade entre Brasil e Cuba.
Hélio Dutra muito significou e significa para o fortalecimento do vínculo entre Brasil e Cuba, desde a fundação da Sociedade Cuba-Brasil em Havana, em 1961. Sempre recebeu a todos os brasileiros, desde os que não tinham visto no passaporte durante a ditadura militar brasileira, período em que foram rompidas as relações diplomáticas entre os dois países, até os exilados políticos desse período, sempre ao lado de Ella. Os dois eram incansáveis na atenção aos muitos brasileiros que visitavam a Ilha por diferentes motivos.

Seu coração sempre possuiu as cores das duas bandeiras, da brasileira e da cubana, como símbolo da solidariedade incondicional entre os dois povos.

Hélio era muito respeitado tanto em Cuba como no Brasil. Exemplo disso foi sua condecoração, em Cuba, com várias medalhas, como a da Campanha de Alfabetização, a do CDR e a Feliz Elmuza, da União dos Jornalistas de Cuba, quando completou 90 anos. No Brasil, durante algumas de suas viagens, era recebido e homenageado pelos amigos e participantes do movimento de solidariedade brasileiro e lançou o seu livro Querida Ilha em diferentes cidades brasileiras.

Faleceu a 18 de março de 2004, 20 dias depois de Ella, com quem dividia seu trabalho de solidariedade entre cubanos e brasileiros e que foi sua companheira na luta por um mundo melhor.

“Espaço do Brasil em Cuba – Memorial Hélio Dutra”
Calle Zapata (entre Basarrate y Mazón)
Barrio Príncipe – Vedado
Havana – Cuba

sexta-feira, 30 de março de 2012

René Gonzalez, Cuba lhe recebe com muito orgulho

Via Periodistas Cubanos e recebido por correio eletrônico

Minutos depois do meio-dia de sexta-feira, dia 30, chegou a Cuba, em visita privada e familiar, o Herói da República de Cuba, René Gonzalez Sehwerert, um dos Cinco lutadores antiterroristas cubanos injustamente condenados a longas penas de privação de liberdade nas prisões dos EUA.

Como se sabe, depois de sofrer 13 anos de prisão injusta, René está sob um regime de liberdade condicional por três anos, durante o qual ele deve permanecer nos Estados Unidos, o que é uma pena adicional.

Em 24 de fevereiro, René apresentou, por intermédio de seu advogado, uma moção de emergência para o Tribunal do Distrito Sul da Flórida, onde ele pediu para visitar ao seu irmão gravemente doente em Cuba.

Quase um mês depois, em 19 de março, a juíza Joan Lenard, que trata do caso dos Cinco desde o início de seu julgamento, autorizou a viagem a Cuba de René por 15 dias, sob um conjunto de condições: obter todas as licenças necessárias para viajar a Cuba pelo governo dos Estados Unidos, a entrega de itinerário detalhado da viagem, sua localização em Cuba e informações de contato no país e manter contato sistemático com a justiça. Além disso, o juiz deixou claro que todas as condições de liberdade supervisionada de René permanecem inalteradas e deve retornar aos Estados Unidos dentro de duas semanas a partir da data da viagem.

A decisão de permitir a viagem de René corresponde plenamente com os termos de sua liberdade condicional, que permite viagens a Cuba, com a aprovação do oficial da justiça ou juiz.

Até mesmo o governo dos Estados Unidos, que se opôs a todos os pedidos apresentados por René para uma visita temporária a seu irmão, reconheceu que as condições de sua liberdade condicional permitem viagens a Cuba. Neste sentido, a partir do 7 de março, a promotoria argumentou que “os termos de liberdade condicional de René não impedem as viagens a Cuba durante esse período [...] para visitar sua esposa, os pais idosos ou seus irmãos”.

No recurso interposto pelo seu advogado, René disse que cumprirá os termos estabelecidos para a visita e voltar para os Estados Unidos. Apesar das condições, o povo cubano, com profundo respeito, lhe deseja boas-vindas e lutará até as últimas consequências para seu retorno definitivo a Cuba e também de seus quatro irmãos, que ainda se encontram presos nos Estados Unidos.

Fidel Castro: Os tempos difíceis da humanidade

Fidel Castro, via Adital

O mundo está cada vez mais desinformado no caos de acontecimentos que se produzem a ritmos jamais suspeitados.

Os que temos vivido um pouco mais de anos e experimentamos determinada avidez pela informação, podemos testemunhar o volume de ignorância com que encarávamos os acontecimentos.

Enquanto no planeta um número crescente de pessoas carece de habitação, de pão, d’água, de saúde, de educação e de emprego, as riquezas da Terra são mal-gastas e esbanjadas em armas e em intermináveis guerras fratricidas, o qual se tornou – e se desenvolve cada vez mais – em uma crescente e abominável prática mundial.

Nosso glorioso e heroico povo, apesar de um desumano bloqueio que já dura mais de meio século, não tem inclinado jamais suas bandeiras; lutou e lutará contra o sinistro império. Esse é nosso pequeno mérito e nosso modesto contributo.

No polo oposto de nosso planeta, onde está localizada Seul, capital da Coreia do Sul, o presidente Barack Obama se reúne numa Cúpula sobre segurança nuclear para impor políticas vinculadas à disposição e ao uso das armas nucleares.

Trata-se sem dúvidas de fatos insólitos.

Pessoalmente não percebi estas realidades por mero acaso. Foram as experiências vividas durante mais de 15 anos desde o triunfo da Revolução Cubana – após a batalha de Girón, do criminoso bloqueio ianque para render-nos mediante a fome, os ataques piratas, da guerra suja e a crise dos mísseis nucleares no mês de outubro de 1962 que colocou o mundo à beira de uma sinistra hecatombe –, quando tive a certeza de que marxistas e cristãos sinceros, dos quais conheci muitos; independentemente de suas crenças políticas e religiosas, deviam e podiam lutar pela justiça e pela paz entre os seres humanos.

Assim o proclamei e assim o sustento sem nenhuma vacilação. As razões que hoje posso alegar são absolutamente válidas e ainda mais importantes, porque todos os fatos acontecidos desde há quase 40 anos o confirmam; hoje com mais razão do que nunca, porque marxistas e cristãos, católicos ou não; muçulmanos, xiitas ou sunitas; livre pensadores, materialistas dialéticos e pessoas pensantes, ninguém seria partidário de ver desaparecer prematuramente nossa única espécie pensante, na espera de que as complexas leis da evolução criem outra semelhante e que seja capaz de pensar.

Será com prazer que amanhã, na quarta-feira [28/3], cumprimentarei a Sua Excelência o papa Bento 16, como o fiz com João Paulo 2º, um homem ao qual o contato com as crianças e com os cidadãos humildes do povo suscitava-lhe, invariavelmente, sentimentos de afeto.

Por isso, decidi solicitar-lhe alguns minutos de seu muito ocupado tempo quando conheci, segundo palavras de nosso chanceler Bruno Rodriguez, que ele gostaria deste modesto e simples contato.

27 de março de 2012
20h35
Fidel Castro Ruz

Cinco heróis cubanos: René Gonzalez chega a Cuba



Alguns minutos depois do meio-dia da sexta-feira, dia 30, chegou a Cuba um dos Cinco heróis cubanos e antiterrorista René Gonzalez Sehwerert.

Ele está em liberdade condicional vigiada nos EUA e recebeu autorização para visitar seu irmão, Roberto, que está com câncer.

Isso não é exatamente o que queremos, mas com certeza René deve estar muito feliz em poder pisar em solo cubano depois de tanto tempo preso injustamente nos cárceres do império ianque.

A seguir, matéria em espanhol sobre o assunto publicada no sítio Cambio en Cuba.

Vídeo: Llegó René a la Pátria
Minutos después del mediodía de este viernes, arribó a la Patria, en visita privada y familiar, el Héroe de la República de Cuba, René González Sehwerert, uno de los Cinco luchadores antiterroristas cubanos condenados injustamente a cumplir largas sanciones de privación de libertad en cárceles norteamericanas.

Como es conocido, después de haber sufrido 13 años de injusta prisión, René se encuentra bajo un régimen de libertad supervisada, por otros tres años, durante los cuales deberá permanecer en los Estados Unidos, lo cual constituye una sanción adicional.

El 24 de febrero pasado, René había presentado, a través de su abogado, una moción de emergencia ante la Corte para el Distrito Sur de Florida, en la cual solicitó que se le autorizara a visitar a su hermano gravemente enfermo en Cuba.

Casi un mes después, el 19 de marzo, la jueza Joan Lenard, quien ha estado a cargo del caso de los Cinco desde el inicio de su proceso judicial, autorizó el viaje de René a Cuba por 15 días, bajo un grupo de condiciones: la obtención de todos los permisos necesarios para viajar a Cuba por parte del Gobierno de los Estados Unidos, la entrega del itinerario detallado del viaje, su localización en Cuba e información de contacto en el país, así como el mantenimiento de comunicación telefónica sistemática con su oficial probatorio. Asimismo, la Jueza dejó claro que todas las condiciones de la libertad supervisada de René permanecen invariables y tiene que regresar a los Estados Unidos en cuanto se cumplan dos semanas, a partir de la fecha del viaje.

La decisión de autorizar el viaje de René se corresponde plenamente con las condiciones establecidas para su libertad supervisada, las cuales permiten que viaje a Cuba, previa aprobación del oficial probatorio o de la jueza.

Incluso, el propio Gobierno de los Estados Unidos, que se ha opuesto a todas las mociones presentadas por René para que se le permita tanto su regreso definitivo a Cuba como la visita temporal a su hermano, reconoció que las condiciones de su libertad supervisada no le prohíben viajar a nuestro país. Al respecto, ya desde el 7 de marzo del 2011, la Fiscalía argumentó que “los términos de la libertad supervisada de René no le impiden viajar a Cuba durante ese período… Nada le impedirá solicitarle a su oficial probatorio (o a la corte, si le es negado por este) un permiso para viajar a Cuba a visitar a su esposa, sus padres ancianos u otros”.

En la moción presentada por su abogado, René expresó que cumplirá con los términos establecidos para la visita y regresará a los Estados Unidos.

Pese a las condiciones impuestas, nuestro pueblo, con hondo respeto, le da la bienvenida a la Patria a nuestro querido René y no ceja en la lucha por su regreso definitivo junto a sus cuatro entrañables hermanos.

La Habana, 30 de marzo de 2012

quinta-feira, 29 de março de 2012

Vídeo: Fidel se reúne com o papa Bento 16


Numa coletiva de imprensa em Havana, realizada na quarta-feira, dia 28, o porta-voz do Vaticano Federico Lombardi confirmou que o encontro entre o líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, e Bento 16 foi “muito cordial”.

Para Federico, a reunião, que durou cerca de meia hora na sede da embaixada do Vaticano em Havana, ocorreu num ambiente de “grande cordialidade, como pode ser visto nas imagens que foram publicadas”.

Fidel, que chegou por volta do meio-dia e foi recebido pelo cardeal Tarcisio Bertone, afirmou que havia acompanhado todos os eventos da viagem do papa pela televisão cubana. Com alegria e bom humor comentou sobre a idade dos dois anos. O papa falou sobre seu trabalho a serviço da humanidade. Eles conversaram também sobre ecológica, cultura, atualidades e como cada religião dá respostas diferentes.

Sobre um possível encontro entre o papa e o presidente Chavez, o porta-voz do Vaticano disse categoricamente: “Não houve tal reunião, pois não foi solicitada.”

Bento 16 se despediu de Cuba no final da tarde da quarta-feira, dia 28, embaixo de forte chuva.

EUA pressionam o papa contra Cuba

Embora irmanados nos fins, Vaticano e imperialismo norte-americano seguem por caminhos diferentes a sua cruzada contra Cuba. A experiência política no caminho do retrocesso histórico adquirida pela Igreja durante o papado de João Paulo 2º, em grande parte do qual as linhas mestras eram já definidas pelo cardeal Ratzinger – o atual papa – podem levar o Vaticano a não ceder a Washington e Miami. O que não significa que seus objetivos sejam divergentes…

David Brooks, via La Jornada e lido no Terra Brasilis

Quando o governo estadunidense e os anticastristas de Miami denunciaram a breve detenção de opositores pelas autoridades cubanas, nas vésperas da visita do papa Bento 16 à Ilha, não referiram que esses dissidentes, tal como uma ampla gama da oposição política dentro da ilha, são apoiados e em muitos casos financiados – numa violação das leis de Cuba – por Washington e as organizações anticastristas de Miami, cujo propósito anunciado é a mudança de regime.

Por isso, as expressões provenientes de Washington e de Miami sobre a visita do pontífice a Cuba, 26 e 27 de Março, têm um fio cortante mais perigoso do que à primeira vista parece.

Miami quer sempre um conflito entre a Igreja Católica e o Estado cubano. Não convém à linha dura de Miami que o menor grau de relações harmoniosas entre a Igreja e o Estado, comentou o embaixador Wayne Smith, perito em relações bilaterais entre os Estados Unidos e Cuba, em entrevista ao jornal La Jornada.

Smith, que foi chefe da Secção de Interesses do governo estadunidense em Havana na presidência de Jimmy Carter e atualmente é analista do Centro de Políticas Internacionais em Washington, comentou que o governo dos Estados Unidos também queria que a Igreja tivesse uma linha mais dura contra o regime de Cuba, que houvesse uma maior confrontação, mas a Igreja não o fará.

As relações de cooperação desenvolvidas entre a Igreja católica, encabeçada pelo cardeal Jaime Ortega, e o regime cubano não agradam às forças mais conservadoras de Miami, tal como em alguns sectores de Washington, a começar pela oposição oficial da Igreja cubana contra o epicentro da política estadunidense: o bloqueio norte-americano à Ilha.

Esta semana, o Vaticano reiterou que a sua posição sobre o bloqueio não é um mistério, e isso foi expresso pelo papa João Paulo 2º durante a sua histórica viagem a Cuba em 1998, e não surpreenderá que o atual pontífice, Bento XVI, o repita, juntamente com os apelos a maior liberdade religiosa, antecipou o Catholic News Service.

Por isso, figuras influentes do exílio como a deputada Ros Lehtinen – agora presidenta do Comitê de Assuntos Externos –, o senador Marco Rubio e outros legisladores e políticos cubano-estadunidenses opuseram-se inicialmente à viagem, afirmando que a visita do papa só serve os propósitos do regime de Havana, e criticaram a conciliação da Igreja com o regime cubano. Como o Vaticano não lhes ligou, pressionam para que a visita seja utilizada para denunciar o regime.

Um par de incidentes recentes em que as autoridades cubanas detiveram membros de grupos dissidentes foi utilizado por figuras anticastristas de Miami e políticos de Washington para repetirem as suas condenações (apesar de num dos casos, ter sido a própria Igreja católica quem pediu a expulsão de um grupo do templo, com o arcebispo a afirmar que ninguém tem o direito de converter os templos em barricadas políticas e afetar a celebração da chegada do papa).

Ros-Lehtinen declarou a semana passada na Câmara dos Representantes que “pouco se disse sobre a escalada de violência contra a oposição interna de Cuba… mas há uma oportunidade de corrigir isto, denunciando-a e apelando a Bento 16 que apoie publicamente as aspirações do povo cubano, escravizado e impedido de exercer os seus direitos outorgados por Deus”.

Em Miami, Ninoska Pérez, diretora do Conselho de Liberdade Cubana e voz proeminente do anticastrismo, afirmou que esperava mais protestos antes e durante a visita do papa a Cuba.

Em Washington, um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca declarou aos media que “a detenção de membros das Damas de Branco… nas vésperas da visita do papa Bento XVI mostrava o desdém das autoridades cubanas pelos direitos universais do povo cubano”.

Por seu lado, o Departamento de Estado denunciou que a detenção era uma violação repreensível, e incitou o papa a abordar o tema dos direitos humanos nas suas conversações com o governo cubano.

O New York Times, em editorial, defendeu que o papa deve pressionar o líder cubano para acabar com a perseguição aos dissidentes, e dizer-lhe que o mundo não se esqueceu do anseio de liberdade do povo cubano.

Mas, como quase sempre acontece e quase nunca se diz, é que estes grupos dissidentes recebem apoio dos Estados Unidos. No ano passado, o Departamento de Estado atribuiu o seu Prêmio de Defensores dos Direitos Humanos às Damas de Branco, enquanto funcionários da sua Secção de Interesses se reuniram com elas. Milhões de dólares foram canalizados para os grupos que procuram uma mudança de regime.

É quase impossível saber quais são os grupos que na ilha caribenha recebem dinheiro, devido à falta de transparência no envio de fundos e outras ajudas estadunidenses a diversas organizações em Cuba, com a maior parte deles canalizada, entre outras, para Organizações de Miami.

A Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (USAID) distribui a maior parte dos fundos estadunidenses de apoio às organizações anticastristas dentro e fora da ilha caribenha, e explicitamente afirma que ao chegar à comunidade dissidente, o programa da agência internacional contribui para o desenvolvimento de grupos independentes da sociedade civil que, finalmente, podem contribuir significativamente a nível local e nacional.

Para os anos fiscais de 2009 e 2010 o Congresso atribuiu 35 milhões de dólares para programas relacionados com Cuba (23 milhões foram através da USAID).

Para os chamados programas de promoção da democracia estabelecidos pela Lei Hermes Burton, o governo dos Estados Unidos distribuiu mais de 150 milhões de dólares, afirma o Cuba Money Project, que se dedica a monitorizar essa assistência oficial.

Naturalmente, toda a assistência econômica estrangeira para os grupos dissidentes dentro da ilha, como toda e qualquer operação estrangeira que intervém em assuntos internos, viola as leis nacionais de Cuba.

Julia Sweig, diretora de estudos latino-americanos do influente Conselho de Relações Externas, comentou recentemente que os chamados programas de democracia para Cuba do governo estadunidense são uma provocação extraordinária, já que continuam com o mesmo objetivo herdado do governo anterior (o do republicano George W. Bush): a concepção de mudança do regime permanece em grande medida intacta sob o presidente Obama.

Explicou que os programas são ocultados ao público estadunidense; não há informação pública sobre os subcontratados privados para estes programas nos Estados Unidos e em muito outro lado, e que até muitas vezes alguns grupos ou indivíduos que vivem em Cuba, por vezes não sabem que fazem parte dos programas estadunidenses.

Os programas de democracia para Cuba têm sido deliberadamente politizados para provocar, e têm tido êxito na provocação, acrescentou Julia Sweig.

Na conjuntura da visita papal a Cuba, tudo indica que o objetivo de Washington e Miami é precisamente esse: provocar.

David Brooks é Correspondente do prestigiado diário mexicano La Jornada.

Tradução: José Paulo Gascão.

UFRN firma convênio de colaboração com Universidade de Cuba


A pesquisadora Cristiane Elizabeth Costa de Macedo, do Departamento de Biologia Celular e Genética (DBG) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), teve projeto de estudo sobre produção de alimentos e de biocombustíveis aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Ministério de Educação Superior de Cuba (MES-Cuba).

O projeto é desenvolvido em parceria entre a Universidade Federal do Rio Grande do Norte e a Universidade Federal do Semiárido (UFERSA), com vínculo ao Programa de Pós-Graduação das duas instituições.

A ideia é promover estudos sobre a produção de alimentos e de biocombustíveis a partir de plantas submetidas a estresse salino e hídrico, além de desenvolver atividades de colaboração entre as instituições de Cuba (Universidade de Havana – UH) e do Brasil (UFRN). Dentre as atividades de cooperação está incluso o intercâmbio de pesquisadores e doutorandos dos dois países.

As atividades do projeto começam a partir de junho deste ano e como primeira atividade de colaboração entre os dois países, a UFRN receberá a visita do pesquisador Eduardo Alfonso Ortega Delgado e uma doutoranda da Universidade de Havana (Cuba).

Já a segunda atividade será a ida para Cuba da professora Cristiane Macedo (UFRN) e do doutorando Yuri Melo, com o objetivo de desenvolver atividades de pesquisa vinculadas ao projeto.

Além disso, o convênio firmado entre a UFRN e a Universidade de Havana visa estimular pesquisadores da instituição a buscarem o intercâmbio entre professores e pesquisadores que integram a rede de colaboração.

Cuba, a Igreja e a propriedade privada

Salvador Capote, via Adital

Como a posição em relação à propriedade privada constitui a coluna vertebral tanto do sistema socialista quanto da Doutrina Social da Igreja Católica, é oportuno repassar esse tema por ocasião da visita do Papa Bento 16 a Cuba.

Quando lemos a história dos primeiros séculos do Cristianismo, constatamos maravilhados como há mais de um milênio e meio, os padres e doutores da Igreja (séculos 2 ao 4) eram mais radicais do que o mais radical dos marxistas.

Clemente de Alexandria estabeleceu o princípio de que Deus criou os bens da terra para o desfrute de todos e, portanto, ninguém deve viver na opulência enquanto outros vivem na miséria. Para São Jerônimo, todas as riquezas provinham da injustiça; a pessoa rica é injusta ou herdou sua riqueza de uma pessoa injusta. Segundo Santo Ambrósio, a natureza produz bens para todos; porém, a avareza os converte em direito de uns poucos. São Cipriano considerava que a vida em comum dos cristãos dos primeiros tempos era um exemplo da regra universal segundo a qual toda espécie humana devia partilhar em condições de igualdade todos os bens do mundo. Santo Agostinho viu essa igualdade como um ideal de vida. Basílio, El Magno, predicou que toda riqueza excedente pertencia aos pobres e a eles deveria ser entregue imediatamente. João Crisóstomo, arcebispo de Constantinopla, escreveu que “meu” e “teu” eram palavras que tinham causado inúmeras guerras no mundo e deveriam ser eliminadas. “... Os pobres não invejariam os ricos porque não haveria ricos. Tampouco os pobres seriam desprezados pelos ricos porque não haveria pobres.”

Na realidade, os padres e doutores da Igreja estavam propondo uma sociedade sem classes 1.500 anos antes do Manifesto Comunista. Porém, agora, essas anedotas patrísticas somente têm um valor histórico, pois, mais tarde, na Baixa Idade Média, vieram as interpretações escolásticas, principalmente de Tomás de Aquino, com suas distinções entre posse e uso da propriedade privada e a influência de Aristóteles. Com o passar dos séculos, afiançaram-se as interpretações a partir do direito natural e surgiram também novas interpretações quando se descobriu que este não era aplicável em determinadas circunstâncias. Quase sempre a análise seguiu um método dedutivo, a partir de uma norma geral; somente na segunda etapa do século 20, a Teologia da Libertação adota um método indutivo a partir do sofrimento dos pobres e oprimidos. No pensamento dos últimos papas, de João 23 até Bento 16, observa-se uma ênfase cada vez maior na função social da propriedade privada.

João 23 foi o primeiro dos papas em reconhecer (“Mater et Magistra”) – em oposição à ultradireita religiosa – o papel que corresponde ao Estado em garantir a função social da propriedade e, decididamente, colocou a Igreja ao lado das reformas sociais. Foi também o primeiro em introduzir o conceito de direitos econômicos (“Pacem in Terris”, 1963). Na “Gaudium et Spes” (1965), o documento mais importante do Concílio Vaticano 2º, inspirado em João 23 e escrito em parte pelo Arcebispo Karol Wojtyla (futuro Papa João Paulo 2º), se estabelece firmemente o compromisso da Igreja com os pobres.

Paulo 6º, em sua encíclica “Populorum Progressio” (1967) destacou as dimensões globais do conflito social, que já não eram somente entre ricos e pobres, mas entre nações ricas e nações pobres; reiterou a responsabilidade social da propriedade privada e, inclusive, chegou a recomendar a expropriação pelo Estado das que não cumprissem esse requisito. Paulo 6º assinalou também as injustiças do chamado comércio livre e advogou pelo planejamento econômico, por sistemas de apoio às nações mais pobres e pelo cumprimento do dever de solidariedade. Paulo 6º reconheceu um novo “fato moral”, a interdependência, que conecta a cada pessoa aos problemas da distribuição desigual dos meios de subsistência destinados originalmente para o uso e desfrute de todos.

Em 1968, reunidos em Medellín, Colômbia, 130 bispos latino-americanos comprometeram-se a uma nova ação pastoral que unisse a evangelização à justiça. Em “Octagesima Adveniens” (1971), Paulo 6º orientou as Igrejas locais a elaborar suas próprias respostas concretas às necessidades urgentes de mudanças sociais, políticas e econômicas. O Sínodo de Bispos, em Roma, “Justiça no Mundo”, que aconteceu nesse mesmo ano, transcorreu com o mesmo espírito de compromisso com os pobres já expresso na Conferência de Medellín. O Sínodo tirou a justiça do marco legal e a colocou ao lado do amor ao próximo: “O amor cristão a nossos semelhantes e a justiça não podem separar-se.”

Na “Laborem Exercens” (1981), João Paulo 2º destacou alguns temas chaves, como o uso comum da propriedade privada, o salário justo e a preocupação com os pobres. Na “Centesimus Annus” afirma a importância do direito à propriedade privada; porém, não como um direito absoluto, mas modificado por princípios complementares, como o destino universal de todos os bens.

Algo novo e de extraordinária importância nessa Encíclica é a observação do Papa sobre as mudanças que haviam acontecido na natureza da propriedade. Em um princípio, a terra era o fator decisivo na produção; mais tarde, o capital – entendido como o complexo total dos meios produtivos – e, hoje, o ser humano, com seus conhecimentos científicos e tecnológicos, vai se convertendo no fator decisivo.

Em geral, com o tempo, na posição da Igreja em respeito à propriedade privada, foi-se acentuando – apesar de nunca ter estado ausente – sua função social. Os direitos de propriedade do indivíduo existem em um contexto socializado, no qual a propriedade serve ao bem comum e o Estado tem o dever de assegurar que assim seja. Expressado com maior ou menor força nas diferentes épocas e Encíclicas, prevaleceu sempre o princípio de que o direito à propriedade privada é um direito real; porém, secundário, subordinado a um direito primário, que é o destino comum de todos os bens. Portanto, se a propriedade privada se opõe ou dificulta o acesso dos seres humanos à comunidade dos bens, já não é legítima. Nesse princípio, claramente estabelecido pelos últimos papas, é o que permite chegar a posições comuns – mesmo que não idênticas – com o socialismo cubano e converte em causa compartilhada o esforço de todos para edificar uma sociedade mais justa e solidária.

UFRN firma convênios com universidades e instituições de Cuba


Retornando de Cuba, onde foi participar do 8º Congresso Internacional de Educação Superior – Universidade 2012, realizado em Havana, a reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte Ângela Paiva Cruz (foto) firmou dois convênios de cooperação, avançando em sua proposta de internacionalização da UFRN.

Os convênios, assinados com a Universidade de Havana (UH) e com o Instituto Superior Politécnico José Antonio Echeverria (Cujae), têm objetivos comuns no campo do ensino, da pesquisa e da extensão, visando à aproximação e ao incremento das relações entre as instituições parceiras.

Essa parceria permitirá, ainda, o desenvolvimento e a difusão da cultura e, em particular, o desenvolvimento do ensino superior e a investigação científica e tecnológica. Inclui, também, a possibilidade de mobilidade de professores e pesquisadores, o intercâmbio de informações, estudos e pesquisas.

A reitora Ângela Paiva destaca que a UFRN está investindo na cooperação Sul-Sul (países em desenvolvimento) e esse acordo com Cuba é bastante significativo, à medida que marca o interesse em estreitar as relações com os países da América Latina.

Durante sua permanência em Cuba, a reitora Ângela Paiva visitou a Universidade de Ciências Médicas Preclínicas Girón, em Havana, e a professora Márcia Gorette Lima da Silva, representando a Secretaria de Relações Internacionais, participou de reunião com os reitores brasileiros e o reitor da Universidade de Havana, Gustavo Cobreiro Suárez. A professora Gorette Lima participou, ainda, de outra reunião com o reitor da Escola Latino-americana de Medicina (Elam), Carrizo Estevez.

Foi iniciada uma negociação para a visita ao Instituto de Medicina Tropical Pedro Kouri, visando futuros acordos de cooperação com o Instituto de Medicina Tropical da UFRN.

terça-feira, 27 de março de 2012

Cuba rejeita a ingerência de Ratzinger


O vice-presidente do Conselho de Ministro de Cuba, Marino Murillo, declarou na terça-feira, dia 27, que “não haverá mudanças políticas” em seu país, mas garantiu que “atualizaremos todo o necessário do modelo econômico”.

O vice-mandatário fez uma revisão das mudanças econômicas e sociais ocorridas na Ilha desde a Revolução Cubana, de 1959, ao falar para jornalistas no Hotel Nacional de Havana no marco da visita do papa Bento 16 a Cuba.

“Em Cuba estamos falando da atualização do modelo econômico cubano, para fazer nosso socialismo sustentável e que tem a ver com o bem-estar de nosso povo”, atestou, reforçando que o que o governo está fazendo “é atualizar o modelo econômico, não estamos fazendo reformas políticas”.

Até agora, o papa já citou, em seus pronunciamentos, os “presos cubanos”, sem especificar se se referia aos detidos por motivos políticos e teceu críticas ao marxismo, que, segundo ele, “já não responde à realidade”.

Murillo é considerado um dos homens por trás das transformações econômicas que ocorrem em Cuba. Ratzinger comentou sobre as mudanças e disse que elas são “reflexo do que está ocorrendo em todo o mundo”.

“O ponto de partida se parece ao da economia soviética em seu momento, porque tínhamos muitos vínculos comerciais com esse país. Temos estudado o que foi feito em todo o mundo em termos de modificação de seu modelo econômico: China, Vietnã, Rússia e outros países europeus”, detalhou.

Segundo o vice-presidente, a abertura às iniciativas privadas foi feita “com o objetivo de entender melhor sua metodologia e os conceitos econômicos aplicados”.

Marino Murillo afirmou que “isso não quer dizer que vamos copiar automaticamente o que os outros fizeram. Dessas experiências iremos aprender, mas em Cuba não ocorrerá nenhuma reforma política”, garantiu. (Ansa)

segunda-feira, 26 de março de 2012

Em maio, será realizada a 20ª Convenção de Solidariedade a Cuba em Salvador (BA)

Acontecerá de 24 a 27 de maio, em Salvador (BA), a 20ª Convenção de Solidariedade a Cuba. Na abertura, que será realizada no Centro de Convenções da Bahia, haverá uma caminhada pelas praias do Porto e do Farol da Barra pela libertação imediata dos 5 heróis cubanos que estão presos injustamente nos Estados Unidos.

A agenda completa do evento, bem como as atividades culturais no Pelourinho e na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, será divulgada em breve no blog da Convenção, que estará no ar no final de março.

A organização do evento conclama a todos a se empenhar para realizar suas convenções estaduais e trazer o maior número possível de delegados. Haverá 100 vagas para hospedagem solidária prioritariamente para estudantes com maiores dificuldades financeiras, sem a necessidade de trazer colchonete, roupas de cama e banho. Posteriormente, será divulgada a quantidade de vagas para cada Estado.

Todos em Salvador.

Todos na 20ª Convenção de Solidariedade a Cuba.

Bento 16 chega a Cuba e é recebido por Raul Castro


O papa Bento 16 chegou na segunda-feira, dia 26, procedente do México. Ele desembarcou no Aeroporto Internacional Antonio Maceo, na cidade de Santiago. É a segunda missão do líder da Igreja Católica à América Latina, depois da visita realizada ao Brasil em 2007.

Segundo o programa, o papa celebrará uma missa e visitará o santuário de Nossa Senhora da Caridade do Cobre. Em Havana, ele oficiará outra cerimônia litúrgica e se reunirá com autoridades governamentais antes de seu regresso a Roma na tarde de quarta-feira, dia 28.

Bento 16 foi convidado a visitar Cuba pelo governo e pela Conferência dos Bispos Católicos.

Sua estada na Ilha socialista, sob o lema Peregrino da Caridade, ocorre no Ano Jubilar pelo 400º aniversário do achado da imagem da Nossa Senhora da Caridade do Cobre, considerada pelos católicos a padroeira de Cuba.

Tanto o estado como a igreja decidiram oferecer uma calorosa acolhida ao papa. O sumo pontífice foi recebido pelo presidente cubano, Raul Castro, além de outras autoridades do governo cubano e da Igreja Católica local, no Aeroporto Internacional Antonio Maceo.

Castro deu as boas-vindas ao chefe de Estado da Cidade do Vaticano, que recebeu todas as honras, inclusive uma salva de 21 tiros de canhão.

Senado brasileiro pede fim do bloqueio dos EUA contra Cuba

Suplicy e Vanessa Grazziotin divergiram sobre a libertação
dos “presos políticos cubanos”
Marcos Magalhães, via Portal do Senado Federal

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) decidiu, na quinta-feira, dia 22, fazer um apelo aos Estados Unidos para que “suspendam o bloqueio econômico e comercial a Cuba”. Logo em seguida, no entanto, a comissão rejeitou a proposta de solicitar ao governo de Cuba a concessão de um indulto aos presos políticos que ainda estão nas cadeias daquele país e a autorização para que a blogueira Yaoni Sanchez possa viajar a outras nações, como o Brasil.

As duas medidas foram sugeridas em requerimentos do senador Eduardo Suplicy (PT/SP) e receberam o apoio do senador Pedro Simon (PMDB/RS), relator em ambos os casos. Durante a votação, porém, apenas o primeiro requerimento foi aprovado. Na votação do segundo requerimento, dos dez senadores presentes, apenas três – Suplicy, Simon e Ana Amélia (PP/RS) – manifestaram-se pela aprovação.

Ao defender os dois requerimentos, Simon fez uma dura crítica à manutenção do bloqueio econômico a Cuba, que se mantém por mais de 50 anos. Ao mesmo tempo, o relator considerou justo pedir a Cuba que “avance no sentido das liberdades”, permitindo a entrada e a saída de cidadãos cubanos do país e a libertação de prisioneiros políticos. Ele considerou interessante que os dois requerimentos fossem votados ao mesmo tempo.

Logo em seguida, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM) anunciou sua posição favorável apenas ao primeiro requerimento. Em sua opinião, o bloqueio econômico a Cuba pode ser considerado um “atentado aos direitos humanos” por prejudicar a população do país. Por outro lado, perguntou quem estaria financiando o trabalho da blogueira Yaoni Sanchez e criticou a proposta de Suplicy para que o governo cubano libertasse os prisioneiros políticos da Ilha.

“Respeito Cuba e não gostaria que entrássemos em questões internas daquele país”, afirmou Vanessa.

O mesmo argumento foi utilizado pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL/AP), para quem os dois requerimentos tinham naturezas diferentes. Segundo ele, o Senado brasileiro estaria “invadindo a soberania cubana” ao dizer àquele país quem deve ou não permanecer preso.

Simon argumentou, por sua vez, que a aprovação simultânea dos dois requerimentos estaria no contexto de uma proposta de “pacificação geral” nas relações entre Estados Unidos e Cuba. Suplicy também pediu a aprovação das duas propostas.

O presidente da comissão, senador Fernando Collor (PTB/AL), previu que a aprovação do segundo requerimento poderia se tornar uma “mensagem mal entendida pelo governo cubano”. O pedido, em sua opinião, poderia distanciar o Brasil de Cuba e “dificultar um diálogo mais fluido com aquele país”. Da mesma forma, o senador Delcídio do Amaral (PT/MS) disse que o texto proposto por Suplicy poderia ser considerado “uma intromissão em assuntos internos de um país com o qual o Brasil tem boas relações”.

O requerimento aprovado pela comissão pede ainda ao governo dos Estados Unidos que liberte 5 cubanos presos em seu território, acusados de espionagem, além do fechamento da base militar de Guantânamo, mantida pelo governo norte-americano em território cubano.

sexta-feira, 23 de março de 2012

José Ramon Fernandez deixa governo cubano e passa ser conselheiro de Raul


O governo cubano substituiu na quinta-feira, dia 22, o integrante mais antigo do governo do presidente Raul Castro, o general José Ramon Fernandez, de 88 anos. O militar ajudou a moldar o Exército do país e comandou a defesa cubana durante a invasão da baía do Porcos.

Fernandez, membro do Comitê Central do Partido Comunista, deixou a vice-presidência do Conselho de Ministros, segundo nota oficial publicada no Granma. José M. Miyar Barrueco, de 79 anos, também está deixando seu posto como ministro da Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente.

Raul Castro já lamentou publicamente que Cuba não tenha produzido novos líderes para substituir os que têm entre 70 e mais de 80 anos e que ocupam muitos cargos em seu governo. Preparar-se para a próxima geração é uma prioridade de seus cinco anos de mandato, afirmou o presidente.

O Granma disse que Fernandez será nomeado conselheiro especial de Castro em reconhecimento por seus serviços ao país e louvou “sua experiência, os resultados positivos e particularmente suas contribuições do desenvolvimento educacional do país”.

Fernandez, mais conhecido como “El Gallego” por suas raízes e sotaque espanhóis será substituído pelo ministro de Educação Superior, Miguel Diaz Canel, de 51 anos, que é engenheiro eletrônico. Já o vice de Diaz Canel, Rodolfo Alarcon Ortiz, será o responsável pela pasta.

Miyar Barrueco, conhecido por ser próximo de Fidel Castro, foi nomeado chefe de um organismo governamental que ainda será criado e que vai cuidar de pesquisa, desenvolvimento, produção e comercialização de medicamentos.

A nova ministra de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, Elba Rosa Perez, comandava o Departamento de Ciência do Comitê Central do Partido Comunista desde 2006.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Fidel Castro: EUA colocarão a espécie humana em perigo se atacar o Irã

Via AFP

O líder cubano Fidel Castro advertiu que, se os Estados Unidos atacarem o Irã para deter seu programa nuclear, levarão a espécie humana ao desastre, em mais uma de suas reflexões publicada pela imprensa.

“Israel declarou abertamente seu propósito de atacar a usina produtora de urânio enriquecido no Irã, e o governo dos Estados Unidos investiu milhões de dólares na fabricação de uma bomba com esse propósito”, afirmou Fidel, em uma nova reflexão, a primeira que publica em dois meses.

“Imaginemos as forças dos Estados Unidos lançando monstruosas bombas sobre instituições industriais capazes de 60 metros de concreto. Jamais semelhante aventura foi concebida”, afirmou ainda.

“Faz falta uma palavra a mais para compreender a gravidade de semelhante política. Por esse caminho, nossa espécie será conduzida inexoravelmente ao desastre”.

“Da minha parte, não tenho a menor dúvida de que os Estados Unidos estão a ponto de cometer e conduzir o mundo ao maior erro de sua história”, concluiu o líder comunista.

Chavez confirma que participará da Cúpula das Américas


Na terça-feira, dia 20, o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, confirmou que vai participar da Cúpula das Américas, que será realizada em abril em Cartagena, na Colômbia e defendeu que a Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) não boicote a reunião.

O mandatário reforçou que “essa será a última cúpula chamada ‘das Américas’ sem Cuba. A próxima não ocorrerá, pois nós não participaremos”. A afirmação foi feita com base em conversas que Chavez teve com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, da Bolívia, Evo Morales, do Equador, Rafael Correa, e do Brasil, Dilma Rousseff.

“A premissa é o consenso. Não terá mais cúpula sem a participação de Cuba”, destacou.

Em Brasília, onde se reuniu com o ministro de Relações Exteriores Antônio Patriota, o chanceler boliviano, David Choquehuanca, disse que a Alba ainda não decidiu se boicotará a cúpula, mas deu sinais de que isso não ocorrerá. “Ainda estamos discutindo isso. Não estamos em tempos de exclusão, mas de inclusão”, disse.

Os EUA são contra a inclusão de Cuba na Cúpula das Américas. Segundo Washington, o país não atende aos pré-requisitos democráticos para participar da reunião.

História: Cuba e EUA na mesa de negociações


No dia 17, foi lançado em Havana o livro Da confrontação às tentativas de normalização – A política dos Estados Unidos para Cuba, de Elier R. Cañedo e Esteban Morales. Pesquisa rigorosa baseada em fontes até agora não acessíveis, o volume será material imprescindível para todos que se interessem por este que é um dos conflitos mais marcantes do mundo contemporâneo. Leia a apresentação do autor, em tradução exclusiva da redação do Vermelho

Elier Ramírez Cañedo, do Cubadebate

A ideia original desta pesquisa nasceu da leitura do livro Cem horas com Fidel, de Ignacio Ramonet. Em um de seus capítulos, Fidel, respondendo às perguntas de Ramonet, conta sobre os anos em que James Carter ocupou a Casa Branca e como se manifestaram as relações entre os Estados Unidos e Cuba naquele período. Em meio ao desfrute da leitura, não deixávamos de nos fazer a seguinte pergunta: se a administração Carter marca um ponto de inflexão em relação à política de agressividade clássica contra Cuba dos sucessivos governos dos Estados Unidos e traz lições tão importantes para o presente e o futuro das relações entre Washington e Havana, por que não existe na ciência histórica cubana nenhum estudo sério e profundo sobre este período tão singular?

É que realmente os maiores aportes historiográficos sobre o conflito Estados Unidos–Cuba, na etapa posterior a 1959, centraram sua atenção principal – logicamente pela necessidade de condená-la e dá-la a conhecer ao mundo – na política hostil de Washington contra a Revolução Cubana e em administrações como as de Eisenhower e Kennedy, onde tiveram lugar os eventos históricos mais salientes e intensos da histórica e dramática confrontação, como Girón e a Crise de Outubro.

Contudo, pensávamos que embora o povo cubano esteja indubitavelmente curtido na confrontação, devia também preparar-se para a negociação e para participar em um possível processo de normalização das relações, pois nesse terreno também há que saber se sair honradamente, sem ceder em nada no que respeita a nossa soberania e nossos princípios. O livro que hoje apresentamos, sustentado fundamentalmente em uma ampla e valiosa documentação desarquivada e na consulta de importantes fontes periódicas e orais de ambos os países, pode oferecer muita luz aos cubanos – em especial aos mais jovens –, sobre o que move os Estados Unidos, sobre os interesses e os objetivos que o governo desse país tem nos reduzidos momentos em que se colocou a possibilidade de explorar a “normalização” das relações com Cuba, processo que somente se pôs de manifesto até hoje durante as administrações do republicano Gerald Ford (1974–1977) e do democrata James Carter (1977–1981), alcançando sua maior maturidade nesta última.

Quando iniciávamos esta pesquisa, que teve como base uma tese de mestrado e depois de doutorado, sob a magistral orientação do doutor Esteban Morales Domínguez, estávamos realmente preocupados com a pouca documentação primária existente para poder levar adiante nosso projeto, mas nossa sorte começou a mudar quando em 2007 tropeçamos na Biblioteca do ISRI com uma grossa e preterida pasta de documentos relacionados com a política da administração Carter para Cuba. Ao indagar um pouco, descobrimos que tinha sido doada à instituição durante a visita do ex-presidente Carter a Cuba em 2002. Era realmente um material de grosso calibre: memorandos de conversações entre autoridades de ambos os países; diretivas presidenciais; memorandos de análises presidenciais; documentos de consulta e de debate sobre a política para Cuba entre as principais figuras do executivo estadunidense; informes de congressistas; telegramas enviados pelo Escritório de Interesses em Havana ao Departamento de Estado e vice-versa, entre outros materiais de interesse, que constituíram a base fundamental sobre a qual se escreveu este livro. Depois pudemos consultar na Internet outro grande número de documentos desarquivados nos Estados Unidos e também alguns muito reveladores no Departamento de Versões Taquigráficas do Conselho de Estado, relacionados com nosso objeto de estudo.

Não foi nada fácil obter as treze enriquecedoras entrevistas que aparecem citadas de personalidades de ambos os países, tanto pessoas participantes nos eventos que são descritos e analisados no livro, como reconhecidos estudiosos do tema. Mas talvez o mais interessante no processo de elaboração desta pesquisa – agora convertida em livro – foi constatar nos próprios documentos norte-americanos, como algumas das figuras mais representativas do executivo estadunidense quanto ao desenho da política para Cuba, especialmente da administração Carter, se davam conta do quanto era errada a postura negociadora dos Estados Unidos com a Ilha, ao adotar uma política de condicionamento, onde se estabeleciam nexos irracionais entre assuntos estritamente bilaterais com problemas multilaterais.

Só me limito a citar um desses documentos, que me parece fundamental. Refiro-me ao memorando que Robert Pastor, assistente para a América Latina do Conselho de Segurança Nacional, enviou a seu superior, Zbigniew Brzezinski, em 1º de agosto de 1977. Pastor compreendia perfeitamente que, se na realidade os Estados Unidos queriam alcançar a “normalização” das relações com Cuba, a tática de negociação que estavam implementando com a Ilha era pouco esperançosa. Considerava que não devia ser abordado o tema da presença de Cuba na África e as relações cubano-soviéticas em negociações diretas com os cubanos, pois no intento de obter a satisfação dos interesses internacionais dos Estados Unidos, ambas as partes ficariam frustradas, o processo de normalização se deteria e nem sequer poderia conseguir-se uma solução exitosa a problemas de interesse nacional e mútuo.

“A relação de Cuba com a União Soviética – expressou Pastor no citado memorando – não mudará como resultado direto das negociações com os Estados Unidos, contudo mudaria na medida em que se produzir o processo de normalização. Cuba não pode permitir-se nem econômica, nem politicamente suscitar abertamente o antagonismo da URSS discutindo sua relação com os EUA, mas na medida em que se estabeleçam os vínculos comerciais e financeiros com os EUA, Cuba de maneira muito natural buscará uma maior autonomia, e isso significa reduzir sua dependência da URSS. Portanto, eu recomendaria que não prosseguíssemos com este tema (ou criássemos expectativas estadunidenses sobre ele) durante as negociações”.

Sobre a presença de tropas cubanas na África e de como este tema devia ser manejado nas negociações com a Ilha, indicou: “Temos considerado o aumento das atividades de Cuba na África como um sinal de interesse decrescente por parte de Cuba a respeito da melhoria das relações com os EUA, e Kissinger uniu as duas questões – a retirada de Cuba de Angola a fim de conseguir melhores relações com os EUA – só para fracassar em ambas. Existe uma relação entre as duas questões, mas se trata de uma relação inversa. Enquanto Cuba tenta normalizar relações com as principais potências capitalistas do mundo, Castro também experimenta uma necessidade psicológica igualmente forte de reafirmar suas credenciais revolucionárias internacionais. Não afetaremos o desejo de Castro de influir nos acontecimentos na África tratando de adormecer ou deter o processo de normalização; este é um instrumento equivocado e não terá outro efeito que não seja deter o processo de normalização e descartar a possibilidade de acumulação de influência suficiente sobre Cuba por parte dos EUA, que em última análise, pudesse incidir na tomada de decisões de Castro”.

Segundo disse Pastor em um de seus livros publicado em 1992, a causa que conduziu ao fracasso do processo de “normalização” das relações entre os Estados Unidos e Cuba durante a administração Carter, foi que Fidel Castro valorizou mais seu papel na África do que a normalização. Contudo, o documento assinalado anteriormente do próprio Pastor, tira muita credibilidade a sua afirmação posterior, pois o mesmo tinha exposto os elementos que podiam afetar negativamente o processo dirigido à “normalização” das relações, como de fato ocorreu. Evidentemente, em suas memórias Pastor tratou de isentar de culpa a administração da qual fez parte, pois na documentação que consultamos se demonstra que ele diferia em suas análises da maneira como Washington pretendia negociar com a Ilha.

Apesar das ousadas recomendações de Pastor a Brzezinski, este último evidentemente não as tomou em conta, pois finalmente a política que se aplicou no diálogo com a Ilha foi a de condicionar o avanço do processo de normalização à retirada dos efetivos militares cubanos da África. O próprio Pastor seria partícipe das conversações com as autoridades cubanas, onde esse tipo de política foi executado, trazendo como consequência, como bem tinha advertido Pastor e havia ocorrido também a Kissinger, o congelamento do processo dirigido a “normalizar” as relações com Cuba.

Na entrevista que pudemos fazer com Pastor, este indicou: “Meu memorando não persuadiu o gabinete, nem o presidente. Em nossas conversações em Cuernavaca e Havana, eu segui mais a política do governo dos Estados Unidos do que a que eu havia proposto. Como nós aprendemos, minha análise era correta.

Outro aspecto nevrálgico que o livro descreve e fundamenta é a posição histórica e consequente do comandante em chefe, Fidel Castro, sobre a normalização das relações com os Estados Unidos. Pensamos que fica claro no livro que a postura de Fidel – apesar do que alguns tontos e mal-intencionados pensam e dizem –, sempre foi a de estar na melhor disposição para o diálogo e a negociação com nosso vizinho do Norte, para resolver o conflito entre ambos os países. Os próprios documentos desarquivados nos Estados Unidos que consultamos, especificamente das administrações Kennedy, Johnson, Ford y Carter, refletem claramente esta vontade de Fidel. Contudo, o líder da Revolução Cubana tem insistido, com sobeja razão e tendo sempre como respaldo o direito internacional, que este diálogo ou negociação seja em condições de igualdade e não persiga o objetivo de que Cuba ceda um milímetro sequer de sua soberania ou abjure a algum de seus princípios.

Por outra parte, fica claro no livro que não houve em Fidel dogmatismo algum em suas posições sobre uma negociação com os Estados Unidos. Durante a administração Ford, Cuba pôs como precondição para uma negociação com os Estados Unidos, o levantamento do bloqueio, mas durante a administração Carter, esta posição foi um pouco mais flexível, dados os sinais positivos que se perceberam no novo presidente democrata e que criaram realmente esperanças de uma mudança na política de Washington para nosso país. Nessa conjuntura, Cuba foi realmente benevolente com a administração Carter, pois se algum dos dois países tinha sobejos e justificados direitos e motivos para fixar condicionamentos, este era Cuba, que tinha sido historicamente o país agredido e bloqueado economicamente. Contudo, apesar desta posição da Ilha, os Estados Unidos adotaram novamente uma política pouco construtiva, ao manter seu criminoso bloqueio econômico e, ao mesmo tempo, a partir de uma posição de força, fixar condicionamentos para que se pudesse avançar no processo de “normalização”.

Recordemos que quando nós, cubanos, cedemos parte de nossa soberania no início do século 20 aos Estados Unidos mediante a emenda Platt, com o objetivo de que as tropas estadunidenses abandonassem definitivamente a Ilha e sob a ilusão de alguns célebres independentistas que foram partícipes diretos naqueles acontecimentos, de que mais adiante se alcançaria a independência absoluta sem grandes contratempos, os Estados Unidos converteram Cuba em uma neocolônia e a independência absoluta não chegou até quase 60 anos depois de uma longa luta, na qual caíram milhares de cubanos.

Fidel, profundo conhecedor da história de Cuba e respaldado majoritariamente pelo povo cubano, não permitiu jamais que uma história como essa se repetisse. Estou seguro de que as gerações presentes e futuras tampouco o permitirão, e se o livro que hoje apresentamos contribui em algo para isso, nos sentiremos profundamente satisfeitos.

Tradução: José Reinaldo Carvalho, editor do Vermelho