sábado, 3 de março de 2012

Museus: Patrimônios cubanos

Celino Cunha Vieira, via Solidários

Para que se tenha uma pequena ideia de como era tratada a cultura em Cuba até ao triunfo da Revolução em 1959, basta apenas lembrar que apenas existiam sete museus em todo o país e a maioria deles privados, fazendo parte de um patrimônio particular só acessível às elites da época, onde a população não podia usufruir de um importante espólio histórico e cultural que deveria ser acessível a todos.

Atualmente, o panorama é bem diferente, existindo cerca de 250 entre nacionais e municipais, fruto de algumas aquisições, mas principalmente das doações voluntárias da população, destacando-se o Museu da Revolução, o Museu da Cidade, o Museu da Alfabetização, o Museu de Belas Artes e o Museu Napoleônico, considerado o segundo mais importante do mundo atrás, apenas, do de Paris.

Mas existem muitos outros que pelas suas particularidades também são de realçar, como o Museu Indocubano que conta com mais de 22 mil peças pré-coloniais, o Museu San Severino em Matanzas designado pela Unesco como parte da Rota dos Escravos, assim como o Museu da Pirataria em Santiago de Cuba, instalado no Castillo del Morro.


Para além dos museus, é necessário destacar que a Unesco tem distinguido vários locais de Cuba como Patrimônio da Humanidade, tais como, dentre outros, o Centro Histórico de Havana Velha e o seu Sistema de Fortificações Coloniais (1982), a Cidade de Trinidad e o Vale dos Engenhos (1988), o Parque Nacional do Desembarque do Granma (1999), o Centro Histórico da Cidade de Cienfuegos (2005) e o Centro Histórico da Cidade de Camaguey (2008).

Um aspecto importante desta riqueza nacional é a interligação que existe com o setor da educação, pois não se trata apenas de exibir valiosas peças museológicas ou preservar os locais para turista ver, como também de contribuir para o desenvolvimento do saber e do pensamento do povo, incutindo-lhe o gosto pelos aspectos históricos e culturais. Por isso e de modo continuado são realizadas visitas escolares dos vários graus de ensino, bem como organizadas conferências e exposições temporárias, resultando num dinamismo constante daqueles espaços.

Como reconhecimento desta demonstração efetiva da rede cultural, de seu funcionamento e de seu equilíbrio, foi atribuído recentemente pelos países europeus o Prêmio Eureka à “Oficina do Historiador da Cidade” pelo excelente trabalho de recuperação de um patrimônio que é de todos e que tem de ser preservado.


Só a cidade de Havana tem mais de duas centenas de edifícios coloniais que são muito visitados por quem estuda arquitetura, urbanismo e história de arte. Cuba não é só sol, praia e rum. Cuba tem muitos outros aspectos importantes a explorar e quem o faz, fica sempre com vontade de voltar.

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