segunda-feira, 26 de março de 2012

Senado brasileiro pede fim do bloqueio dos EUA contra Cuba

Suplicy e Vanessa Grazziotin divergiram sobre a libertação
dos “presos políticos cubanos”
Marcos Magalhães, via Portal do Senado Federal

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) decidiu, na quinta-feira, dia 22, fazer um apelo aos Estados Unidos para que “suspendam o bloqueio econômico e comercial a Cuba”. Logo em seguida, no entanto, a comissão rejeitou a proposta de solicitar ao governo de Cuba a concessão de um indulto aos presos políticos que ainda estão nas cadeias daquele país e a autorização para que a blogueira Yaoni Sanchez possa viajar a outras nações, como o Brasil.

As duas medidas foram sugeridas em requerimentos do senador Eduardo Suplicy (PT/SP) e receberam o apoio do senador Pedro Simon (PMDB/RS), relator em ambos os casos. Durante a votação, porém, apenas o primeiro requerimento foi aprovado. Na votação do segundo requerimento, dos dez senadores presentes, apenas três – Suplicy, Simon e Ana Amélia (PP/RS) – manifestaram-se pela aprovação.

Ao defender os dois requerimentos, Simon fez uma dura crítica à manutenção do bloqueio econômico a Cuba, que se mantém por mais de 50 anos. Ao mesmo tempo, o relator considerou justo pedir a Cuba que “avance no sentido das liberdades”, permitindo a entrada e a saída de cidadãos cubanos do país e a libertação de prisioneiros políticos. Ele considerou interessante que os dois requerimentos fossem votados ao mesmo tempo.

Logo em seguida, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM) anunciou sua posição favorável apenas ao primeiro requerimento. Em sua opinião, o bloqueio econômico a Cuba pode ser considerado um “atentado aos direitos humanos” por prejudicar a população do país. Por outro lado, perguntou quem estaria financiando o trabalho da blogueira Yaoni Sanchez e criticou a proposta de Suplicy para que o governo cubano libertasse os prisioneiros políticos da Ilha.

“Respeito Cuba e não gostaria que entrássemos em questões internas daquele país”, afirmou Vanessa.

O mesmo argumento foi utilizado pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL/AP), para quem os dois requerimentos tinham naturezas diferentes. Segundo ele, o Senado brasileiro estaria “invadindo a soberania cubana” ao dizer àquele país quem deve ou não permanecer preso.

Simon argumentou, por sua vez, que a aprovação simultânea dos dois requerimentos estaria no contexto de uma proposta de “pacificação geral” nas relações entre Estados Unidos e Cuba. Suplicy também pediu a aprovação das duas propostas.

O presidente da comissão, senador Fernando Collor (PTB/AL), previu que a aprovação do segundo requerimento poderia se tornar uma “mensagem mal entendida pelo governo cubano”. O pedido, em sua opinião, poderia distanciar o Brasil de Cuba e “dificultar um diálogo mais fluido com aquele país”. Da mesma forma, o senador Delcídio do Amaral (PT/MS) disse que o texto proposto por Suplicy poderia ser considerado “uma intromissão em assuntos internos de um país com o qual o Brasil tem boas relações”.

O requerimento aprovado pela comissão pede ainda ao governo dos Estados Unidos que liberte 5 cubanos presos em seu território, acusados de espionagem, além do fechamento da base militar de Guantânamo, mantida pelo governo norte-americano em território cubano.

Um comentário:

  1. Felizmente Vanessa salvou nossa dignidade! Era só o que faltava: o Brasil se meter nas questões internas de Cuba, o país que melhor dá exemplo de respeito aos verdadeiros direitos humanos. Viva Cuba! Abaixo a indigna anti patriota Yaoni, esta tem que ser ignorada ou melhor, combatida como se combate seres perniciosos. Admira-me muito que Suplicy continue fazendo ouvidos moucos. Obrigada, Vanessa!

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