segunda-feira, 30 de abril de 2012

Blogueiros cubanos realizam seu primeiro encontro

Via Blogazo e tradução Síntese Cubana

Nos dias 27 e 28 de abril, foi realizado o 1º Encontro dos Blogueiros Cubanos na Revolução, com a participação de mais de 60 blogueiros, que representaram todas as províncias do país. O evento foi realizado na Universidade de Matanzas “Camilo Cienfuegos”.

Durante os dois dias, foram cumpridos os principais objetivos da reunião: compartilhar experiências sobre o uso de blogs na era da Web 2.0 e criar mecanismos horizontais de coordenação entre projetos de blogueiros no país.

Com um espírito de integração baseado sempre no respeito às diferenças e à individualidade de cada participante, conseguimos nos complementar sem cair em dogmas ou esquemas preconcebidos. Conseguimos assim um marco de socialização que nos permitiu sair da ambiguidade e do anonimato que propicia a internet e coordenar estratégias de trabalho que articulem nossos projetos ante os desafios que os blogueiros cubanos têm. Nossa maior força é nossa diversidade de pontos de vista e de interesses.

Assim, os participantes do encontro, caracterizado por sua diversidade e juventude – os blogueiros têm uma média de idade de 34 anos – consideram necessário declarar que:

1. Os blogueiros cubanos se identificam com a tradição de ideias revolucionárias, forjada na luta dos jovens como Mella, Villena, Guiteras e Che, dentre outros.

2. Os mecanismos de participação que temos vão nos ajudar – dentro de nossas individualidades, interesses e visão crítica – a defender e aperfeiçoar o socialismo cubano.

3. Respeitamos e promovemos o pensamento crítico, necessário e útil para preservar nossa condição de revolucionários, com a premissa de que não é possível ser revolucionário fora da Revolução.

4. Defendemos o respeito as diferenças e os diálogos francos: a verdade é sempre revolucionária.

5. Exigimos a libertação e retornar à terra natal dos 5 heróis cubanos presos injustamente nos cárceres norte-americanos. Comprometemo-nos a divulgar as notícias sobre o caso para propiciar que a verdade chegue a todos os povos do mundo, principalmente nos EUA. Cada um de nós poderia ser um dos Cinco, a luta por eles é a luta por nós mesmos.

6. Criamos um grupo para discussão e para unir os participantes do encontro e o restante dos blogueiros cubanos que não puderam comparecer. Assim, poderemos atingir um nível de integração e de coordenação para atuar de forma organizada. Os interessados em participar do grupo devem mandar e-mail para blogazoxcuba@gmail.com.

7. Criamos um blog participativo que reunirá em tempo real os conteúdos compartilhados por blogueiros cubanos na web. Seu endereço é blogazoxcuba.wordpress.com.

8. Apoiamos a realização sistemática de outros encontros de blogueiros cubanos e a utilização do twitter e  de outras redes sociais da Web 2.0.

9. Em sintonia com as reais possibilidades tecnológicas do país, compartilhamos a gradual incorporação de jovens e universitários na blogosfera cubana de forma verdadeira e natural.

10. Condenamos o bloqueio do governo dos EUA, que dificulta a conexão à internet e o acesso à info-comunicações de tecnologia na Ilha.

11. Solicitamos aos órgãos do Governo Central que reformulem as disposições atuais que limitam a conectividade e o acesso à web, a fim de aumentar a presença de cubanos no ciberespaço.

12. Ratificamos o conceito do ilustre pensador martiano cubano Cintio Vitier: Somos e seremos “um parlamento numa trincheira”.

Poeta Thiago de Mello doa cachê à causa dos Cinco heróis cubanos

O poeta brasileiro Thiago de Mello doou no sábado, dia 28, o cachê que receberia por participar da 1ª Bienal do Livro do Amazonas à causa pela libertação dos Cinco antiterroristas cubanos, presos injustamente nos Estados Unidos.


Em declarações à Prensa Latina por telefone desde Manaus, capital do estado do Amazonas, Mello ressaltou que seu gesto não é pessoal, mas sim da poesia brasileira e que a ação busca criar consciência para que muito mais pessoas se somem à batalha pela libertação de Gerardo Hernandez, Antônio Guerrero, René Gonzalez, Ramón Labañino e René Gonzalez.

Thiago de Mello explicou que pediu à empresa Fagga/GL Exhibitions, organizadora da 1ª Bienal, que deposite na conta dos Cinco – como são conhecidos no mundo –, no Banco Financeiro de Cuba, o dinheiro que receberia por suas conferências e por um recital no evento do livro, que se iniciou no sábado, dia 28, e deve terminar no dia 6 de maio.

Nascido em Barreirinha, um município do interior do Amazonas, no dia 30 de março de 1921, Thiago de Mello é um dos poetas mais influentes e respeitados do Brasil, reconhecido como um ícone da literatura regional. Algumas de suas obras foram traduzidas para mais de 30 idiomas.

Mello tornou público o anúncio de sua doação à causa dos Cinco durante a inauguração do encontro, ao participar de um Tacacá Literário – em homenagem a um prato típico amazônida – sobre a importância da leitura no fortalecimento da cidadania.

Ao revelar sua decisão, recebeu um caloroso aplauso dos presentes e então pediu-lhes que utilizem todas as vias possíveis para pressionar o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a libertar e permitir o regresso a Cuba dos Cinco cubanos, lutadores contra o terrorismo.

O poeta, um dos milhares de brasileiros presos durante a ditadura militar (1964–1985), afirmou que sua doação é uma modesta contribuição à campanha mundial que se desenvolve no mundo para acabar com a injusta prisão à qual foram submetidos os cinco cubanos, que já dura quase 14 anos.

Depois de assegurar que leva Cuba em seu coração, o famoso poeta amazonense afirmou que a melhor notícia é que, ao conhecer seu gesto, a editora de seus livros manifestou sua disposição de seguir seu exemplo e fazer também uma contribuição à causa dos antiterroristas.

Os Cinco foram presos no dia 12 de setembro de 1998 na cidade estadunidense de Miami. Um processo irregular realizado ali condenou-os em 2001 a sentenças que vão até a dupla prisão perpétua mais 15 anos.

Personalidades e organizações mundiais têm defendido estes lutadores, que apenas vigiavam atividades extremistas de grupos violentos de origem cubana na Flórida para alertar seu país sobre ações terroristas.

Cinco heróis cubanos: Comitê Nacional publica anúncio no Washington Post

O Comitê Nacional pela Libertação dos Cinco Cubanos publicou, na segunda-feira, dia 30, anúncio de página inteira no jornal Washington Post, exigindo a liberdade para Cinco heróis presos injustamente nos Estados Unidos. A ação foi possível com a ajuda financeira de centenas de pessoas que apoiam a causa.

O Washington Post tem circulação diária de perto de 550 mil exemplares, atingindo cerca de 1,1 milhão de leitores.

Os interessados em contatar ou contribuir com o comitê podem fazê-lo pelos telefones 415-821-6545 e 415-312-6042; ou pelo endereço eletrônico info@freethefive.org; ou ainda visitando o sítio freethefive.org.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

ACJM/RN realiza com sucesso sua convenção estadual e divulga a Carta Potiguar de Solidariedade a Cuba

No dia 25 de abril, a Associação Cultural José Martí do Rio Grande do Norte – “Casa da Amizade Brasil–Cuba” realizou a Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba. Um dos objetivos da convenção foi preparar os representantes da entidade para a 20ª Convenção Nacional de Solidariedade com Cuba a ser realizada de 24 e 27 de maio, no Centro de Convenções da cidade de Salvador (BA). Também foi tirada a Carta Potiguar de Solidariedade a Cuba, onde são apresentados os pontos que a Associação Cultural José Martí/RN – “Casa de Amizade Brasil–Cuba” se coloca em favor e à disposição para combater as campanhas caluniosas promovidas pelos monopólios imperialistas midiáticos. A seguir, a Carta Potiguar e a ata da convenção.

CARTA POTIGUAR DE SOLIDARIEDADE A CUBA

Em 1959, Cuba realizou sua Revolução para se libertar da ditadura de Fulgêncio Batista e do jugo estadunidense. Isso estimulou o surgimento de diversos movimentos de contraposição ao imperialismo em toda América Latina. Outra sociedade começava a se tornar realidade para um “outro mundo” possível.

A partir desse momento, os EUA iniciaram e ainda impõem um bloqueio econômico rigoroso e desumano. Há 50 anos o sistema político socialista cubano é caluniado, difamado e descaradamente distorcido pela grande mídia mundial. Este resiste a todas as mentiras da imprensa dominante e manipuladora, a todas as investidas terroristas arquitetadas pelo governo dos Estados Unidos, resiste também com força e criatividade à escassez de bens, alimentos e a proibição de importar ou exportar novas tecnologias.

Apesar destas dificuldades, Cuba optou em diversas ocasiões por desenvolver ações solidárias junto a vários países, principalmente os mais pobres, como dar asilo político a companheiros latino-americanos perseguidos nos períodos duros da ditadura e o envio de profissionais cubanos de alta competência em missões humanitárias.

Cuba é hoje um país onde a seguridade social está garantida. Todos os cubanos e cubanas, de qualquer idade, tem direito à educação, em todos os níveis, sendo esta gratuita, totalmente subsidiada, de qualidade e avançada. O mesmo ocorre com demais direitos sociais: alimentação, saúde, pesquisa, habitação, lazer, aposentadoria, cultura e esportes.

Por tudo isso, a Associação Cultural José Martí/RN – “Casa de Amizade Brasil–Cuba”, hoje reunida em sua convenção estadual, se coloca em favor e à disposição para o enfrentamento, por meio da denúncia aberta dos seguintes pontos:

● Contra as campanhas caluniosas promovidas pelos monopólios imperialistas midiáticos;

● Pela libertação dos 5 heróis cubanos presos injustamente por lutarem em contra do terrorismo;

● Pelo fim do criminoso bloqueio econômico;

● Pela desativação da base militar de Guantânamo;

● Pelo respeito ao direito de escolha política do povo cubano;

● Pela manutenção das eleições livres cubanas e sem influência do poder econômico.

Para alcançar nossos propósitos nos comprometemos a:

● Desmistificar, a partir de nossa experiência vivida, a realidade cubana tergiversada, construída pelos meios de comunicação em função do imperialismo;

● Difundir o caso dos 5 heróis cubanos por meio de todos os instrumentos de comunicação que temos à disposição em cada território, para assim trabalhar pela sua imediata libertação;

● Compromisso e adesão com a Revolução Cubana e suas propostas democráticas, por meio de reavaliação de nossos valores e prioridades centrando-as mais na essência de “ser” em lugar do “ter”, dando sentido a nossa ação a partir de uma prática comprometida;

● Promover a participação e organização de novos movimentos com a finalidade de conscientizar e somar novos companheiros para as próximas brigadas e estimular a união dos povos latino-americanos.

● Denúncia massiva das condições desumanas vividas pelos prisioneiros da base militar de Guantânamo, sua origem e permanência imperialista em território cubana por meio da emenda Platt.

A Associação Cultural José Martí/RN “Casa de Amizade Brasil–Cuba” espera que esta união de nossos povos seja o reflexo do desejo de heróis libertadores de nossas terras cujos pensamentos coincidem com os de José Martí, herói nacional cubano.

Revolução é sentido de momento histórico; é mudar tudo que deve ser mudado; é igualdade e liberdade plenas; é ser tratado e tratar aos demais como seres humanos; é emancipar-nos por nós mesmos e com nossos próprios esforços; é desafiar poderosas forces dominantes dentro e fora do âmbito social e nacional; é defender valores nos quais se crê ao preço de qualquer sacrifício; é modéstia, desinteresse, altruísmo, solidariedade e heroísmo; é lutar com audácia, inteligência e realismo; é não mentir jamais nem violar princípios éticos; é convicção profunda de que não existe força no mundo capaz de esmagar a força da verdade e as ideias.

Revolução é unidade, é independência, é lutar por nossos sonhos de justiça para Cuba e para o mundo, que é a base de nosso patriotismo, nosso socialismo e nosso internacionalismo.

Fidel Castro Ruz
1º de maio de 2000

Natal (RN), 25 de abril de 2012.


ATA DA CONVENÇÃO ESTADUAL DE 2012 DA ASSOCIAÇÃO CULTURAL JOSÉ MARTÍ/RN “CASA DE AMIZADE BRASIL–CUBA” (ACJM/RN)

Aos vinte e cinco dias do mês de abril de 2012, às dezoito horas, no auditório do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (DCE/UFRN), realizou-se a Convenção Estadual da  Associação Cultural José Martí/RN – “Casa de Amizade Brasil–Cuba”  tendo como objetivo preparar os representantes da entidade para a 20ª Convenção Nacional de Solidariedade com Cuba a realizar-se entre os dias 24 e 27 de maio no Centro de Convenções da cidade de Salvador, Bahia, com a preparação da Carta Potiguar de Solidariedade a Cuba tirada do evento a ser lida no encontro nacional. Muitos estudantes universitários estiveram no auditório, contribuindo com troca de informações, ajuda na montagem dos painéis, fotografias, sistema de som e imagem e hasteamento das bandeiras, dentre elas a de Cuba e 26 de julho. Algumas fotografias foram tiradas com escritores, líderes estudantis, professores universitários, lideranças sindicais, representantes de partidos políticos, movimentos de cunho socialista e de anistiados. Os trabalhos foram abertos com o filme denominado Ode à Revolução com retrospectiva da luta pelo processo de construção do socialismo em Cuba, com imagens dos maiores embates vividos pelo Governo Revolucionário e Internacionalista de Cuba, mostrando também os principais discursos dos líderes como Che Guevara, Fidel Castro e Raul Castro e as sangrentas batalhas vividas pelas Forças Armadas Revolucionárias de Cuba e seu povo. Posteriormente foi dada a palavra a Olavo Queiroz, Presidente da ACJM/RN, onde expos a importância do encontro nacional que ocorrerá na Bahia. Amaro Ventura informou sobre a aprovação da liberação de passagem aérea e hospedagem para a filha de Che Guevara e um acompanhante, Dra. Aleida Guevara e Fábio Simeon, representante para o Brasil do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) pelo Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal do RN (SINTSEFRN) e outros sindicatos do RN no 2º semestre desse ano, com evento a ser realizado no Instituto Federal do RN – IFRN. Antônio Capistrano distribuiu vídeos históricos cubanos para os que estavam no evento, onde foi comentado sobre o sucesso do encontro de amizade com Cuba na cidade de Caicó/RN, convocando outro encontro para a cidade de Mossoró. A representante da União da Juventude Socialista e também representante do DCE, Marianna, convidou nossa Casa de Amizade para um evento a realizar-se no dia dezenove de maio na Livraria Siciliano, instalada no Midway Mall para discutir com grupo de jovens sobre Cuba e o socialismo, sendo aceito de imediato. Foi aprovada a elaboração da Carta Potiguar em apoio a Cuba, incluindo a liberação dos Cinco heróis antiterroristas cubanos presos nos Estados Unidos injustamente, a devolução da Base Naval de Guantánamo pelos EUA, a retirada do bloqueio econômico a Cuba, o envio ilegal de milhões de dólares anuais a mercenários inimigos da revolução e a bombardeio midiático contra Cuba da imprensa capitalista internacional, com reflexos na imprensa burguesa brasileira. O representante da Casa de Amizade Max Foeppel enviou e-mail informando a não participação no evento por motivos superiores, onde se solidarizou com a luta do povo cubano, aprovando de antemão as decisões tomadas no evento. Diversos participantes fizeram uso da palavra, contribuindo de forma positiva para o evento, onde eu, Amaro Ventura Ribeiro Filho, elaborei a presente ata do Encontro Estadual, lavrando a mesma. A ata poderá ser acrescida, com observações feitas pelos participantes do evento, contanto que seja enviada para a secretaria da ACJM/RN.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Trabalhadores de 62 países desfilarão no 1º de maio de Cuba

Via Prensa Latina e lido no Solidários

Mais de mil representantes de 162 organizações sindicais e de movimentos sociais e de solidariedade com Cuba, procedentes de 62 países de todos os continentes, confirmaram sua participação no desfile do 1 de maio.

Deles, cerca de 500 são dirigentes sindicais de meia centena de nações e os demais são representantes do México, Estados Unidos e Costa Rica, que compartilharão com o povo da Ilha esta comemoração em nome de 27 organizações solidárias.

Uma desses grupos, afirmou o jornal Granma, é a Brigada 1º de Maio que, há anos, se organiza para expressar seu apoio à Revolução Cubana. Nesta brigada, estarão representantes do Brasil.

Os trabalhadores também exigem o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba e a liberdade s dos Cinco antiterroristas cubanos presos nos Estados Unidos desde 1998.

Até o momento, 102 delegados de 37 países confirmaram sua participação no 2º Encontro Internacional de Jovens Trabalhadores, convocado pela Federação Sindical Mundial, que se realizará nos dias 29 e 30 de abril na sede da Central de Trabalhadores de Cuba.

Cuba denuncia EUA por violação de direitos de propriedade intelectual

Via Prensa Latina e lido no Solidários

Cuba denunciou perante à Organização Mundial do Comércio as violações dos Estados Unidos às resoluções do órgão de Solução de Diferenças (OSD) sobre os direitos de propriedade intelectual. A gerente de negócios nos organismos internacionais com sede em Genebra, Nancy Madrigal, declarou que Washington mantém vigente a “Seção 211 da Lei de Atribuições de 1998”, apesar dos insistentes clamores por sua derrogação.

Recordou que desde 2002 a OSD deu um parecer apontando a incompatibilidade desta medida com o Acordo sobre os Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual relacionados com o Comércio e com o Convênio de Paris.

“Como consequência da ilegal Seção 211, a companhia estadunidense Bacardi segue comercializando uma linha de rum fazendo uso indevido da marca Havana Club”, denunciou Madrigal.

Essas violações, disse, são amparadas no desumano e ilegal bloqueio econômico, financeiro e comercial que mantém os Estados Unidos contra a maior das Antilhas.

“Cuba deseja evidenciar uma vez mais perante este órgão, que os Estados Unidos é só um membro a mais desta Organização, com iguais direitos e obrigações que o restante. No entanto eles ignoram as obrigações impostas pelo OSD em múltiplas disputas, se mantendo em estado de absoluta ilegalidade”, expressou Madrigal.

Acrescentou que esse fato não pode ser ignorado no marco geral das negociações da Organização Mundial do Comércio, em muitas das quais Washington se apresenta como demandante, apesar de não cumprir e violar os mesmos temas em discussão.

A exigência cubana foi apoiado pelas delegações de Angola, Brasil, China, Equador, Nicarágua, República Dominicana, Uruguai, Venezuela e Zimbábue.

“Fidel Castro tem histórias muito úteis que narrar”, afirma escritora

Via Granma e lido no Solidários

“O líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro, tem histórias que narrar, que podem ser de muita utilidade para os tempos futuros”, afirmou a jornalista e escritora Katiuska Blanco.

Esse foi um dos motivos que a inspiraram a escrever Fidel Castro Ruz, Guerrilheiro do Tempo, uma obra lançada sexta-feira, dia 20, na Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, reconheceu a autora, em entrevista concedida ao jornal Página 12.

“Para que se possa salvar a humanidade – acrescentou – e corrigir o rumo, é necessário que as sociedades privilegiem o conhecimento e uma vida de harmonia com a Pachamama, como diziam os aimaras.”

Interrogada sobre se na hora de começar sua pesquisa sobre a vida de Fidel Castro sonhou que o entrevistava, reconheceu que “sonhei que estava num lugar muito tranquilo, cheio de vegetação, onde o entrevistava”.

Lembrou que a primeira visita à casa dele, em 2009, foi quase familiar e falaram das coisas mais cotidianas. “Falamos de comida, porque ele é um ótimo cozinheiro. Também de sua preocupação pela preservação do planeta e da espécie humana: de história, política e tradições”, relatou Katiuska, também autora de Todo o Tempo dos Mognos.

Ela definiu o líder histórico como um homem delicado e respeitoso, que lhe lembra a maneira de trabalhar de [Honoré de] Balzac, de quem se dizia que trabalhava de noite e corrigia os originais uma e outra vez.

“Fidel é a busca da perfeição da linha em beleza e essência. Tenta ser justo ao falar de um companheiro, porque sabe que sua palavra pesa e o que diga vai ficar na história. Gosta muito do detalhe em temas históricos”, acrescentou.

“Desde sempre, apontou Katiuska, Fidel teve a decisão de lutar por um destino melhor para as minorias. Foi um revolucionário que viu cumprir seus sonhos e viveu muitos anos para vê-lo.”

“Sempre o comparo com a tule, uma árvore do México com um tronco enorme e forte: dizem que 50 pessoas tentam abraçá-la e não conseguem”, concluiu.

Raul Castro diz que América Latina se rebelou contra os EUA em Cartagena

“O presidente Obama deveria perceber que a Cúpula de Cartagena não foi propícia para aconselhar democracia a Cuba”, destacou Raul Castro.


O governo de Cuba considera que, na última Cúpula das Américas, a América Latina e o Caribe fizeram uma “rebelião” contra os Estados Unidos, que teria ficado isolado e obrigado a “exercer um veto imperial por falta de ideias e de autoridade política e moral”.

“O presidente Obama deveria perceber que a Cúpula de Cartagena não foi propícia para aconselhar democracia a Cuba (...). Melhor se ocupar com suas guerras, crise e politicagem, que os cubanos se ocupam com Cuba”, destacou Raul Castro no jornal Granma em texto intitulado “Pela segunda independência”.

De acordo com Cuba, na cidade colombiana de Cartagena das Índias foi demonstrado “o abismo crescente entre nossa América e o Norte revolto e brutal que nos despreza”.

“Foi impressionante a sólida postura unitária da Nossa América em torno do bloqueio, da exclusão de Cuba e das Malvinas”, ressalta a declaração. O texto destaca que a novidade da reunião continental foi que boa parte dos governos, apesar de diferentes enfoques, agiu com solidariedade e complementariedade.

Raul elogiou a atuação de diversos presidentes latino-americanos como o colombiano Juan Manuel Santos, por seu respeito com a Ilha e o mérito de ter introduzido diretamente o tema do bloqueio e da exclusão do país. Também foram elogiadas as posições do boliviano Evo Morales, do venezuelano Hugo Chavez e do nicaraguense Daniel Ortega, assim como a “firmeza” da argentina Cristina Kirchner e a “serena dignidade” de Dilma Rousseff.

Para Cuba, os EUA subestimaram processos políticos da região, como o nascimento da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe) e a tentativa frustrada de golpe em abril de 2002 na Venezuela, que completou dez anos.

Na opinião de Raul, na 6ª Cúpula das Américas, “Obama esteve totalmente isolado, obrigado a exercer um veto imperial por falta de ideias e de autoridade política e moral, e dedicado à demagogia, caminhando para eleições escabrosas”.

O texto acrescentou que a OEA (Organização dos Estados Americanos) é um “cadáver insepulto” e que com o consenso de soberania regional demonstrado em Cartagena, a América Latina tem a oportunidade de resolver graves problemas de desigualdade nas riquezas, defesa da paz e “preservação da espécie humana”.

Cuba e sua exclusão das Cúpulas das Américas foi um dos grandes assuntos da última reunião continental realizada em Cartagena das Índias, que acabou sem uma declaração final pela falta de consenso neste e outros temas.

Os EUA e o Canadá se opõem à inclusão de Cuba nestes encontros, pois alegam que falta liberdades democráticas na ilha. Os países latino-americanos deixaram claro, no entanto, que não haverá uma nova cúpula sem a presença de Cuba.

OAB pede libertação dos Cinco cubanos presos nos EUA


O Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) reafirmou sua posição em defesa da libertação dos Cinco cubanos condenados nos Estados Unidos por espionagem, enquanto atuavam contra grupos anticastristas em solo norte-americano nas décadas de 1980 e 1990.

Em 10 de abril, o presidente da Comissão Nacional de Relações Internacionais da OAB, Cezar Britto, recebeu uma delegação de Cuba para tratar do caso. Dois parentes dos prisioneiros e o representante da embaixada de Cuba no Brasil estiveram no encontro.

Ex-presidente do Conselho Federal da OAB, Britto disse ao Opera Mundi que a reunião buscou reafirmar o compromisso da entidade em denunciar o encarceramento dos cubanos. De acordo com o advogado, os Estados Unidos ferem a legislação internacional ao dificultar a concessão de vistos de entrada para que os familiares dos prisioneiros possam realizar visitas.

Para tanto, a OAB vai reforçar o pedido para que outras entidades internacionais também se mobilizem em torno da questão. Segundo Cezar Britto, a movimentação tem o objetivo de pressionar o presidente Barack Obama a conceder indulto aos cubanos presos.

Conforme explicou Britto, uma vez esgotadas as possibilidades de recursos e apelações, é muito difícil que haja modificação da sentença pela via judicial. Entretanto, é possível que o presidente da república altere ou flexibilize a decisão valendo-se de ato administrativo – mecanismo também permitido em outros países.

Vistos
Como medida mais imediata, a OAB também pede que os Estados Unidos facilitem a concessão de vistos de entrada aos parentes dos presos. Para Britto, a resistência em expedir os documentos retira dos cubanos o direito fundamental de receber visitas e os submete a um castigo adicional.

Presente no encontro, a esposa do prisioneiro Gerardo Hernandez, por exemplo, não vê o marido há pelo menos 13 anos. Apesar de inúmeras tentativas, nunca foi permitido que a cubana entrasse no país para visitar Hernandez, único entre os condenados a acumular duas penas de prisão perpétua.

Entre os motivos que levaram a OAB a solidarizar-se com a questão, Cezar Britto identifica que a atitude dos Estados Unidos contraria uma prática comum no direito brasileiro. Aqui, afirma o advogado, “há a possibilidade de ressocialização do preso e de não retirar dele o contato com a sociedade”.

Além de manifestações públicas sobre o assunto, o próprio advogado participou de um dos julgamentos dos cubanos como observador internacional. Soma-se a isso o fato de a OAB ter elaborado um pedido à Justiça norte-americana para participar, à época, como amicus curiae no processo.

Rede Vespa
Os “Cinco heróis”, como são conhecidos em Cuba, foram presos na Flórida em 1998 e, três anos mais tardes, condenados pela Justiça do país por espionagem e envolvimento no abatimento de dois aviões.

O próprio governo cubano reconheceu publicamente que Gerardo Hernandez, René Gonzalez, Tony Guerrero, Fernando Gonzalez e Ramón Labañino eram agentes do serviço secreto de Cuba infiltrados nos Estados Unidos. Os Cinco faziam parte de uma complexa operação batizada como Rede Vespa. Instalados na Flórida e disfarçados de desertores do regime cubano, o esquadrão de 14 integrantes tinha a tarefa de munir Havana com informações sobre as organizações terroristas anticastristas que operavam no país.

Com o colapso da União Soviética, a ilha comunista do Caribe foi obrigada a assistir à drástica redução do seu orçamento, fortemente dependente das parcerias comerciais com os russos. Diante do período especial, Fidel Castro viu no turismo de luxo uma alternativa viável para afrouxar as contas nacionais e reverter a dramática redução do PIB.

Diante desse quadro, as organizações anticastristas de Miami não deixaram por menos. Criadas por cubanos exilados que fugiram do país após o triunfo da Revolução em 1959, todas elas tinham o objetivo explícito de lutar pelo fim do comunismo cubano e pela queda do líder Fidel Castro. Algumas delas, inclusive, não faziam questão de esconder que apoiavam e financiavam ações terroristas para alcançar o almejado fim.

Uma vez detectada a estratégia de Havana, o alvo dos milionários exilados passou a ser os imponentes resorts do balneário de Varadero, além dos pontos turísticos mais visitados da capital cubana. “A opinião pública precisa saber que é mais seguro fazer turismo na Bósnia-Herzegovina do que em Cuba”, estampavam os folhetos de algumas dessas organizações – que realizavam desde sequestro de aviões e pequenas explosões, até sobrevoos nos quais eram despejados cartazes com propaganda anticomunista pelas avenidas de Havana.

Julgamento
Após anos de operação sigilosa, o serviço de contra-inteligência dos EUA acabou detectando a atuação da Rede Vespa e prendeu dez dos agentes cubanos. Metade deles fez acordos com a Justiça norte-americana e, por meio da delação premiada, pegou a pena mínima e ingressou no programa de proteção à testemunha do Departamento de Estado.

Em um longo e controverso julgamento – a cidade de Miami é majoritariamente anticastrista –, os Cinco cubanos acabaram condenados pelo júri popular em 2001. Alguns anos mais tarde, Leonard Weinglass advogaria pro bono pelos cubanos. Sem sucesso, porém, o “caso dos Cinco” somente se acumularia à afamada lista de causas defendidas pelo advogado: a atriz Jane Fonda, os Panteras Negras e, antes de morrer, o criador do site WikiLeaks, Julian Assange, seu último caso.

Em outubro de 2011, René Gonzalez foi o primeiro cubano a deixar a prisão federal de segurança máxima, após 13 anos encarcerado. Entretanto, sua sentença o obriga a permanecer em solo norte-americano sob liberdade assistida por um período de três anos.

Curiosamente, há duas semanas, René conseguiu uma permissão da Justiça dos EUA para voltar a Cuba por um período de 15 dias. A defesa do ex-espião sustentou que um parente próximo do cubano está hospitalizado, e seu estado de saúde é grave.

O pedido só foi autorizado pela juíza Joan Lenard – a mesma que bateu o martelo e comandou o julgamento em 2001 –, pois René assumiu o compromisso de voltar à Flórida para cumprir o restante de sua pena, o que de fato ocorreu.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Em 25 de abril, acontecerá a convenção potiguar de solidariedade a Cuba

A Associação Cultural José Martí “Casa de Amizade Brasil–Cuba” do Rio Grande do Norte realizará na quarta-feira, 25 de abril, às 18 horas, a Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba.

Na oportunidade, será elaborada a “Carta Potiguar de Solidariedade a Cuba”, que trará temas como liberdade imediata aos 5 heróis cubanos presos injustamente nos Estados Unidos; fechamento do presídio de Guantânamo; fim do bloqueio assassino a Cuba, que já dura meio século, perpetrado pelos governos norte-americanos; e alternativas para combater o terrorismo midiático sofrido pela Ilha.

A programação do evento é a seguinte:

18:00 – Abertura dos trabalhos
18:30 – Exibição do documentário Ode à Revolução, de Roberto Chile
19:00 – Palestras sobre a realidade cubana atual, com Olavo Pereira de Queiroz, presidente da ACJM/RN, e demais convidados
20:00 – Debate sobre as palestras
20:45 – Elaboração da “Carta Potiguar de Solidariedade a Cuba”
21:30 – Encerramento dos trabalhos

A convenção acontecerá na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Auditório do DCE – Setor 1, bairro Lagoa Nova, Natal (RN).

sábado, 21 de abril de 2012

Danny Glover: “Lutar pelos Cinco cubanos é lutar pela humanidade.”

Via CubaDebate e lido no Vermelho

O ator norte-americano Danny Glover  (foto) cobrou o governo de Barack Obama e o Judiciário dos Estados Unidos pela libertação dos Cinco heróis cubanos, detidos desde a década de 1990 sob acusação de espionagem e conspiração, com penas que variam de 15 anos de reclusão à prisão perpétua.

“Lutar pelos cinco cubanos é lutar pela humanidade. Antes de pensar em minha vida como artista, sinto uma responsabilidade de pensar em minha vida como cidadão”, afirmou o ator durante uma jornada de debates organizada em Washington para pressionar o país a rever a condenação. “Cinco dias pelos Cinco cubanos” é realizado pelo Comitê de Solidariedade para a Libertação dos Cinco e prevê a realização de atos em frente à Casa Branca com militantes vindos de várias partes do país. “Não podemos esquecer as responsabilidades que temos como cidadãos”, finalizou Glover.

Manifestantes protestam em frente ao Capitólio, nos EUA.
Na terça-feira, dia 17, e quarta-feira, 25 militantes visitaram os escritórios de 19 dos 100 senadores na tentativa de sensibilizá-los sobre a situação. Gerardo Hernandez, Antônio Guerrero, Ramón Labañino, Fernando Gonzalez e René Gonzalez eram os responsáveis por um serviço montado por Cuba para tentar prevenir-se da realização de atos terroristas financiados pelos movimentos de Miami contrários ao ex-presidente Fidel Castro.

O advogado José Pertierra, representante do governo da Venezuela na causa pela extradição do terrorista Luis Posada Carriles, responsável por um atentado contra um avião daquele país, lembrou que os Estados Unidos decidiram colocar Cuba na lista de nações que apoiam o terrorismo em 1982. “Quantas pessoas foram torturadas e assassinadas por oficiais do governo dos Estados Unidos desde 1982? Quantos países os Estados Unidos invadiram desde 1982? Quantos países os Estados Unidos trataram de desestabilizar desde 1982? Cuba não torturou nem assassinou ninguém. Tampouco invadiu ou desestabilizou qualquer país.”

Praia Girón: O símbolo da luta contra o imperialismo

Maria do Carmo Luiz Caldas Leite, da Fundação Maurício Grabois, via Solidários

Depois do triunfo da Revolução, em 1959, nenhum outro fato marcou tão intensamente a história de Cuba, como a batalha da Praia Girón. Organizada pela CIA, a operação começou a 14 de abril de 1961, com a chegada dos barcos da brigada 2.506, armada e treinada na Nicarágua e na Guatemala.


Compañeros de historia,
tomando en cuenta lo implacable
que debe ser la verdad, quisiera preguntar
– me urge tanto –,
¿qué debiera decir, qué fronteras debo respetar?
Si alguien roba comida
y después da la vida, ¿qué hacer?
¿Hasta donde debemos practicar las verdades?
¿Hasta donde sabemos?
Que escriban, pues, la historia, su historia,
los hombres del «Praia Girón».
(De Silvio Rodríguez)

No dia 15 de abril de 1961, seis bombardeiros B-26, com as cores da Força Aérea cubana tentaram destruir a pequena aviação revolucionária. Na tarde de 16, durante os funerais das sete vítimas destes ataques aéreos, Fidel, então com 34 anos, afirmou publicamente o caráter socialista da Revolução:

“O que os imperialistas não podem perdoar-nos, é que nós tenhamos feito uma revolução socialista, debaixo do nariz dos Estados Unidos”.


Os invasores, apoiados pelos serviços secretos norte-americanos, de 17 a 19 de abril, atingiram as praias da Baía dos Porcos, a 200 quilômetros de Havana. A três milhas da costa, uma esquadra, que incluía porta-aviões e infantaria de marinha, analisava o desenvolvimento da contra-ofensiva revolucionária e dos invasores, permanecendo pronta a intervir. Naquela que foi a primeira grande derrota do imperialismo na América Latina, soldados e milicianos dominaram, em 72 horas, um contingente de 1.400 cubanos exilados, que tentavam retroceder a vitória do Movimento 26 de Julho.

Das raízes da Praia Girón aflora uma grande questão: o que teria acontecido se Cuba fosse invadida no ano de 1961? Em meio a essas elucubrações, à custa de muita meditação, emergem as lembranças 200 mil pessoas mortas na República da Guatemala, segundo alguns historiadores, índios em sua maioria. Quantos mortos haveria em Cuba, com mais habitantes, melhor armados e com tradição de lutas? A mesma política intervencionista, que gerou 30 mil vítimas na Nicarágua, contou com a cumplicidade da máfia do narcotráfico aliada aos “contras” nicaraguenses. Na década de 1980, em meio à onda de intervenções nos países da América Central, foram enviadas tropas à ilha caribenha de Granada, com o “objetivo” de evitar a expansão do comunismo na América Latina.

“Que cheguem sempre que quiserem! Ficaremos à espera deles com os fuzis na mão. Nossa história é plena de dias de glória, que ninguém poderá apagar, de recordações dos que deram suas vidas generosas combatendo em qualquer canto da ilha ou do mundo”, como relatou em inesquecível depoimento o cubano Emilio Rodriguez Montesinos, uma das muitas testemunhas de tão memoráveis feitos.

O golpe de 2002 na Venezuela: A praia Girón da mídia golpista

Emir Sader, via Carta Maior

A mídia latino-americana sempre foi golpista. Representante das oligarquias do continente, dirigida por um punhado de famílias (todo país tem seus Frias, Mesquitas, Marinhos, Civitas), sempre esteve envolvida nos golpes militares contra a democracia no continente, do lado dos EUA.

Se a OEA foi chamada por Fidel de Ministério das Colônias dos EUA, a SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) é seu Ministério de Comunicação para as Colônias. Sempre coordenou a ação da mídia nos golpes militares e nas campanhas contra os governos democráticos do continente.

Antes mesmo da campanha que levou Getulio ao suicídio, em 1954, e derrubou Perón em 1955, a mídia já tinha sido participante fundamental no sangrento golpe na Guatemala, em 1954, que levou esse país a se tornar, nas décadas seguintes, naquele que sofreu os maiores massacres em um continente cheio de massacres.

Há exatamente 10 anos, a mídia venezuelana mobilizou e convocou um golpe militar contra Hugo Chavez. O movimento chegou a ter sucesso imediato, uma TV escandinava pode produzir “A revolução não será televisionada”, documentário já tornado um clássico do cinema de documentário sobre a América Latina. O presidente da Fiesp de lá foi nomeado presidente da ditadura que pretendia se instalar e era saudado, no Palácio Presidencial, pelos chefes da Igreja católica, pelos donos das empresas de comunicação, pelos dirigentes dos partidos de direita, enquanto Hugo Chavez era levado por militares para uma ilha e pressionado para assinar sua renúncia.

Assim que soube do golpe, o povo desceu maciçamente às ruas, dirigiu-se ao Palácio, derrubou as grades e entrou no prédio. Assiste-se nesse momento, no documentário, os chefes do golpe fugirem rapidamente pelas portas laterais do Palácio, enquanto o povo penetra nele.

As TVs e rádios golpistas simplesmente deixaram de dar notícias e passaram a projetar desenhos animados. O fugaz presidente golpista tentou enganar a CNN dando entrevista como se estivesse ainda no Palácio Presidencial, mas o próprio entrevistador lhe disse que sabia que ele já estava num quartel, fugindo. A nem veja, nem leia, eufórica, deu mais um “furo”: sua edição da semana saiu, no sábado cedo, com a notíia do golpe que teria derrubado Hugo Chavez como a grande matéria de capa. (Nenhum meio tradicional de comunicação brasileiro, todos com DNA de golpistas, recordou os 10 anos do golpe fracassado na Venezuela.)

Embora houvesse já uma doutrina e um acordo dos governos do continente de se oporem aos golpes militares, sentiu-se o silêncio ou a cumplicidade, e salvo Cuba, não houve protestos contra a derrubada de um presidente legalmente eleito no continente. O povo venezuelano fez justiça com suas próprias mãos e recolocou Hugo Chavez na presidência do país, para a qual tinha sido eleito por seu voto.

O golpe de 11 de abril de 2002 foi, para a mídia golpista latino-americana, o que a também fracassada invasão de Praia Girón foi para o imperialismo norte-americano: sua primeira grande derrota, que demonstrou que o povo do continente não a aceitar mais que ela pusesse e tirasse governantes no continente. Que agora é o povo quem decide seu destino na América Latina.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Anita Prestes: “Salvemos a vida dos 5 heróis cubanos!”

A filha dos combatentes internacionalistas Olga Benário e Luiz Carlos Prestes, Anita Prestes, enviou a declaração (leia abaixo) para Aldo Fidel, cônsul comercial de Cuba em São Paulo, na qual conclama os povos do mundo a salvar as vidas de 5 heróis cubanos que estão presos injustamente nos EUA.

Anita, historiadora brasileira, nasceu em uma prisão nazista para mulheres em Bressinimstrasse e, com 14 meses de idade, graças à solidariedade internacional, foi viver com sua avó paterna, Leocádia Prestes. Olga foi transferida para o campo de concentração de Lichtenburg e depois para Ravensbruck. Em fevereiro de 1942, pouco antes de completar 34 anos, Olga foi enviada para o campo de extermínio de Bernburg, onde ela foi assassinada em uma câmara de gás.

Na última carta que Olga escreveu para Carlos Prestes e para Anita, ela se despediu de ambos, sabendo que não tinha muito tempo de vida:

“Eu lutei pelo que é justo, para o bem e para um melhor mundo... Eu quero que você me entenda bem: me preparar para a morte não significa que eu desisti, mas sabê-la encarar de frente quando ela chega.”

Declaração
Como é do conhecimento geral, permanece a absurda violação dos direitos humanos perpetrada pelo governo dos EUA, dirigido pelo presidente Obama, prêmio Nobel da Paz, que, não obstante o clamor mundial, continua a manter na prisão quatro heróis cubanos – Antônio Guerrero, Fernando Gonzalez, Gerardo Hernandez e Ramon Labañino – e privar outro herói cubano, René Gonzalez, já libertado, do direito de regressar a sua pátria.

Na qualidade de filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário Prestes, dois heróis internacionalistas, sou testemunha do valor inestimável da solidariedade internacional para salvar as vítimas da repressão e da sanha fascista. Considero-me filha da solidariedade internacional, pois fui salva das garras do fascismo por uma importante campanha mundial, liderada por minha avó Leocádia Prestes, a respeito da qual Pablo Neruda escreveu: “Hiciste grande, mas grande a nuestra América.”

Salvemos, pois, a vida dos 5 heróis cubanos!

Rio de Janeiro, março de 2012

Anita Leocádia Prestes
Historiadora e professora da UFRJ

terça-feira, 17 de abril de 2012

Alba ameaça não participar mais da Cúpula das Américas caso Cuba continue vetada


Mesmo sem estar presente na 6ª Cúpula das Américas, devido a uma imposição dos Estados Unidos apoiada apenas pelo Canadá, Cuba foi o grande assunto do encontro de líderes das Américas. A Aliança Bolivariana para os Povos da América (Alba), por exemplo, ressaltou que seus países não irão comparecer na próxima edição do evento, caso Cuba continue suspensa.

O grupo divulgou um comunicado no domingo, dia 15, por meio do qual pediu a participação dos cubanos na próxima edição da Cúpula. A Alba é formada por Equador, Antígua e Barbuda, Cuba, Dominica, Venezuela, Bolívia, São Vicente e Granadinas e Nicarágua.

Cuba é o único país da América que não participa do evento, criado em 1994, por conta da oposição dos EUA e do Canadá. Os dois países alegam que o governo cubano não respeita os princípios da democracia necessários para fazer parte da Cúpula.

Cuba retruca e aponta que os motivos para tal proibição são políticos e ideológicos, ligados ao bloqueio de mais de 50 anos impostos pelos norte-americanos sobre a ilha.

“Cuba tem direito incondicional e inquestionável de estar presente e de participar de um plano de igualdade soberana neste fórum”, destacou o comunicado da Alba, referindo-se à sexta edição da Cúpula das Américas, em Cartagena, na Colômbia.

Em protesto pela ausência de Cuba nos eventos, o presidente do Equador, Rafael Correa, declarou semanas antes da Cúpula que não iria participar do encontro de líderes.

Os presidentes da Venezuela, Hugo Chavez, e da Nicarágua, Daniel Ortega, tomaram a mesma atitude e, no sábado, dia 14, informaram que não compareceriam ao evento. Oficialmente, no entanto, os motivos alegados para as desistências foram outros.

Ainda no sábado, Chavez seguiu para Cuba, onde continuará seu tratamento de radioterapia. Já a ausência de Ortega foi noticiada pelo vice-chanceler da Nicarágua, Valdrak Jaentschke, durante uma reunião de presidentes e ministros dos países do Sistema de Integração Centro-Americana (Sica), realizada pouco antes do início da Cúpula.

Questionado a respeito da ausência de Cuba do evento, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou à emissora colombiana Caracol Televisión que considera Cuba um Estado “antidemocrático e autoritário”.

Segundo ele, não são os EUA que impedem a participação do país nas cúpulas da região e sim suas “práticas contrárias aos direitos universais”. “Não podemos fechar os olhos aos abusos que acontecem”, concluiu Obama.

Declaração final
A Cúpula terminou no domingo, dia 15, sem uma declaração final. Isso porque não se chegou a um acordo em relação à proibição aplicada a Cuba. Tanto Obama quanto o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, não aceitaram discutir a questão. Nem mesmo o bloqueio norte-americano à Ilha foi, de fato, debatido pelos líderes.

“O isolamento, o bloqueio, a indiferença, o olhar para o outro lado, já demonstraram sua ineficácia. No mundo de hoje não se justifica esse caminho. É um anacronismo que nos mantém ancorados a uma era da Guerra Fria superada já há várias décadas”, afirmou o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.

Evo Morales seguiu a mesma linha do colombiano e afirmou que “todos os países da América Latina querem a presença de Cuba, mas há uma imposição, uma ditadura que não a aceita”.

Cuba é um estado patrocinador do terrorismo? Fala sério!

John Adams e David W. Jones, via Adital

Em 1979, o Departamento de Estado dos Estados Unidos começou a designar como estados patrocinadores do terrorismo os países que, “repetidamente, têm oferecido apoio a atos de terrorismo internacional”. Atualmente, quatro países estão nessa lista: Irã, Síria, Sudão e Cuba.

É sério? Cuba?

Cuba foi agregada à lista em 1982 devido a seu apoio aos rebeldes comunistas na África e na América Latina, nas décadas de 1960 e 1970.

Após regressar de uma longa viagem investigativa a Cuba, onde nos reunimos com funcionários diplomáticos de países chave da Europa e da América Latina, com a Secção de Interesses dos Estados Unidos e com funcionários do governo cubano, chegamos à conclusão de que, simplesmente, é ilógico e contraproducente manter Cuba na lista. Há pouca ou nenhuma evidência de que Cuba ofereça apoio ao terrorismo e a evidência demonstra que não o faz há mais de 20 anos.

Após o término da Guerra Fria, muitos na comunidade de inteligência estadunidense chegaram à conclusão de que Cuba já não era uma ameaça à segurança nacional dos EUA. O relatório do Departamento de Estado acerca do Terrorismo por Países, em 2008, declarava que Cuba “já não apoia ativamente a luta armada na América Latina e em outras partes do mundo”. O mesmo relatório declarava também: “Os Estados Unidos não possuem evidência de lavagem de dinheiro relacionada ao terrorismo ou a atividades de financiamento do terrorismo em Cuba.”

O relatório de 2009 declarava: “Não há evidência de apoio financeiro direto a organizações terroristas por parte de Cuba em 2009.” O relatório do Departamento de Estado, em 2010, declarava: “O governo e os meios oficiais cubanos condenaram publicamente atos de terrorismo por parte de al-Qaeda e de seus afiliados”.

Tem algum sentido manter Cuba na lista após mais de duas décadas dos fatos citados na lista original? Então, por que o Departamento de Estado a mantém na lista?

A justificativa parece ser a de que “o governo cubano continuou dando refúgio seguro a vários terroristas”, segundo o relatório de 2008, acerca do Terrorismo por Países.

Examinemos a evidência.

Primeiro, o Departamento de Estado alega que Cuba oferece refúgio seguro a terroristas da Espanha. O fato de que um punhado de ex-membros da organização Patria Vasca y Libertad – mais comumente conhecida por ETA, em espanhol – vive em Cuba segundo um acordo bilateral assinado há décadas com o governo espanhol. A Espanha já declarou publicamente que aprecia a disposição de Cuba de aceitar esses indivíduos em seu território e sustenta que isso aumenta sua capacidade para enfrentar mais eficazmente ao grupo. Inclusive, a polícia espanhola mantém uma pequena presença em Cuba.

Segundo, o Departamento de Estado alega que membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN), grupos rebeldes colombianos, estão presentes em Cuba. O fato é que Cuba não apoia o ELN há mais de 20 anos. O governo colombiano declarou publicamente que Cuba tem desempenhado um papel útil ao facilitar conversações de paz com os rebeldes, segundo um relatório do Serviço de Investigações do Congresso, em 2007.

O relatório do Departamento de Estado em 2010 faz eco ao relatório de 2009 no sentido de que, “atualmente, não há evidência de apoio financeiro direto ou material” às Farc. Além da ausência de evidências que apoiem a inclusão de Cuba na lista, há motivos convincentes para que Cuba seja eliminada dessa lista:

● A presença cubana na lista causa danos à credibilidade dos EUA com quase todos os nossos aliados chave e nos confronta com quase todos os países da América Latina, que consideram que a lista é caprichosa e motivada politicamente.

● Dificulta nossa capacidade de trabalhar com aliados para facilitar contatos, cujo objetivo é a reconciliação com grupos rebeldes, como as Farc.

● A política dos EUA causa danos aos esforços de cooperação com Cuba em importantes assuntos norte-americanos de segurança nacional, incluindo o contrabando transnacional de humanos, de narcóticos e de armas, bem como de desastres meio ambientais.

● A política norte-americana causa danos a nossos negócios e a nossos trabalhadores ao oferecer uma justificativa para continuar o embargo comercial a Cuba, que destrói postos de trabalho.

● Sobretudo, manter Cuba na lista do Departamento de Estado socava os esforços norte-americanos na mais extensa e verdadeira luta contra o terrorismo.

Por todas esses motivos, é hora de os EUA terminem com essa contraproducente e hipócrita política e eliminem Cuba da lista de estados patrocinadores do terrorismo.

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