terça-feira, 17 de abril de 2012

Alba ameaça não participar mais da Cúpula das Américas caso Cuba continue vetada


Mesmo sem estar presente na 6ª Cúpula das Américas, devido a uma imposição dos Estados Unidos apoiada apenas pelo Canadá, Cuba foi o grande assunto do encontro de líderes das Américas. A Aliança Bolivariana para os Povos da América (Alba), por exemplo, ressaltou que seus países não irão comparecer na próxima edição do evento, caso Cuba continue suspensa.

O grupo divulgou um comunicado no domingo, dia 15, por meio do qual pediu a participação dos cubanos na próxima edição da Cúpula. A Alba é formada por Equador, Antígua e Barbuda, Cuba, Dominica, Venezuela, Bolívia, São Vicente e Granadinas e Nicarágua.

Cuba é o único país da América que não participa do evento, criado em 1994, por conta da oposição dos EUA e do Canadá. Os dois países alegam que o governo cubano não respeita os princípios da democracia necessários para fazer parte da Cúpula.

Cuba retruca e aponta que os motivos para tal proibição são políticos e ideológicos, ligados ao bloqueio de mais de 50 anos impostos pelos norte-americanos sobre a ilha.

“Cuba tem direito incondicional e inquestionável de estar presente e de participar de um plano de igualdade soberana neste fórum”, destacou o comunicado da Alba, referindo-se à sexta edição da Cúpula das Américas, em Cartagena, na Colômbia.

Em protesto pela ausência de Cuba nos eventos, o presidente do Equador, Rafael Correa, declarou semanas antes da Cúpula que não iria participar do encontro de líderes.

Os presidentes da Venezuela, Hugo Chavez, e da Nicarágua, Daniel Ortega, tomaram a mesma atitude e, no sábado, dia 14, informaram que não compareceriam ao evento. Oficialmente, no entanto, os motivos alegados para as desistências foram outros.

Ainda no sábado, Chavez seguiu para Cuba, onde continuará seu tratamento de radioterapia. Já a ausência de Ortega foi noticiada pelo vice-chanceler da Nicarágua, Valdrak Jaentschke, durante uma reunião de presidentes e ministros dos países do Sistema de Integração Centro-Americana (Sica), realizada pouco antes do início da Cúpula.

Questionado a respeito da ausência de Cuba do evento, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou à emissora colombiana Caracol Televisión que considera Cuba um Estado “antidemocrático e autoritário”.

Segundo ele, não são os EUA que impedem a participação do país nas cúpulas da região e sim suas “práticas contrárias aos direitos universais”. “Não podemos fechar os olhos aos abusos que acontecem”, concluiu Obama.

Declaração final
A Cúpula terminou no domingo, dia 15, sem uma declaração final. Isso porque não se chegou a um acordo em relação à proibição aplicada a Cuba. Tanto Obama quanto o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, não aceitaram discutir a questão. Nem mesmo o bloqueio norte-americano à Ilha foi, de fato, debatido pelos líderes.

“O isolamento, o bloqueio, a indiferença, o olhar para o outro lado, já demonstraram sua ineficácia. No mundo de hoje não se justifica esse caminho. É um anacronismo que nos mantém ancorados a uma era da Guerra Fria superada já há várias décadas”, afirmou o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.

Evo Morales seguiu a mesma linha do colombiano e afirmou que “todos os países da América Latina querem a presença de Cuba, mas há uma imposição, uma ditadura que não a aceita”.

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