quarta-feira, 30 de maio de 2012

Convenção nacional de solidariedade a Cuba renova compromisso pela liberdade dos Cinco

Antônio Barreto, presidente da ACJM/BA, discursa no encerramento da convenção

Representantes de 19 organizações de solidariedade com Cuba, de 39 movimentos sociais e partidos políticos, além do grupo parlamentar de amizade Brasil-Cuba, participaram no sábado, dia 26, da assembleia final da 20ª Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, no Palácio de Convenções de Salvador, Bahia.

A convenção começou na quinta-feira, dia 24, com um ato político-cultural onde estiveram presentes mais de 600 pessoas, entre elas personalidades do mundo político, social, acadêmico, cultural e esportivo da Bahia. O governador do estado, Jacques Wagner, foi representado pelo seu secretário de Assuntos Internacionais, Fernando Schimidt. Também estiveram presentes a senadora Lídice da Mata representando a Frente Parlamentar de Solidariedade a Cuba, a presidenta do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, deputados federais, estaduais, vereadores e numerosos dirigentes de partidos progressistas, sindicatos e movimento social organizado.

A luta pelos Cinco
Precedida de convenções em 22 estados da Federação, a convenção nacional contou com a realização durante dois dias de grupos de discussão e plenárias, onde os delegados debateram e traçaram planos para intensificar o movimento de solidariedade à Ilha socialista. Um dos mais concorridos grupos de discussão teve como tema central os “instrumentos e formas de luta pela libertação dos Cinco patriotas antiterroristas cubanos injustamente presos nos Estados Unidos, onde estão pagando pesadas penas. Os convencionais chegaram à conclusão de que se trata de um caso eminentemente político, principalmente porque as tentativas jurídicas para libertar os Cinco estão esgotadas. Em nome deles, a esposa de Ramon Labañino, Elisabete Palmeira, leu uma mensagem na plenária final em que declaram desde os cárceres dos Estados Unidos, que “mais do que nunca a solução do nosso caso está nas mãos e corações de vocês”. A conclusão a que os Cinco chegaram depois de feitos todos os recursos jurídicos, é de que a sua libertação depende da luta solidária internacional. “Só confiamos em vocês e no nosso povo”, assinalam.

Rompendo o bloqueio
O segundo grupo analisou a luta contra o bloqueio promovido pelo imperialismo norte-americano, chegando à conclusão fundamental de que é preciso esclarecer a opinião pública brasileira sobre o significado criminoso desse bloqueio. Ao mesmo tempo, os convencionais recomendam a realização de intercâmbios nos setores econômico, político, cultural, esportivo, e tecnológico entre o Brasil e Cuba. O terrorismo midiático O terceiro grupo debateu sobre o terrorismo midiático contra Cuba. Foi unânime a opinião de que é preciso mobilizar amplas forças para desmascarar a campanha de mentiras que a mídia a serviço do império move contra o país. Os convencionais recomendaram que todos os movimentos de solidariedade a Cuba criem blogues e estimulem a leitura do blog Cuba Viva, o portal de Cuba no Brasil. Um quarto grupo também se reuniu durante a convenção, debatendo sobre o movimento das brigadas de solidariedade e a luta pelo reconhecimento do diploma dos estudantes brasileiros formados em Cuba, na Escola Latino-americana de Medicina (Elam).

Plenária final
A plenária final foi saudada pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM), presidente da Frente Parlamentar Brasileira de Amizade com Cuba; Socorro Gomes, presidenta do Conselho Mundial da Paz; e Kenia Serrano, presidenta do Instituto Cubano de Amizade aos Povos (Icap). Vanessa pediu um aplauso à Bahia pela organização da 20ª Convenção. “O movimento de solidariedade tem um caráter internacionalista, ao mesmo tempo que nos solidarizamos com Cuba, lutamos pela construção de sociedades solidárias e por um mundo mais solidário”, disse a senadora, que também analisou o grave momento que a humanidade atravessa com o aprofundamento da crise do capitalismo. Vanessa comparou os anos 1990 e o começo do século 20, quando o capitalismo sentia-se triunfante e os movimentos progressistas estavam em defensiva, com o momento atual. “Agora, o capitalismo é que se encontra na defensiva e os povos em ofensiva”, afirmou. Concluiu enaltecendo o papel que Cuba desempenha no mundo e reafirmou a luta dos parlamentares amigos de Cuba, que são mais de duzentos, contra o bloqueio e pela libertação dos Cinco. A senadora amazonense aproveitou a oportunidade para anunciar que está organizando uma comitiva com dezenas de pessoas para participar do Fórum de São Paulo, na primeira semana de julho na Venezuela, como expressão da solidariedade do povo brasileiro com o presidente Hugo Chavez. Ela destacou a importância de reeleger o líder da Revolução Bolivariana em 7 de outubro próximo.

Por sua vez, Socorro Gomes declarou que todos os convencionais saem da Bahia “com o espírito mais fortalecido, mais irmanados e enobrecidos por termos participado desta 20ª Convenção e termos exercido nosso direito e dever de hipotecar nossa solidariedade a Cuba e travar o bom combate contra o bloqueio, pela libertação dos Cinco, pela soberania, a integração da América Latina e o socialismo”. A 20ª Convenção foi encerrada por Kenia Serrano, presidenta do Icap, a entidade para a qual converge a atividade de 2116 associações de amizade e solidariedade com Cuba em 152 países. Vibrante, emotiva, cheia do vigor e energia da juventude rebelde e combatente educada por Fidel, Raul e Che nas ideias revolucionárias de José Martí e do marxismo-leninismo, Kenia agradeceu em nome do povo cubano o carinho e o entusiasmo do povo baiano e brasileiro. E fez uma espécie de juramento. “As palavras de vocês são para nós, cubanos, uma motivação para não falharmos. Tenham certeza de que não falharemos”. A dirigente considerou que há pontos comuns entre as lutas dos povos cubano e brasileiro. “A luta pelo melhoramento humano, a justiça social e o socialismo é a mesma em Cuba e no Brasil”. Sobre a batalha pela libertação dos Cinco antiterroristas cubanos presos nos Estados Unidos, Kenia sintetizou tudo em uma só palavra: “Urgência”. “É urgente realizar ações efetivas que resultem na urgente libertação dos Cinco”, arrematou. E sem ilusões de que algo será fácil, enfatizou: “Nada conseguiremos sem luta”. A dirigente do Icap defendeu o processo de mudanças revolucionárias em curso na Ilha para aperfeiçoar e fortalecer o socialismo e desmentiu que em Cuba haja contradições e luta entre a geração que fez a revolução em Sierra Maestra e combateu em Girón e a geração atual. Citando um dos maiores expoentes da literatura cubana, Alejo Carpentier, disse: “As gerações não se medem pelas idades, mas pelos livros que leram”. “Nós, da geração atual, lemos os mesmos livros que leram os nossos dirigentes”, concluiu Kenia.

Carta de Salvador
A plenária aprovou por aclamação a “Carta de Salvador de todos os povos e lutas”, a declaração da 20ª Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba”, lida por Antônio Barreto, o Barretinho, presidente da Associação Cultural José Martí da Bahia e do núcleo estadual do Cebrapaz.

Barretinho foi homenageado pela incansável atividade política e organizativa que realizou para garantir a realização da 20ª Convenção. “Celebramos neste histórico encontro o compromisso solidário e incondicional ao povo cubano e sua revolução”, diz a carta. O documento aprovado assinala que ao longo de mais de cinco décadas “o povo cubano tem sido exemplo de vida e heroísmo para os povos ao redor do mundo”, destacando que a revolução herdou um país pobre, socialmente injusto, ferido por uma ditadura apoiada pelos Estados Unidos. Mas, dizem os convencionais da solidariedade, “em poucos anos o povo cubano, liderado por Fidel Castro, transformou Cuba em uma nação livre, soberana, socialmente desenvolvida, com índices de alfabetização, expectativa de vida, mortalidade infantil e nível cultural comparáveis aos dos países mais desenvolvidos” A Carta de Salvador registra o papel positivo da Alba e da Celac e enaltece as boas relações de Cuba com o Brasil, a Unasul e o Mercosul. Os convencionais repudiam as ações de terrorismo de Estado perpetradas pelo imperialismo estadunidense contra Cuba, condena a campanha midiática e o bloqueio e manifesta o compromisso de com a luta pela libertação dos Cinco antiterroristas cubanos. “Exigimos a sua imediata liberdade. Comprometemo-nos a difundir por todos os meios que tenhamos a causa dos cinco e nosso somamos ao conjunto das ações organizadas internacionalmente por sua libertação.

A plenária decidiu que a 21ª Convenção será realizada em 2013 na cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná. A 20ª Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba terminou com uma apoteose na Praça Tereza Batista, no Pelourinho, e um show de dança cubana e de forró baiano.

5 heróis: Envie sua carta de aniversário para Gerardo e Ramón

Gerardo Hernandez e Ramón Labañino fazem aniversário em junho. Envie para eles uma felicitação.


Participe dessa homenagem a nossos camaradas presos pelo imperialismo ianque. Para conhecer um pouco da história dos Cinco Heróis, leia aqui.

Você pode escrever-lhes diretamente na prisão (endereço abaixo) ou, se desejar, enviar mensagem para o correio eletrônico abaixo, do Free for Five

Gerardo Hernández nasceu no dia 4 de junho de 1965.
Seu endereço:
Gerardo Hernández, #58739-004
U.S.P. Victorville
P.O. Box 5300
Adelanto, CA 92301

Ramón Labañino nasceu no dia 9 de junho de 1963.
Ramón é conhecido oficialmente na prisão como Luis Medina, então é necessário indicar este nome no envelope:
Luis Medina, #58734-004
F.C.I. JESUP
2680 – 301 South
Jesup, GA 31599

Para mais informações clique em Free the Five.

Romney: Exemplo de Raul e Chavez na América Latina é perigoso e grave

Mau exemplo por que, cara-pálida? Bom exemplo é manter o bloqueio assassino contra Cuba que já dura mais de 50 anos?

Via Vermelho e publicado no Granma

O candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, Mitt Romney (foto), voltou a cortejar o setor mais reacionário dos eleitores ao qualificar como “perigo grave” os presidentes da Venezuela, Hugo Chavez, e de Cuba, Raul Castro.

“Devemos ativamente comunicar e promover nossos valores da livre empresa e a democracia”, garantiu, segundo ABC, ao se referir ao “enorme mercado na América Latina, o qual temos vantagens para ganhar”, como um dos elementos para revitalizar a economia estadunidense.

No meio de seu discurso no encontro anual do grupo empresarial conservador Coalizão Latina, onde evitou falar sobre a questão migratória, ele foi interrompido por uma jovem sem documentos que chegou a entrar no recinto, e foi retirada imediatamente.

A garota, que se identificou como Lucy Allain diante da imprensa, declarou à agência mexicana Notimex que chegou nos Estados Unidos com dez anos e agora tem 20. Ela relatou que quando ouviu Romney falar de sonhos e oportunidades, ela começou a gritar: “Sou uma sonhadora, sou uma estudante sem documentos”.

Lucy integrava um pequeno grupo de manifestantes que pediam ao candidato apoio para o projeto Dream Act. Esta lei abriria a porta para conceder a cidadania aos estudantes que se encontram nos Estados Unidos de forma irregular e que chegaram ao país quando eram menores.

Romney se mostrou contrário à medida e a qualificou de “modelo” a dura lei que criminaliza a migração ilegal no Arizona, cuja constitucionalidade é avaliada pela Corte Suprema.

8º Colóquio pela libertação dos 5 heróis cubanos


sábado, 26 de maio de 2012

Benício Del Toro critica obstáculos para se viajar dos EUA a Cuba

O ator porto-riquenho, que já protagonizou Che Guevara no cinema, voltou a filmar na Ilha e classificou a burocracia estadunidense como um tipo de censura.


O ator porto-riquenho Benicio del Toro afirmou na quinta-feira, dia 24, em Cannes, onde apresentou o filme 7 días en La Habana, que as dificuldades que os Estados Unidos impõem para que os cidadãos norte-americanos viajem para Cuba podem ser considerada um tipo de censura.

O filme é dividido em sete capítulos, cada um dirigido por um cineasta, entre eles Del Toro. “Talvez a censura seja a dificuldade que uma pessoa com passaporte norte-americano tem para viajar para Cuba. Não é fácil. É preciso pagar uma quantidade de dinheiro, é preciso pedir permissão ao governo para poder viajar, talvez poderíamos dizer que isso é uma censura”, afirmou.

Segundo o ator, a autorização para viajar à Ilha “pode demorar de três a quatro meses, o que não ocorre em nenhuma outra ilha do Caribe, como a Jamaica”.

Ao lado de Del Toro, estavam outros dois dos sete diretores que participaram de 7 días en La Habana, o argentino Pablo Trapero e o espanhol Julio Medem, que destacaram que durante as filmagens em Cuba não sofreram nenhum tipo de censura. “Sabíamos que havia gente por perto mas não aconteceu nada”, afirmou Trapero.

O objetivo do filme, que contou ainda com a participação do palestino Elia Suleiman, do cubano Juan Carlos Tabio e dos franceses Gaspar Noé e Laurent Cantet, foi mostrar a visão pessoal dos cineastas sobre Havana. Benicio del Toro contou uma história protagonizada por um turista norte-americano que procura festas e mulheres em Havana.

O projeto foi coordenado pelo escritor cubano Leonardo Padura, que procurou conectar cada uma das histórias para dar uma unidade ao filme, o que pode ser visto no otimismo de cada uma das narrativas, nas quais está presente o amor dos cubanos pela música, sua felicidade dentro de uma situação complicada e sua forma de rir da vida até nos momentos mais dramáticos.

Franceses qualificam de criminoso o bloqueio contra Cuba

Via Vermelho, originalmente publicado na da Prensa Latina

Membros da instituição francesa Associação Realidades e Relações Internacionais (ARRI) qualificaram de criminoso o bloqueio mantido por Estados Unidos contra Cuba desde há mais de cinco décadas.

Integrantes desse grupo, que em março passado realizaram um percurso por várias províncias de Cuba, mantiveram um encontro com o embaixador cubano na França, Orlando Requeijo, em Paris.

Na reunião, o diplomata cubano recordou que o cerco econômico, comercial e financeiro de Washington contra seu país já foi condenado em 20 ocasiões pela Assembleia Geral da ONU. Até dezembro de 2010, o dano econômico direto ocasionado por essa injusta política, a preços correntes e calculados de forma muito conservadora, supera os US$104 bilhões de dólares.

O bloqueio também afeta a outros países por seu efeito extraterritorial, recordou Requeijo e acrescentou que há muitas empresas que se veem impossibilitadas de vender seus produtos a Cuba.

O embaixador referiu-se também à negativa da Corte Suprema dos Estados Unidos para que a companhia Cubaexport tivesse a possibilidade de defender seu direito de renovar o registro de Havana Club no Escritório de Marcas e Patentes.

No encontro os membros da Associação Realidades e Relações Internacionais reconheceram os avanços de Cuba em diversos setores, apesar desta política injusta.

A ARRI é uma associação independente, integrada por antigos diplomatas, funcionários e ex-dirigentes de grupos empresariais e de outros setores, interessados em conhecer a situação internacional.

Governo cubano desmente dissidentes sobre número de presos

Via Portal Terra e lido no Solidários

Cuba informou na terça-feira, dia 22, que suas penitenciárias abrigam 57.337 presos, cifra bastante inferior à divulgada por dissidentes, que acusam as cadeias da Ilha de serem locais onde os direitos humanos são sistematicamente violados.

O Granma, jornal do Partido Comunista, citou o dado em um extenso artigo no qual afirmou que o sistema carcerário respeita as normas e princípios da ciência penal internacional, além de oferecer “as melhores práticas de tratamento para reclusos” e envolvê-los em projetos educativos, trabalho remunerado e prática desportiva.

Ainda segundo o Granma, entre os 11,2 milhões de cubanos há 31.494 presos em regime fechado, e 25.843 em regime aberto. Em abril, a Comissão Cubana de Direitos Humanos, um grupo ilegal, mas tolerado pelo regime, disse que havia na Ilha entre 70 mil e 80 mil presos, sem contar um número “indeterminado de condenados a trabalho obrigatório sem internação”.

Na ocasião, a comissão disse ter documentado pelo menos nove casos de presos políticos nos meses de março e abril. Naquele relatório, Elizardo Sánchez, porta-voz da comissão, disse que o sistema carcerário cubano é “como a face oculta da lua, pouco conhecida”, e destacava as más condições de higiene e saúde.

O governo cubano nega ter presos políticos, aos quais descreve como contrarrevolucionários a serviço dos EUA. “Apesar das dificuldades econômicas que o país teve de enfrentar, não se justificou nunca a negação da justiça, nem se invocou ameaça de qualquer tipo para desnaturalizar ou desconhecer os direitos fundamentais das pessoas privadas de liberdade”, disse o Granma.

José Martí e a batalha de 19 de maio

Maria do Carmo Luiz Caldas Leite, via Portal Maurício Grabois

“Yo soy un hombre sincero de donde crece la palma y antes de morirme quiero echar mis versos del alma. Oculto en mi pecho bravo la pena que me lo hiere: el hijo de un pueblo esclavo vive por él, calla y muere.” José Martí

Quando da chegada dos espanhóis a Ilha, em 1492, Cuba era habitada por indígenas. Há quem se refira piedosamente a essa realidade como o encontro de duas culturas. Os nativos foram utilizados em trabalhos rudes, enquanto a Espanha introduzia em Cuba a propriedade privada. O enriquecimento dos colonizadores apoiou-se na submissão imposta aos nativos e inserindo na Ilha o regime de servidão feudal. Os registros da sociedade produzida pelo açúcar e a história da escravidão têm interfaces de séculos com profundas marcas na sociedade cubana. Os negros alavancaram um desenvolvimento material discriminatório, mas com seu espírito de rebeldia semeou-se o caminho da independência.

Em 1868, no marco inicial das guerras de libertação, o colapso do colonialismo na Ilha era iminente, porque todas as classes sociais do país repudiavam o regime imposto. A burguesia açucareira cubana, ainda que colaborasse economicamente com a insurreição, estreitava seus contatos com os Estados Unidos. Esses fatos foram profundamente marcados pela trajetória de José Martí (1853-1895), o “apóstolo” nacional de Cuba, homem de pensamento aliado à ação, que soube vincular a beleza ao verso e à prosa. O jornalismo, conjugado com a atividade política, ocupou grande parte de suas atividades. Como professor, Martí ganhou a vida nas fases difíceis, mas não foi pedagogo no sentido estrito do termo, pois sua profissão foi a de advogado. Em seus 42 anos de vida, os temas educacionais ocuparam significativo espaço na obra de Martí. Como estudioso não apenas dos problemas da instrução em Cuba, mas de todos os países de continente americano, onde teve a oportunidade de viver, Martí elaborou um pensamento pedagógico, com a urgência das sonhadas repúblicas. A síntese desse ideário constitui, até hoje, um paradigma para a educação dos povos de Nuestra América. Martí possuía um referencial teórico – que evoluiu historicamente – no qual a Educação é concebida como uma estratégia para o desenvolvimento do homem, com base numa legítima cultura ajustada à realidade latino-americana, livre e integral, que ultrapasse as fronteiras do utilitarismo e as caricaturas de outras latitudes.

Martí iniciou sua participação política escrevendo a jornais separatistas. Com a prisão de seu mestre Rafael Mendive, cristalizou-se a atitude de rebeldia, que Martí nutria contra a dominação espanhola. Em 1869, foi condenado a seis anos de trabalhos forçados, mas passou somente seis meses na prisão, pois conseguiu permutar a pena pela deportação à Espanha. Dedicou-se ao estudo do Direito, obtendo o diploma em Filosofia e Letras na Universidade de Saragoza, no ano de1874. Entre 1881 e 1895, viveu em Nova Iorque, mas foi no México, na Guatemala e na Venezuela que alcançou o mais alto grau de identificação com a autoctonia da América, até o momento desconhecido para um filho de espanhol. Em 1882, trabalhou para La Nación da Argentina. Num confronto com tropas espanholas, em 19 de maio de 1895, nos alrededores do vilarejo de Dos Ríos, Martí foi alvejado. Seu corpo, mutilado e exibido à população, teve sepultamento na cidade de Santiago de Cuba. No final do século 19, com o exército mambí dissolvido, o povo cubano foi arrastado à profunda miséria, pois a luta contra o colonialismo não culminou com a vitória. Coerente com as dificuldades de sua época, a própria morte foi a expressão de seus princípios.

Segundo Martí, “pelear es una cosa y gobernar otra”. Das guerras da independência no século 19, a historiografia cubana permitiu mais do que uma mera relação de feitos militares e assuntos bélicos. A análise dos conflitos, por diversos ângulos ideológicos, mostra que suas consequências se estendem até os nossos dias. A herança do neocolonialismo predatório impôs a unidade, como estratégia política. A Revolução Cubana se inspirou nos ideais organizativos de Martí, denunciante em sua época da notória desunião das forças favoráveis à independência.

Decorridos 117 anos desde a queda em Dos Rios, o legado de Martí, com sua carga de ensinamentos, ainda desperta a clara consciência de que as contradições internas desencadearam a intromissão de forças expansionistas estadunidenses, mediante inúmeras tentativas para dominar a Ilha. A Revolução Cubana se inspirou nos ideais organizativos de Martí, denunciante em sua época da notória desunião das forças favoráveis à independência. Contudo, recorrendo às palavras do herói nacional de Cuba, “perder uma batalha não é mais do que a obrigação de ganhar outra”.

Maria do Carmo Luiz Caldas Leite é membro da direção municipal do PCdoB de Santos, professora de Física e mestre em Educação.

Novos ataques em Miami revivem os anos de terrorismo contra Cuba

Depois do incêndio em agência de turismo que fazia viagens a Cuba, a polícia e o FBI indicam que ato foi criminoso e investigam participação de grupos anticastristas na Flórida.


Há pouco mais de duas semanas, as instalações da Airline Brokers, uma agência de viagens de Miami especializada em voos a Cuba, foram destruídas por um incêndio de grandes proporções. Logo nas primeiras investigações, os peritos suspeitaram de uma sabotagem. Na terça-feira, dia 15, os bombeiros da cidade não deixaram dúvidas: o incêndio foi intencional e provocado por profissionais.

As chamas consumiram o interior da agência em menos de duas horas e foram aceleradas por um componente químico de alta volatilidade. De resto, na manhã do incêndio, um cão especializado em detectar explosivos ainda não tinha entrado dentro do escritório e já acusava a presença do acelerador químico das chamas. “Logo que ele chegou, sentou no chão três vezes. Era o sinal de que havia algo anormal neste incêndio”, comentou ao Opera Mundi um dos especialistas da agência antiterrorista do estado da Flórida, que pediu anonimato.

O FBI e os grupos antiterroristas locais foram chamados de imediato para analisar o caso porque, como recordou um dos seus membros, “desde os atentados do 11 de setembro, todos os casos suspeitos de terrorismo são passados a pente fino”. E Miami tem uma história nada simpática nesse sentido.

Entre as décadas 1970 e 1990, a capital do exílio cubano nos Estados Unidos foi alvo de uma intensa campanha de atentados terroristas que deixou um rastro de pelo menos dez mortos e mais de 50 imóveis destruídos. Foi uma guerra não-declarada por parte dos mais radicais anticastristas, que se sentiram incomodados com a política do governo cubano de reaproximação com os exilados que não promoviam uma política de hostilidade à Ilha.

Como reconheceu no início do mês o ex-agente da CIA Rolando Martinez (foto) “foram anos muito críticos e perigosos. Algumas organizações [contrarrevolucionárias] estavam incomodadas ao constatar o avanço nos Estados Unidos dos simpatizantes do castrismo”.

Na época a que Martinez se refere, o governo cubano realizou reuniões com setores moderados do exílio cubano. Foi assim que, em outubro de 1978, libertou 3.500 presos políticos e iniciou um processo chamado de “reunificação familiar”, e milhares de exilados regressaram a Cuba para rever seus parentes.

Em Miami, apareceram agencias de viajem especializadas em vôos a Cuba, as universidades começaram a intercambiar professores com as suas congêneres na ilha, abriram-se centros de estudos sobre as relações entre os Estados Unidos e Cuba. Para o sector extremista do exílio, este movimento significou uma espécie de “rendição ante Fidel”. E assim apareceu o terrorismo.

Começou então uma onda de atentados terroristas e uma campanha de calúnias contra todos os que participaram no processo de aproximação. O banqueiro que pediu a Fidel Castro que libertasse os 3.500 presos foi arruinado. A diretora de um centro de estudos sobre Cuba foi alvo de um atentado que destruiu parcialmente sua casa e a deixou para o resto da vida para cima de uma cadeira de rodas. Dois dos participantes nas conversações com o governo cubano foram assassinados.

Por isso é que agora as autoridades antiterroristas e o FBI varrem Miami à procura dos autores do incêndio na agência de viagens há duas semanas. “Não vamos voltar aos anos 70 e 80. Não descartamos nenhuma pista nem linha de investigação. O terrorismo acabou e é bom que se saiba. Isto é uma coisa que levamos bastante a sério”, disse uma fonte da equipe antiterrorista.

Miami em chamas
Segundo versões que circulam entre os jornalistas em Miami, a CIA também está atenta às investigações. A agência de inteligência norte-americana tem boas razões para isso porque, depois de tudo, a quase totalidade dos autores dos atentados terroristas em Miami, nas décadas de 70 e 80, foram treinados por ela em sua guerra contra a Revolução Cubana.

Martinez, de 82 anos e que esteve envolvido no escândalo Watergate, reconheceu isso há poucos dias, numa declaração muito franca. “Todo esse pessoal foi treinado em explosivos. Não para criar um terrorismo mas sim como um método de guerra contra Cuba”, disse o ex-agente da CIA a um canal de televisão.

As primeiras atividades terroristas começaram em Miami no início dos anos 1970. Em poucos meses, líderes da comunidade cubana pró e contra o regime de Fidel Castro passaram a ser assassinados. A violência era tanta que a polícia não tinha pessoal suficiente para atender todas as emergências. Parecia que o governo federal tinha perdido o controlo de uma parte do país.

Nessa época foram assassinados Rolando Masferrer, um anticastrista violento com grandes rivais dentro do exílio pelo seu passado comunista, e José Elias de la Torriente, considerado então o líder do exílio, mas sobre quem caiam fortes suspeitas de ter desviado fundos em proveito próprio e investidos numa urbanização. Uma bomba deixou inválido o locutor Emilio Milián, conhecido pelas suas críticas a essa onda de violência.

Orlando Bosch, autor do atentado do contra o avião da Cubana de Aviación que explodiu em pleno voo perto da ilha de Barbados em 1973, disparou uma bazuca contra um barco polonês ancorado no porto de Miami.

Deputados que querem suspender voos a
Cuba não vão reprovar ações de quem
pensa como eles, diz Lesnik
O jornalista Max Lesnik foi alvo de 11 atentados que destruíram paulatinamente as instalações de Réplica, a revista que criou e se distinguia pela sua independência dos poderes econômicos da cidade. No último atentado, a bomba não explodiu. Os investigadores encontraram as impressões digitais do exilado Eduardo Arocena, um indivíduo conhecido pela polícia por sua violência.

Arocena foi condenado em 1985 a prisão perpétua, por conspirar para cometer assassinatos depois que os investigadores encontraram em sua casa um deposito clandestino de armas de guerra.

Recrudescimento
Lesnik, que dirige a organização pró-cubana “Alianza Martiana”, teme que o incêndio na agência de viagens possa ser o regresso aos velhos tempos de violência em Miami. “Isto que aconteceu há duas semanas poderia ser o renascimento de uma corrente raivosa, vinda do passado, porque a nova geração de cubanos não pensa como aquela gente que fez de Miami a capital do terrorismo naquelas décadas”, afirmou.

Mas, ante esta possibilidade, o que mais o preocupa, é o silêncio que as autoridades políticas e municipais mantiveram perante o incêndio da “Airline Brokers”.

Este silêncio “serve para demonstrar de novo a simpatia ou a covardia dos funcionários públicos do Sul da Flórida, porque nenhum deles teve a valentia de condenar publicamente este ato criminoso que mancha a imagem de toda a comunidade de Miami”, afirmou o jornalista.

Lesnik recordou que todos os congressistas e senadores eleitos “apoiam o cancelamento das viagens a Cuba”, pelo qual “não se pode esperar que condenem a quem pensa como eles”.

Internet: Cabo de fibra ótica venezuelano chega a Cuba


O governo da Venezuela informou que o cabo de fibra ótica submarino conectado com Cuba está em funcionamento. Isso significa que a Ilha, antes dependente da telefonia via satélite, poderá acessar a internet com mais facilidade e rapidez. O bloqueio dos Estados Unidos impedia que Cuba ligasse cabos a outros países.

O ministro venezuelano do Poder Popular para a Ciência, Tecnologia e Inovação, Jorge Arreaza, lembrou na quinta-feira, dia 24, que o projeto, que custou US$70 milhões, tem um ano e soma 600 quilômetros de cabo da Venezuela até a Ilha, tendo ainda outros 236 quilômetros até a Jamaica.

“Agora basta Cuba acionar o cabo. É um país soberano, eles decidirão quando isso irá acontecer”, sublinhou. Ele também destacou que a capacidade do cabo submarino é de 640 gigabytes por segundo. O projeto foi executado pela empresa francesa Alcatel-Lucent.

Em coletiva de imprensa em Caracas, Arreaza recordou que a Venezuela já tem conexão por meio dessa tecnologia com Colômbia, Brasil e o Caribe. “Na Venezuela, o cabo submarino nos permite novas conexões e alimentar as redes internas de fibra ótica.”

Vídeo: Depoimento de ex-combatente explica ação cubana em Angola

Via Youtube, dica de Maria Leite

A Operação Carlota (Operación Carlota, em espanhol) foi o codinome da ação militar cubana em Angola, em 1975. O vídeo abaixo é o depoimento de William Chinelato, um ex-combatente, que faz uma síntese desta ação pouco conhecida no Brasil.

De maneira geral, o nome, Operação Carlota, apenas batiza o nome da ponte aérea Cuba–Angola de emergência que o governo da Havana realizou para ajudar o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) a manter seu poder em Luanda, capital angolana, e lá proclamar a independência de Angola, em 11 de novembro de 1975. No entanto, o que era para ser apenas uma intervenção de ajuda ao MPLA para expulsar do território angolano as tropas da União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), apoiadas pela África do Sul, e da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), apoiadas pelo Zaire, transformou-se numa intervenção de larga escala que duraria 16 anos e envolveu não apenas soldados cubanos, mas também médicos, engenheiros e professores.

É importante salientar que a Unita, o FNLA e o MPLA eram facções rivais que lutavam contra o colonialismo português, porém também lutavam entre si pelo controle da Angola pós-independente. Além das diferenças ideológicas (Unita: direita; FNLA: centro-direita; MPLA: esquerda), tais facções eram patrocinadas por rivais internacionais (Unita: África do Sul e Estados Unidos; FNLA: Zaire e China; MPLA: Cuba e União Soviética). Outro ingrediente explosivo nesta mistura eram as diferenças tribais que perpassavam tais grupos. Este, em resumo, foram os ingredientes que levaram à sangrenta e duradoura guerra civil angolana.

A ponte aérea de novembro de 1975 tinha o seguinte trajeto: as tropas e o material bélico cubanos eram embarcados em velhos aviões Britannia no aeroporto da cidade cubana de Holguín, o mais ocidental de Cuba. De Holguín os aviões partiam rumo a Luanda, com escalas em Bridgetown (capital de Barbados), Bissau (lembre-se que Fidel Castro enviou assessores militares cubanos para ajudar o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde em sua luta contra o colonialismo português na Guiné-Bissau) e em Brazzaville (capital do Congo, então sob um regime de inspiração comunista). A travessia sobre o Atlântico era a parte mais tensa, com os aviões cubanos pousando na África já quase sem combustível (principalmente após o governo de Barbados ter vetado o acesso aos aviões cubanos a seu território, veto esse feito sob pressão dos Estados Unidos).

O nome “Carlota” deve-se a uma escrava negra que liderou uma revolta de escravos contra o colonialismo espanhol na ilha de Cuba, em 1843. Carlota foi derrotada pelos espanhóis, mas morreu bravamente, com um facão na mão, sem se render. Em 1973, Fidel Castro realizou vários eventos em comemoração aos 130 anos da revolta de Carlota e o nome ficou-lhe na cabeça. Dois anos depois, Fidel não pensou duas vezes para batizar de “Carlota” o nome da operação de ajuda ao MPLA angolano.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Governo espanhol defende fim do bloqueio dos EUA a Cuba


O grupo Esquerda Unida (IU, sigla em espanhol) cobrou do governo espanhol “maior compromisso” dentro da União Europeia contra o bloqueio comercial, econômico e financeiro imposto a Cuba pelos Estados Unidos, para que nas Nações Unidas “se passe da condenação simbólica à exigência efetiva da legalidade internacional rompida pelo bloqueio”.

José Luis Centella, porta-voz da IU, manifestou seu repúdio ao bloqueio em documento entregue na semana passada ao presidente espanhol Mariano Rajoy.

Em resposta por escrito, o governo espanhol disse que o bloqueio “viola as regras básicas do comércio internacional e foi condenado em várias ocasiões pela Assembleia Geral da ONU.”

O governo espanhol também considerou que “é necessário acabar com esta política”, relata Reuters.

Em Belo Horizonte, ACJM/MG abre convenção estadual com show de música cubana


A Associação Cultural José Martí – MG realizará a abertura da Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba com a “Noite Cubana”, que acontecerá no Ponto Vermelho, na quinta-feira, dia 17, a partir das 21 horas, tendo como atração a banda Havana Cuatro.

A convenção, que será realizada nos 18 e 19 de maio, tem como objetivo discutir o movimento de solidariedade a Cuba e o apoio aos esforços de integração da América Latina, na luta por um mundo mais justo e solidário. É importante ressaltar que o dia 19 de maio é uma data especial para a memória da solidariedade a Cuba, pois neste dia caiu em combate o herói nacional cubano José Martí na luta pela independência de nossa América. Na convenção, também se iniciará os preparativos para a 20ª Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, em Salvador (BA).

Em 18 de maio, às 15 horas, será lançada a proposta para a criação da Frente Parlamentar Mineira Nossa América, iniciativa que será apresentada pelo cônsul de Cuba, Lázaro Mendez, na sala de Imprensa da Assembleia Legislativa.

A programação da Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba é a seguinte:

17 de maio, quinta-feira
21:00 – Noite Cubana – Ponto Vermelho, Rua Tupis, 1.448 – Barro Preto.

18 de maio, sexta-feira
15:00 – Criação da Frente Parlamentar Nossa América em reconhecimento ao legado do José Martí; Entrevista do cônsul de Cuba Lázaro Mendez na sala de Imprensa da Assembleia Legislativa.

19:00 – Abertura da Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba com show do Pedro Munhoz e participação do membro do consulado cubano – Auditório da AFFEMG, Rua Sergipe, 893.

19 de maio, sábado
Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba – Auditório da AFFEMG, Rua Sergipe 893.

8:30 – A Solidariedade como Valor – Um olhar de Minas, palestras de Sérgio Miranda e Maria José

10:00 – A Solidariedade como Valor – Internacionalismo, palestras do cônsul Lazaro Mendez e José Vieira

11:30– A cultura como mecanismo para romper o bloqueio, palestras de Pedro Munhoz e Magela Medeiros

Banda Havana Cuatro
Pepe Calderón, maestro e pianista cubano radicado no Brasil desde 1996 e contemporâneo do grupo Buena Vista Social Club, apresenta sua nova banda, a Havana Cuatro.

O repertório contempla autores cubanos conhecidos do público brasileiro, assim como clássicos da MPB com arranjo à “la cubana” interpretados por sua companheira brasileira, a cantora, compositora e violonista mineira Luna Mattos. A banda é completada por dois músicos brasileiros: Tom Santiago (percussão) e Eduardo (saxofones alto e soprano). É um repertório com muito swing, salsa, rumba, bolero e chá-chá-chá para ninguém ficar parado.

SERVIÇO
Local: Ponto Vermelho (Stonehenge Rock Bar)
Rua Tupis 1.448, Barro Preto
Horário: 21 horas
Entrada: R$10,00

ACJM/RS realiza a 7ª Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba

Vânia Barbosa

No sábado, dia 19 de maio, das 9 às 13 horas, a Associação Cultural José Martí/RS realiza, no Plenário João Neves da Fontoura (Plenarinho), da Assembleia Legislativa gaúcha, a 7ª Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba, atividade preparatória para o 10º Encontro Nacional, que ocorrerá de 24 a 27 de maio, no Centro de Convenções de Salvador (BA).

Na abertura, estarão presentes o cônsul cubano para Assuntos Comerciais, René Capote Forzate, e o representante do Instituto Cubano de Amizade entre os Povos (Icap), Fabio Simeón. A associação aguarda a participação de autoridades, militantes, representantes políticos, estudantes, sindicalistas e demais convidados das entidades solidárias com o povo cubano. O músico e ator Zé da Terreira realizará a atividade cultural.

Após a palestra de abertura, os participantes serão divididos nos seguintes grupos temáticos: “A integração latino-americana e caribenha: a amizade e a solidariedade entre esses povos”; “A luta permanente contra o bloqueio econômico a Cuba”; “A libertação dos Cinco heróis cubanos presos ilegalmente nos Estados Unidos e o combate à campanha midiática internacional”.

Às 13 horas, serão apreciadas as propostas apresentadas no encontro, que serão defendidas na 20ª Convenção Nacional de Solidariedade, na Bahia.

Mais informações estão no sítio www.josemarti.org.br. Os interessados poderão entrar em contato pelo telefone (51) 3224-4953 (à tarde) ou pelo endereço eletrônico acjmrs@gmail.com.

sábado, 5 de maio de 2012

Che Guevara: Como se consegue dinheiro oferecendo cabeças

Rudá Ricci em seu blog De esquerda em esquerda

Em 1961, Che Guevara proferiu um discurso irônico numa reunião realizada em Punta del Leste. Em determinada passagem dizia que os EUA estavam oferecendo dinheiro aos países latino-americanos, via a Aliança para o Progresso, em função de Cuba. Aquela história: se não fosse Cuba, não haveria tanta preocupação com o restante do continente. A passagem irônica de Che é assim:

“Una nueva etapa comienza en las relaciones de los pueblos de América”, dice, y es cierto. Sólo que esa nueva etapa comienza bajo el signo de Cuba, Territorio Libre de América, y esta Conferencia y el trato especial que han tenido las Delegaciones y los créditos que se aprueben, tienen todos el nombre de Cuba, les guste o no les guste a los beneficiarios, porque ha habido un cambio cualitativo en América, como es el que un país se pueda alzar en armas, destruir a un ejército opresor, formar un nuevo ejército popular, plantarse frente al monstruo invencible, esperar el ataque del monstruo y derrotarlo también.

E, assim, o mundo se repete. A diferença sempre incomoda quem está no poder. O melhor é a pasteurização. Para tanto, isola-se qualquer voz dissonante. E os cofres se abrem.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Em 5/5 todos pela libertação dos 5 heróis cubanos

Via Vermelho, com informações de Opera Mundi

O presidente do Assembleia Nacional do Poder Popular de Cuba, Ricardo Alarcón, voltou a pressionar na quinta-feira, dia 3, a Justiça norte-americana para que conceda liberdade aos prisioneiros conhecidos como os “Cinco heróis cubanos”. De acordo com o parlamentar, o pedido de habeas corpus em defesa deles que foi recentemente protocolado em uma corte de Miami é “a última possibilidade que oferece o sistema judicial norte-americano”. Todos os demais recursos, segundo ele, foram “esgotados”.

Para que essa medida tenha sucesso, Alarcón convocou uma “onda solidária” internacional em favor da liberdade dos Cinco heróis, como eles são conhecidos na e entre os movimentos de solidariedade, em forma de reivindicação popular.

“Levantemos a solidariedade internacional até criarmos uma onda impossível de ser contida. Que ela derrube o muro de silêncio e o povo norte-americano exija do presidente Barack Obama fazer o que pode e o que deve ser feito: conceder a liberdade imediata e incondicional [aos prisioneiros]”, declarou Alarcón.

Dois dias antes, em meio às celebrações do 1º de maio, a pauta do Encontro de Solidariedade com Cuba retomou as reivindicações pela libertação e retorno dos Cinco patriotas. Mais de mil delegados de diversas organizações sindicais e movimentos sociais assistiram ao evento.

Histórico
René Gonzalez, Ramón Labañino, Gerardo Hernandez, Antônio Guerrero e Fernando Gonzalez foram presos em 1998, acusados de espionagem. Em 2001, todos eles seriam condenados a penas que vão de 15 anos de detenção até a prisão perpétua, o que causou revolta entre organizações de direitos humanos.

Gonzalez foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu 13 e foi liberado por bom comportamento. Os demais seguem presos, mas três das sentenças foram revisadas. A de Ramón Labañino foi comutada para 30 anos, a de Antônio Guerrero para 22 anos e a de Fernando Gonzalez para pouco menos de 18 anos. Apenas a condenação de Gerardo Hernández não foi revista.

Na época, o comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro, disse que os “Cinco heróis” trabalhavam como agentes, não espiões. Sua missão, segundo o líder, era impedir atos terroristas contra a Ilha. Além disso, Fidel ressaltou que o caso não ameaçava a segurança dos EUA.

Reflexões de Fidel Castro: O Prêmio Nobel da Paz é uma vergonha para a humanidade

Via Cubadebate e lido e traduzido por Vermelho

Quase não falarei do povo cubano, que um dia apagou de sua pátria o domínio dos Estados Unidos, quando o sistema imperialista tinha alcançado o ponto culminante de seu poder.

Homens e mulheres das mais diversas idades desfilaram no 1º de Maio pelas praças mais simbólicas de todas as províncias do país.

Nossa Revolução surgiu no lugar menos esperado pelo império, em um hemisfério onde atuava como dono absoluto.

Cuba passou a ser o último país a livrar-se do jugo colonial espanhol e o primeiro a sacudir a odiosa tutela imperialista.

Penso hoje fundamentalmente na irmã República Bolivariana da Venezuela e sua luta heroica contra o saque impiedoso dos recursos com que a natureza dotou esse nobre e abnegado povo, que um dia levou seus soldados aos rincões afastados deste continente para pôr de joelhos o poderio militar espanhol.

Cuba não necessita explicar por que temos sido solidários, não só com todos os países deste hemisfério, mas também com muitos da África e outras regiões do mundo.

A Revolução Bolivariana tem sido também solidária com nossa pátria, e seu apoio a nosso país se converteu em um fato de grande importância nos anos do Período Especial. Essa cooperação, contudo, não foi fruto de nenhuma solicitação por parte de Cuba, como tampouco estabelecemos nenhuma condição aos povos que requeriam nossos serviços educacionais ou médicos. Em qualquer circunstância, teríamos oferecido a máxima ajuda à Venezuela.

Cooperar com outros povos explorados e pobres sempre foi para os revolucionários cubanos um princípio político e um dever com a humanidade.

Fico enormemente satisfeito ao observar, como observei na quarta-feira, dia 2, por meio da Venezuelana de Televisão e da Telesul, o profundo impacto que produziu no povo irmão da Venezuela a Lei Orgânica do Trabalho promulgada pelo líder bolivariano, o presidente da República, Hugo Chavez Frias. Jamais vi nada parecido no cenário político de nosso hemisfério.

Prestei atenção à enorme multidão que se reuniu em praças e avenidas de Caracas e, em especial, às palavras espontâneas dos cidadãos entrevistados. Poucas vezes vi, e talvez nunca, o nível de emoção e esperança que estes colocavam em suas declarações. Podia-se observar com clareza que a imensa maioria da população é constituída por trabalhadores humildes. Uma verdadeira batalha de ideias está sendo combatida com força.

Rafael Correa, presidente do Equador, declarou valentemente que mais do que uma época de mudança estamos vivendo uma mudança de época. Ambos, Rafael Correa e Hugo Chavez, são cristãos. Obama, porém, é o quê? Em que acredita?

Ao completar-se o primeiro aniversário do assassinato de Bin Laden, Obama compete com seu rival Mitt Romney na justificação daquele ato perpetrado em uma instalação próxima à Academia Militar do Paquistão, aliado dos Estados Unidos.

Marx e Engels nunca falaram em assassinar os burgueses. No velho conceito burguês os juízes julgavam, os verdugos executavam.

Não há dúvidas de que Obama era cristão; em uma das vertentes dessa religião aprendeu o ofício de transmitir suas ideias, uma arte que significou muito para ele em seu acelerado ascenso dentro da hierarquia de seu partido.

Na declaração de princípios da Filadélfia, em julho de 1776, afirmava-se que todos os homens nasciam livres e iguais e a todos seu criador concedia determinados direitos. Pelo que se conhece, três quartos de século depois da independência, os escravos negros continuavam sendo vendidos nas praças públicas com suas mulheres e filhos, e quase dois séculos depois Martin Luther King, prêmio Nobel da Paz, teve um sonho, mas foi assassinado.

O Júri de Oslo obsequiou seu prêmio e Obama tinha-se convertido quase em uma lenda. Não obstante, milhões de pessoas devem ter visto as cenas. O Prêmio Nobel Barack Obama viajou aceleradamente ao Afeganistão como se o mundo ignorasse os assassinatos massivos, a queima de livros que são sagrados para os muçulmanos e os ultrajes dos cadáveres das pessoas assassinadas.

Nenhuma pessoa honesta jamais estará de acordo com os atos terroristas, mas por acaso o presidente dos Estados Unidos tem o direito de julgar e de matar; de converter-se em tribunal e ao mesmo tempo em verdugo e levar a cabo tais crimes, em um país e contra um povo situado no lado oposto do planeta?

Vimos o presidente dos Estados Unidos subindo a trote os degraus de uma empinada escada, em mangas de camisa, avançar a passos acelerados por um corredor e depois parar para impingir um discurso a um numeroso contingente de militares que aplaudiam com relutância as palavras do ilustre presidente. Nem todos aqueles homens nasceram cidadãos norte-americanos. Eu pensava nos colossais gastos que isso implica e que o mundo paga, pois quem se responsabiliza por esse enorme gasto que já ultrapassa os US$ 15 trilhões? É isso que o ilustre Prêmio Nobel da Paz oferece à humanidade.

Fidel Castro Ruz
3 de maio de 2012
19h50

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Cuba: 1º de maio em fotos

Os trabalhadores cubanos compareceram em massa nas festividades de 1º de maio. Segundo notícias que chegam de Cuba, cerca de 3 milhões de pessoas – o país tem 11 milhões de habitantes – foram às ruas comemorar a data, a Revolução Cubana e o socialismo. No painel abaixo, encontram-se fotos das cidades de Havana, Cienfuegos, Tunas, Vila Clara, Santiago de Cuba, Holguin, Piñar del Rio, dentre outras.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Exaltando o socialismo, trabalhadores desfilam pelo 1º de maio em Cuba‎

Participaram o presidente Raul Castro e dirigentes do PC, do Estado, do governo e de organizações políticas e sociais

Via Opera Mundi e fotos Cubadebate

Centenas de milhares de trabalhadores e estudantes desfilaram neste 1º de maio em Havana com as cores da bandeira cubana pelo Dia Internacional dos Trabalhadores, tendo o socialismo como norte. Uma enorme faixa com a palavra de ordem “Preservar e aperfeiçoar o socialismo” liderou a marcha popular na esplanada da Praça da Revolução José Martí, da qual participaram o presidente Raul Castro e dirigentes operários do Partido Comunista, do Estado, do governo e de organizações políticas e sociais.

Em discurso, o ministro do Trabalho Salvador Valdes pediu aos trabalhadores cubanos que “continuem a trabalhar de forma ordenada, com disciplina e diligência”, enquanto o país passa por transformações. Os cubanos enfrentam amplas reformas que têm como objetivo impedir o colapso do sistema de planificação central, mas que não chegam ao ponto de transformar o país numa verdadeira economia de mercado.

O desfile iniciado às 7h29 (8h29 de Brasília) foi liderado por um bloco de trabalhadores da saúde em Havana, setor emblemático da cooperação internacional cubana, presente atualmente em 66 países. Vários participantes portavam as bandeiras das nações nas quais trabalham brigadas médicas cubanas, representadas em todos os continentes.

Bandeiras cubanas gigantes, cartazes referentes à celebração e as cores azul, vermelho e branco são os principais símbolos da manifestação, realizada simultaneamente em outras cidades do país. Agrupados em 23 blocos, membros dos sindicatos, muitos deles com símbolos de suas respectivas áreas (como bonecos representando enfermeiras, táxis, computadores e pás)marcharam diante do monumento ao herói nacional cubano José Martí.

Os manifestantes levavam fotografias do líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, e de revolucionários mundiais como Karl Marx e Vladimir Ilitch Lênin. Foram predominantes os cartazes com as imagens dos Cinco Patriotas antiterroristas Gerardo Hernandez, Ramón Labañino, Antônio Guerrero, Fernando Gonzalez e René Gonzalez, presos há mais de 14 anos nos Estados Unidos, bem como a exigência de sua liberdade e de seu imediato regresso ao país.


Por quase uma hora e meia, os participantes gritaram palavras de ordem em apoio à Revolução, ao socialismo e à liderança de Fidel Castro e Raul Castro. Cerca de 1.900 dirigentes sindicais de 209 organizações de 117 países presentes nos festejos estavam posicionados na tribuna, assistindo ao desfile de centenas de milhares de havanenses representando toda a população cubana.