quinta-feira, 28 de junho de 2012

5 heróis cubanos: René Gonzalez é ameaçado de morte nos EUA


Na quinta-feira, dia 28, a blogosfera cubana repercutiu a ameaça de morte sofrida por René Gonzalez, um dos conhecidos Cinco heróis cubanos.

René, depois de passar 13 anos na prisão, em 2011, foi colocado em liberdade condicional por outros três anos, porém está proibido de sair do território estadunidense. A ameaça ocorreu há dois dias, em programa de uma rádio de Miami, comandado pelo jornalista Edmundo García.

No programa se discutia o novo pedido feito pelo advogado de René, Philip R. Horowitz, à juíza do caso, Joan Lenard, para que fosse modificado o tempo final da liberdade condicional, sendo que com a renúncia da cidadania estadunidense, René pudesse retornar definitivamente para Cuba.

Como Edmundo Garcia narra em seu texto reproduzido na blogosfera da Ilha, o programa abriu espaço para a intervenção dos ouvintes, sendo-lhes perguntado qual a opinião sobre o assunto: se René deferia ou não retornar para Cuba.

De 25 chamadas, sete não se posicionaram; 16 foram a favor da libertação total de René; duas contra, opinando que deveria finalizar o tempo da prisão condicional; e uma, a mais séria de todas, com a explícita ameaça a integridade física de René:

Ouvinte: Que fique, eu quero que ele fique, e quanto mais sofrimento ele e família tenham, melhor para nós, que fique.

Edmundo Garcia: Ah, e quando ele deixou de viver nos Estados Unidos pode...

Ouvinte: Ele não vai ficar, ele não vai ficar. Olha o que aconteceu a Airline Brokers. Pode acontecer com ele também, igualzinho.

Edmundo Garcia: Ah, ah, como é interessante…

Ouvinte: Ele não é tonto, ele conhece…

Edmundo Garcia: Você está reconhecendo que haveria a intenção de fazer-lhe mal?

Ouvinte: É claro e com prazer, é claro…

Edmundo Garcia: Você acabou de dizer que estariam dispostos a assassiná-lo, não?

Ouvinte: Que lhe modifiquem a saúde! Que ocorra o que tem de ocorrer… Todo mundo sabe disso.

Edmundo Garcia: Você disse que há pessoas aqui que querem feri-lo e matá-lo?

Ouvinte: Claro, claro…

Edmundo Garcia, em seu texto, assinala a covardia do ouvinte anônimo, que evitou a palavra assassinato, utilizando do eufemismo “mudar a saúde” e menciona, ainda, outras manifestações dos direitistas de Miami, contra a libertação de René.

Informou, ainda, que mandou cópia do relato ao advogado de René, para providências.

O fato só demonstra que o ódio da máfia cubano-americana, contra qualquer um que defenda ou represente a Revolução, não tem limites, sendo o assassinato assumido como uma alternativa plausível.

América Latina, 50 anos depois

Emir Sader, via Carta Maior

Em 1962, os EUA impuseram à OEA a expulsão de Cuba desse organismo. A moção conseguiu 14 votos a favor, o voto contrário de Cuba, e 6 abstenções (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador e México). Mais tarde, já com o golpe militar de 1964 no Brasil, os EUA impuseram a ruptura de relações com Cuba, medida que foi seguida de forma subserviente por todos os governos do continente, menos o México.

Tudo isso se dava paralelamente à tentativa fracassada de invasão de Cuba por tropas mercenárias coordenadas pelos EUA, com o apoio direto da Nicarágua de Somoza e da Republica Dominicana de Trujillo, em 1961, e do cerco militar a Cuba, em 1962.

Para termos uma ideia de como mudou o continente desde então, praticamente todos os países retomaram relações com Cuba, a OEA decidiu convidar Cuba de volta ao organismo em 2009, mas o governo cubano se recusou ao que Fidel chamou de Ministério das Colônias dos EUA. E, ao mesmo tempo, o continente dispõe de organismos sem a participação dos EUA, como o Mercosul, a Unasul, o Banco do Sul, o Conselho Sul-Americano de Defesa, a Comunidade de Estados Latino-americanos. Já não existirão reuniões da Comunidade Ibero-Americana sem a participação de Cuba. A OEA sobrevive, mas com representação e legitimidade cada vez menores.

Em situações de crise como a do Paraguai, o Mercosul e a Unasul decidiram suspender a participação do governo golpista, em decorrência da cláusula democrática, acordada pelos governos que compõem esses organismos. Em outras, como o conflito da Colômbia com o Equador e a Venezuela, o Conselho Sul-Americano de Defesa encontrou a solução politica.

Os tempos passaram e mudaram, os EUA têm cada vez menos voz e aliados no continente. Como cantava Cuba: “Con OEA o sin OEA, y aganamos la pelea”.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Rio+20: Raul Castro defende desarmamento mundial

Com informações de agências

O presidente de Cuba, Raul Castro, defendeu o desarmamento durante seu discurso na plenária da Rio+20, Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, na manhã de quarta-feira, dia 21.

Raul afirmou que é preciso eliminar hegemonias para encontrar soluções para as atuais mudanças climáticas.

“Os países devem deixar o egoísmo de lado para poder buscar soluções porque agora todos vão pagar o preço”, afirmou o presidente citando os efeitos dos desequilíbrios da natureza.

Raul também deixou claro que o gasto militar total aumentou US$1,74 trilhão nas últimas duas décadas. “Esse gasto quase dobrou e em 1992 ainda ocorria a corrida armamentista adotada pelos países que se sentiam ameaçados. E agora, contra quem vão usar esse arsenal?”, indagou.

“Negociações falharam e a falta de um acordo que permita parar a mudança global é reflexo da falta de vontade política e incapacidade dos países desenvolvidos no sentido de agir de acordo com a responsabilidade histórica que têm e sua posição atualmente adotada”, criticou o presidente.

Raul pediu “sociedades mais justas” pelo fim das guerras. “Vamos parar com a guerra, em prol do desarmamento e destruir arsenais nucleares.”

“A única alternativa é construir sociedades mais justas, estabelecendo sociedade mais equitativa, baseada no direito de todos, garantindo às nações, especialmente as do sul, e colocando a ciência e tecnologia a serviço da salvação do planeta”, afirmou.

Raul Castro também citou o irmão Fidel, que presidia o país durante a Eco 92. “Cerca de 20 anos atrás, em 12 de junho de 1992, nesta mesma sala e recinto, o líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, disse: ‘Uma espécie biológica importante está em risco de desaparecer por conta do desaparecimento de seu hábitat, que é o homem’. O que poderia ser considerado alarmista, constitui uma realidade irrefutável. A falta de capacidade de transformar modelos de produção e consumo não sustentáveis traz ameaça do equilíbrio e regeneração de mecanismos naturais que sustentam a vida no planeta”, disse Raul.

Outros países latinos
Mais cedo, o presidente da Bolívia, Evo Morales, havia citado Fidel Castro na plenária. Ele criticou os países desenvolvidos e o capitalismo.

“Capitalismo é uma forma de colonialismo. Mercantilizarmos os recursos naturais e é uma forma de colonialismo dos países do sul, que sobre seus ombros carregam a responsabilidade de proteger o meio ambiente, que foi destruído no norte”, disse.

Para Evo, o ambientalismo é usado como arma do sistema capitalista. “O ambientalismo capitalista é uma forma de compromisso predatório, porque o compromisso de países de preservar a natureza para o futuro é algo imposto aos países pobres, enquanto os ricos se esforçam na destruição comercial do meio ambiente.”

“Nos querem criar um mecanismo de investimento para monopolizar e julgar nossos recursos. Acreditam que estão punindo o uso desses recursos com argumentos ambientalistas e as instituições são submissas, de modo que abrimos mão dos nossos recursos naturais para eles. Como o capitalismo promove o mercantilismo, o capitalismo da biodiversidade a torna em negócio. A vida não é um direito, é apenas mais um negócio para o capitalismo”, afirmou.

O presidente do Equador Rafael Corria falou de crise nos países desenvolvidos. “A raiz da crise na Europa e EUA, em parte, tem a ver com uma mudança do sistema. O problema são os mercados que administram o sistema, precisamos ter a sociedade governando.”

“Ontem uma jovem disse ‘tomara que não venhamos aqui para salvar nossa cara, mas sim nosso planeta’. Bom, o grupo dos 20 mais ricos no mundo se reuniu no México e 80% não vieram a esta conferência. Para eles não é importante e continuará sendo pouco importante enquanto não mudar essa relação de poder”, salientou Corria.
O presidente da Colômbia Juan Manuel Santos pediu que as metas para as sustentabilidades sejam adaptadas para a realidade de cada país. “Os compromissos da arena internacional precisam ser traduzidos para nosso país”, disse Juan Manuel Santos.

“Passou da hora de diagnósticos e espero que tenha chegado a hora de alcançarmos metas específicas. Os ODS [Objetivos de Desenvolvimento Sustentável] mostram que não estamos aqui em vão. O legado do Rio continua vivo para o benefício dessa geração e das futuras.”

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Anexionismo: A chave para entender o bloqueio dos EUA a Cuba

Fernando Mousinho, Via Vermelho

Numa breve abordagem vamos tentar contribuir para a compreensão dos primórdios do bloqueio dos EUA a Cuba. E demonstrar quanta falsidade e hipocrisia há na campanha que tenta convencer o mundo de que as razões do bloqueio radicam no que os EUA chamam de violações de direitos humanos, ausência de democracia, e a existência de uma revolução socialista a 145 quilômetros de seu território que atenta contra a segurança nacional do país.

As verdadeiras razões são encontradas na própria construção do império norte-americano, forjada à custa da brutal violência exigida pela sua política anexionista. Anexionismo que é também a chave para entender as motivações que levam o povo cubano a defender com amor e heroísmo a soberania e a independência do país.

Após a Declaração de Independência (1776), George Washington torna-se o primeiro presidente dos EUA. No século 19, o país expande seu território até o oceano Pacífico por meio da compra de possessões, de guerras e conquistas, inclusive de áreas indígenas.

Em 1803, a Louisiana é comprada da França. Em 1819, a Flórida é comprada da Espanha. Em 1823, o presidente James Monroe anuncia a Doutrina Monroe, assim sintetizada: “América para os americanos”. Entre 1846 e 1848, na guerra contra o México, os EUA ampliaram seu território em um quarto, enquanto o México perdeu aproximadamente metade do seu. Fato que gerou grande controvérsia moral dentro dos Estados Unidos. Conquistaram as regiões que compreendem os atuais estados norte-americanos da Califórnia, Nevada, Texas e Utah. Anexaram o Novo México e áreas dos estados do Arizona, Colorado e Wyoming. Novas migrações para o oeste, de 1850 a 1890, dizimaram inúmeras tribos indígenas matando mais de 1 milhão de índios. A conquista se estende até o Alasca, comprado da Rússia.

O Havaí é anexado em 1898. No mesmo ano, na guerra contra a Espanha, são conquistados territórios no Caribe (Guantânamo, em Cuba, e Porto Rico) e no Pacífico (Filipinas e Guam). Em 1903, os EUA provocam a independência do Panamá (que fazia parte da Colômbia) para obter mais facilmente a posse da Zona do Canal, entre o Atlântico e o Pacífico.

À Doutrina Monroe, é associada a doutrina do “Destino Manifesto”. Esta pregava serem os EUA destinados por Deus para conquistar e ocupar os territórios situados entre o Atlântico e o Pacífico. Marcos “legais” que nortearam e estimularam a política expansionista do país no continente.

Dentro desse contexto Cuba é tratada com especial atenção. Em 1767, portanto uma década antes das 13 colônias inglesas declararem sua independência, Benjamin Franklin observou a necessidade de colonizar o Vale do Mississipi: “[...] para ser usado contra Cuba o México”. Um anexionismo anunciado, só comparável à fanfarronice de Búfalo Bill. Sim, ele mesmo, o caçador de índio dos filmes de faroeste.

Em 1805, em nota ao ministro da Inglaterra em Washington, o presidente Thomas Jefferson expressou oficialmente seu interesse de apoderar-se de Cuba: “Em caso de guerra entre Inglaterra e Espanha, os Estados Unidos se apoderariam de Cuba por necessidades estratégicas de defender Louisiana e a Florida.”

Em 28 de abril de 1823, o secretário de Estado, John Quincy Adams (posteriormente presidente) envia instruções escritas ao ministro dos EUA na Espanha: “[...] Estas ilhas, Cuba e Porto Rico, por suas posições locais, são apêndices naturais do continente norte-americano, e uma delas, a ilha de Cuba, quase a vista de nossas costas, vem a ser, por muitas razões, de transcendental importância para os interesses políticos e comerciais de nossa União. É quase impossível resistir à convicção de que a anexação de Cuba a nossa República Federal será indispensável para a continuação da União.”

O pensamento anexionista dos EUA pode ser resumido na teoria da “fruta madura”: “[...] Porém, há leis de gravitação política como há as de gravitação física. E assim, como uma fruta separada de sua árvore por força do vento não pode, ainda que queira, deixar de cair no chão, Cuba, uma vez separada da Espanha e vedada a conexão artificial que as ligam, e incapacitada de manter-se por si só, tem que gravitar, necessariamente, em direção à União Norte-Americana, que, em virtude da própria lei, lhe será impossível deixar de admiti-la em seu seio.”

Em 18 de abril de 1898, o Congresso norte-americano, sem consultar as legitimas autoridades civis e militares que representavam o povo de Cuba em armas, autorizou a intervenção armada dos EUA na Guerra Hispano Cubana. Em 17 de julho de 1898, as tropas norte-americanas, sob o comando do general Shafter, ocuparam a cidade de Santiago de Cuba. Em 10 de dezembro de 1898, Espanha e os Estados Unidos assinam o Tratado de Paz, no qual a Espanha renuncia a todo o direito de soberania e propriedade sobre Cuba. Entregando-a, portanto, ao governo norte-americano.

Em 5 de dezembro de 1899, o presidente Mckinley, em sua mensagem ao Congresso norte-americano declarou: “Cuba ficará ligada a nós por vínculos de intimidade e força.” Os EUA governam Cuba até sua independência, em 1902. Mas conservam até 1934 o direito de intervir nos assuntos internos da Ilha, graças à Emenda Platt, introduzida à força pelos EUA na Constituição cubana. Com a abolição da Emenda Cuba passa de protetorado a neocolônia dos EUA. Esta é a situação encontrada pela Revolução, em 1959.

Se a posição geográfica de Cuba é de grande importância estratégica para os propósitos geopolíticos dos EUA, com relação à Espanha não foi diferente. A Espanha fez de Cuba a base de onde partiam suas incursões militares de conquista da América Central e da América do Sul. Além do mais, Cuba é historicamente considerada a “chave do Golfo”. Portanto, um entrave para os propósitos anexionistas dos EUA de ser proprietário de um ‘mediterrâneo’ no continente, onde ele trafegaria livre e absoluto do Atlântico ao Pacífico.

Esta rápida retrospectiva já bastaria tanto para explicar, como para legitimar a necessidade da Revolução Cubana de 1959 e sua vitalidade hoje. Mas é bom lembrar que, os EUA, a maior potência econômica do mundo, não podem falar de direitos humanos quando em seu território sobrevivem 30 milhões de miseráveis. Falar de democracia, muito menos. Um país que, dividido em classes sociais, as eleições se restringem a um bipartidarismo onde os partidos que se revezam no poder, “um da Boeing e o outro da Texaco”, são ambos representantes de uma só classe, a burguesa. Portanto, uma democracia biburguesa. Onde está a representação popular e dos trabalhadores? Uma democracia onde se estima que parcos 30% dos cidadãos são “eleitores ‘regulares’ em pleitos nacionais e estaduais”.

Que moral tem para falar de democracia e de direitos humanos um país que mantêm há mais de 100 anos uma base militar em território cubano, onde, recentemente, foi instalado um centro de tortura de presos sem processo formal? Que protege a máfia cubana-americana em seu território da Flórida, bem como suas ações terroristas contra Cuba. Como, por exemplo, a explosão do avião da Cubana de Aviação, em 1976, quando morreram 73 pessoas, na maioria jovens atletas cubanos e estrangeiros, e cujo protagonista, o cubano-venezuelano Posadas Carriles, desfila livremente nas ruas de Miami. Ao todo são 681 atentados terroristas em território cubano, que redundaram na morte de 3.478 pessoas. E os centenares de planos para assassinar o Comandante Fidel Castro? E a prisão dos Cinco cubanos antiterroristas?

Sem falar no desumano boqueio que já dura mais de 50 anos. O objetivo é asfixiar de todas as formas Cuba e promover o genocídio de mais de 11 milhões de seres humanos. Uma violência que tem custado à Ilha mais de US$750 bilhões, apesar de a Assembleia Geral da ONU deliberar, em 20 sessões consecutivas, pelo seu fim.

Nesse sentido são lúcidas as palavras do deputado e ex-embaixador cubano no Brasil, Jorge Lezcano Pérez: “Muito antes de Marx e Engels desenvolveram a teoria científica do marxismo e Lenin estabelecer o Primeiro Estado Obreiro e Camponês do mundo, desde os tempos em que Cuba era Colônia da Espanha, e, portanto, não era ainda uma nação livre, soberana e independente, e 192 anos antes do triunfo da Revolução Cubana, os EUA já haviam manifestado seu propósito de incluir nosso país entre seus estados preferidos, o que revela as verdadeiras raízes da cobiça de Cuba pelos Estados Unidos.”

Portanto, está evidente que as acusações de que em Cuba não há democracia nem respeito aos direitos humanos, é apenas um pretexto, uma forma encontrada pelos EUA para encobrir seus reais propósitos de anexar Cuba ao seu território.

Enquanto isso, a epopeia do povo cubano segue em frente. Depois da guerra da independência e combates pela libertação nacional e superadas as marcas do passado neocolonial, a Revolução reafirma sua disposição de seguir a rota traçada por José Martí e Fidel Castro. Garantir a soberania, o bem-estar popular, o progresso social, a liberdade e a realização plena da pessoa humana. Ou seja, preservar e aperfeiçoar o socialismo é a palavra de ordem.

Na atual conjuntura é dever de todo cidadão do mundo rechaçar o belicismo global dos EUA. Bem como denunciar sua infame cruzada propagandística contra Cuba, lutar pela libertação dos Cinco Heróis e pelo fim do bloqueio.

Fernando Mousinho é assessor técnico da liderança do PSB na Câmara dos Deputados.

STJ executa acordo inédito de cooperação para modernizar Justiça de Cuba


Os laços entre Brasil e Cuba chegaram ao Poder Judiciário. Foi assinado, na terça-feira, dia 13, pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Ari Pargendler, e pelo embaixador de Cuba, Carlos Zamora, um acordo de cooperação técnica entre o STJ, o Tribunal Supremo Popular da República de Cuba e o Ministério do Comércio Exterior e de Investimento Estrangeiro, com vistas a implementar um projeto de apoio à modernização tecnológica dos tribunais populares cubanos.

É a primeira vez que o STJ executa um projeto desta natureza, fato que foi destacado pelo presidente da Casa, ministro Ari Pargendler. “Estamos coroando um processo que começou há alguns meses. O STJ se sente muito honrado pela confiança depositada no Tribunal, como executor deste acordo, pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores. Afinal, o Itamaraty é uma referência no serviço público, motivo de orgulho para os brasileiros”, apontou.

Boas práticas
Ari Pargendler destacou o esforço conjunto do corpo técnico da Secretaria de Tecnologia, da Assessoria de Relações Internacionais e do diretor-geral do Tribunal, Sílvio Ferreira, para a concretização do intercâmbio de experiências entre o STJ e o Tribunal Supremo Popular de Cuba. “Este acordo é emblemático porque visa aprimorar o sistema judicial cubano. Espero que a cooperação resulte em um grande sucesso para todos”, afirmou o ministro.

A cerimônia de assinatura, que também ratificou um ajuste complementar do acordo de cooperação científica, técnica e tecnológica firmado em 1987 pelos governos dos dois países, contou com a presença dos ministros Laurita Vaz, Massami Uyeda e Castro Meira, todos do STJ, e também do diretor da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores, ministro Marco Farani.

“Cuba é um parceiro importante na cooperação técnica”, declarou Farani. “Já são 18 acordos. O Brasil quer compartilhar suas boas práticas para construir um mundo mais justo para todos. O STJ é um exemplo de instituição forte, de ferramenta democrática. Vamos aprender ao ensinar e trazer de volta outros conhecimentos”, acrescentou.

Ao saudar o acordo, o embaixador de Cuba disse que o povo de seu país precisa de agilidade, eficiência e transparência no sistema judicial e que o STJ vai auxiliar o Poder Judiciário cubano a vivenciar as experiências que já estão dando certo no Brasil. “A integração entre os dois poderes judiciais é de suma importância, pois aprofunda os vínculos, que agora são claramente mais do que afetivos, entre os dois países”, finalizou.

Ato solidário exalta liberdade aos Cinco heróis cubanos

Deborah Moreira, via Vermelho

Cerca de 500 pessoas participaram do Ato em Solidariedade aos Povos Latino-americanos, na Tenda da Plenária 3, de Soberania Alimentar, da Cúpula dos Povos, na segunda-feira, dia 18. Na mesa, representantes de movimentos sociais de diversos países latino-americanos. Na plateia, a solidariedade com a causa dos Cinco heróis cubanos. Uma carta pedindo a libertação dos patriotas será enviada ao presidente Barack Obama, assinada por centrais sindicais e organizações presentes.

Pelo Brasil, o monge beneditino Marcelo Barros, pernambucano que trabalhou com Dom Hélder Câmara e que milita pela população mais pobres. Do Haiti, Chavannes Jean Baptiste, do Movimento Camponês de Papaye; do Paraguai Perla Alvarez, da União dos Povos; e Jesus Cegarra da Venezuela; e Salvador Zúñega, da Frente Nacional de Resistência de Honduras e Carlos Rafael Zamora, embaixador de Cuba no país.

“O ato foi dedicado fundamentalmente a uma causa muito nobre, a da libertação dos cinco presos cubanos nos Estados Unidos. Todos os oradores presentes fizeram um clamor por sua liberdade. Creio que outro elemento do ato foi a combatividade, e aqui mostrou-se a fibra de luta do povo da América. Todos os que falaram aqui, desde Haiti, até brasileiro Marcelo Barros, todos coincidem em um ponto comum: que os povos sigam lutando por sua independência, sua liberdade para a preservação da humanidade, neste momento em que se vive a crise capitalista e dos países desenvolvidos”, declarou ao Vermelho o embaixador cubano.

Ele lembrou que durante a Cúpula dos Povos será feito um chamamento por todos os movimentos sociais para pedir ao presidente dos Estados Unidos (EUA), Barack Obama, a libertação dos cinco cubanos. “Agradecemos muito em nome de seus familiares, mulheres, filhos e em nome do nosso povo cubano”, disse Rafael Zamora, referindo-se a uma carta que será assinada por centrais sindicais e organizações presentes na Cúpula, e enviada ao presidente dos EUA.

Sobre o encontro dos movimentos sociais, que acontece ao mesmo tempo da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, o diplomata cubano lembrou que a Revolução acontece a partir dos movimentos de massa, do povo.

“Os povos precisam mobilizar para defender o direito da humanidade existir. Há um caminho que leva a depredação e exploração, traçado pelo imperialismo das grandes potencias desenvolvidas. Estão seguindo por um caminho sem saída. Faz 20 anos que Fidel proclamou que a espécie humana estava em perigo de extinção. Hoje essa é uma verdade que está mais clara. Mais evidente. Estudos científicos mostram que não temos muito tempo. Há interesses muito grandes, movidos pelo egoísmo e pelo sistema capitalista, que não admitem mudar os padrões de produção consumo, que levaram a Terra a seus limites. Temos que lutar e essa luta não é só dos governos, é preciso levar essa luta para as ruas, para o povo”, declarou Zamora.

O presidente da União de Negros e Negras por Igualdade (Unegro), Edson França, contribuiu com o ato, representando o movimento negro brasileiro.

“Aqui estamos homenageando os povos que têm enfrentado a dura luta por uma sociedade melhor. Viemos prestar nossa solidariedade, nosso compromisso com a unidade continental, com a América Latina, com a construção do socialismo. É preciso reconhecer a luta desses povos, denunciar o que está acontecendo nesses países. Esse é o compromisso dos comunistas na América Latina”, declarou Edson França, presidente da União de Negros e Negras pelo Brasil (Unegro), que marcou participação no ato de solidariedade.

Ao Vermelho, Edson destacou a Colômbia, que foi bastante mencionada no ato, por estar sofrendo de maneira mais acentuada, e Cuba, vítima de um bloqueio econômico feroz dos Estados Unidos e países desenvolvidos. “É um estado beligerante, que tem atentado contra a vida dos movimentos sociais e seus povos, criminalizando, assassinando, é importante trazer a luz esse tratamento do governo colombiano. Também foi manifestada a solidariedade à Cuba, símbolo de resistência. Mas, também lutamos para além da resistência, para a construção de uma vida digna aos cubanos e sua integração ao continente. Vale ressaltar Honduras, que está vivendo um governo ilegítimo, apontado pela elite, não eleito pelo povo. Sofreu um golpe militar e vive um estado de não democracia”, apontou França, que também é historiador.

João Batista Lemos, vice-presidente da Federação Sindical Mundial e secretário adjunto de Relações Internacionais da CTB, lembrou as intenções estadunidenses com relação à Colômbia.

“Os Estados Unidos e seus aliados querem transformar a Colômbia em um novo estado de israel aqui em nosso continente, como Israel atua na Palestina em defesa dos interesses do imperialismo. Por isso, estamos solidários com a marcha patriótica e que procure uma saída política para o conflito armado naquele país. Também estamos em solidariedade com a revolução bolivariana da Venezuela também solidários a Cuba e pela liberdade dos cinco patriotas”, declarou Batista que também representa o Encontro Sindical Nossa América.

Lançamento
O livro do comandante Fidel Castro, O Direito da Humanidade de Existir, foi lançado na terça-feira, dia 19, no Sindicato dos Bancários de São Paulo.

“O livro abre com sua posição [de Fidel Castro] feita há 20 anos, aqui no Rio, e depois vai discorrendo sobre a evolução, com reflexões que vem fazendo nesses últimos anos sobre esse tema que precisamente é objeto desta Cúpula, sobre o meio ambiente e desenvolvimento sustentável, creio que o livro constitui um aporte importante com experiência de um homem de experiência como Fidel, cuja experiência leva uma mensagem de luta e esperança, e de batalha. Porque nosso dever é lutar”, comentou o embaixador cubano sobre a obra.

O dia em que nocauteei Teófilo Stevenson

O nocaute e a nobreza do pugilista Teófilo Stevenson.

Luís Augusto Simon, no Blog do Menon

Em 1991, estava cobrindo os Jogos Pan-Americanos em Havana. O clima era de total euforia no País. Cuba ganhava medalha após medalha – ficou em primeiro lugar, na frente dos Estados Unidos – e o boxe era o carro-chefe. Eram 12 categorias – hoje são dez – e Félix Savón, dos pesados, era o mais aplaudido. Só perdia para a lenda Teófilo Stevenson, tricampeão olímpico e mundial. Quando chegava ao estádio, seu nome era gritado por todos os presentes. Um ídolo.

Estava, como todos os jornalistas, no Havana Libre, então o melhor hotel de Cuba. Era o antigo Hilton, expropriado pela Revolução. Hoje, foi privatizado e pertence a uma rede espanhola. Um dia, peguei o elevador, junto com o amigo Moacyr Ciro, e ele estava lá. Teófilo Stevenson. Ficamos sem graça, olhando para o mito, sem saber o que dizer.

Acho que olhamos tanto que ele resolveu tomar a iniciativa de conversar. “Olá”, disse. Foi a senha.

Imediatamente pedimos para tirar fotos. Ele atendeu com a maior simpatia. Quando fui chegando perto, ele disse, com jeito brincalhão:

– Vamos fazer diferente. Me dê um murro.

Fiquei um pouco assustado e tímido. Então, ele esclareceu para o estúpido aqui:

– Um murro de brincadeira. E tiramos a foto.

Na saída do elevador, ele me chamou. Olhei e ouvi:

– Viva o Brasil, país amigo.

Me lembrei disso há dois dias quando soube da morte de Stevenson, por um ataque cardíaco. O site www.jit.com o definiu como um “homem do povo”. Era isso mesmo, um herói popular. Amado por seus jabs, ganchos e cruzados, mas também, por muitos, por haver se recusado a lutar com Muhammad Ali, que se declarou seu fã.

Em 1975, Stevenson lutou contra o brasileiro Jair Campos, no Pan-Americano do México. Foi um massacre. Observem no vídeo abaixo. Mas o que mais me impressionou foi a delicadeza de Stevenson após o nocaute. Ajudou a carregar Jair até o córner e fez agrados em sua cabeça.

Um gesto de nobreza que nem é tão incomum no boxe. Algo que eu não consigo ver no UFC, por exemplo.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

14 de junho de 2012: Che Guevara faria 84 anos

O texto a seguir foi publicado no sítio da Red Informativa Virtin em 5 de junho de 2008, data em que o comandante Ernesto Che Guevara completaria 80 anos. O blog Síntese Cubana fez uma adaptação para a data de hoje.

Seremos sempre Che
Hoje, dia 14 de junho, Che completa 84 anos. Sua vida foi um exemplo de luta, de desprendimento, de entrega total pelos mais excluídos de qualquer parte do mundo. Cada momento de sua vida, sempre com sua sensibilidade social aliada a sua consciência política, esteve a serviço dos povos de todo o mundo. Às vezes, era argentino e cubano, em outras, boliviano e africano. Atualmente, é patrimônio de todos os revolucionários e de todos os que almejam um mundo melhor para seus filhos e para os filhos de seus filhos. Depois de se formar em medicina, cuidou de leprosos e pegou em armas para o triunfo da Revolução Cubana ao lado de Fidel, Raul, Camilo, Almeida dentre outros contra a ditadura de Batista apoiada pelos Estados Unidos. Promoveu o trabalho voluntário para fortalecer a Pátria de todos: Cuba. Recebeu grau de comandante no combate diário contra o inimigo da humanidade.

Sempre teve em mente que o êxito e a estabilidade da Revolução Cubana dependiam da solidariedade e da luta de todos os povos do mundo. Decidiu lutar na Bolívia e sonhava que a revolução também se cristalizasse na Argentina. Em solo boliviano, a terra consentida de Simón Bolívar, Che foi ferido e preso por soldados bolivianos e norte-americanos. A CIA ordenou que fosse assassinado, acreditando, erroneamente, que matando Ernesto “Che” Guevara acabaria com o seu exemplo. Para nós, Che não está morto. Ele vive na luta e na esperança dos povos e está ao lado de todos aqueles que morreram com dignidade na grande batalha por sua segunda independência, não mais contra o colonialismo espanhol, que foi derrotado por Bolívar, San Martín, Artigas e todos os patriotas da Grande Pátria, mas sim contra o imperialismo norte-americano. O pensamento de Che é o que devemos sempre resgatar para as novas gerações. Che não está apenas estampado numa camiseta, numa moeda, numa bandeira ou numa fotografia, ele está vivo porque suas idéias ainda perduram. Sempre pensei, e posso estar equivocado, que para fazer uma poesia, uma música ou uma frase requer um grande poder de síntese. Dizer em poucas palavras muita coisa não é tarefa fácil, ainda que possa parecer. Por isso, convido-os a ler, cronologicamente, algumas frases de Che que sempre me impressionaram. Todos nós sabemos que Che disse muito mais coisas do que as que aqui estão. Espero que não tenha me equivocado muito ao mergulhar em seus escritos e resgatar as frases que coloco para a apreciação de todos os amigos da Red Informativa Virtin.

17 de outubro de 1959
“É necessário unir-se ao grande exército dos que fazem, deixando de lado essa pequena patrulha dos que apenas dizem.”

26 de outubro de 1959
“O povo cubano, frente à agressão, sabe escolher seu caminho de sacrifício, de sangue, de dor, porém de vitória. Uma vez mais, atacará de frente seus traidores, enfrentará a agressão e dará um passo adiante e outro mais, o que o coloca bem à frente de todos os países das Américas.”

20 de março de 1960
“Hoje podemos dizer sem ser caricato que as companhias ou as grandes empresas jornalísticas dos Estados Unidos e seus porta-vozes dão o grau de importância e de honestidade de um governante apenas invertendo algumas palavras. Quanto mais um governante é atacado, melhor será. Indiscutivelmente, temos o privilégio de sermos, hoje, o país e o governo mais atacados.”

14 de junho de 1960
“Fidel nos deixou claro que o melhor dirigente não é aquele que consegue o pão de hoje para seus companheiros. O melhor dirigente é aquele que busca todos os dias o pão para todos.”

1º de julho de 1960
“Nós, que pela força das circunstâncias conduzimos a Revolução, não somos os donos da verdade nem de toda a sabedoria do mundo. Nós temos de aprender sempre. O dia em que deixarmos de aprender ou que tenhamos perdido nossa capacidade de contato ou de intercâmbio com o povo e com a juventude, será o dia em que deixaremos de ser revolucionários e o melhor que vocês podem fazer é nos colocar para fora.”

19 de agosto de 1960
“Não devemos chegar ao povo dizendo: ‘Aqui estamos. Viemos para lhes dar o benefício de nossa presença, ensinar com nossa ciência, para apontar seus erros, sua falta de cultura e de conhecimentos elementares.’ Devemos chegar com vontade investigativa e com espírito humilde para aprender na grande fonte de sabedoria que é o povo.”

15 de outubro de 1960
“Quando alguém for divulgar a ideologia desta Revolução, que diga também como os que têm na mente o cumprimento de todas as normas e regras... O homem que não for capaz de ser um exemplo vivo não serve para este tipo de missão que vocês vão ingressar.”

9 de agosto de 1961
“... Estou convencido que tenho uma missão a cumprir no mundo. Por essa missão, tenho de deixar de lado meu lar, sacrificar todos os prazeres cotidianos que um cidadão comum possui, minha segurança pessoal e, quem sabe, perder minha própria vida. Porém, é um compromisso que tenho com o povo e penso, sinceramente, que não posso me afastar dele até o final de minha vida.”

8 de janeiro de 1962
“O melhor ensinamento revolucionário que pode existir é mostrar, por meio de exemplo, o caminho do cumprimento do dever. O fundamental é que sejamos capazes de fazer a cada dia algo que aprimore o que foi feito no dia anterior. Por minúsculo que seja, por pequeno que seja, quando somarem os milhares de homens que trabalham aqui e quando ao esforço desses milhares de homens se somarem os aperfeiçoamentos diários, por menores que sejam, dos milhares e milhares, e agora milhões de homens que trabalham em todo o país, os resultados serão extraordinários.

31 de janeiro de 1962
“Não se pretende que cada texto seja memorizado e, depois, seus conceitos sejam aplicados como uma fórmula pronta. O importante é ensinar a pensar.

“Não é pecado cometer erros, pecado é voltar a cometê-los, pecado é escondê-los e não analisá-los. Nós temos de mergulhar em nossos erros, pisar sobre eles, analisá-los para que não se repitam.

“O homem que caminha na frente impulsiona os demais a o alcançar. Dessa forma, o homem que vai à frente estimula os demais para que o alcancem, atrai os demais a seu patamar muito mais do que aquele que por trás empurra somente com palavras.

16 de março de 1962
“Devemos aperfeiçoar o trabalho voluntário de forma que não seja somente um fator de crescimento da produção, mas também possa ser convertido em fonte de educação para as massas e de aproximação com os camponeses, levando a cooperação entre a cidade e o campo ao máximo.”

30 de abril de 1963
“Somos uma vitrina, somos um espelho que os povos da América tomam como exemplo. Por isso, a cada dia, teremos de trabalhar para fazer maiores nossos acertos e pequenos nossos erros.
“Nosso caminho não é simples. Está cheio de perigos e cheio de dificuldades. O imperialismo está escondido em cada curva do caminho, esperando o momento de uma fraqueza para lançar-se sobre nós; os reacionários de toda a América estão esperando até as próprias manifestações oficiais de nossos erros para publicá-las com felicidade.”

29 de setembro de 1963
“Não temos nos afastado da confrontação tampouco da discussão. Sempre estamos abertos a discutir todas as idéias. A única coisa que não permitimos é a chantagem das idéias ou a sabotagem da Revolução.
“Porém, vocês, estudantes do mundo inteiro, não se esqueçam nunca que por trás de cada ação existe alguém que a garante; que esse alguém é uma sociedade; e que, nessa sociedade, ou se está com ela ou se está contra ela; que no mundo existem os que pensam que a exploração é boa, outros que pensam que é ruim e temos de acabar com ela; e que, ainda assim, quando não se fala de política em nenhum lugar, o homem político não pode renunciar a essa situação inseparável a sua condição de ser humano.”

14 de março de 1964
“O tempo é nosso, está lá na nossa frente, e ninguém nos tem exigido que tenhamos de saber isso ou aquilo em tal ou qual tempo. O que se exige – e o exigimos todos – é saber um pouco mais a cada dia. Esse é o espírito que deve prevalecer.”

17 de maio de 1964
“Poderia parecer pedante, absurdo, que se peça uma luta de morte entre a pequena Cuba e o gigantesco império dos Estados Unidos da América. Mas não é uma luta entre dois países; é uma luta entre duas ideologias e dois modos de pensar diametralmente opostos.

“A luta entre aqueles que querem viver da exploração, discriminando os homens pela cor de sua pele, por sua religião, pelo dinheiro que possuem, e a luta daqueles que buscam que todos os homens sejam iguais, que todas as oportunidades sejam as mesmas.

“Um homem não pode seguir uma ação se não puder ser o exemplo, o sentido da responsabilidade para o futuro. O que se trata em determinado momento é o presente e isso está sintetizado na frase de Fidel – ‘Vale mais um exemplo do que um homem’ –, quando em 1956 falou: ‘Seremos livres ou mártires.’”

11 de dezembro de 1964, no uso do direito de réplica na ONU, nos Estados Unidos
“... Eu nasci na Argentina, não é segredo para ninguém. Sou cubano e também sou argentino e, sem ofender as ilustríssimas senhorias da América Latina, me sinto tão patriota da América Latina, de qualquer país da América Latina, que, no momento em que for necessário, estaria disposto a entregar minha vida pela libertação de qualquer um dos países latino-americanos, sem pedir nada em troca, sem exigir nada, sem explorar ninguém.

“… Nós podemos dizer o que tantas vezes temos dito como sentenciou Martí, de que todo homem verdadeiro deve sentir na cara o golpe dado na cara de qualquer homem. Isso, senhores representantes, o povo inteiro de Cuba sente assim.”

24 de fevereiro de 1965 na Argélia
“Não existe fronteiras nesta luta de morte; não podemos permanecer indiferentes frente ao que ocorre em qualquer parte do mundo; uma vitória de qualquer país sobre o imperialismo é uma vitória nossa, como também a derrota de qualquer nação é uma derrota nossa.

“Sejam sempre capazes de sentir fundo qualquer tipo de injustiça contra qualquer indivíduo. Essa é a qualidade mais linda do revolucionário.”

16 de abril de 1967
“Cada gota de sangue derramada num território sob uma bandeira que não seja a do país que se nasceu tem de servir de experiência para ser aplicada em seguida na luta pela libertação de seu lugar de origem. E cada povo que se liberta, é uma fase da batalha pela libertação do próprio povo que foi derrotado.

“Nos sentimos orgulhosos de ter aprendido com a Revolução Cubana e com seu dirigente máximo a grande lição que emana de sua atitude nesta parte do mundo: ‘O que importam os perigos ou os sacrifícios de um homem ou de um povo quando está em jogo o destino da humanidade?’”

“Em qualquer lugar que a morte nos surpreenda, bem-vinda seja, desde que esse nosso grito de guerra tenha chegado até a um ouvido receptivo.”

O título deste artigo é a reprodução do compromisso dos pioneiros cubanos que dizem em voz alta: “Seremos como o Che”.

Nessa batalha de todos os dias, devemos ensinar às novas gerações a ser como Che. A viver e a triunfar como aconteceu com Che em Vila Clara. Mas, se for para morrer na luta contra o império e contra as oligarquias, devemos morrer com a mesma dignidade de Che, quando disse para seu assassino: “Dispara, que a quem vais matar é um homem.” O hino de Cuba diz, em uma de suas estrofes, que morrer pela pátria é viver.

Assim foram feitos homens como Martí, Sandino, Allende, Camilo Torres, Che e muitos outros que hoje são símbolos irremovíveis e admirados por toda a humanidade. Sim, amigos, hoje Che, o nosso querido Che, completa 84 anos.

Até a vitória, sempre!