quinta-feira, 14 de junho de 2012

14 de junho de 2012: Che Guevara faria 84 anos

O texto a seguir foi publicado no sítio da Red Informativa Virtin em 5 de junho de 2008, data em que o comandante Ernesto Che Guevara completaria 80 anos. O blog Síntese Cubana fez uma adaptação para a data de hoje.

Seremos sempre Che
Hoje, dia 14 de junho, Che completa 84 anos. Sua vida foi um exemplo de luta, de desprendimento, de entrega total pelos mais excluídos de qualquer parte do mundo. Cada momento de sua vida, sempre com sua sensibilidade social aliada a sua consciência política, esteve a serviço dos povos de todo o mundo. Às vezes, era argentino e cubano, em outras, boliviano e africano. Atualmente, é patrimônio de todos os revolucionários e de todos os que almejam um mundo melhor para seus filhos e para os filhos de seus filhos. Depois de se formar em medicina, cuidou de leprosos e pegou em armas para o triunfo da Revolução Cubana ao lado de Fidel, Raul, Camilo, Almeida dentre outros contra a ditadura de Batista apoiada pelos Estados Unidos. Promoveu o trabalho voluntário para fortalecer a Pátria de todos: Cuba. Recebeu grau de comandante no combate diário contra o inimigo da humanidade.

Sempre teve em mente que o êxito e a estabilidade da Revolução Cubana dependiam da solidariedade e da luta de todos os povos do mundo. Decidiu lutar na Bolívia e sonhava que a revolução também se cristalizasse na Argentina. Em solo boliviano, a terra consentida de Simón Bolívar, Che foi ferido e preso por soldados bolivianos e norte-americanos. A CIA ordenou que fosse assassinado, acreditando, erroneamente, que matando Ernesto “Che” Guevara acabaria com o seu exemplo. Para nós, Che não está morto. Ele vive na luta e na esperança dos povos e está ao lado de todos aqueles que morreram com dignidade na grande batalha por sua segunda independência, não mais contra o colonialismo espanhol, que foi derrotado por Bolívar, San Martín, Artigas e todos os patriotas da Grande Pátria, mas sim contra o imperialismo norte-americano. O pensamento de Che é o que devemos sempre resgatar para as novas gerações. Che não está apenas estampado numa camiseta, numa moeda, numa bandeira ou numa fotografia, ele está vivo porque suas idéias ainda perduram. Sempre pensei, e posso estar equivocado, que para fazer uma poesia, uma música ou uma frase requer um grande poder de síntese. Dizer em poucas palavras muita coisa não é tarefa fácil, ainda que possa parecer. Por isso, convido-os a ler, cronologicamente, algumas frases de Che que sempre me impressionaram. Todos nós sabemos que Che disse muito mais coisas do que as que aqui estão. Espero que não tenha me equivocado muito ao mergulhar em seus escritos e resgatar as frases que coloco para a apreciação de todos os amigos da Red Informativa Virtin.

17 de outubro de 1959
“É necessário unir-se ao grande exército dos que fazem, deixando de lado essa pequena patrulha dos que apenas dizem.”

26 de outubro de 1959
“O povo cubano, frente à agressão, sabe escolher seu caminho de sacrifício, de sangue, de dor, porém de vitória. Uma vez mais, atacará de frente seus traidores, enfrentará a agressão e dará um passo adiante e outro mais, o que o coloca bem à frente de todos os países das Américas.”

20 de março de 1960
“Hoje podemos dizer sem ser caricato que as companhias ou as grandes empresas jornalísticas dos Estados Unidos e seus porta-vozes dão o grau de importância e de honestidade de um governante apenas invertendo algumas palavras. Quanto mais um governante é atacado, melhor será. Indiscutivelmente, temos o privilégio de sermos, hoje, o país e o governo mais atacados.”

14 de junho de 1960
“Fidel nos deixou claro que o melhor dirigente não é aquele que consegue o pão de hoje para seus companheiros. O melhor dirigente é aquele que busca todos os dias o pão para todos.”

1º de julho de 1960
“Nós, que pela força das circunstâncias conduzimos a Revolução, não somos os donos da verdade nem de toda a sabedoria do mundo. Nós temos de aprender sempre. O dia em que deixarmos de aprender ou que tenhamos perdido nossa capacidade de contato ou de intercâmbio com o povo e com a juventude, será o dia em que deixaremos de ser revolucionários e o melhor que vocês podem fazer é nos colocar para fora.”

19 de agosto de 1960
“Não devemos chegar ao povo dizendo: ‘Aqui estamos. Viemos para lhes dar o benefício de nossa presença, ensinar com nossa ciência, para apontar seus erros, sua falta de cultura e de conhecimentos elementares.’ Devemos chegar com vontade investigativa e com espírito humilde para aprender na grande fonte de sabedoria que é o povo.”

15 de outubro de 1960
“Quando alguém for divulgar a ideologia desta Revolução, que diga também como os que têm na mente o cumprimento de todas as normas e regras... O homem que não for capaz de ser um exemplo vivo não serve para este tipo de missão que vocês vão ingressar.”

9 de agosto de 1961
“... Estou convencido que tenho uma missão a cumprir no mundo. Por essa missão, tenho de deixar de lado meu lar, sacrificar todos os prazeres cotidianos que um cidadão comum possui, minha segurança pessoal e, quem sabe, perder minha própria vida. Porém, é um compromisso que tenho com o povo e penso, sinceramente, que não posso me afastar dele até o final de minha vida.”

8 de janeiro de 1962
“O melhor ensinamento revolucionário que pode existir é mostrar, por meio de exemplo, o caminho do cumprimento do dever. O fundamental é que sejamos capazes de fazer a cada dia algo que aprimore o que foi feito no dia anterior. Por minúsculo que seja, por pequeno que seja, quando somarem os milhares de homens que trabalham aqui e quando ao esforço desses milhares de homens se somarem os aperfeiçoamentos diários, por menores que sejam, dos milhares e milhares, e agora milhões de homens que trabalham em todo o país, os resultados serão extraordinários.

31 de janeiro de 1962
“Não se pretende que cada texto seja memorizado e, depois, seus conceitos sejam aplicados como uma fórmula pronta. O importante é ensinar a pensar.

“Não é pecado cometer erros, pecado é voltar a cometê-los, pecado é escondê-los e não analisá-los. Nós temos de mergulhar em nossos erros, pisar sobre eles, analisá-los para que não se repitam.

“O homem que caminha na frente impulsiona os demais a o alcançar. Dessa forma, o homem que vai à frente estimula os demais para que o alcancem, atrai os demais a seu patamar muito mais do que aquele que por trás empurra somente com palavras.

16 de março de 1962
“Devemos aperfeiçoar o trabalho voluntário de forma que não seja somente um fator de crescimento da produção, mas também possa ser convertido em fonte de educação para as massas e de aproximação com os camponeses, levando a cooperação entre a cidade e o campo ao máximo.”

30 de abril de 1963
“Somos uma vitrina, somos um espelho que os povos da América tomam como exemplo. Por isso, a cada dia, teremos de trabalhar para fazer maiores nossos acertos e pequenos nossos erros.
“Nosso caminho não é simples. Está cheio de perigos e cheio de dificuldades. O imperialismo está escondido em cada curva do caminho, esperando o momento de uma fraqueza para lançar-se sobre nós; os reacionários de toda a América estão esperando até as próprias manifestações oficiais de nossos erros para publicá-las com felicidade.”

29 de setembro de 1963
“Não temos nos afastado da confrontação tampouco da discussão. Sempre estamos abertos a discutir todas as idéias. A única coisa que não permitimos é a chantagem das idéias ou a sabotagem da Revolução.
“Porém, vocês, estudantes do mundo inteiro, não se esqueçam nunca que por trás de cada ação existe alguém que a garante; que esse alguém é uma sociedade; e que, nessa sociedade, ou se está com ela ou se está contra ela; que no mundo existem os que pensam que a exploração é boa, outros que pensam que é ruim e temos de acabar com ela; e que, ainda assim, quando não se fala de política em nenhum lugar, o homem político não pode renunciar a essa situação inseparável a sua condição de ser humano.”

14 de março de 1964
“O tempo é nosso, está lá na nossa frente, e ninguém nos tem exigido que tenhamos de saber isso ou aquilo em tal ou qual tempo. O que se exige – e o exigimos todos – é saber um pouco mais a cada dia. Esse é o espírito que deve prevalecer.”

17 de maio de 1964
“Poderia parecer pedante, absurdo, que se peça uma luta de morte entre a pequena Cuba e o gigantesco império dos Estados Unidos da América. Mas não é uma luta entre dois países; é uma luta entre duas ideologias e dois modos de pensar diametralmente opostos.

“A luta entre aqueles que querem viver da exploração, discriminando os homens pela cor de sua pele, por sua religião, pelo dinheiro que possuem, e a luta daqueles que buscam que todos os homens sejam iguais, que todas as oportunidades sejam as mesmas.

“Um homem não pode seguir uma ação se não puder ser o exemplo, o sentido da responsabilidade para o futuro. O que se trata em determinado momento é o presente e isso está sintetizado na frase de Fidel – ‘Vale mais um exemplo do que um homem’ –, quando em 1956 falou: ‘Seremos livres ou mártires.’”

11 de dezembro de 1964, no uso do direito de réplica na ONU, nos Estados Unidos
“... Eu nasci na Argentina, não é segredo para ninguém. Sou cubano e também sou argentino e, sem ofender as ilustríssimas senhorias da América Latina, me sinto tão patriota da América Latina, de qualquer país da América Latina, que, no momento em que for necessário, estaria disposto a entregar minha vida pela libertação de qualquer um dos países latino-americanos, sem pedir nada em troca, sem exigir nada, sem explorar ninguém.

“… Nós podemos dizer o que tantas vezes temos dito como sentenciou Martí, de que todo homem verdadeiro deve sentir na cara o golpe dado na cara de qualquer homem. Isso, senhores representantes, o povo inteiro de Cuba sente assim.”

24 de fevereiro de 1965 na Argélia
“Não existe fronteiras nesta luta de morte; não podemos permanecer indiferentes frente ao que ocorre em qualquer parte do mundo; uma vitória de qualquer país sobre o imperialismo é uma vitória nossa, como também a derrota de qualquer nação é uma derrota nossa.

“Sejam sempre capazes de sentir fundo qualquer tipo de injustiça contra qualquer indivíduo. Essa é a qualidade mais linda do revolucionário.”

16 de abril de 1967
“Cada gota de sangue derramada num território sob uma bandeira que não seja a do país que se nasceu tem de servir de experiência para ser aplicada em seguida na luta pela libertação de seu lugar de origem. E cada povo que se liberta, é uma fase da batalha pela libertação do próprio povo que foi derrotado.

“Nos sentimos orgulhosos de ter aprendido com a Revolução Cubana e com seu dirigente máximo a grande lição que emana de sua atitude nesta parte do mundo: ‘O que importam os perigos ou os sacrifícios de um homem ou de um povo quando está em jogo o destino da humanidade?’”

“Em qualquer lugar que a morte nos surpreenda, bem-vinda seja, desde que esse nosso grito de guerra tenha chegado até a um ouvido receptivo.”

O título deste artigo é a reprodução do compromisso dos pioneiros cubanos que dizem em voz alta: “Seremos como o Che”.

Nessa batalha de todos os dias, devemos ensinar às novas gerações a ser como Che. A viver e a triunfar como aconteceu com Che em Vila Clara. Mas, se for para morrer na luta contra o império e contra as oligarquias, devemos morrer com a mesma dignidade de Che, quando disse para seu assassino: “Dispara, que a quem vais matar é um homem.” O hino de Cuba diz, em uma de suas estrofes, que morrer pela pátria é viver.

Assim foram feitos homens como Martí, Sandino, Allende, Camilo Torres, Che e muitos outros que hoje são símbolos irremovíveis e admirados por toda a humanidade. Sim, amigos, hoje Che, o nosso querido Che, completa 84 anos.

Até a vitória, sempre!

2 comentários:

  1. Meu Deus. êle está tão vivo entre nós que esqueci,
    o tempo que nos deixou.
    Você será sempre inesquecível e atual.
    Moderno e bravo nas Trincheiras.

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  2. Che, a vida correu muito ràpidamente.
    Não percebi o Tempo que nos deixou.Mesmo porque você é ATEMPORAL.
    Permanecerá para sempre como Líder e Martir dessa conquista que se arrasta até hoje.
    Não é só tomar pisse é também" quebrar cêrcas em
    que ensistimos a nos defender". Trêcho de música
    Thereza Tinoco (Cantøra e Compositora) música
    VIAJANTE.

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