quinta-feira, 21 de junho de 2012

O dia em que nocauteei Teófilo Stevenson

O nocaute e a nobreza do pugilista Teófilo Stevenson.

Luís Augusto Simon, no Blog do Menon

Em 1991, estava cobrindo os Jogos Pan-Americanos em Havana. O clima era de total euforia no País. Cuba ganhava medalha após medalha – ficou em primeiro lugar, na frente dos Estados Unidos – e o boxe era o carro-chefe. Eram 12 categorias – hoje são dez – e Félix Savón, dos pesados, era o mais aplaudido. Só perdia para a lenda Teófilo Stevenson, tricampeão olímpico e mundial. Quando chegava ao estádio, seu nome era gritado por todos os presentes. Um ídolo.

Estava, como todos os jornalistas, no Havana Libre, então o melhor hotel de Cuba. Era o antigo Hilton, expropriado pela Revolução. Hoje, foi privatizado e pertence a uma rede espanhola. Um dia, peguei o elevador, junto com o amigo Moacyr Ciro, e ele estava lá. Teófilo Stevenson. Ficamos sem graça, olhando para o mito, sem saber o que dizer.

Acho que olhamos tanto que ele resolveu tomar a iniciativa de conversar. “Olá”, disse. Foi a senha.

Imediatamente pedimos para tirar fotos. Ele atendeu com a maior simpatia. Quando fui chegando perto, ele disse, com jeito brincalhão:

– Vamos fazer diferente. Me dê um murro.

Fiquei um pouco assustado e tímido. Então, ele esclareceu para o estúpido aqui:

– Um murro de brincadeira. E tiramos a foto.

Na saída do elevador, ele me chamou. Olhei e ouvi:

– Viva o Brasil, país amigo.

Me lembrei disso há dois dias quando soube da morte de Stevenson, por um ataque cardíaco. O site www.jit.com o definiu como um “homem do povo”. Era isso mesmo, um herói popular. Amado por seus jabs, ganchos e cruzados, mas também, por muitos, por haver se recusado a lutar com Muhammad Ali, que se declarou seu fã.

Em 1975, Stevenson lutou contra o brasileiro Jair Campos, no Pan-Americano do México. Foi um massacre. Observem no vídeo abaixo. Mas o que mais me impressionou foi a delicadeza de Stevenson após o nocaute. Ajudou a carregar Jair até o córner e fez agrados em sua cabeça.

Um gesto de nobreza que nem é tão incomum no boxe. Algo que eu não consigo ver no UFC, por exemplo.

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