sexta-feira, 13 de julho de 2012

“Exilado cubano”: O único no mundo que passa férias no país que o persegue

Com informações do Tudo para minha Cuba

“Exilados” ou “refugiados” são termos que uma boa parte da mídia internacional utiliza para descrever aqueles que emigram de Cuba para os Estados Unidos. Mas, raramente, o termo é empregado à migração de pessoas de outros países da região para o território estadunidense. Vamos ver o por quê.

A chamada Lei de Ajuste Cubano, imposta pelos Estados Unidos em 1966, outorga privilégios aos cubanos – migrantes que chegam aos Estados Unidos – dando-lhes moradia e outras vantagens por até um ano. Porém, o governo chefiado atualmente por Barack Obama não trata da mesma forma o restante dos migrantes de outros países da América Latina. Isso é muito interessante.

Com status de “refugiados”, esses cubanos que moram nos EUA retornam, frequentemente, à Ilha para visitar suas famílias e não encontram qualquer problema para entrar e sair dos dois países. Com muito humor, o jornalista da BBC Fernando Ravsberg afirma em seus textos que os “exilados cubanos” são os únicos no mundo que passam suas férias no país que – teoricamente – os persegue.

O deputado republicano David Rivera, pertencente à ultradireita dos cubano-estadunidenses, percebeu o fato e já pretende fazer modificações na Lei de Ajuste Cubano. Recentemente, declarou na mídia que se tem tornado comum “os cubanos procurarem asilo [nos EUA] de acordo com a lei e, logo em seguida, viajarem em férias para o país que os persegue”.

Mas, apesar de reconhecer o que acontece, o congressista da ala ultradireitista, em contradição com sua própria denúncia, insiste em dizer que “todos os cubanos [que chegam nos Estados Unidos] são refugiados políticos”.

Uma das alterações pretendida por Rivera estabelece que, quando alguém for beneficiado pela Lei de Ajuste Cubano, ele não possa retornar a Cuba até obter a cidadania norte-americana, que leva cerca de dez anos. Se voltar à Ilha antes desse período, perde todos os privilégios e, além disso, pode ser deportado.

Isso mostra claramente que os cubanos beneficiados pela tal lei não são exilados, perseguidos ou refugiados, mas são “migrantes econômicos” com as mesmas características dos mexicanos, haitianos e salvadorenhos, por exemplo. As posições de David Rivera são abertamente belicistas contra o governo cubano. Ele participou em Miami de homenagens a terroristas como Luís Posada Carriles. Com isso, as alterações que ele propõe para a lei têm objetivos meramente políticos e eleitorais.

De acordo com pesquisa da Florida International University, os jovens cubanos que emigraram para os EUA depois 1994 são contra o bloqueio a Cuba, em favor de um diálogo entre os dois governos e não entendem por que não podem viajar para a Ilha.

Outro motivo de o governo estadunidense querer diminuir o fluxo de viagens dos cubanos é a entrada de divisas em Cuba. A maioria dos cerca de 400 mil cubanos residentes nos EUA, quando visitam a Ilha, ajuda financeiramente seus familiares. Atualmente, muitas dessas pessoas estão investindo em empresas particulares em Cuba, após a aprovação das reformas econômicas do governo de Raul Castro.

Como pode-se perceber, a mídia internacional usa termos obsoletos e imprecisos, com um marcado caráter político, como “refugiados” ou “exilados” para se referir a um fenômeno de emigração econômica tão comum para Cuba e outros países, da América Latina e do Terceiro Mundo.

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