terça-feira, 24 de julho de 2012

Morte de dissidente cubano foi um acidente, admite motorista

Familiares choram em frente ao caixão do
dissidente Oswaldo Payá, em Havana.
A oposição cubana acusa governo de planejar atentado; integrante do PP espanhol estava ao volante no momento do acidente.

Via Opera Mundi

O militante político espanhol Ángel Carromero Barrios admitiu, em depoimento à polícia cubana na segunda-feira, dia 23, ter cometido um erro ao volante no acidente em uma estrada no sul do país que, no domingo, dia 22, resultou nas mortes de dois destacados dissidentes do regime de Havana. Os falecimentos de Oswaldo Payá e Héctor Cepero provocaram a ira na oposição cubana, que acusava o governo de ter tramado um atentado. As informações são do jornal espanhol El Mundo e da Agência Efe.

No depoimento, Carromero, que estava ao volante do veículo no momento do acidente, afirmou ter ignorado um aviso de uma placa de trânsito para redução de velocidade, quando, logo depois, perdeu o controle do veículo em uma curva e caiu em um barranco. Payá e Cepero, que estavam no banco de trás, sem cinto de segurança, morreram, enquanto Carromero e o também ativista político sueco Jens Aron Modig ficaram feridos e receberam alta na segunda-feira, dia 23. Os quatro passageiros saíram de Havana e se dirigiam ao sul da Ilha, em Bayamo.

Carromero é o número 2 da juventude do PP (Partido Popular) em Madri, partido conservador católico que apoia a dissidência cubana. Modig é líder da juventude do Partido Democrático sueco.

Payá era um importante líder da dissidência cubana e fundador do Movimento Cristão de Libertação (MCL), uma das principais organizações contrarrevolucionárias cubanas.

Carromero, que teve ferimentos leves na cabeça, permanecerá em observação até o término dos exames periciais. Ele está sendo acompanhado por membros do consulado geral da Espanha. As investigações preliminares apontam que o veículo estava em mau estado de conservação e a pista no local do acidente estava parcialmente em obras. Modig foi liberado logo depois de prestar depoimento.

Segundo Elizardo Sánchez, presidente da Comissão Cubana de Direitos Humanos, outro órgão ligado à oposição, Carromero e Modig se salvaram porque estavam sentados nos bancos da frente. “Os cintos de segurança e os air-bags os salvaram”, afirmou o dirigente à Efe. “O carro virou sobre seu próprio eixo e o impacto maior ocorreu na parte traseira”, afirmou, de acordo com relatos de seus colaboradores que vivem próximos a Bayamo e acompanharam as investigações no local.

Nos Estados Unidos, os dois candidatos à Presidência do país lamentaram a morte de Payá e voltaram a declarar apoio aos dissidentes. “As circunstâncias que cercam a morte de Payá novamente levantam dúvidas sobre o padrão de conduta do regime despótico (cubano), que busca constantemente formas de aniquilar a dissidência interna", chegou a dizer o candidato republicano Mitt Romney em nota.

O ex-presidente de governo espanhol e um dos principais líderes do PP, José Maria Aznar, expressou em nota sua “profunda dor” pela morte de Payá, a quem afirmava ser um amigo pessoal.

O corpo de Payá chegou a Havana na segunda-feira, na paróquia de El Cerro, quando foi recepcionado por um grupo de cerca de 200 dissidentes, e foi enterrado, sob aplausos, na manhã de terça-feira.

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