terça-feira, 7 de agosto de 2012

José Martí, 160 anos: Conferência mundial reunirá ativistas e intelectuais em Cuba

Encontro debateu parceria para presença de militantes do Cebrapaz na
conferência mundial em comemoração aos 160 anos do
nascimento de José Martí
O aniversário de 160 anos do herói cubano José Martí (1853-1895) – mártir da guerra da independência do país – será marcado por uma grande conferência mundial que deverá reunir, em Havana, entre os dias 28 e 30 de janeiro de 2013, milhares de estudantes, acadêmicos e militantes da paz e da solidariedade de todas as partes do mundo.

Mariana Viel, via Vermelho

Na sexta-feira, dia 3, foi definida a construção de uma parceria com o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) para a mobilização de uma delegação de ativistas e intelectuais brasileiros. A reunião teve a presença da diretora de Relações Internacionais do Instituto de Filosofia de Cuba (CITMA), doutora Regina de la Caridad Agramonte Rosell, e da representante do Consulado de Cuba em São Paulo e especialista da Sociedade Cultural José Martí, Esperanza Newhall de la Cruz.

O encontro debateu as raízes do pensamento martiano no processo de independência cubano e seu papel no atual aperfeiçoamento do modelo econômico do país. A representante do Instituto de Filosofia ressaltou que Cuba é um país que não negocia princípios. “Para nós, a solidariedade é um princípio tão importante como satisfazer as necessidades de alimentação de todos os cubanos”.
Um exemplo dessa afirmação são as missões humanitárias de médicos cubanos presentes em países como o Haiti e nos continentes africano e asiático. “Não pode haver um divórcio entre o discurso e a prática. Ajudar ao próximo é uma orientação, uma filosofia de vida. José Martí dizia que a melhor maneira de dizer é fazer”, afirmou.

Regina explicou que o trabalho desenvolvido no Instituto de Filosofia cubano está relacionado à pesquisa sócio-filosófica, vinculada ao aperfeiçoamento da realidade cubana atual e dos fenômenos que ocorrem em todo o mundo. “Martí dizia que ‘ser culto é o único modo de ser livre’. E é por isso que a primeira tarefa da Revolução Cubana, após seu triunfo, foi a alfabetização. Um povo que se ensina a pensar, a analisar sua realidade, a construir e ser protagonista de seu projeto social. Imagina se este não é um povo livre”.

Segundo a presidenta do Cebrapaz e do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, o estudo da filosofia desenvolvida em Cuba, voltada para a vida e para a educação, é uma referência. “É a filosofia do ponto de vista revolucionário. É necessário o conhecimento da verdade para podermos garantir a independência dos povos e a soberania das nações que hoje são extremamente ameaçadas”.

“Para nós é fundamental o conhecimento. Tanto do ponto de vista das informações atuais, como no sentido do acesso amplo das populações. Cuba é uma referência da utilização mais nobre e mais generosa do conhecimento. E esparrama o conhecimento, promovendo o acesso à educação pelo mundo de forma solidária”.

Segundo Regina, a parceria com a entidade – além de reforçar os laços de amizade – tem o objetivo de fortalecer o intercâmbio entre os dois países na luta pela paz. “O que o meu povo mais ama é a paz. Mesmo que nos obriguem diariamente a nos preparar para a guerra. Não é paz dentro de Cuba, mas a paz mundial. É possível observar que Cuba é sempre contra a dominação e a injustiça em qualquer parte do mundo”.

A presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Luana Bonone, reforçou a importância da aproximação da entidade com a comunidade científica, com a finalidade de pautar temas importantes para o desenvolvimento da sociedade. “José Martí, além de defensor da soberania, foi um grande elaborador sobre a questão da educação. A universidade brasileira não consegue, muitas vezes, estar inserida no processo de desenvolvimento, dando respostas às grandes questões da sociedade. Em Cuba isso se faz com muito mais naturalidade, porque essa é a base histórica do pensamento e da democracia no país”.

Socorro Gomes abordou ainda o monopólio da informação, como um instrumento da hegemonia do imperialismo e a forte campanha midiática contra o país. “Nas mãos dos grandes meios de comunicação, a informação é um instrumento de domínio imperialista. É uma arma contra as forças mais avançadas como, por exemplo, Cuba e a Síria. A informação é deformada com o objetivo de desestabilizar e para que os Estados Unidos mantenham o controle sobre os povos”.

A diretora do Instituto de Filosofia enfatizou que Cuba é um país que nunca negociará sua soberania. Segundo ela, é necessário que as pessoas tenham a oportunidade de visitar o país para poder construir sua própria opinião. “Não se pode ver o processo democrático cubano a partir da perspectiva e do modelo de outro país. Porque o processo democrático cubano é feito pelos cubanos para os cubanos. E nós o estamos aperfeiçoando à maneira cubana”.

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