domingo, 28 de outubro de 2012

Raul Castro pede “esforço máximo” para recuperar danos causados pelo furacão

Árvores caídas em Santiago de Cuba.
Via EFE
 
O presidente de Cuba, Raul Castro, pediu no sábado, dia 27, para se fazer “esforço máximo” para que o país se recupere dos danos causados pelo furacão Sandy e convocou seu gabinete para criar um plano e cumpri-lo com esse propósito.
 
“Vamos fazer o esforço máximo em todos os sentidos. Algumas questões deverão ser adiadas, vamos fazer um estoque de tudo que possamos, de recursos de todo tipo, fazer um plano e que se cumpra”, afirmou Raul em reunião do Conselho de Ministros.
 
Um programa da televisão cubana transmitiu o comunicado de Raul, seguido das imagens do furacão que assolou a Ilha na madrugada de quinta-feira, dia 25, deixando 11 vítimas fatais.
 
Naquele dia, o presidente de Cuba enviou uma mensagem “de ânimo” aos afetados do leste da Ilha e anunciou que visitaria nas próximas horas a província de Santiago, que sofreu os maiores estragos.
 
Segundo o comunicado de sábado, o presidente cubano pediu “soluções imediatas” à pane elétrica nas regiões afetadas, para que a população esteja informada, e advertiu que se deve dar “rapidez” aos serviços “sem esperar a perfeição”.
 
Raul também convocou todos os organismos do país para se esforçar a fim de “recuperar o que foi danificado” e insistiu em “ganhar experiências da situação atual para futuros eventos meteorológicos”.

Jornalismo imperialista: Twitter mata Fidel

Tomasso Debenedetti: “Gosto de ser o campeão italiano da mentira.”
Antonio Brasil, via Observatório da Imprensa
 
“Já tentaram matar o Fidel com tiro, veneno e emboscada mais de uma centena de vezes. Agora matam o comandante pelo Twitter.”
 
Esta declaração, em tom de raiva e denúncia, foi proferida por um jornalista experiente, alguém que já viu quase tudo na profissão e que pediu anonimato. O desabafo também resume os problemas enfrentados pelo jornalismo dito “sério” diante dos novos desafios da era digital.
 
“Nós quase fomos à loucura aqui nas últimas duas semanas por causa desse fdp”, disse o jornalista. “Eu conheço Cuba o suficiente para saber que lá nada vaza. Vamos ter informação da morte de Fidel Castro quando eles anunciarem, e nem um segundo antes. Mas quando eu digo isso ninguém acredita. Preferem acreditar no Twitter.”
 
O jornalismo sério – aquele que ainda verifica, checa, confirma, recheca e, o mais importante, que pensa nas implicações ou consequências da divulgação de notícias importantes – pode estar morrendo.
 
Jornalista mentiroso
E um dos culpados pela morte do jornalismo sério pode ser o jornalista italiano Tomasso Debenedetti. Semana passada, ele confirmou ser o autor das mensagens falsas pelo Twitter sobre a morte do líder cubano, Fidel Castro (ver aqui).
 
Nascido em Roma em 1969, casado e pai de dois filhos, professor de italiano e de história em uma escola pública de Roma, Tomasso Debenedetti conhece bem as fragilidades e vulnerabilidades do jornalismo tradicional. Afinal, ele foi, durante alguns meses, vaticanista do desaparecido jornal L’Independente. Desde 2000 ele conseguiu publicar cerca de 79 matérias, embora nem todas tenham sido verdadeiras.
 
Com contas falsas no Twitter, Debenedetti conseguiu “anunciar” a morte do papa Bento 16, de Pedro Almodóvar e, agora, de Fidel Castro.
 
Em entrevista ao jornal espanhol El Pais Debenedetti afirma: “Gosto de ser o campeão italiano da mentira. Creio que inventei um gênero novo e espero poder publicar novas falsidades e a coleção toda em um livro.”
 
Além de anunciar as mortes de personalidades públicas, ele também conseguiu publicar falsas entrevistas com Philip Roth, Gore Vidal e Bento 16.
 
A lista dessas falsas entrevistas do jornalista free-lancer italiano continua crescendo. Ele confessa que tudo foi falso. Ou, mais precisamente, que foi um jogo. “Minha ideia era ser um jornalista cultural sério e honrado, mas isso é impossível na Itália”, disse.
 
Debenedetti confia no poder das redes sociais, na pressa generalizada da sociedade moderna e na ingenuidade do público para divulgar e justificar seu jornalismo de notícias falsas:
 
“O Twitter funciona bem para as mortes”, disse. “No Facebook você está limitado pelo acesso aos amigos, mas no Twitter você pode ter certeza que as pessoas irão segui-lo e usá-lo como uma fonte em tempo real, de informações sem checagem. A mídia social é a fonte de informação mais incontrolável no mundo, mas a mídia [tradicional] acredita nela por causa de sua necessidade de velocidade”, disse ele.
 
Atualmente, Debenedetti se junta a uma nefasta galeria de jornalistas famosos e mentirosos que inclui nomes como Jason Blair do New York Times, Stephen Glass do New Republic, Janet Cooke do Washington Post e tantos outros.
 
Ou seja, é muito difícil fazer jornalismo sério e ao mesmo tempo competir com as redes sociais como o Twitter, Facebook e YouTube. Essas ferramentas digitais – que deveriam ser utilizadas somente como formas de socialização e confraternização – se tornaram a principal e muitas vezes a única fonte de notícias para parte da sociedade. E, o pior, para grande parte dos jovens.
 
Morte do jornalismo
Mas, apesar das tentativas de controle e verificação nas redes sociais, Debenedetti também comprova que o falso tuitar é uma indústria em crescimento. Principalmente tuitar utilizando contas falsas de celebridades.
 
Mas para complicar ainda mais o cenário, hoje também temos personalidades públicas – artistas ou apresentadores de telejornais, por exemplo – que contratam jornalistas ou ghost writers para escrever e divulgar seus próprios tuites. Não são tuites falsos, mas também não são verdadeiros.
 
O pior é que muitos acreditam, compartilham e divulgam essas falsas mensagens como verdade científica. Na era digital, assim como em outras eras, é muito fácil enganar quem quer ser enganado.
 
Com suas breves e simples mensagens falsas, Debenedetti consegue demonstrar a fragilidade e as vulnerabilidades de um jornalismo em crise. Mas talvez, pela primeira vez, ele tenha anunciado uma morte verdadeira: a morte do jornalismo sério.
 
E se você ainda quiser conhecer melhor este “jornalista” da era digital, veja aqui a entrevista completa de Debenedetti ao El País, divulgada em português pelo site da Folha de S.Paulo.
 
Mas, tenha cuidado. Como Debenedetti se declara um grande mentiroso, esta entrevista também pode ser falsa!
 
Antonio Brasil é jornalista e professor da Universidade Federal de Santa Catarina.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Fidel classifica mídia conservadora como “galinheiro de propaganda imperialista”

 

Líder e referência na luta pelo comunismo mundial, o comandante Fidel Castro classificou como “mentiras” e “insólita estupidez” os rumores que circularam nos últimos dias sobre seu estado de saúde, em coluna divulgada na segunda-feira, dia 22, no site Cubadebate. Junto ao artigo, o Cubadebate publica uma série de fotos tiradas por Alex Castro, fotógrafo e filho do líder cubano, onde se vê Fidel Castro ao ar livre, de pé, com chapéu de palha e vestido com camisa xadrez e calças esportivas. Numa das imagens, ele exibe uma edição do dia 19 de outubro do jornal cubano Granma, para confirmar que foi feita recentemente.

“Aves de mau agouro! Não lembro sequer o que é uma dor de cabeça. Para provar o quanto são mentirosos, lhes mostro as fotos que acompanham este artigo”, escreve o ex-líder cubano, de 86 anos e afastado do poder desde 2006, em um texto intitulado “Fidel Castro está agonizando”.

No texto, Fidel explica que deixou de publicar a coluna Reflexões do Companheiro Fidel, veiculada pela imprensa de Cuba, porque não é seu papel “ocupar as páginas” da imprensa cubana, “consagrada a outras tarefas que o país requer”. Castro começou a escrever a coluna após o Partido Comunista Cubano transferir o poder para seu irmão, Raul, mas não publicava novos textos desde junho deste ano.

“Mesmo que muitas pessoas no mundo ainda sejam enganadas pelos órgãos de informação, quase todos controlados por privilegiados e ricos, que publicam essas bobagens, o povo crê cada vez menos nelas”, disse Castro. Ele chamou a imprensa de “galinheiro de propaganda imperialista”. Castro ainda se lembrou de oportunidades anteriores em que, segundo ele, a imprensa transmitiu informações inverídicas sobre Cuba, como durante a crise dos mísseis e na invasão da baía dos Porcos.

A coluna de Castro foi publicada um dia depois que o ex-vice-presidente da Venezuela, Elias Jaua, afirmou que tinha se reunido com o ex-líder cubano, que, segundo ele, “era o mesmo velho Fidel”. Jaua anunciou que Castro estava “bem de saúde e lúcido”, além de ter divulgado uma foto do encontro com ele. A última aparição pública de Fidel Castro aconteceu em março, durante encontro com o papa Bento 16, que visitava Havana.
Presidente venezuelano, Hugo Chavez, amigo próximo e aliado, afirmou em diversas ocasiões que Castro está bem de saúde. Na semana passada, o filho Alex Castro afirmou que seu pai estava fazendo exercícios e que estava indo bem. Uma carta de Castro parabenizando um instituto de medicina de Havana por seu aniversário de 50 anos foi publicada nas primeiras páginas dos jornais cubanos na quinta-feira, em sua primeira aparição impressa em quatro meses.

A carta e uma reportagem que a acompanhou ocuparam toda a primeira página do Granma, para minimizar os rumores sobre sua morte. Entretanto, a carta, publicada com a assinatura de Castro e datada de 17 de outubro, não foi suficiente para encerrar a especulação. Muitos questionaram sua autenticidade e insistiram nas mentiras quanto ao estado de saúde do líder cubano.

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Fidel Castro, vivo ou morto, já consolidou a revolução mundial

Fidel, sorridente e com um largo chapéu habanero,
em um passeio pela capital cubana.
Gilberto de Souza, via Correio do Brasil
 
Ninguém fica para semente. O comandante guerrilheiro Fidel Castro não foge à regra. Uma hora dessas ele fechará os olhos para sempre e dormirá o sono dos heróis da Revolução Cubana, ao lado de Ernesto Che Guevara, Camilo Cienfuegos e tantos outros. A vida de Fidel, que se segura por um fio de seda, o mesmo com o qual é tecido o destino desta nação que se levantou do domínio mais aviltante, nos tempos em que os EUA tratavam Cuba como o quintal sujo e pervertido da escória capitalista norte-americana, para a posição de liderança absoluta em áreas como a Saúde e a Educação, marcos que o comunismo fundou em uma das sociedades mais cultas e avançadas da Terra.
 
Mesmo que Fidel morra hoje, sua missão já estará mais do que cumprida. Líder inconteste de gerações inteiras de revolucionários, desde a Sierra Maestra ao Bico do Papagaio, das ruas de Santa Luzia às avenidas paulistanas, cariocas, chilenas, de Buenos Aires, Montevidéu, Caracas, Berlim, Paris e tantas outras cidades onde se luta contra a opressão do capital internacional, o intelectual que o habita, ante o militar rigoroso, faz de Fidel Castro uma daquelas lendas que jamais deixarão de existir na memória humana. O mito que o eterniza está maior do que a frágil silhueta do ancião sorridente, com o largo chapéu de palha, em um de seus longos passeios pela bela Havana. Fidel é querido, respeitado, honrado por seus conterrâneos
 
E goza de boa saúde, ao contrário do que afirmam os aliados do Tio Sam na América Latina, seja o tal membro da Academia Brasileira de Letras com uma coluna no principal diário conservador carioca, ou seu boquirroto equivalente venezuelano, ambos especializados em predizer a morte alheia que não se concretiza. Longe do mau agouro destes oráculos de aluguel, bem pagos pela companhia central de inteligência do império, Fidel segue adiante com a vida de quem percorreu cada palmo da Ilha na qual plantou a semente da utopia. Que floresce. E se internacionaliza. A crise do capitalismo mundial prova, dia após dia, que outra realidade é necessária, sem a ganância, o egoísmo e a estupidez que marcaram o desenvolvimento dos povos ocidentais até hoje, sob a lança e os canhões do laissez-faire.
 
Fidel talvez não veja o dia em que, pela vontade da imensa maioria humana, a derrocada dos meios de sustentação do capitalismo dará lugar à solidariedade entre os povos e o fim de males como a fome, o desabrigo, a discriminação racial, sexual, de classes. Na verdade, nem precisa estar aqui para ver tudo isso se realizar. Quando o último sopro se esvair e o corpo sem vida do homem restar para a derradeira viagem de volta ao pó, a luta de toda uma vida estará imortalizada no exemplo, na biografia, na História. Os sibilos dessa gente que ainda se dobra aos interesses de uns poucos, poderosos somente na medida de suas posses, então dará lugar ao silêncio solene que antecede os brados de independência nas gargantas da maioria, seja nas urnas ou a ocupar as praças, os campos e as cidades.
 
Talvez na semana que vem, ou na outra, um desses arautos da mediocridade acerte no prognóstico e anuncie a morte do líder cubano. Terá apenas informado aos seus leitores que morre o homem, fica o mito. E será tão imenso o espectro do barbudo com um puro entre os dentes e o fuzil de combate a atormentar o sono revolto dos injustos, que lhes será mais prático abreviarem a estada e depor as armas, sem demora, para que o novo tempo nasça em paz.
 
Gilberto de Souza é jornalista, editor do Correio do Brasil.
 
Leia também:

Mais uma vez, a mídia golpista espalha boato sobre a morte de Fidel: um dia ela acerta!

Fidel Castro segura cópia de edição do dia 19 deste mês do jornal Granma.
Via Opera Mundi
 
O ex-presidente de Cuba Fidel Castro qualifica de “mentiras” e “insólitas estupidezes” os rumores que circularam nos últimos dias sobre seu estado de saúde, em artigo divulgado na madrugada de segunda-feira, dia 22, no site oficial Cubadebate, acompanhado de novas fotos.
 
“Aves de mau agouro! Não lembro sequer o que é uma dor de cabeça. Como prova de quanto são mentirosos, lhes mostro as fotos que acompanham este artigo”, escreve o líder cubano, de 86 anos e afastado do poder desde 2006, em um texto intitulado “Fidel Castro está agonizando.”
 
Junto ao artigo, o “Cubadebate” publica uma série de fotos tiradas por Álex Castro – fotógrafo e filho do líder cubano – onde se vê o ex-presidente ao ar livre, de pé, apoiado em um bastão metálico, com chapéu de palha e vestido com camisa xadrez e calças esportivas.
 
No texto, Fidel explica que deixou de publicar Reflexões – que começou a escrever durante sua convalescença após delegar o poder há seis anos – porque não é seu papel “ocupar as páginas” da imprensa cubana “consagrada a outras tarefas que o país requer”.
 
Visita ao Hotel Nacional
O ex-presidente também se reuniu no sábado, dia 20, em Havana, com o ex-vice-presidente venezuelano Elias Jaua, que acompanhou posteriormente até o Hotel Nacional da capital cubana, em sua primeira aparição pública em meses e após semanas de rumores sobre sua saúde.
 
Jaua confirmou no domingo, dia 21, a reaparição de Fidel em declarações a jornalistas no Hotel Nacional, onde mostrou uma fotografia do líder da Revolução Cubana dentro de um veículo, sorridente e com bom aspecto. “O comandante Fidel teve a gentileza de nos receber ontem. Ficamos cinco horas conversando sobre agricultura, história, política internacional e, bom, Fidel está muito bem”, disse Jaua.
 
Após o encontro, o ex-presidente cubano acompanhou Jaua ao Hotel Nacional de Havana, onde o político venezuelano mostrou à imprensa uma fotografia na qual Fidel Castro aparece dentro de um veículo com um chapéu de palha e uma camisa quadriculada.
 
Por sua vez, o diretor do Hotel Nacional, Antônio Martinez, que aparece na foto com Castro, comentou à imprensa que encontrou o líder cubano “muito alegre, com um sorriso permanente e falando de muitas coisas”. Martinez deu a entender que o líder aposentado passou alguns momentos com trabalhadores do Hotel Nacional com quem foi “muito carinhoso”.
 
A reaparição de Fidel Castro, afastado do poder desde 2006, acontece após semanas de fortes rumores, principalmente nas redes sociais, sobre um suposto agravamento do estado de saúde do líder da revolução cubana.
 
As últimas imagens do comandante eram do fim de março, quando se reuniu com o papa Bento 16 em Havana por ocasião da visita do pontífice. Além disso, há quatro meses não publica suas famosas “Reflexões”, artigos que começou a escrever enquanto esteve doente.
 
No dia 19, o médico venezuelano José Rafael Marquina disse que Fidel teria sofrido um derrame cerebral e estaria “muito próximo de um estado neurovegetativo.”
 
Em entrevista ao jornal El Nuevo Herald, de Miami, Marquina afirmou que o cubano estaria com dificuldades para se alimentar, falar e reconhecer as pessoas. “Ele sofreu um derrame embólico e não reconhece ninguém, absolutamente”, afirmou o médico, famoso por possuir informações diretas sobre a saúde do presidente venezuelano, Hugo Chavez. “O que posso dizer é que não vamos voltar a vê-lo em público.” (Com agências internacionais)

domingo, 21 de outubro de 2012

Eleições em Cuba: Quem vota são os cidadãos, não as empresas-imprensa

Luisa María González García, via Prensa Latina
 
“O sistema eleitoral cubano distingue-se do que se vê em outros países, sobretudo, porque, em Cuba, todos os cidadãos têm igual possibilidade de assumir responsabilidades públicas”, explicou o professor Juan Mendoza, vice-decano da Faculdade de Direito da Universidad de La Habana, em conversa com Prensa Latina sobre as particularidades do modelo eleitoral cubano, na véspera dos comícios que começam no domingo, dia 21, e que elegerão os delegados de bairro (concejales) às assembleias municipais do Poder Popular.
 
Falando sobre o processo pelo qual se apresentam os candidatos, disse que o que se vê em muitos países são listas eleitorais montadas por partidos políticos, às quais só os mais ricos têm acesso: “Considera-se o desempenho financeiro dos candidatos, não algum compromisso com os eleitores ou com o futuro das pessoas e do país.”
 
“Nesse cenário”, disse o professor Juan Mendoza, “é muito difícil alguém conseguir candidatar-se como candidato independente, porque as campanhas eleitorais são caríssimas.”
 
Em Cuba, tudo isso é diferente. Em Cuba, para apresentar-se como candidato no início do processo eleitoral, basta ter mais de 16 anos, residir em Cuba e ser apoiado pelos vizinhos de bairro. Essa é uma das razões pelas quais o modelo eleitoral cubano é “específico, profundamente democrático e socialmente muito avançado”, explicou o professor.
 
Mendoza lembra que na maioria dos países, as empresas da imprensa corporativa, os grandes grupos “de mídia” louvam como se fossem muito democráticas eleições que, de fato, não passam de jogo tradicional, de cartas marcadas, entre partidos que disputam, menos o poder político, que o acesso não controlado às riquezas do país e do povo.
 
“Para vários estudiosos, aquilo não passa de uma “partidocracia”, bem pouco democrática, porque os partidos representam interesses de diferentes setores do capital, mas apresentam-se como se fossem representantes de parcelas do povo. Só muito raramente, nessas partidocracias, algum partido manifesta desejo político realmente popular. Disputa partidarizada entre diferentes interesses setoriais dos mais ricos não é o que se possa chamar de disputa democrática”, continuou o professor Mendoza.
 
Por que, em Cuba, é diferente?
O modelo eleitoral cubano foi criado depois da Constituição aprovada em 1976, que serviu de base à primeira lei eleitoral. Depois da reforma da Constituição, em 1992, também a lei eleitoral foi reestruturada, e continua vigente até hoje.
 
Nos termos da lei eleitoral cubana há dois momentos: eleições gerais a cada cinco anos, para eleger os deputados à Assembleia Nacional e os delegados à Assembleia Provincial; e eleições parciais, a cada dois anos e meio, em que se elegem delegados às assembleias municipais.
 
Nas eleições parciais, o fator decisivo é a “nomeação” [orig. nominación], que é ato de participação eminentemente cidadã, dado que, para fazer a nomeação, reúnem-se as próprias comunidades, que apresentam pessoas que as comunidades entendam que tenham condições de representá-las.
 
Nomes e propostas aprovadas nas reuniões das comunidades passam diretamente a integrar a chapa de candidatos de cada comunidade. “Assim”, explica o professor Mendoza, “evidencia-se o conceito amplamente democrático das eleições em Cuba”.
 
Em Cuba não há campanhas eleitorais como se conhecem em outros países. Cabe a cada Comissão Eleitoral local divulgar para os eleitores as biografias e fotos dos candidatos.
 
Em Cuba, as eleições são universais e baseiam-se “no direito de todos a manifestar-se nas eleições”. Não há inscrição eleitoral: todos os cubanos que atinjam os 16 anos, idade considerada mínima para votar e ser votado, convertem-se imediatamente em eleitores, sem qualquer outro tipo de registro ‘de eleitor’ como há em outros países.
 
O professor Mendoza lembra que “essa é diferença importante, porque, quando se lê que, em outros países, votaram 40% dos eleitores, essa porcentagem não é calculada sobre a população, mas só sobre o universo dos eleitores inscritos como tal”. Quando se diz que, em Cuba, votaram mais de 90% de eleitores, a porcentagem indica que praticamente toda a população votou”.
 
Eleições, democracia e sistema político
Um dos objetivos da Comissão Nacional Eleitoral é facilitar o acesso da população às urnas. Mas, lembra o professor Mendoza, “o voto não é obrigatório em Cuba. Nada acontece se alguém preferir não votar. Mas votar é um direito do cidadão e toda a sociedade deseja que todos exerçam esse direito e, assim, manifestem o compromisso individual, de cada cidadão, com todos os demais.”
 
É importante que todos votem, porque as eleições são um mecanismo de validação social do sistema político.
 
O professor Mendoza lembra que há países que se pressupõem democráticos e promovem seus sistemas políticos, mas, se se examinam aquelas “democracias” e sistemas, se se comparam o número de votos e a população, por exemplo, vê-se que não passam de democracias apenas formais, que mostram só uma fachada de formalidade legal, porque nenhum sistema político pode ser considerado socialmente validado e legitimado se a população nacional não encontra vias abertas para manifestar-se e participar efetivamente do processo político.
 
“Em Cuba, quando alguém vota, está legitimando, validando e consolidando o sistema eleitoral cubano. Assim, com o tempo, quanto mais cubanos votem, mais se democratiza o sistema eleitoral e o voto. Em Cuba, os altos índices de comparecimento às urnas ao longo das últimas décadas já demonstraram que os cubanos estão firmemente envolvidos e comprometidos com o direito democrático de votar, que é de todos. Assim se fortalece o modelo político”, concluiu o professor Mendoza.
 
Segundo dados oficiais, em todos os comícios realizados desde 1976 votaram mais de 95% dos eleitores das comunidades e bairros, vale dizer, da população cubana.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Inscrições abertas para a 20ª Brigada Sul-Americana de Solidariedade a Cuba

Em setembro, o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) abriu as inscrições, que irão até 10 de dezembro, para os interessados em participar da 20ª Brigada Sul-Americana de Solidariedade a Cuba, que se realiza pelo momento do 160º aniversário de José Martí, um dos grandes revolucionários de nossa América. A brigada acontece entre os dias 20 de janeiro e 3 de fevereiro.
 
Pela primeira vez na história, parte da programação acontecerá em Havana. Será uma brigada especial, pois os brigadistas participarão da 3ª Conferência Internacional pelo Equilíbrio do Mundo, que será realizada no Palácio de Convenções, de 28 a 30 de janeiro de 2012.
 
Para fazer parte da brigada, é preciso entrar em contato com dirigentes das associações de solidariedade em cada estado do Brasil, que, por sua vez, se organizarão em torno do coordenador nacional no País, Edison Puente, da Associação Cultural José Martí de Santa Catarina.
 
A brigada tem como objetivos colaborar com uma maior compreensão sobre a realidade cubana e de realização de jornadas de trabalho voluntário como contribuição ao desenvolvimento agrícola e à esfera produtiva de Cuba.
 
O programa contempla visitas a lugares de interesse histórico, econômico, cultural e social, tanto na capital como em províncias; conferências sobre a atualidade nacional e encontros com organizações da sociedade cubana.
 
Serão 14 noites de estada: delas, 11 no Acampamento Internacional “Julio Antônio Mella” (Cijam), localizado no município de Caimito, a 45 quilômetros de La Habana; e três noites em instalações de turismo na capital da Ilha. A estada terá um custo de 340 CUC [cerca de R$960,00] que inclui alojamento (em dormitórios compartilhados para até seis pessoas no Cijam) e dormitórios duplos ou triplos na província, pensão alimentícia completa, traslado de ida e volta e transporte a todas as atividades do programa.
 
As jornadas de trabalho agrícola se efetuarão em áreas adjacentes ao Cijam. Este acampamento, criado no ano de 1972, conta com condições adequadas para satisfazer a vida coletiva e as necessidades das pessoas que nos visitam de diferentes partes do mundo.
 
O progressivo aumento da participação de brasileiros na brigada denota a motivação por conhecer Cuba e a crescente solidariedade que desperta nosso projeto social, sobre a base de dois pilares fundamentais: a condenação ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos e o respeito à autodeterminação e independência da Ilha.
 
Ao participar, o brigadista se compromete a cumprir com o programa descrito abaixo e observar adequadamente as normas de conduta, disciplina, e convivência social.
 
SERVIÇO
20ª Brigada Sul-Americana de Solidariedade a Cuba
Período: 20 de janeiro e 3 de fevereiro de 2012
Encerramento das inscrições: 10 de dezembro de 2012
Investimento: 340 CUC [cerca de R$960,00]
 
O pacote inclui:
● Visitas descritas no programa
● Alojamento descrito acima
● Alimentação descrita no programa
● Entradas
● Traslados
● Acompanhamento direto permanente
 
O pacote não inclui:
● Comidas adicionais
● Voos domésticos e/ou internacionais
● Impostos aeroportuário
● Excesso de bagagem
● Bebidas alcoólicas, gaseificadas ou água mineral engarrafada
● Ligações telefônicas pessoais, nacionais ou internacionais
● Visitas a outras instituições cubanas que devem ser pagas em dinheiro
● Apólice de seguro
 
PROGRAMAÇÃO DA 20ª BRIGADA SUL-AMERICANA DE SOLIDARIEDADE A CUBA
 
Domingo 20/1
Opcionais da Amistur
 
Segunda-feira 21/1
9h: Oferenda floral ao busto de Julio Antonio Mela
9h30: Atividade oficial de boas vindas
12h–13h30: Almoço no Cijam
14h: Conferência sobre o 160º aniversário de José Martí
Plantio de árvores no bosque martiano
16h30: Reunião por países e do Comitê Coordenador
20h30: Noite Cuba
 
Terça-feira 22/1
5h45–6h45: Café da manhã
7h30: Trabalhos agrícolas
12h: Almoço no Cijam
14h30: Conferência sobre o Bloqueio contra Cuba e atualização do modelo econômico cubano
18h30: Jantar no Cijam
Noite: Encontro setorial CTC (inclui grupo de trabalhadores autônomos de Artemisa), FEU, UJC e ACRC
 
Quarta-feira 23/1
5h30–6h45: Café da manhã
6h30: Saída para o Complexo Escultórico Che Guevara de Santa Clara
11h: Visita ao Complexo Escultórico do Che e ao Trem Blindado
13h: Almoço em Santa Clara
15h: Regresso ao Cijam
20h: Jantar no Cijam
Noite: Livre e descanso
 
Quinta-feira 24/1
5h30–6h30: Café da manhã
7h30: Trabalhos agrícolas
12h: Almoço no Cijam
14h: Conferência sobre campanhas midiáticas e redes sociais
18h30: Jantar no Cijam
20h30: Apresentação projeto cultural comunitário de Caimito no Cijam
 
Sexta-feira 25/1
5h30–6h30: Café da manhã
7h30: Trabalhos agrícolas
12h: Almoço no Cijam
14h: Saída e visita ao Memorial José Martí
17h30: Apresentação Obra na sede da Colmenita
19h30: Saída Casa da Amizade
20h: Jantar e atividade cultural na Casa da Amizade
23h30: Regresso ao Cijam
 
Sábado 26/1
5h30–6h30: Café da manhã
7h30: Trabalhos agrícolas
12h: Almoço no Cijam
15h: Visita ao Mausoléu de Artemisa e encontro com dirigentes do governo e do partido
18h30: Jantar no Cijam
21h: Apresentação de filme cubano El ojo del canario
 
Domingo 27/1
5h30–6h30: Café da manhã
7h30: Trabalhos agrícolas e atividade final de produção
12h: Almoço no Cijam
Tarde: Descanso e encontros esportivos
18h: Jantar no Cijam
19h30: Saída para a Universidade de Havana
21h: Marcha das Tochas (que será a primeira atividade do evento martiano)
 
Segunda-feira 28/1
Todo o dia: Evento
Tarde: alojamento no hotel de La Habana
 
Terça-feira 29/1
Todo o dia: Evento
 
Quarta-feira 30/1
Todo o dia: Evento
Tarde: Evento encerramento
 
Quinta-feira 31/1
Manhã: livre no hotel da cidade. Entrega de dormitórios e almoço
Tarde: Saída do hotel para Cijam
Noite: Jantar no Cijam e preparação da Noite Sul-Americana
Reunião final do comitê coordenador
 
Sexta-feira 1º/2
7h: Café da manhã
9h–12h: Projeção do documentário Obama, Give me Five. Encontro com familiares dos Cinco Heróis e atividade final de Solidariedade no Cijam
12h: Almoço no Cijam
Tarde: Preparação Noite Sul-Americana
20h: Noite Sul-Americana
 
Sábado 2/2
7h: Café da manhã no Cijam
Opções da Amistur
Noite: atividade final de despedida com talentos artísticos locais
 
Domingo 3/2
Regresso das delegações a seus países

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Fidel Castro felicita os graduados da Escola de Medicina de Havana

Com informações do Opera Mundi
 
O líder cubano Fidel Castro enviou na quarta-feira, dia 18, mensagem de felicitação aos graduados da Escola de Medicina de Havana.
 
“Felicito a todos neste 50º aniversário, particularmente aos fundadores do Instituto de Ciências Básicas e Pré-Clínicas Victoria de Girón, os quais merecem especial felicitação”, assinala Fidel Castro em seu texto.
 
Fidel, de 86 anos e afastado do poder desde julho de 2006 por motivos de saúde, afirmou que os diplomados no instituto levaram Cuba “aos mais altos níveis de prevenção e saúde” e realizaram “destacadas missões em distantes rincões do mundo, nas mais difíceis condições”.
 
A mensagem, que também foi lida na quarta-feira pelo ministro da Saúde, Roberto Morales, em um ato no instituto, é divulgada cinco dias após Alex Castro, filho de Fidel Castro, garantir que seu pai está “bem” e mantém suas atividades cotidianas.

Em 20 de outubro, Baixada Santista inaugura sede do movimento de solidariedade a Cuba


Em outubro, mês dedicado ao grande revolucionário Che Guevara, o Movimento de Solidariedade a Cuba ganha importante força no estado de São Paulo.
 
No sábado, dia 28, será inaugurada a sede da Associação Cultural José Martí da Baixada Santista. O evento contará com a presença do cônsul de Cuba Lázaro Mendez Cabrera e haverá shows musicais e lançamento de livro sobre a Ilha.
 
Participe e divulgue.
 
SERVIÇO
Inauguração da Associação Cultural José Marti – Baixada Santista
Data: 20 de outubro, sábado
Horário: 18 horas
Rua Joaquim Távora, 217
Santos – SP
Clique aqui para ver a localização

Intelectuais fazem elogios e críticas à liberação de viagens ao exterior por Cuba

 
Apesar de contribuir para o fortalecimento do socialismo cubano, a medida pode favorecer a desigualdade social na Ilha.
 
 
A decisão do governo cubano de liberar viagens ao exterior (clique aqui) sem necessidade de permissão é uma das mais recentes medidas anunciadas dentro do programa de reformas iniciadas no mandato do presidente Raul Castro. De acordo com a maioria dos intelectuais brasileiros consultados por Opera Mundi, as reformas contribuem para fortalecer o processo revolucionário e reciclar a economia.
 
Para o teólogo Frei Betto, trata-se de uma medida muito positiva, que poderá aprimorar o socialismo cubano, historicamente “condicionado pelo bloqueio dos Estados Unidos e pela influência da União Soviética”. Segundo ele, a “estatização excessiva” passou a prejudicar a economia e favoreceu o absenteísmo. Assim, Raul, “após ampla consulta à população – não noticiada suficientemente no exterior –, decidiu implementar uma série de reformas para aprimorá-lo”. Entre elas, enumera o teólogo, estão a economia mista, a propriedade privada no setor agrícola e em pequenas e médias empresas e a abertura para o investimento estrangeiro na infraestrutura do país.
 
O escritor Fernando Morais, autor de Os últimos soldados da Guerra Fria (Cia. das letras, 2011, 416 páginas), que trata dos contraterroristas de Cuba infiltrados nos EUA, acredita que a medida, do ponto de visto histórico, é “extremamente radical” se levado em conta o relacionamento entre a Ilha e os EUA, cuja imposição de um pesado embargo econômico já dura 50 anos.
 
“A desestatização de vários setores da economia cubana, que retornaram à atividade privada, assim como a liberação do comércio de imóveis residenciais, já revelou que o governo não ia realizar apenas mudanças cosméticas, mas mergulharia mais profundamente”, pontuou.
 
O escritor afirma que chegou a fazer quase 20 viagens à Ilha para o livro. Na oportunidade, pôde presenciar a implantação das primeiras reformas de Raul e o impacto sobre os cubanos – tanto os da Ilha quanto os que fazem parte da comunidade de exilados da Flórida.
 
Morais lembra que há razões históricas para que a legislação fosse tão rígida até os dias de hoje. “Há meio século, os EUA declararam guerra à Revolução Cubana. Não a guerra convencional, mas uma secreta e ilegal, que promoveu agressões militares, econômicas, diplomáticas e políticas contra Cuba. Organizou, patrocinou e executou atentados que tiraram a vida de milhares de inocentes”, afirmou.
 
Ele lembrou que o endurecimento às saídas é resultante, principalmente da Operação Peter Pan, um complô organizado pela CIA e pela Igreja Católica dos EUA, que retirou de Cuba 14.048 crianças e adolescentes, muitas delas levadas para albergues norte-americanos.
 
Para Osvaldo Coggiola, professor de História Contemporânea da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP), as mudanças favorecem a desigualdade social que ficará cada vez mais evidente entre os que podem viajar para o exterior e os que não têm essa possibilidade. “O impacto é limitado às pessoas que possam financiar passagens e estadias no exterior e, principalmente, àqueles que têm família nos EUA, que podem enviar dinheiro a Cuba livremente (outra medida relativamente recente) para financiar as passagens e outros gastos”.
 
Coggiola acredita que esta medida, assim como outras reformas organizadas pelo governo, como a liberação de compra e venda de automóveis e casas, acabam por introduzir tipos de “mecanismos de mercado” que, por trás deles, levam à acumulação de capital. “Em nome da ‘atualização’ do modelo econômico cubano se abre a via para concessões crescentes ao capital externo e para diversas vias de acumulação interna de capital”, que acabam, em sua opinião, por dar aos envios de dinheiro vindos principalmente de Miami [principal centro de dissidente no exterior] um poder de desestabilização econômica.
 
Segundo ele, a dependência cada vez maior do setor turístico faz com que aumente a importação de alimentos para o consumo nesse setor, bloqueando o desenvolvimento agropecuário do país – e, como consequência, eleva o desemprego.
 
Para Coggiola, essa abertura ainda não abrange medidas de abertura políticas, fundamentais para o bom funcionamento da Revolução Cubana. “Existem na Ilha forte tendências para a deliberação política entre estudantes e setores de trabalhadores. A liberdade sindical e política são reivindicações fundamentais, em Cuba, para lutar por uma saída socialista. O destino da Revolução Cubana está nas mãos (e sob a responsabilidade) de todos os trabalhadores da América Latina”. A abertura nesse aspecto é necessária, segundo ele, para que a revolução ainda contemple uma alternativa socialista em seu horizonte, e precisa ser contemplada nas reformas.
 
EUA
A iniciativa do governo cubano, na visão de Frei Betto, não agradou ao Departamento de Estado dos EUA. “Os cubanos não dispõem de renda suficiente para fazer turismo no exterior. Aqueles que viajam o fazem custeados pelo governo – como esportistas ou o Balé Nacional de Cuba – ou por quem os convida. Isso significa que os cubanos residentes nos EUA gastarão dólares para custear as viagens de seus parentes e amigos que moram em Cuba. E há o risco de muitos não quererem retornar ao país de origem. [...] O que significa uma liberalização do regime cubano se constitui numa dor de cabeça para os EUA, que sempre acusou Cuba de não permitir viagens ao exterior de seus cidadãos”.
 
Para ele, o governo dos Estados Unidos será obrigado a rever sua política em relação a Cuba, sobretudo no quesito migração. “Imagino as filas que se formarão à porta da delegação norte-americana em Havana, que concede os vistos, e uma ironia histórica: serão os EUA que passarão a negar vistos de saída aos cubanos, impedindo-os de entrar”.
 
Agora, segundo Morais, o próximo passo deve ser dado pelos EUA. “Alimento a expectativa de que, se for reeleito – e, portanto, não precisar mais beijar a mão dos coronéis da máfia cubana de Miami –, o presidente Barack Obama pode pôr fim ao bloqueio. Afinal, já está passando da hora dele fazer jus ao Prêmio Nobel da Paz que recebeu”, disse.