quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Com Cuba na liderança, Celac deve voltar-se às questões sociais

Com Cuba à frente da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em 2013, se abre uma oportunidade para os temas sociais na região, considerou a secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena.
 
Via Correio do Brasil, com informações da Prensa Latina
 
Em entrevista à Prensa Latina, a máxima diretora da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) sublinhou que a liderança de Cuba na Celac facilitará que o olhar seja posto na igualdade, que se avance em matéria de integração e se veja o “que mais podemos fazer para que [o grupo] não só passe pelo intercâmbio de bens e serviços, como também pelo intercâmbio de capacidades”.
 
De acordo com a funcionária das Nações Unidas, depois da presidência pro tempore do Chile, que promoveu a esfera dos investimentos, com Cuba na liderança da organização “passamos a olhar com prioridade o tema das relações sociais, o tema educativo, a alfabetização, a profundidade e o intercâmbio de experiências em matéria de políticas sociais bem-sucedidas em saúde, em segurança social”.
 
A Celac foi constituída em sua primeira cúpula, realizada em Caracas em dezembro de 2011, com a presença de chefes de Estado e outros altos representantes dos 33 países da América Latina e do Caribe. A próxima reunião de alto nível terá Santiago do Chile como sede no final de janeiro de 2013, ocasião na qual o bloco também se reunirá com a União Europeia.
 
Segundo Bárcena, para o organismo que dirige, foi uma grande notícia a criação da Celac, já que “fazia falta na região que se reunissem todos os Estados da América Latina e do Caribe e é a primeira vez que existe este foro onde estão todos”.
 
A secretária executiva considerou que, no calor dessa organização regional, se abrem espaços de colaboração e cooperação muito importantes, “e isso vale a pena ser destacado”, enfatizou.
 
Segundo ela, não se trata de substituir o que está funcionando bem, mas fortalecer. Ela defendeu que existam maiores espaços de diálogo, como, por exemplo, entre a União de Nações Sul-Americanas e o Sistema de Integração Centro-Americana, ou os espaços de integração da América Central e da Comunidade do Caribe.
 
“Eu acho que se trata de construir pontes, como a da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América, que é um novo espaço geopolítico e econômico de grande relevância”, destacou a diretora da Cepal.
 
A especialista descreveu a Celac como uma espécie de marco que deve dar espaço a todos os esforços de integração, com o horizonte da igualdade.
 
“América Latina e Caribe é a região mais desigual do mundo e tem de ter como horizonte a igualdade, e como caminho uma mudança estrutural virtuosa, a mudança de seus tecidos produtivos e sociais para conseguir uma melhor distribuição de renda, uma melhor distribuição dos fatores de produção, uma melhor distribuição da tecnologia, da ciência e da educação”, refletiu Bárcena.
 
Alicia assinalou que não somente com políticas sociais se resolve o social, pois deve haver uma mudança para maior integração interregional.
 
“Somos uma região pouco integrada, nosso coeficiente de integração interregional é de 19,2%, comparado com o da Europa que é de 66%, ou o da Ásia-Pacífico que é de 40%”, indicou depois de reconhecer que há espaço para uma maior integração e cooperação econômica e também social.
 
Ela recordou que a presidência pro tempore do Chile este ano na Celac enfatizou o tema dos investimentos, com resultados positivos, de maneira que a América Latina e o Caribe se converteram em espaços muito atraentes para outras regiões do mundo.
 
E é importante que “estes negócios, estes investimentos, esta mobilização para nossa região seja sempre dentro deste marco de atingir a igualdade e o acesso igualitário a oportunidades”, indicou.
 
Na terça-feira, dia 2, a Cepal apresentou seu Estudo Econômico da América Latina e Caribe 2012, no qual opinou que a fraqueza da economia mundial incide no crescimento da região, que terá neste ano uma expansão menor que a de períodos anteriores.
 
O organismo das Nações Unidas assinalou que a desaceleração das economias durante 2011 se estendeu no primeiro semestre de 2012, o que fez cair a projeção de crescimento de 3,7% a 3,2%.
 
As contrações na demanda externa e uma tendência decrescente dos preços da maioria dos principais bens básicos de exportação, transformaram o comércio exterior no principal canal de transmissão da crise internacional às economias latino-americanas e caribenhas.
 
No entanto, a Cepal considerou que a região acumulou uma experiência valiosa nos últimos anos, o que permite que responda adequadamente às turbulências externas.

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