terça-feira, 27 de novembro de 2012

Cuba trilha o caminho da recuperação após furacão Sandy

Depois do Sandy, cubanos tentam recuperar seus pertences.
O furacão Sandy interrompeu com sua passagem destrutiva a tranquilidade na madrugada da quinta-feira, 25 de outubro de 2012, no Leste cubano, onde quase um mês depois a solidariedade e o esforço para se repor das adversidades marcam o caminho da recuperação.
 
Waldo Mendiluza, via Correio do Brasil
 
Ventos superiores a 175 quilômetros por hora – com rajadas de até 200 –, fortes chuvas e ondas do mar constituíram os atributos do ciclone tropical que atingiu sobretudo as províncias de Santiago de Cuba, Holguín e Guantânamo, segundo a ordem dos danos sofridos.
 
Durante cinco horas, Sandy açoitou o oriente da Ilha, ainda que as precipitações associadas ao fenômeno tenham estendido seu efeito para territórios centrais como Villa Clara e Sancti Spiritus.
 
Mais de 230 mil moradias afetadas, significativas perdas agrícolas, centenas de toneladas de escombros em avenidas, ruas e espaços públicos e a interrupção de dezenas de circuitos do serviço elétrico configuraram o estrago que fenômeno causou no oriente do país.
 
Apesar das medidas adotadas pela Defesa Civil e os preparativos dos cubanos, o furacão categoria 2 na escala de Saffir-Simpson provocou 11 mortos, além das milionárias implicações econômicas.
 
Em Santiago de Cuba, a segunda província em importância e população do país, Sandy deixou um panorama desolador, por seu impacto na infraestrutura habitacional, rodoviária, agrícola, elétrica e telefônica.
 
“Nunca tínhamos visto aqui tanta fúria da natureza, é triste o que temos ante nossos olhos”, comentou um santiaguero, com o qual concordaram outros entrevistados pela imprensa local. Também foram inúmeras as manifestações de confiança no apoio governamental aos mais afetados.
 
A resposta
Poucas horas depois do impacto de Sandy, começaram as tarefas de recuperação e a mobilização de recursos para ajudar a população, restabelecer os serviços básicos e ativar os centros socioeconômicos danificados.
 
Dirigentes e altos servidores públicos encabeçados pelo presidente Raul Castro e o primeiro vice-presidente, José Ramon Machado Ventura, percorreram as províncias afetadas pelo furacão, onde fixaram as prioridades da recuperação e dialogaram com seus residentes.
 
O chefe de Estado convocou a realizar “o máximo esforço para restabelecer no menor tempo possível a normalidade nos territórios afetados pelo furacão”.
 
“Temos de fazer um plano detalhado para a recuperação destas regiões e armazenar todo tipo de recursos que possam precisar”, apontou.
 
No setor da moradia, desde províncias do ocidente e do centro do país saíram por via férrea, marítima e terrestre materiais de construção para as regiões afetadas pelo fenômeno climático.
 
Milhares de telhas, toneladas de cimento e blocos chegaram ao oriente cubano, em operações que contaram com o apoio das Forças Armadas Revolucionárias. Devido aos danos, o governo cubano anunciou sua decisão de realizar uma redução de 50% dos preços vigentes dos materiais de construção vendidos às famílias afetadas, com facilidades ou isenções para pessoas de poucos recursos.
 
A alimentação também contou com uma notável ajuda, a partir de dezenas de vagões e caminhões carregados com carnes, cereais e grãos.
 
De territórios agrícolas como Mayabeque e Artemisa, no ocidente cubano, foram transportados diversos produtos, fluxo que se manterá em novembro, informaram servidores públicos.
 
Ao envio de alimentos somou-se o anúncio da estratégia nos territórios golpeados pelo Sandy de avançar na recuperação das perdas agrícolas com cultivos de ciclo curto como a batata-doce, a abóbora e o milho.
 
Outros setores com amplas mostras de solidariedade têm sido o elétrico e o telefônico, a partir do apoio de dezenas de brigadas de outras províncias. Apesar dos danos na infraestrutura de ambos serviços, autoridades asseguram sua restauração total em Guantânamo e quase completa em Holguín e Santiago de Cuba, onde a queda de mastros e cabos, e os danos em transformadores retardaram a restauração.
 
Solidariedade internacional
Ajuda humanitária, condolências pelas vítimas e mensagens de apoio procedentes dos cinco continentes marcaram os dias posteriores ao impacto de Sandy.
 
Governos, organizações políticas e grupos de solidariedade de países como Venezuela, El Salvador, Nicarágua, México, Bolívia, Equador, China, Rússia, Brasil, Uruguai, Uganda, Suriname, Catar, Colômbia, Panamá, Peru, Alemanha, Japão e França expressaram seu acompanhamento a Cuba.
 
Mais de 15 voos com ajuda humanitária transportaram centenas de toneladas de alimentos não perecíveis, água potável e materiais de construção, que complementam os volumosos recursos dedicados na Ilha às tarefas recuperativas. Também várias embarcações, sobretudo procedentes da Venezuela, trouxeram donativos a Cuba.
 
Caracas ativou uma ponte de solidariedade com a Ilha e o chefe de Estado, Hugo Chavez, enviou o vice-presidente Rafael Ramirez para coordenar in situ o apoio a Cuba.
 
Por sua vez, o presidente surinamês, Desiré Delano Bouterse, demonstrou seu afeto à população de Santiago de Cuba durante uma visita de solidariedade. “Cuba colabora com o mundo todo, por isso muitos países estão atentos ao que aconteceu e o Suriname propõe-se compartilhar o pouco que tem neste momento difícil”, afirmou pouco antes de entregar um donativo.
 
No meio dos esforços de recuperação, Havana emitiu suas condolências aos governos e cidadãos das Bahamas, Canadá, Estados Unidos, Haiti e Jamaica, países que também sofreram o impacto do Sandy, com perdas humanas e materiais.
 
Waldo Mendiluza é editor chefe da Redação Nacional da Prensa Latina.

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