terça-feira, 27 de novembro de 2012

Furacão Sandy: A diferença de tratamento com Cuba e Estados Unidos

 
Antonio Capistrano
 
A diferença da cobertura na mídia brasileira sobre os estragos causados em Cuba e nos Estados Unidos com a passagem do furacão Sandy demonstra como as informações de nossa mídia sobre Cuba são distorcidas, manipuladas e muitas vezes ocultadas.
 
Parece que o furacão Sandy não passou por Cuba, e sim, só pelos Estados Unidos. A mídia deu a entender que em Cuba passou apenas uma tempestade tropical, sem muitos prejuízos.
 
Cuba ficou localizada no caminho dos furacões, no Mar das Antilhas, na entrada do Golfo do México. Praticamente todos os anos o país sofre com a devastação causada pela passagem desse fenômeno da natureza. Para um país pobre, sem grandes recursos naturais, sem fontes energéticas relevantes e sem ajuda significativa da comunidade internacional, os furacões acarretam grande impacto na economia do país. Além dos furacões, ainda existe o bloqueio econômico imposto pela maior potência econômica e militar do mundo, os Estados Unidos da América do Norte.
 
Não é mole, quase todos os anos, mobilizar mais de 3 milhões de pessoas, colocando-as em locais seguros das consequências devastadoras dos furacões. O governo cubano faz relocações da população das áreas que serão afetadas com muita competência. O nível de consciência política do povo ajuda na ação rápida de mobilidade de grande contingente populacional.
 
Os Estados Unidos, com toda a riqueza, com todo o aparado tecnológico disponível, sofreu, e como sofreu, as consequência do furacão Sandy. Em Nova Iorque foi um deus nos acuda. Imagine Cuba e o sacrifício de seu povo e de seu governo no enfrentamento das consequências da passagem do Sandy pela Ilha.
 
Conversei com Olavo Queiroz, o camarada que preside, aqui no estado, a Casa da Amizade Brasil/Cuba, que esteve lá logo após a passagem do furacão Sandy. Ele voltou preocupado com o estrago causado nas províncias de Holguín, Guantânamo e de Santiago de Cuba. O governo cubano vai ter muita dificuldade financeira para reparar os estragos causados pelo furacão Sandy.
 
Li uma boa notícia no jornal Granma. A representação da ONU em Cuba apresentou na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, o plano de ajuda ao país. O documento foi preparado conjuntamente com os representantes dos fundos, organizações e programas do Sistema das Nações Unidas em Cuba, em coordenação com as autoridades nacionais, tudo com o objetivo de otimizar o resultado da ajuda prevista. O povo cubano precisa muito dessa ajuda.
 
Agora, o que anima é a certeza do compromisso do governo cubano com o social, compromisso de oferecer educação, saúde, cultura, esporte e lazer para todos, mesmo sofrendo constantemente esses reveses da natureza. Cuba sente dificuldade em oferecer um bom padrão de vida a seu povo, mesmo assim oferece oportunidade de uma educação de primeiro mundo e um sistema de saúde pública de boa qualidade, extensiva a toda a população.
 
Os grandes meios de comunicação da América Latina, sob o controle dos interesses ianques, não podem continuar distorcendo os fatos, mentindo, ocultando informações corretas sobre essa brava Ilha.
 
Já estive lá por duas vezes (1988 e 2011), em cada viagem retornei mais entusiasmado com a bela ilha, seu bravo povo e seu governo. Cuba sempre foi solidária com a comunidade internacional, sempre esteve presente em diversos países em momento de catástrofes levando ajuda humanitária. Chegou a hora de receber apoio de seus irmãos latinos-americanos.
 
Antonio Capistrano foi reitor da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (Uern) e é filiado ao PCdoB.

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