sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Pela primeira vez, transexual é eleito para cargo público em Cuba

 
Adela Hernandez (foto) chegou a ficar presa por dois anos porque sua família “denunciou” sua sexualidade.
 
 
Um transexual cubano tornou-se o primeiro cidadão transgênero a assumir um cargo público em Cuba. Adela Hernandez, de 48 anos, foi eleita delegada do pequeno município de Caibarien, na província de Villa Clara.
 
Mulher desde a infância, ela foi considerada “perigosa” por autoridades e já chegou a passar dois anos presa após sua família “denunciar” sua sexualidade. Por telefone, ela conversou com o jornal britânico The Guardian e disse que “com o passar do tempo, pessoas homofóbicas vão se tornando a minoria”. Para ela, sua vitória representa “um grande triunfo”.
 
Como nunca se submeteu a qualquer cirurgia de troca de sexo, Hernandez é juridicamente um homem. Sua posição política é equivalente a de um prefeito e, no início de 2013, ela pode vir a ser escolhida como um dos membros do Parlamento nacional.
 
Antes de ser promovida aos cargos de enfermeira e operadora de eletrocardiograma, Hernandez trabalhou por décadas em um hospital como zeladora. Em sua comunidade, sempre foi conhecida pela militância e constante atuação política, o que a auxiliou a angariar votos.
 
A seu ver, “a preferência sexual não determina se alguém é revolucionário ou não”. Como eleita, ela alega que trabalhará primordialmente pelos interesses constitucionais. No entanto, não nega que também quer dar ênfase à defesa dos direitos da comunidade LGBT.
 
Em Cuba, gays foram perseguidos por décadas e enviados para campos de trabalho forçado no interior do país. Há pouco tempo, Fidel Castro lamentou o tratamento que muitos receberam pelo simples fato de serem julgados “diferentes”. “Eu gostaria de saber que a discriminação contra homossexuais é um problema em vias de ser superado”, disse o líder em uma entrevista recente.
 
Desde 2007, a Ilha incluiu cirurgias para troca de sexo em seu plano nacional de saúde. No ano passado, duas pacientes que se submeteram ao procedimento se casaram e tornaram-se manchete na imprensa local. A ativista LGBT de maior destaque no país é Mariela Castro, sobrinha de Fidel e filha do atual presidente Raul Castro.

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