segunda-feira, 29 de abril de 2013

Salim Lamrani: 50 verdades sobre o bloqueio econômico dos EUA contra Cuba

 
O estado de sítio econômico mais extenso da história voltou a atrair holofotes após a visita da cantora Beyoncé à Ilha.
 
Salim Lamrani de Paris, lido no Opera Mundi
 
A visita da estrela estadunidense da música Beyoncé e de seu marido Jay-z à Havana voltou a levantar polêmica sobre a manutenção das sanções contra Cuba, em vigor há mais de meio século. Eis aqui alguns dados sobre o mais extenso estado de sítio econômico da história.
 
1. A administração republicada de Dwight D. Eisenhower impôs as primeiras sanções econômicas contra Cuba em 1960, oficialmente por causa do processo de nacionalizações que o governo revolucionário de Fidel Castro empreendeu.
 
2. Em 1962, o governo democrata de John F. Kennedy aplicou sanções econômicas totais contra a Ilha.
 
3. O impacto foi terrível. Os Estados Unidos e Cuba sempre mantiveram políticas cordiais de comércio. Em 1959, 73% das exportações eram feitas para o vizinho do norte e 70% das importações precediam deste território.
 
4. Agora, Cuba não pode exportar nem importar nada dos Estados Unidos. Desde 2000, depois das pressões do lobby agrícola estadunidense que buscava novos mercados para seus excedentes, a cidade de Havana está autorizada a importar algumas matérias-primas alimentícias, com condições draconianas.
 
5. A retórica diplomática para justificar o endurecimento deste estado de sítio econômico evoluiu com o tempo. Entre 1969 e 1990, os Estados Unidos evocaram o primeiro caso de expropriações de suas empresas para justificar sua política hostil contra Havana. Em seguida, Washington evocou sucessivamente a aliança com a União Soviética, o apoio às guerrilhas latino-americanas na luta contra as ditaduras militares e a intervenção cubana na África para ajudar as antigas colônias portuguesas a conseguir sua independência e a defendê-la.
 
6. Em 1991, depois do desmoronamento do bloco soviético, em vez de normalizar as relações com Cuba, os Estados Unidos decidiram reforçar as sanções invocando a necessidade de reestabelecer a democracia e o respeito aos direitos humanos.
 
7. Em 1992, sob a administração de Bush pai, o Congresso dos Estados Unidos adotou a lei Torricelli, que recrudesce as sanções contra a população cubana e lhes dá um caráter extraterritorial, isto é, contrário à legislação internacional.
 
8. O direito internacional proíbe toda lei nacional de ser extraterritorial, isto é, de ser aplicada além das fronteiras do país. Assim, a lei francesa não pode ser aplicada na Alemanha. A legislação brasileira não pode ser aplicada na Argentina. Não obstante, a lei Torricelli é aplicada em todos os países do mundo.
 
9. Assim, desde 1992, todo barco estrangeiro – qualquer que seja sua procedência – que entre em um porto cubano, se vê proibido de entrar nos Estados Unidos durante seis meses.
 
10. As empresas marítimas que operam na região privilegiam o comércio com os Estados Unidos, primeiro mercado mundial. Cuba, que depende essencialmente do transporte marítimo por sua insularidade, tem de pagar um preço muito superior ao do mercado para convencer as transportadoras internacionais a fornecer mercadoria à Ilha.
 
11. A lei Torricelli prevê também sanções aos países que brindam assistência a Cuba. Assim, se a França ou o Brasil outorgarem uma ajuda de US$100 milhões à Ilha, os Estados Unidos cortam o mesmo montante de sua ajuda a essas nações.
 
12. Em 1996, a administração Clinton adotou a lei Helms-Burton que é ao mesmo tempo extraterritorial e retroativa, isto é, se aplica sobre feitos ocorridos antes da adoção da legislação, o que é contrário ao direito internacional.
 
13. O direito internacional proíbe toda legislação de ter caráter retroativo. Por exemplo, na França, desde 1º de janeiro de 2008, está proibido fumar nos restaurantes. Não obstante, um fumador que tivesse consumido um cigarro no dia 31 de dezembro de 2007 durante um jantar não pode ser multado por isso, já que a lei não pode ser retroativa.
 
14. A lei Helms-Burton sanciona toda empresa estrangeira que se instalou em propriedades nacionalizadas pertencentes a pessoas que, no momento da estatização, dispunham de nacionalidade cubana, violando o direito internacional.
 
15. A lei Helms-Burton viola também o direito estadunidense que estipula que as demandas judiciais nos tribunais somente são possíveis se a pessoa afetada por um processo de nacionalizações era um cidadão estadunidense quando ocorreu a expropriação e que esta tenha violado o direito internacional público. Veja só, nenhum destes requisitos são cumpridos.
 
16. A lei Helms-Burton tem como efeito dissuadir numerosos investidores de se instalarem em Cuba por temer represálias por parte da justiça estadunidense e é muito eficaz.
 
17. Em 2004, a administração de Bush filho criou a Comissão de Assistência a uma Cuba Livre, que impulsionou novas sanções contra Cuba.
 
18. Esta Comissão limitou muito as viagens. Todos os habitantes dos Estados Unidos podem viajar a seu país de origem quantas vezes quiserem – menos os cubanos. De fato, entre 2004 e 2009, os cubanos dos Estados Unidos só puderam viajar a Ilha 14 dias a cada três anos, na melhor das hipóteses, desde que conseguissem uma autorização do Departamento do Tesouro.
 
19. Para poder viajar era necessário demonstrar que ao menos um membro da família vivia em Cuba. Não obstante, a administração Bush redefiniu o conceito de família, que se aplicou exclusivamente aos cubanos. Assim, os primos, sobrinhos, tios e outros parentes próximos já não formavam parte da família. Somente os avós, país, irmãos, filhos e cônjuges formavam parte da família, de acordo com a nova definição. Por exemplo, um cubano que residisse nos Estados Unidos não poderia visitar sua tia em Cuba, nem mandar uma ajuda econômica para seu primo.
 
20. Os cubanos que cumpriam todos os requisitos para viajar a seu país de origem, além de terem de limitar sua estadia a duas semanas, não podiam gastar ali mais de US$50,00 diários.
 
21. Todos os cidadãos ou residentes estadunidenses podiam mandar uma ajuda financeira a sua família, sem limite de valor, menos os cubanos, que não podiam mandar mais de US$100,00 ao mês entre 2004 e 2009.
 
22. Não obstante, era impossível a um cubano da Flórida mandar dinheiro à sua mãe que vivia em Havana – membro direto da sua família de acordo com a nova definição –, se a mãe militasse no Partido Comunista.
 
23. Em 2006, a Comissão de Assistência a uma Cuba Livre adotou outra norma que recrudesceu as restrições contra Cuba.
 
24. Com o objetivo de limitar a cooperação médica cubana com o resto do mundo, os Estados Unidos proibiram a exportação de equipamentos médicos a países terceiros “destinados a serem utilizados em programas de grande escala [com] pacientes estrangeiros” mesmo apesar de a maior parte da tecnologia médica mundial ser de origem estadunidense.
 
25. Por causa da aplicação extraterritorial das sanções econômicas, uma fabricante de carros japonesa, alemã, coreana, ou outra, que deseje comercializar seus produtos no mercado estadunidense, tem de demonstrar ao Departamento do Tesouro que seus carros não contêm nem um só grama de níquel cubano.
 
26. Do mesmo modo, um confeiteiro francês que deseje entrar no primeiro mercado do mundo tem de demonstrar à mesma entidade que sua produção não contém um só grama de açúcar cubano.
 
27. Assim, o caráter extraterritorial das sanções limita fortemente o comércio internacional de Cuba com o resto do mundo.
 
28. Às vezes, a aplicação destas sanções toma um rumo menos racional. Assim, todo turista estadunidense que consuma um cigarro cubano ou um copo de rum Havana Club durante uma viagem ao exterior, na França, no Brasil ou no Japão, se arrisca a pagar uma multa de US$1 milhão e a ser condenado a dez anos de prisão.
 
29. Do mesmo modo, um cubano que resida na França, teoricamente não pode comer um sanduíche do McDonald’s.
 
30. O Departamento do Tesouro é taxativo a respeito: “Muitos se perguntam com frequência se os cidadãos estadunidenses podem adquirir legalmente produtos cubanos, inclusive tabaco ou bebidas alcoólicas, em um país terceiro para seu consumo pessoal fora dos Estados Unidos. A resposta é não”.
 
31. As sanções econômicas também têm um impacto dramático no campo da saúde. Com efeito, cerca de 80% das patentes depositadas no setor médico provêm das multinacionais farmacêuticas estadunidenses e de suas subsidiárias e Cuba não pode ter acesso a elas. O Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos sublinha que “as restrições impostas pelo embargo têm contribuído para privar Cuba de um acesso vital a medicamentos, novas tecnologias médicas e científicas”.
 
32. No dia 3 de fevereiro de 2006, uma delegação de dezesseis funcionários cubanos, reunida com um grupo de empresários estadunidenses, foi expulsa do Hotel Sheraton Maria Isabel da capital mexicana, violando a lei asteca que proíbe todo tipo de discriminação por raça ou origem.
 
33. Em 2006, a empresa japonesa Nikon se negou a entregar o primeiro prêmio – uma câmera – a Raysel Sosa Rojas, jovem cubano de 13 anos que sofre de uma hemofilia hereditária incurável, que ganhou o XV Concurso Internacional de Desenho Infantil do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A multinacional nipônica explicou que a câmera digital não poderia ser entregue ao jovem cubano porque continha componentes estadunidenses.
 
34. Em abril de 2007, o Banco Bawag, vendido ao fundo financeiro estadunidense, fechou as contas de uma centena de clientes de origem cubana que residiam na república alpina, aplicando assim, de modo extraterritorial, a legislação estadunidense em um país terceiro.
 
35. Em 2007, o banco Barclays ordenou às suas filiais de Londres que fechassem as contas de duas empresas cubanas: Havana International Bank e Cubanacán, depois de a Ofac (Office of Foreign Assets Control, ou Oficina de Controle de Bens Estrangeiros) do Departamento do Tesouro, efetuar prisões.
 
36. Em julho de 2007, a companhia aérea espanhola Hola Airlines, que tinha um contrato com o governo cubano para transportar pacientes que padeciam de doenças oculares no marco da Operação Milagre teve de por fim às suas relações com Cuba. Com efeito, quando solicitou ao fabricante estadunidense Boeing que realizasse consertos em um avião, este lhe exigiu como condição que rompesse seu contrato com a Ilha e explicou que a ordem era procedente do governo dos Estados Unidos.
 
37. No dia 16 de dezembro de 2009, o banco Crédit Suisse recebeu uma multa de US$536 milhões do Departamento do Tesouro por realizar transações financeiras em dólares com Cuba.
 
38. Em junho de 2012, o banco holandês ING recebeu a maior sanção jamais aplicada desde o início do estado de sítio econômico contra Cuba em 1960. A Ofac, do Departamento do Tesouro, sancionou a instituição financeira com uma multa de US$619 milhões por realizar, entre outras, transações em dólares com Cuba, por intermédio do sistema financeiro estadunidense.
 
39. Os turistas estadunidenses podem viajar para a China, principal rival econômica e política dos Estados Unidos, para o Vietnã, país contra o qual Washington esteve mais de quinze anos em guerra, ou para a Coreia do Norte, que possui armamento nuclear e ameaça usá-lo, mas não para Cuba, que, em sua história, jamais agrediu os Estados Unidos.
 
40. Todo cidadão estadunidense que viole esta proibição se arrisca a uma sanção que pode alcançar 10 anos de prisão e US$1 milhão de multa.
 
41. Depois das solicitações de Max Baucus, senador do Estado de Montana, o Departamento do Tesouro admitiu ter realizado, desde 1990, apenas 93 investigações relacionadas ao terrorismo internacional. No mesmo período, efetuou outras 10.683 “para impedir que os estadunidenses exerçam seu direito de viajar a Cuba”.
 
42. Em um boletim, a Gao (United States Government Accountability Office, ou Oficina de Responsabilidade Governamental dos Estados Unidos) apontou que os serviços aduaneiros (Customs and Border Protection – CBP) de Miami realizaram inspeções “secundárias” sobre 20% dos passageiros procedentes de Cuba em 2007 com a finalidade de comprovar que não importavam tabaco, álcool ou produtos farmacêuticos da Ilha. Por outro lado, a média de inspeções foi só de 3% para o restante dos viajantes. Segundo a GAO, este enfoque sobre Cuba “reduz a aptidão dos serviços aduaneiros para levar a cabo sua missão que consiste em impedir que os terroristas, criminosos e outros estrangeiros indesejáveis entrem no país”.
 
43. Os ex-presidentes James Carter e William Clinton expressaram várias vezes sua oposição à política de Washington. “Não deixei de pedir pública e privadamente a eliminação de todas as restrições financeiras, comerciais e de viagem”, declarou Carter depois de sua segunda estadia em Cuba em março de 2011. Para Clinton, a política de sanções “absurda” tem sido um “fracasso total”.
 
44. A Câmara de Comércio dos Estados Unidos, que representa o mundo dos negócios e as mais importantes multinacionais do país, também expressou sua oposição à manutenção das sanções econômicas.
 
45. O jornal The New York Times condenou “um anacronismo da Guerra Fria”.
 
46. O Washington Post, diário conservador, aparece como o mais virulento quando se trata da política cubana de Washington: “A política dos Estados Unidos em relação a Cuba é um fracasso […]. Nada mudou, exceto que o nosso embargo nos torna mais ridículos e impotentes que nunca”.
 
47. A maior parte da opinião pública estadunidense também está a favor de uma normatização das relações entre Washington e Havana. Segundo uma pesquisa realizada pela CNN no dia 10 de abril de 2009, 64% dos cidadãos estadunidenses se opõe às sanções econômicas contra Cuba.
 
48. De acordo com a empresa Orbitz Worldwide, uma das mais importantes agências de viagem da internet, 67% dos habitantes dos Estados Unidos desejam ir de férias para Cuba e 72% acreditam que “o turismo em Cuba teria um impacto positivo na vida cotidiana do povo cubano”.
 
49. Mais de 70% dos cubanos nasceram sob o estado de sítio econômico.
 
50. Em 2012, durante a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, 188 países de 192 condenaram pela 21ª vez consecutiva as sanções econômicas contra Cuba.
 
Salim Lamrani é doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade de Paris Sorbonne-Paris IV, professor-titular da Universidade de la Reunión e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos.
 
Votações na Assembleia Geral da ONU contra o bloqueio dos EUA a Cuba

Nota: Atualmente, a ONU possui 193 países-membros,
mas nem todos comparecem nas votações.

UFRN: Departamento de Ciências Sociais promove minicurso sobre Revolução Cubana

“Revolução Cubana: história, desafios e inserção internacional” é o tema do minicurso de extensão promovido pelo Departamento de Ciências Sociais (DCS) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Serão realizados quatro encontros ao longo do mês de maio no Auditório A do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), sempre às 14 horas.
 
As aulas têm início no dia 6 de maio, com uma introdução sobre a Revolução Cubana e a projeção do filme Memórias do subdesenvolvimento. No dia 13, o tema será “A Revolução Cubana: histórias e desafios”; no dia 20, o assunto abordado será “Cuba hoje”, com projeção e debate do filme Habanastation. Já no dia 27, serão apresentadas questões sobre “A inserção internacional de Cuba no mundo pós-guerra fria”.
 
São oferecidas 40 vagas e os interessados devem realizar as inscrições por meio do Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA) [clique aqui].
 
Coordenado pelo professor do DCS Marcos Antônio da Silva, o minicurso tem o objetivo de oferecer aos participantes uma visão histórica sobre os principais aspectos e desafios da Revolução Cubana, além de propor a análise da realidade atual do país e sua inserção internacional.
 
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (84) 3215-3555 ou via e-mail: marocam@terra.com.br.

Representantes de 73 países participarão do desfile do 1º de Maio em Havana

Julio Pérez
 
Mais de 2 mil líderes sindicais, organizações sociais e movimentos de solidariedade de 265 organizações de 73 países de todos os continentes confirmaram participação nas comemorações do Dia Internacional dos Trabalhadores.
 
O anúncio foi feito ao Granma por Raymundo Navarro, membro da Secretaria Nacional da Central dos Trabalhadores de Cuba (CTC), acrescentando que durante décadas tornou-se tradição o interesse do povo cubano em participar dessa grande festa.
 
Para eles, a presença no desfile central na Praça da Revolução José Martí, em Havana, que sempre começa às 7h30 da manhã, é de particular importância, uma vez que vai render homenagem especial ao eterno comandante presidente Hugo Chavez, o mais leal e querido amigo do povo cubano e de Fidel e, também, da Revolução Bolivariana, que continua avançando hoje sob a direção de Nicolas Maduro.
 
A partir das informações fornecidas, soube-se que essas pessoas são mobilizadas em Cuba não somente por meio da CTC e do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), mas também pela Assembleia Nacional do Poder Popular, pela União dos Jovens Comunistas (UJC), pela Associação Nacional de Pequenos Agricultores (Anap), pela Federação de Mulheres Cubanas (FMC), dentre outras organizações.
 
Neste ano, irão juntar-se ao povo cubano representações participantes do Grupo de Trabalho da Reunião do Foro de São Paulo, que acontece na segunda-feira, dia 29, e terça-feira, dia 30, na capital cubana.

Alfredo Guevara, um intelectual militante da Revolução Cubana

 
Alfredo Guevara (1925-2013), morto em 19 de abril passado, era amigo e companheiro de Fidel Castro desde os tempos universitários. Presidiu o Festival de Cinema Latino-americano de Havana e fundou o Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (Icaic). Nesta entrevista republicada em sua homenagem, ele fala de política e cultura latino-americanas.
 
Néstor Kohan, via Rebelión e lido na Carta Maior
 
Alfredo Guevara (1925-2013) foi um dos grandes intelectuais militantes da Revolução Cubana. Amigo e companheiro de Fidel Castro desde os tempos universitários, suas intervenções marcaram a fogo os debates culturais da Revolução durante mais de meio século.
 
Já no começo dos anos de 1960, Alfredo Guevara foi um dos principais críticos dos critérios estéticos e culturais fechados, esquemáticos e muitas vezes dogmáticos que tentaram impor em Cuba, apelando naquela época à autoridade da ainda poderosa União Soviética. Alfredo garantiu que o Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (Icaic) mantivesse sempre um critério amplo, inclusive durante o auge do período no qual Cuba mais se aproximou à URSS (1971-1976). Sua independência de critério estético e a autonomia cultural de seu pensamento político lhe brindaram um grande respeito entre a intelectualidade cubana, latino-americana e mundial.
 
Ainda que tenha lido e estudado em detalhe aquelas intervenções e polêmicas juvenis suas, tive a honra e o prazer de conhecê-lo pessoalmente quando já era um homem idoso. O entrevistei nos festivais internacionais do Novo Cinema Latino-Americano, eventos aos quais nos convidou algumas vezes. Junto com vários amigos cubanos – alguns estreitos colaboradores seus –, ali pudemos conversar, trocar opiniões políticas e inclusive discutir sobre temas teóricos, não só de cinema, sem dúvida sua grande paixão.
 
Alfredo não só era uma figura consagrada, respeitada, admirada. Não se limitava a pronunciar discursos genéricos ou diplomáticos dirigidos a seduzir a intelectualidade europeia e latino-americana. Ao mesmo tempo se animava a realizar afirmações sumamente polêmicas, agudas e provocantes. Não se calava. Comunista sincero e fidelista leal (me consta que tinha por Fidel um carinho e uma admiração jamais dissimulados), nunca foi um obsequente. Não se calou. Falou. E isso não foi uma limitação, mas talvez sua melhor virtude.
 
Mas, ao mesmo tempo, além de participar e intervir sempre no debate cubano interno, soube ajudar a todos os rebeldes do mundo sem necessidade de realizar grandes gritos histriônicos nem poses teatrais. Em pleno Festival de Cinema, com toda a afluência de grandes estrelas da indústria cinematográfica – que Cuba necessitava e necessita para romper o bloqueio –, Alfredo reservava salas para mostrar o novo cinema da insurgência político-militar latino-americana atual, não só do passado. Com descrição e muita lucidez – para ele a revolução era e é precisamente isso: lucidez, como intitulou um de seus melhores livros –, permitiu e ajudou a organizar a mostra cinematográfica de uma guerrilha comunista, bolivariana e guevarista, que ainda hoje continua combatendo nas selvas e montanhas de Nossa América. A posição favorável de Alfredo Guevara contribuiu para garantir o debate político, mesmo quando a exposição do filme não saía anunciada no programa diário aberto a todo o público que frequentava o festival. Esse gesto calado, silencioso, mas firme, o mostra de corpo inteiro. Seu corpo estava velho, mas sua mente e seu coração continuavam sendo os de um jovem rebelde.
 
O mesmo se poderia dizer dos colaboradores que mantinha a seu lado, alguns deles – amigos nossos – jovens rebeldes e díscolos que continuam animando o debate pelo socialismo na Cuba atual.
 
Alfredo era um velho revolucionário – assim o conhecemos: já velho, que sabia rodear-se de jovens. Formou-se em outra época, mas nunca se resignou a deixar de dialogar com os jovens de hoje em dia com quem mantinha não poucas discussões acaloradas, mas cuidando-se de não romper o vínculo com eles, sabendo que sem a juventude, a Revolução não tem futuro.
 
Seguramente agora estará discutindo em algum lugar – quem saberá onde? – sobre algum filme ou protestando pela vulgaridade e a mediocridade de Hollywood, que tanto desprezava.
 
Abraço grande, querido Alfredo. Muito obrigado pela solidariedade e pela lucidez.
 
Néstor Kohan: Você conheceu Raymundo Gleyzer?
Alfredo Guevara: Sim, conheci. Mas não o avaliei. Tenho poucas lembranças diretas dele. Lembro seu rosto, sua pessoa etc. Mas eu comecei a magnificá-lo e a interessar-me muito por ele a partir do momento que, para nós, se converteu em uma figura mítica. Na verdade, naqueles anos – segunda metade da década de 60 – minha relação fundamental com os cineastas argentinos era a histórica de Maurício Berú e de Edgardo Pallero, que em seu momento, em 1967, haviam estado no Festival de Cinema de Viña del Mar e depois continuou essa relação muito estreita. Também com um companheiro chamado Walter Achugar, do Uruguai. Pallero e Achugar eram do mesmo grupo. Dolly Pussi, que está agora em Cuba, estava casada com Pallero. Também houve vínculo, menos idílico, com Fernando Solanas e Octavio Getino que haviam feito La hora de los hornos. Havia-nos parecido um filme extraordinário. Naquela época – isso já passou – tive com eles uma relação um pouco conflituosa. O problema era que estes dois últimos companheiros mudavam daqui para lá com o Che e isso me desconcertava.
 
Néstor Kohan: Você se refere à diferença entre a primeira e a segunda versão de La Hora de los Hornos, à mudança do final que aparece na segunda versão?
Alfredo Guevara: Sim, mas não só a isso. Também fizeram aquela entrevista ao general Perón. E eu, apesar de que em Cuba havia um peronista, um ideólogo, que me parecia muito lúcido...

Néstor Kohan: John William Cooke?
Alfredo Guevara: Sim, Cooke. Ele me parecia muito lúcido e também sua esposa.
 
Néstor Kohan: Alicia Eguren?
Alfredo Guevara: Sim, exatamente, Alicia. Mas não me convencia que tudo tivesse que passar por Perón porque, supostamente, eram “as características da Argentina”. Não me convencia isso. Parecia-me que não eram as características da Argentina, mas as de qualquer lugar onde surgisse uma corrente confusa e que confunde. Mas eu mesmo não tinha clareza, não estava seguro se eu tinha razão ou não tinha. Eles argumentavam muito bem, mas não me convenciam. No caso de Raymundo Gleyzer, sobre quem tu me perguntaste, ele não coincide exatamente em essa época cronológica, mas sua obra fílmica começa a ser conhecida um pouquinho depois. Eu escutei falar do “Cinema de base”, mas realmente não cheguei a dominar esse tema, mas até mais tarde, quando se converteu em uma figura orgulho do Novo Cinema Latino-americano. Aclaro que nós não procurávamos mártires. Mas Raymundo se converteu em uma figura emblemática de todo o movimento de cinema da América Latina.
 
Néstor Kohan: Você pôde ver a filmografia de Raymundo?
Alfredo Guevara: Sim, a vi. Também nós, em Cuba, fizemos retrospectivas de sua obra. Ou seja, Raymundo se converteu em uma figura emblemática. Nós não procurávamos mártires, mas os mártires surgiram. As ditaduras se encarregaram disso. Os militares se encarregaram de dar provas, se alguém tivesse dúvidas, que os cineastas são também combatentes.
 
Néstor Kohan: Como caracterizaria aquela fase inicial do Novo Cinema Latino-americano?
Alfredo Guevara: Uma das características da primeira etapa do Novo Cinema Latino-americano, a partir do encontro de Viña del Mar de 1967, é que praticamente de um modo ou outro, um com uma escala, outros com outra, de acordo com as características de suas possibilidades, de sua formação, do país onde estava, da situação de sua sociedade, ficou claro para todos nós que se dava uma inquietude social, mais combativa, menos combativa, de denúncia, de afirmação e identidade, mas começava a ser feito um cinema separado das normas habituais. Isto incluía até cineastas que não o sabiam. Parecia um denominador comum do que estavam fazendo todos os cineastas dessa geração da América Latina, em lugares afastados e sem se conhecer. Para mim refletia a situação do continente e da ilhazinha esta, onde vivemos (Cuba), em um momento dado. Havia um tipo de emergência do espírito revolucionário e de afirmação de identidades e de descobrimento de rasgos das identidades que todo o mundo destacava. Havia desde um cinema tão diretamente combativo como o de Jorge Sanjinés, na Bolívia, até outro que era de crítica social ou de lembrança de revoluções etc., mas o espírito de desafio e de aceitar desafios, estava generalizado.
 
Néstor Kohan: Em seu livro Revolución es lucidez (La Habana, Edições Icaic, 1998) você reproduz algumas polêmicas que, a partir do novo cinema latino-americano, mas não só sobre cinema, manteve com antigos dirigentes dos partidos comunistas...
Alfredo Guevara: Veja bem, em Cuba muita gente do cinema cubano, esse é o meu caso, tínhamos posições muito definidas. Talvez nem todos as tivessem tão definidas, mas todos os que militavam tínhamos definido que o movimento comunista – referindo-me não ao comunismo, mas aos PC – e seus partidos tradicionais, eram “catequizadores”. Essa expressão encontrei recentemente, mas o pensamento eu o tinha desde 1959. Catequizadores, não combatentes. A hora era de combate, não de catequizar! Difundiam ideologia, mas essa ideologia não se convertia em nada. De todas as maneiras jogavam um papel, mas me parecia totalmente insuficiente. A luta pelo poder tem que ser por todos os caminhos. Eu acho, como alguma vez sugeriu Fanon, que o verdadeiro momento da lucidez política é quando tu arrancas o fuzil do inimigo e o volta contra ele. O problema principal é a tomada do poder. E do poder tomar medidas radicais e rápidas. Aos meus 83 anos eu não sou um teórico nem dou uma de teórico, simplesmente sou alguém que experimentou muitas coisas na vida, incluindo a clandestinidade, e sou alguém que esteve muito próximo de Fidel e do Che. As polêmicas do cinema, específicas e com densidade própria, estavam misturadas com polêmicas políticas de maior alcance ainda sobre a revolução na América Latina e no mundo. Eu sentia que os PC haviam se tornado conservadores. Quando surgia este movimento de cinema, que os jovens cineastas também protagonizavam desde sua escala e de modo muito diferente, pois começava a crítica a essa atitude conservadora...
 
Néstor Kohan: Que modalidades essa crítica assumia?
Alfredo Guevara: Eu a vejo do ponto de vista dos jovens cineastas daquela época. Era uma atitude, para dizer de alguma maneira, insurrecional, ainda que talvez seja excessivo chamar desse modo. Não era só dos jovens cineastas, mas um movimento muito mais amplo, insurrecional, daquela geração. Era uma insurreição muitas vezes armada, mas também era uma insurreição contra a rotina do pensamento, contra a estreiteza, contra a homogeneidade imposta pela última fase da Internacional sob o mandato de Stalin etc. Aquela época da guerra antifascista e da frente mundial antifascista que enobrecia os atos de apoio a todo o que tivesse que ver com a União Soviética e seu papel concreto de combate frente ao nazismo e os exércitos de Hitler, contra as ocupações fascistas dos países etc. etc., tudo isso ofuscava um pouco a análise teórica. Também os PC, incluído o velho Partido Socialista Popular (PSP) de Cuba, ficaram permeados por toda esta situação e porque o partido mais próximo, o PC dos EUA, com Earl Russell Browder à cabeça, dera um bom giro ao aproximar-se o New Deal...
 
Néstor Kohan: Nessa época se dizia que os PC deviam colaborar com a burguesia “progressista” e buscar a “unidade nacional”...
Alfredo Guevara: Exatamente. Em Cuba isso se deu em uma aliança com Fulgêncio Batista... o Batista da década de 40. Assim, desse modo, se implementou a política de tratar de influir e mobilizar os governos para que aceitem a aliança com a União Soviética... Era um ponto-chave. O nazismo foi realmente algo terrível, não? Mas daí saíram teses políticas complicadas e sumamente errôneas que se aplicaram na América Latina pela mão dos partidos influenciados pela União Soviética. Sobre aqueles velhos partidos e aquelas velhas teses... Errôneas, obviamente... Não penso, entretanto, que devam levar-nos a uma reprovação cega. Não acredito em uma posição “antipartidos comunistas”. Não! Eu acho que tem que tratar de avaliar e compreender aquela cultura política, mas ao mesmo tempo temos que ser implacáveis com todos esses erros porque esses erros paralisaram o movimento revolucionário na América Latina. Essa cultura política influenciada pela União Soviética da época de Stalin e a nova cultura de esquerda que a pôs em discussão se expressaram nos debates da cultura da América Latina e nas discussões apaixonadas sobre as quais nasceu o Novo Cinema Latino-americano.
 
Néstor Kohan: No caso particular de Raymundo Gleyzer também se apresenta essa disjuntiva. Porque ele começa, em sua primeira juventude, militando na tradição comunista clássica, com a qual rompe pouco tempo depois, polemizando com esse reformismo que você descreve para integrar-se na tradição guevarista encarnada na Argentina pelo Partido Revolucionário de los Trabajadores – Ejército Revolucionario del Pueblo (PRT-ERP)...
Alfredo Guevara: Isso eu não sabia. Não conhecia sua primeira militância juvenil. Mas veja uma cosa interessante sobre Raymundo, que depois aprendi estudando sobre ele, consiste em que ele acreditava no cinema como uma arma... Mas não como uma arma a qual não interessavam os valores estéticos! Acho que na obra e no pensamento de Raymundo Gleyzer estava muito claro que a eficácia partia de que o cinema fosse realmente cinema, não somente uma arma. Isso me identifica muito com o que eu conheço de Raymundo. Também me identifica com os resultados em tela de seu cinema, não sempre perfeitos, mas sempre na busca... Sempre na direção clara de realizar-se através da arte, sem renunciar à especificidade da arte, empregando o cinema como uma arma.
 
Néstor Kohan: Em seu filme Los Traidores, Raymundo combinava o documentário com a ficção. Você pôde ver esse filme?
Alfredo Guevara: Sim, o vi. A burocracia sindical, tal como ele a reflete em seu filme e como eu sei que existiu e existe na Argentina, é um caso muito argentino e muito mexicano ao mesmo tempo. Raymundo também conhecia o caso mexicano de perto...
 
Néstor Kohan: Ele também filmou México, la revolución congelada...
Alfredo Guevara: Exatamente. Ainda que te confesse que, na minha mente não consegui generalizar esse fenômeno da burocracia sindical como Raymundo a retrata nos Traidores... Sempre vi o fenômeno argentino como algo raro. Não termino de entender a vida política argentina, por isso emprego o termo “raro”. Para falar claro também não entendo muito a vida política mexicana.
 
Néstor Kohan: Você tem em mente o paralelo peronismo e Partido Revolucionário Institucional (PRI) do México?
Alfredo Guevara: Sim, mas como nós cubanos estivemos mais próximos da revolução mexicana, da vida cultural, intelectual e política mexicana e também como morei no México e não na Argentina, se torna complexo entender. Por exemplo: um dia, morando no México, por não entender nada, pensei que a única maneira de entendê-los era me convertendo à mentalidade mexicana. Mas me custou muito fazer essa operação mental com a Argentina. Eu não consigo entender que um povo mais instruído que outros povos da América Latina tenha aderido massivamente ao peronismo. Confesso que nunca o consegui entender e isso que conheço, acho, com grande profundidade a América Latina e grande parte de seus países e sociedades. Inclusive lendo autores como vocês, de tua geração, que são mais jovens, e que tentam reinterpretar a história cultural argentina, nem sequer assim consigo entender. Te dou só um exemplo de muitos outros possíveis: como cubano eu tive muitos professores republicanos espanhóis anarquistas, comunistas etc. Minha primeira militância política foi anarquista, quando eu era muito jovem. E por isso sempre segui as discussões que se dão no estado espanhol sobre a República, a revalorização que hoje começou de tudo aquilo vinculado à República. E, olhando muitos documentários a respeito, me encontro com a filmagem da visita entusiasta de Eva Perón à Espanha de Franco. Confesso que não entendo como pôde ser uma heroína popular e ter sido fator de mobilização popular na Argentina! Com a Espanha do generalíssimo Francisco Franco! E o general Perón exilado ali... ao lado de Franco... no bairro de Puerta de Hierro, bairro de burgueses e grandes senhores... podendo ter escolhido outros países... inclusive muitos da América Latina. Que gesto de primitivismo político e intelectual inaceitável! Em Cuba teria sido repudiado esse vínculo político com o franquismo de cara, teria gerado desaprovação e até riso e não estou dizendo que Cuba seja melhor que a Argentina. Simplesmente não entendo... E então, falando de confissões, também te confesso que para mim Raymundo foi alguém raro, um personagem cultural “raro”.
 
Néstor Kohan: Em que sentido?
Alfredo Guevara: No sentido de que Raymundo me parece que foi mais coerente com minha própria visão do mundo e do cinema. Mas se o colocamos nessa Argentina que foi capaz de mobilizar-se com Evita..., me sinto e me penso muito mais próximo de Raymundo – de Raymundo e de seus companheiros e companheiras, tomo Raymundo só como exemplo de toda uma corrente política – mas me dá a sensação de que é marginal. Vejo Raymundo como alguém que não encaixa com a imagem do que se apresentou como “a Argentina real”, ou seja, com essa Argentina que, naquela época estava dividida entre o peronismo e a revista Sur, aquela constelação da cultura que se assemelhava muito à cultura europeia. A cultura que representava Raymundo Gleyzer não encaixava em nenhuma das duas Argentinas, nem no mundo populista do peronismo oficial, nem no mundo liberal e eurocêntrico da revista Sur, os círculos de Borges e das irmãs Ocampo. Raymundo Gleyzer não encaixava. Seu mundo político e cultural, seu cinema e suas opções de vida, não encaixavam em nenhum desses dois polos dicotômicos. Digo isto esclarecendo que não conheço bem a Argentina e por isso me custa compreender. Então, posso admirar Raymundo e a sua geração, que hoje já seria uma geração velha, tu me compreendes? Admiro Raymundo Gleyzer e aos mais jovens que hoje pensam e agem por essa linha, mas me pergunto se esse segmento não foi uma minoria.
 
Néstor Kohan: Evidentemente, se somos realistas, a proposta político-cultural guevarista de Raymundo e de sua corrente não conseguiu quebrar a hegemonia dos dois polos da cultura oficial argentina, tanto do majoritário populismo peronista como do muito menor liberalismo europeísta da revista Sur, Borges, Bioy Casares e seus continuadores. Mas a tarefa continua pendente para as novas gerações... Não é verdade? Construir uma hegemonia anti-imperialista e anticapitalista disputando com a Argentina oficial... Tanto no cinema militante como em toda a vida política.
Alfredo Guevara: Na proposta estou de acordo contigo. Mas eu lamento que Raymundo não o tenha conseguido e tenha ficado marginal. Insisto em que não conheço de forma absoluta a Argentina e posso estar dizendo coisas errôneas. Hoje penso que estamos em um novo momento de ebulição política em nossa América. Tomara aqueles projetos políticos e culturais de Raymundo Gleyzer encontrem recepção nas novas gerações argentinas e latino-americanas.
 
Tradução: Liborio Júnior

Em maio, Cuba promoverá a Feira Internacional de Turismo



 De 7 a 10 de maio, as entidades ligadas ao turismo em Cuba realizarão a 33ª Feira Internacional de Turismo, a FIT Cuba’2013. De acordo com especialistas, o evento será a oportunidade ideal para novos contatos que definirão a agenda futura da atividade turística tanto para Cuba como para as delegações dos países que comparecerão ao encontro.

O evento ocorrerá no auditório do Centro de Convenções Plaza América, localizado na cidade praiana de Varadero. Nos três primeiros dias, a feira abre exclusivamente para os profissionais da área. Na sexta-feira e sábado, a feira é aberta ao público em geral, com visitação das 9 às 18 horas.
 
O Brasil é o país homenageado desta edição, devido a seu mercado de turistas que procuram sol e praia. Também estarão presentes operadores de turismo, agentes de viagens, representantes das companhias aéreas e jornalistas da Europa, Ásia e América.
 
Estão programadas palestras com o ministro da Indústria de Cuba, Manuel Marrero; o ministro do Turismo do Brasil, Gastão Vieira Dias; e o representante para as Américas da Organização Mundial do Turismo (OMT).
 
Clique aqui para saber a programação completa e informações sobre inscrições para a 33ª Feira Internacional de Turismo.

Maduro visita Fidel Castro e reforça aliança com Cuba assinando novos convênios

Convênios de cooperação existem há 12 anos, quando Fidel e Hugo Chavez fizeram uma aliança política e econômica.
 
 
O presidente venezuelano, Nicolas Maduro, visitou no final de semana passado o ex-presidente Fidel Castro, líder político cubano. Os dois se reuniram durante cinco horas e falaram da conjuntura política latino-americana e relembraram o ex-presidente da Venezuela, Hugo Chavez.
 
Maduro também se reuniu com o presidente de Cuba, Raul Castro, para fechar convênios de cooperação bilateral nas áreas de saúde, economia, educação e cultura.
 
Foi a primeira viagem presidencial de Maduro após sua posse, em 19 de abril. Ele havia viajado para participar da Cúpula da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) na véspera da posse, mas na condição de presidente eleito e interino.
 
O presidente da Venezuela falou de seu encontro com Fidel em sua conta no Twitter. “Estivemos cinco horas com Fidel recordando o gigante [Chavez]. Sempre otimistas com a marcha da revolução latino-americana.”
 
Maduro reuniu-se com membros do governo cubano, como o chanceler Bruno Rodriguez Ministros cubanos e venezuelanos estiveram reunidos durante todo o sábado, dia 27, para tratar da chamada “aliança estratégica” entre os dois países.
 
Cuba e Venezuela mantêm convênios de cooperação há 12 anos, quando Fidel Castro e Hugo Chavez fizeram uma aliança política e econômica. Maduro disse que a viagem ratifica e amplia os acordos já existentes e “inicia uma nova etapa de cooperação em diversas áreas”.
 
Ambas as delegações concordaram em revisar conjuntamente a situação de empresas mistas em Cuba e na Venezuela. Também foi assinado um memorando de entendimento para elaborar uma agenda econômica bilateral e médio e longo prazo que facilite a ação coordenada de complementação das relações entre os dois países.