segunda-feira, 29 de abril de 2013

Alfredo Guevara, um intelectual militante da Revolução Cubana

 
Alfredo Guevara (1925-2013), morto em 19 de abril passado, era amigo e companheiro de Fidel Castro desde os tempos universitários. Presidiu o Festival de Cinema Latino-americano de Havana e fundou o Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (Icaic). Nesta entrevista republicada em sua homenagem, ele fala de política e cultura latino-americanas.
 
Néstor Kohan, via Rebelión e lido na Carta Maior
 
Alfredo Guevara (1925-2013) foi um dos grandes intelectuais militantes da Revolução Cubana. Amigo e companheiro de Fidel Castro desde os tempos universitários, suas intervenções marcaram a fogo os debates culturais da Revolução durante mais de meio século.
 
Já no começo dos anos de 1960, Alfredo Guevara foi um dos principais críticos dos critérios estéticos e culturais fechados, esquemáticos e muitas vezes dogmáticos que tentaram impor em Cuba, apelando naquela época à autoridade da ainda poderosa União Soviética. Alfredo garantiu que o Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (Icaic) mantivesse sempre um critério amplo, inclusive durante o auge do período no qual Cuba mais se aproximou à URSS (1971-1976). Sua independência de critério estético e a autonomia cultural de seu pensamento político lhe brindaram um grande respeito entre a intelectualidade cubana, latino-americana e mundial.
 
Ainda que tenha lido e estudado em detalhe aquelas intervenções e polêmicas juvenis suas, tive a honra e o prazer de conhecê-lo pessoalmente quando já era um homem idoso. O entrevistei nos festivais internacionais do Novo Cinema Latino-Americano, eventos aos quais nos convidou algumas vezes. Junto com vários amigos cubanos – alguns estreitos colaboradores seus –, ali pudemos conversar, trocar opiniões políticas e inclusive discutir sobre temas teóricos, não só de cinema, sem dúvida sua grande paixão.
 
Alfredo não só era uma figura consagrada, respeitada, admirada. Não se limitava a pronunciar discursos genéricos ou diplomáticos dirigidos a seduzir a intelectualidade europeia e latino-americana. Ao mesmo tempo se animava a realizar afirmações sumamente polêmicas, agudas e provocantes. Não se calava. Comunista sincero e fidelista leal (me consta que tinha por Fidel um carinho e uma admiração jamais dissimulados), nunca foi um obsequente. Não se calou. Falou. E isso não foi uma limitação, mas talvez sua melhor virtude.
 
Mas, ao mesmo tempo, além de participar e intervir sempre no debate cubano interno, soube ajudar a todos os rebeldes do mundo sem necessidade de realizar grandes gritos histriônicos nem poses teatrais. Em pleno Festival de Cinema, com toda a afluência de grandes estrelas da indústria cinematográfica – que Cuba necessitava e necessita para romper o bloqueio –, Alfredo reservava salas para mostrar o novo cinema da insurgência político-militar latino-americana atual, não só do passado. Com descrição e muita lucidez – para ele a revolução era e é precisamente isso: lucidez, como intitulou um de seus melhores livros –, permitiu e ajudou a organizar a mostra cinematográfica de uma guerrilha comunista, bolivariana e guevarista, que ainda hoje continua combatendo nas selvas e montanhas de Nossa América. A posição favorável de Alfredo Guevara contribuiu para garantir o debate político, mesmo quando a exposição do filme não saía anunciada no programa diário aberto a todo o público que frequentava o festival. Esse gesto calado, silencioso, mas firme, o mostra de corpo inteiro. Seu corpo estava velho, mas sua mente e seu coração continuavam sendo os de um jovem rebelde.
 
O mesmo se poderia dizer dos colaboradores que mantinha a seu lado, alguns deles – amigos nossos – jovens rebeldes e díscolos que continuam animando o debate pelo socialismo na Cuba atual.
 
Alfredo era um velho revolucionário – assim o conhecemos: já velho, que sabia rodear-se de jovens. Formou-se em outra época, mas nunca se resignou a deixar de dialogar com os jovens de hoje em dia com quem mantinha não poucas discussões acaloradas, mas cuidando-se de não romper o vínculo com eles, sabendo que sem a juventude, a Revolução não tem futuro.
 
Seguramente agora estará discutindo em algum lugar – quem saberá onde? – sobre algum filme ou protestando pela vulgaridade e a mediocridade de Hollywood, que tanto desprezava.
 
Abraço grande, querido Alfredo. Muito obrigado pela solidariedade e pela lucidez.
 
Néstor Kohan: Você conheceu Raymundo Gleyzer?
Alfredo Guevara: Sim, conheci. Mas não o avaliei. Tenho poucas lembranças diretas dele. Lembro seu rosto, sua pessoa etc. Mas eu comecei a magnificá-lo e a interessar-me muito por ele a partir do momento que, para nós, se converteu em uma figura mítica. Na verdade, naqueles anos – segunda metade da década de 60 – minha relação fundamental com os cineastas argentinos era a histórica de Maurício Berú e de Edgardo Pallero, que em seu momento, em 1967, haviam estado no Festival de Cinema de Viña del Mar e depois continuou essa relação muito estreita. Também com um companheiro chamado Walter Achugar, do Uruguai. Pallero e Achugar eram do mesmo grupo. Dolly Pussi, que está agora em Cuba, estava casada com Pallero. Também houve vínculo, menos idílico, com Fernando Solanas e Octavio Getino que haviam feito La hora de los hornos. Havia-nos parecido um filme extraordinário. Naquela época – isso já passou – tive com eles uma relação um pouco conflituosa. O problema era que estes dois últimos companheiros mudavam daqui para lá com o Che e isso me desconcertava.
 
Néstor Kohan: Você se refere à diferença entre a primeira e a segunda versão de La Hora de los Hornos, à mudança do final que aparece na segunda versão?
Alfredo Guevara: Sim, mas não só a isso. Também fizeram aquela entrevista ao general Perón. E eu, apesar de que em Cuba havia um peronista, um ideólogo, que me parecia muito lúcido...

Néstor Kohan: John William Cooke?
Alfredo Guevara: Sim, Cooke. Ele me parecia muito lúcido e também sua esposa.
 
Néstor Kohan: Alicia Eguren?
Alfredo Guevara: Sim, exatamente, Alicia. Mas não me convencia que tudo tivesse que passar por Perón porque, supostamente, eram “as características da Argentina”. Não me convencia isso. Parecia-me que não eram as características da Argentina, mas as de qualquer lugar onde surgisse uma corrente confusa e que confunde. Mas eu mesmo não tinha clareza, não estava seguro se eu tinha razão ou não tinha. Eles argumentavam muito bem, mas não me convenciam. No caso de Raymundo Gleyzer, sobre quem tu me perguntaste, ele não coincide exatamente em essa época cronológica, mas sua obra fílmica começa a ser conhecida um pouquinho depois. Eu escutei falar do “Cinema de base”, mas realmente não cheguei a dominar esse tema, mas até mais tarde, quando se converteu em uma figura orgulho do Novo Cinema Latino-americano. Aclaro que nós não procurávamos mártires. Mas Raymundo se converteu em uma figura emblemática de todo o movimento de cinema da América Latina.
 
Néstor Kohan: Você pôde ver a filmografia de Raymundo?
Alfredo Guevara: Sim, a vi. Também nós, em Cuba, fizemos retrospectivas de sua obra. Ou seja, Raymundo se converteu em uma figura emblemática. Nós não procurávamos mártires, mas os mártires surgiram. As ditaduras se encarregaram disso. Os militares se encarregaram de dar provas, se alguém tivesse dúvidas, que os cineastas são também combatentes.
 
Néstor Kohan: Como caracterizaria aquela fase inicial do Novo Cinema Latino-americano?
Alfredo Guevara: Uma das características da primeira etapa do Novo Cinema Latino-americano, a partir do encontro de Viña del Mar de 1967, é que praticamente de um modo ou outro, um com uma escala, outros com outra, de acordo com as características de suas possibilidades, de sua formação, do país onde estava, da situação de sua sociedade, ficou claro para todos nós que se dava uma inquietude social, mais combativa, menos combativa, de denúncia, de afirmação e identidade, mas começava a ser feito um cinema separado das normas habituais. Isto incluía até cineastas que não o sabiam. Parecia um denominador comum do que estavam fazendo todos os cineastas dessa geração da América Latina, em lugares afastados e sem se conhecer. Para mim refletia a situação do continente e da ilhazinha esta, onde vivemos (Cuba), em um momento dado. Havia um tipo de emergência do espírito revolucionário e de afirmação de identidades e de descobrimento de rasgos das identidades que todo o mundo destacava. Havia desde um cinema tão diretamente combativo como o de Jorge Sanjinés, na Bolívia, até outro que era de crítica social ou de lembrança de revoluções etc., mas o espírito de desafio e de aceitar desafios, estava generalizado.
 
Néstor Kohan: Em seu livro Revolución es lucidez (La Habana, Edições Icaic, 1998) você reproduz algumas polêmicas que, a partir do novo cinema latino-americano, mas não só sobre cinema, manteve com antigos dirigentes dos partidos comunistas...
Alfredo Guevara: Veja bem, em Cuba muita gente do cinema cubano, esse é o meu caso, tínhamos posições muito definidas. Talvez nem todos as tivessem tão definidas, mas todos os que militavam tínhamos definido que o movimento comunista – referindo-me não ao comunismo, mas aos PC – e seus partidos tradicionais, eram “catequizadores”. Essa expressão encontrei recentemente, mas o pensamento eu o tinha desde 1959. Catequizadores, não combatentes. A hora era de combate, não de catequizar! Difundiam ideologia, mas essa ideologia não se convertia em nada. De todas as maneiras jogavam um papel, mas me parecia totalmente insuficiente. A luta pelo poder tem que ser por todos os caminhos. Eu acho, como alguma vez sugeriu Fanon, que o verdadeiro momento da lucidez política é quando tu arrancas o fuzil do inimigo e o volta contra ele. O problema principal é a tomada do poder. E do poder tomar medidas radicais e rápidas. Aos meus 83 anos eu não sou um teórico nem dou uma de teórico, simplesmente sou alguém que experimentou muitas coisas na vida, incluindo a clandestinidade, e sou alguém que esteve muito próximo de Fidel e do Che. As polêmicas do cinema, específicas e com densidade própria, estavam misturadas com polêmicas políticas de maior alcance ainda sobre a revolução na América Latina e no mundo. Eu sentia que os PC haviam se tornado conservadores. Quando surgia este movimento de cinema, que os jovens cineastas também protagonizavam desde sua escala e de modo muito diferente, pois começava a crítica a essa atitude conservadora...
 
Néstor Kohan: Que modalidades essa crítica assumia?
Alfredo Guevara: Eu a vejo do ponto de vista dos jovens cineastas daquela época. Era uma atitude, para dizer de alguma maneira, insurrecional, ainda que talvez seja excessivo chamar desse modo. Não era só dos jovens cineastas, mas um movimento muito mais amplo, insurrecional, daquela geração. Era uma insurreição muitas vezes armada, mas também era uma insurreição contra a rotina do pensamento, contra a estreiteza, contra a homogeneidade imposta pela última fase da Internacional sob o mandato de Stalin etc. Aquela época da guerra antifascista e da frente mundial antifascista que enobrecia os atos de apoio a todo o que tivesse que ver com a União Soviética e seu papel concreto de combate frente ao nazismo e os exércitos de Hitler, contra as ocupações fascistas dos países etc. etc., tudo isso ofuscava um pouco a análise teórica. Também os PC, incluído o velho Partido Socialista Popular (PSP) de Cuba, ficaram permeados por toda esta situação e porque o partido mais próximo, o PC dos EUA, com Earl Russell Browder à cabeça, dera um bom giro ao aproximar-se o New Deal...
 
Néstor Kohan: Nessa época se dizia que os PC deviam colaborar com a burguesia “progressista” e buscar a “unidade nacional”...
Alfredo Guevara: Exatamente. Em Cuba isso se deu em uma aliança com Fulgêncio Batista... o Batista da década de 40. Assim, desse modo, se implementou a política de tratar de influir e mobilizar os governos para que aceitem a aliança com a União Soviética... Era um ponto-chave. O nazismo foi realmente algo terrível, não? Mas daí saíram teses políticas complicadas e sumamente errôneas que se aplicaram na América Latina pela mão dos partidos influenciados pela União Soviética. Sobre aqueles velhos partidos e aquelas velhas teses... Errôneas, obviamente... Não penso, entretanto, que devam levar-nos a uma reprovação cega. Não acredito em uma posição “antipartidos comunistas”. Não! Eu acho que tem que tratar de avaliar e compreender aquela cultura política, mas ao mesmo tempo temos que ser implacáveis com todos esses erros porque esses erros paralisaram o movimento revolucionário na América Latina. Essa cultura política influenciada pela União Soviética da época de Stalin e a nova cultura de esquerda que a pôs em discussão se expressaram nos debates da cultura da América Latina e nas discussões apaixonadas sobre as quais nasceu o Novo Cinema Latino-americano.
 
Néstor Kohan: No caso particular de Raymundo Gleyzer também se apresenta essa disjuntiva. Porque ele começa, em sua primeira juventude, militando na tradição comunista clássica, com a qual rompe pouco tempo depois, polemizando com esse reformismo que você descreve para integrar-se na tradição guevarista encarnada na Argentina pelo Partido Revolucionário de los Trabajadores – Ejército Revolucionario del Pueblo (PRT-ERP)...
Alfredo Guevara: Isso eu não sabia. Não conhecia sua primeira militância juvenil. Mas veja uma cosa interessante sobre Raymundo, que depois aprendi estudando sobre ele, consiste em que ele acreditava no cinema como uma arma... Mas não como uma arma a qual não interessavam os valores estéticos! Acho que na obra e no pensamento de Raymundo Gleyzer estava muito claro que a eficácia partia de que o cinema fosse realmente cinema, não somente uma arma. Isso me identifica muito com o que eu conheço de Raymundo. Também me identifica com os resultados em tela de seu cinema, não sempre perfeitos, mas sempre na busca... Sempre na direção clara de realizar-se através da arte, sem renunciar à especificidade da arte, empregando o cinema como uma arma.
 
Néstor Kohan: Em seu filme Los Traidores, Raymundo combinava o documentário com a ficção. Você pôde ver esse filme?
Alfredo Guevara: Sim, o vi. A burocracia sindical, tal como ele a reflete em seu filme e como eu sei que existiu e existe na Argentina, é um caso muito argentino e muito mexicano ao mesmo tempo. Raymundo também conhecia o caso mexicano de perto...
 
Néstor Kohan: Ele também filmou México, la revolución congelada...
Alfredo Guevara: Exatamente. Ainda que te confesse que, na minha mente não consegui generalizar esse fenômeno da burocracia sindical como Raymundo a retrata nos Traidores... Sempre vi o fenômeno argentino como algo raro. Não termino de entender a vida política argentina, por isso emprego o termo “raro”. Para falar claro também não entendo muito a vida política mexicana.
 
Néstor Kohan: Você tem em mente o paralelo peronismo e Partido Revolucionário Institucional (PRI) do México?
Alfredo Guevara: Sim, mas como nós cubanos estivemos mais próximos da revolução mexicana, da vida cultural, intelectual e política mexicana e também como morei no México e não na Argentina, se torna complexo entender. Por exemplo: um dia, morando no México, por não entender nada, pensei que a única maneira de entendê-los era me convertendo à mentalidade mexicana. Mas me custou muito fazer essa operação mental com a Argentina. Eu não consigo entender que um povo mais instruído que outros povos da América Latina tenha aderido massivamente ao peronismo. Confesso que nunca o consegui entender e isso que conheço, acho, com grande profundidade a América Latina e grande parte de seus países e sociedades. Inclusive lendo autores como vocês, de tua geração, que são mais jovens, e que tentam reinterpretar a história cultural argentina, nem sequer assim consigo entender. Te dou só um exemplo de muitos outros possíveis: como cubano eu tive muitos professores republicanos espanhóis anarquistas, comunistas etc. Minha primeira militância política foi anarquista, quando eu era muito jovem. E por isso sempre segui as discussões que se dão no estado espanhol sobre a República, a revalorização que hoje começou de tudo aquilo vinculado à República. E, olhando muitos documentários a respeito, me encontro com a filmagem da visita entusiasta de Eva Perón à Espanha de Franco. Confesso que não entendo como pôde ser uma heroína popular e ter sido fator de mobilização popular na Argentina! Com a Espanha do generalíssimo Francisco Franco! E o general Perón exilado ali... ao lado de Franco... no bairro de Puerta de Hierro, bairro de burgueses e grandes senhores... podendo ter escolhido outros países... inclusive muitos da América Latina. Que gesto de primitivismo político e intelectual inaceitável! Em Cuba teria sido repudiado esse vínculo político com o franquismo de cara, teria gerado desaprovação e até riso e não estou dizendo que Cuba seja melhor que a Argentina. Simplesmente não entendo... E então, falando de confissões, também te confesso que para mim Raymundo foi alguém raro, um personagem cultural “raro”.
 
Néstor Kohan: Em que sentido?
Alfredo Guevara: No sentido de que Raymundo me parece que foi mais coerente com minha própria visão do mundo e do cinema. Mas se o colocamos nessa Argentina que foi capaz de mobilizar-se com Evita..., me sinto e me penso muito mais próximo de Raymundo – de Raymundo e de seus companheiros e companheiras, tomo Raymundo só como exemplo de toda uma corrente política – mas me dá a sensação de que é marginal. Vejo Raymundo como alguém que não encaixa com a imagem do que se apresentou como “a Argentina real”, ou seja, com essa Argentina que, naquela época estava dividida entre o peronismo e a revista Sur, aquela constelação da cultura que se assemelhava muito à cultura europeia. A cultura que representava Raymundo Gleyzer não encaixava em nenhuma das duas Argentinas, nem no mundo populista do peronismo oficial, nem no mundo liberal e eurocêntrico da revista Sur, os círculos de Borges e das irmãs Ocampo. Raymundo Gleyzer não encaixava. Seu mundo político e cultural, seu cinema e suas opções de vida, não encaixavam em nenhum desses dois polos dicotômicos. Digo isto esclarecendo que não conheço bem a Argentina e por isso me custa compreender. Então, posso admirar Raymundo e a sua geração, que hoje já seria uma geração velha, tu me compreendes? Admiro Raymundo Gleyzer e aos mais jovens que hoje pensam e agem por essa linha, mas me pergunto se esse segmento não foi uma minoria.
 
Néstor Kohan: Evidentemente, se somos realistas, a proposta político-cultural guevarista de Raymundo e de sua corrente não conseguiu quebrar a hegemonia dos dois polos da cultura oficial argentina, tanto do majoritário populismo peronista como do muito menor liberalismo europeísta da revista Sur, Borges, Bioy Casares e seus continuadores. Mas a tarefa continua pendente para as novas gerações... Não é verdade? Construir uma hegemonia anti-imperialista e anticapitalista disputando com a Argentina oficial... Tanto no cinema militante como em toda a vida política.
Alfredo Guevara: Na proposta estou de acordo contigo. Mas eu lamento que Raymundo não o tenha conseguido e tenha ficado marginal. Insisto em que não conheço de forma absoluta a Argentina e posso estar dizendo coisas errôneas. Hoje penso que estamos em um novo momento de ebulição política em nossa América. Tomara aqueles projetos políticos e culturais de Raymundo Gleyzer encontrem recepção nas novas gerações argentinas e latino-americanas.
 
Tradução: Liborio Júnior

Nenhum comentário:

Postar um comentário