terça-feira, 7 de maio de 2013

Ator espanhol exila-se em Cuba

 
Depois de duras críticas ao “sistema neoliberal” e à “monarquia fascista” da Espanha, ator e produtor de teatro Willy Toledo anuncia que vai viver em Havana.
 
Maria Luiza Rolim, via Expresso
 
O ator e produtor de teatro espanhol Willy Toledo vai exilar-se em Cuba. O autor de Razons para a rebeldia decidiu abandonar Espanha porque considera que em seu país não há democracia, premissa que, aliás, sustenta em seu livro.
 
Guillermo Toledo, mais conhecido como Willy, anunciou a sua intenção de passar a viver em Havana ainda este mês, numa entrevista a Telesur, canal televisivo venezuelano.
 
Para Willy Toledo, Cuba é “um exemplo de resistência heroica contra o imperialismo norte-americano”. O ator espanhol defende que “é obrigação das pessoas de esquerda apoiarem sem restrições a Revolução Cubana”.
 
Apontando para os cortes de orçamento na Espanha, em setores fundamentais como a saúde e a educação, Willy disse em entrevista à tevê venezuelana que decidiu abandonar “a Espanha dos suicídios” e mudar-se para Cuba, onde graças à Revolução Cubana tem-se conseguido “uns mínimos que, comparados com a Europa, são uns máximos, de educação pública gratuita, saúde pública de qualidade, habitação, cultura etc.”
 
Em janeiro passado, no lançamento de seu livro, Willy fez críticas ao primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, a sua equipa em Madrid e aos demais governantes do PP: “Estão nos matando sistematicamente, devagarinho, sem se perceber.”
 
“Monarquia fascista”
Protagonista de uma polêmica que dura há vários meses em Espanha, por afirmar categórica e sucessivamente que no Estado espanhol não há democracia, Willy Toledo tornou-se figura habitual da imprensa diária espanhola por frases como “não podemos permitir esta democracia fascista após a morte do Bourbon” ou “a primeira causa de morte nos hospitais é a privatização”.
 
Durante o programa “Cruce de palabras”, da Telesur, Toledo voltou a dizer que não tem “papas na língua”. “A Espanha está cheia de políticos, jornalistas, colunistas, formadores de opinião etc., que se dão ao luxo e à insensatez de exigir direitos humanos”, disse, acrescentando que essa reivindicação é um “paradoxo” à medida que provém de “um sistema neoliberal que destrói os direitos sociais alcançados nestes anos de presumível democracia”.
 
Já em janeiro, no lançamento de seu livro, o autor e escritor não poupou o rei Juan Carlos: “Da forma que [o Bourbon] está inchado, e com o álcool que consome, espero que tenha pouco tempo de vida.”
 
Segundo o ator, Juan Carlos “não é um rei qualquer”, uma vez que foi designado por “um ditador criminoso e genocida”, além de ser “um agente comercial das grandes multinacionais espanholas”.
 
Willy Toledo também dispara críticas a Baltazar Garzón, a quem acusa de “duas caras”, afirmando que “a Audiência Nacional é um tribunal fascista que persegue os movimentos políticos que lhe interessam”, e que as denúncias de maus-tratos e torturas por parte da polícia e da guarda-civil não são jamais investigadas.

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