terça-feira, 14 de maio de 2013

O Cremesp e os médicos cubanos

Cuba exporta médicos, enquanto outros países exportam soldados.
Depois de o governo federal anunciar que pretende trazer 6 mil médicos cubanos e de outros países para trabalhar em regiões carentes do Brasil, o debate sobre o tema ficou acirrado. Os conselhos regionais de medicina e outras entidades do setor se revoltaram com a notícia. O ministro da Saúde Alexandre Padilha afirmou que todos os médicos estrangeiros passarão por uma avaliação. Porém, reparem o que acontece no Exame do Cremesp. O conselho paulista é o único no País que faz esse tipo de prova, mas só com essa amostra já é possível ter noção da realidade brasileira.
 
 
“Na 8ª edição do Exame do Cremesp – e primeira vez em que a participação na prova é obrigatória para a obtenção do registro profissional –, 54,5% dos 2.411 recém-formados em Medicina no Estado de São Paulo foram considerados reprovados. Eles acertaram menos que 60% das 120 questões propostas, ou seja, abaixo de 71 respostas corretas. O exame, realizado no dia 11 de novembro [de 2012], contou com a presença de 2.525 egressos das 28 escolas médicas paulistas que funcionam há mais de seis anos. Desses, 114 tiveram suas provas invalidadas. Os resultados foram divulgados durante coletiva de imprensa, em 6 de dezembro [de 2012].
 
No total, 2.943 recém-formados se inscreveram no Exame do Cremesp. Desses, 71 (2,5%) não compareceram e apresentaram justificativa posteriormente. Dos 2.872 presentes, 119 (4,2%) tiveram suas provas invalidadas (114 de São Paulo e cinco de outros estados) – sendo que 86 boicotaram o exame, assinalando letra “b” em todas as questões, e 33 apresentaram provas com outros padrões de respostas inconsistentes.
 
Renato Azevedo Júnior, presidente do Conselho, declarou que 80% dos boicotes foram de alunos de escolas públicas.”
 
O texto acima foi publicado no site do Cremesp.
 
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Não há nada que pareça indicar que o desempenho dos médicos brasileiros seria muito melhor (como estes defendem) ou que seria sequer igual ao dos médicos revalidados, já que a diferença nas notas de corte arbitradas dentre as provas é brutal.
 
O Cremesp, único conselho regional que exige exame para quem quer obter um registro, tem reprovação de 54,5% com uma nota de corte arbitrária de 60% de acertos. O Revalida, que tem nota de corte arbitrária de 70% de acertos, tem reprovação de 92%. Embora a diferença seja grande, é totalmente plausível dizer que a diferença entre as reprovações de ambas as provas, de 92% e 54,5%, pode estar nas diferenças das notas de corte, ou seja, é totalmente possível que 37,5% dos candidatos do Cremesp tenham acertado entre 60% e 70% da prova.
No entanto, com os dados disponíveis não é possível dizer se esta afirmação é verdadeira, porque os desvios-padrões das provas não foram divulgados. Ressalta-se, porém, que na prova do Cremesp a média de número de acertos foi baixa, até em disciplinas básicas para a medicina como clínica média (média de 53,1% acertos), saúde pública (46,1%) e saúde mental (41%).

Um comentário:

  1. A diferenca e que nao ha qualquer motivo para os brasileiros quererem medicos ou cubanos nao medicos em seu territorio. O Brasil e um pais livre e Cuba uma ditadura comunista sem vergonha. Nao queremos doutrinadores em nosso pais para querer ensinar ao povo babaquices e absurdos que nao interessam a nos.

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