sexta-feira, 21 de junho de 2013

EUA vigiaram conversas entre prisioneiros de Guantânamo e advogados, diz ex-funcionário

Detentos no extinto Camp X-Ray, atualmente fechado.
O campo faz parte da prisão de Guantánamo.
Bruce MacDonald, ex-chefe dos tribunais militares de exceção, disse “não se lembrar do motivo” para os grampos.
 
 
O governo norte-americano vigiou as conversas de alguns prisioneiros de Guantânamo com seus advogados, segundo reconheceu Bruce MacDonald, ex-chefe dos tribunais militares de exceção. A declaração foi feita nesta segunda-feira (17/06), durante as preparações para o julgamento do suposto mandante dos atentados de 11 de setembro de 2001, Jalid Sheij Mohamed.
 
MacDonald, vice-almirante aposentado, admitiu que foram aprovadas ordens para vigiar a correspondência e as conversas telefônicas dos cinco reclusos pelos atentados de 11 de setembro com seus advogados. A ação, no entanto, teria sido promovida apenas para “manter o equilíbrio” da segurança, não para espionar.
 
Os advogados de Jalid Sheij Mohamed, autoproclamado “cérebro” dos ataques, e quatro de seus supostos cúmplices tentaram provar nesta segunda que a autoridade que supervisiona as comissões militares de Guantânamo vigiava as conversas dos defensores com seus clientes, o que poderia violar a privacidade a qual os detentos têm direito.
 
Essa ordem de 2011 foi enviada às autoridades da prisão de Guantânamo e à CIA, uma vez que, segundo MacDonald, tudo o que os acusados dizem é considerado, de maneira prévia, informação secreta que está sendo exposta quando falam com os advogados. A intenção dessas ordens seria deter os casos de contrabando de materiais não autorizados e evitar o vazamento de informações que afetem a segurança nacional.
 
MacDonald disse não se lembrar da motivação para as gravações das conversas telefônicas, mas reconheceu que elas ocorriam e que estava ciente de que havia equipes em Guantânamo responsáveis por essa coleta de informações.
 
Essa foi a primeira vez, desde fevereiro, que os cinco acusados compareceram à sala do tribunal de Guantânamo. A declaração do almirante norte-americano ocorre depois da revelação de que os Estados Unidos grampearam conversas telefônicas de milhões de cidadãos, com o suposto objetivo de “proteger a nação contra ataques terroristas”.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Há 85 anos, nascia o revolucionário Ernesto Che Guevara

 
Ernesto Guevara de la Serna foi um dos mais famosos revolucionários marxistas da História. Depois de sua morte, Che foi instantaneamente transformado em um símbolo do compromisso e do heroísmo revolucionários. Até hoje, Che vive nos corações dos povos solidários.
 
Ernesto Guevara de la Serna nasceu em 14 de junho de 1928, em Rosário, importante cidade industrial da Argentina, em uma família classe média alta. Seu pai, o arquiteto e engenheiro civil Ernesto Guevara Lynch, era um militante político, tendo participado de vários comitês e organizações de ajuda aos países democráticos. Apoiou a resistência republicana na Guerra Civil Espanhola, nos anos de 1930, participou de campanhas para brecar a propaganda nazista nas Américas na 2ª Guerra Mundial e, mais tarde, fez oposição ao governo de Juan Perón. A mãe, Célia de la Serna, era igualmente ativista, tendo sido presa diversas vezes por sua militância política. Na juventude de Che, a casa dos Guevara vivia repleta de republicanos espanhóis e militantes socialistas.
 
Aos 2 anos, Che Guevara sentiu os primeiros sintomas de asma que o atormentaria ao longo da vida. Para minimizar os efeitos da doença, a família foi para Alta Gracia, perto da Cordilheira dos Andes, à procura de um clima mais saudável. Mais tarde, Ernestito, como era chamado pelos parentes, começou a praticar esportes como natação, futebol, ciclismo e rugby. Ao contrário do que se poderia imaginar, ele não desenvolveu uma personalidade fraca e indolente por causa da doença. A enfermidade tornou-se um desafio que ele aceitou sem nenhuma autocompaixão. Outra coisa curiosa que aconteceria depois: Che foi dispensado do serviço militar argentino por incapacidade em virtude da asma.
 
Quando Che tinha 12 anos, sua família mudou-se para Córdoba, segunda maior cidade da Argentina, e foi viver próxima de uma favela. O menino brincava diariamente com as crianças pobres do lugar, uma atitude pouco comum para um filho de classe média alta. Nessa época, ele começou a pegar gosto pela leitura, pois seus pais tinham cerca de 3 mil livros em casa. Che tomou contato com a poesia, filosofia, história e arqueologia, dentre outros assuntos. Com isso, abriu novos horizontes e quis conhecer novos lugares. A primeira viagem foi uma travessia do território argentino de bicicleta promovida por uma empresa local. Em cada cidade que parava, comprava vários livros e, desde essa época, começou a escrever um diário, hábito que manteve por toda a vida.
 
Alberto Granados e Che durante viagem pela América Latina.
Em 1944, quando tinha 17 anos, a família Guevara transferiu-se para a capital Buenos Aires, centro cultural e político da Argentina. Ele havia decidido fazer medicina, mas continuava atraído por viagens e aventuras. Em dezembro de 1949, ainda não tendo terminado o curso, começou uma longa viagem de motocicleta em direção ao Chile com seu amigo Alberto Granados. A ideia era rodar todo o continente, conhecendo os povos, as condições de vida, a história e a geografia da América Latina. Passaram pela maioria dos países, mas os que marcaram mais Guevara foram a Bolívia, a Venezuela e o Peru. Nessa viagem, Guevara começa a ver a América Latina como uma única entidade econômica e cultural. Granados, recém-formado em medicina, ficou na Venezuela trabalhando num sanatório para leprosos e Che voltou para a Argentina para completar seu curso.
 
Início da inquietação
Em março de 1953, ele se formou em medicina com especialização em alergia, mas percebeu que ainda não estava preparado para se tornar um médico. Resolveu voltar para a Bolívia. Em um de seus diários, Che relatou: “Quando comecei meus estudos de medicina, a maioria de meus ideais revolucionários ainda não existia. Como grande parte das pessoas, eu estava em busca de sucesso [...]. Mas, quando comecei a viajar por toda a América, entrei em contato com a pobreza, a fome e a doença [...]. Vi a degradação e a repressão. Então comecei a entender que havia outra coisa tão importante do que ser famoso, que era ajudar essa gente.”
 
Em La Paz, capital da Bolívia, Guevara teve contato com vários grupos políticos, especialmente exilados argentinos. Um dos novos amigos, Ricardo Rojo, era um advogado argentino que escapara das prisões do regime de Perón. O plano de Guevara era se encontrar com Alberto Granados na Venezuela, mas Rojo o convenceu a acompanhá-lo até a Guatemala, “onde as coisas estão acontecendo”. Em 1950, os guatemaltecos tinham elegido o presidente Jacobo Arbens Guzmán, um esquerdista moderado que prometera dar sequência ao programa de reformas sociais iniciado em 1944, quando fora deposto o último regime militar. Arbens estava sobre fogo cerrado das elites locais e dos interesses norte-americanos.
 
Para chegar à Guatemala, Guevara, Rojo e um grupo de argentinos fizeram uma difícil viagem pelo Peru e Equador, de onde pegaram um barco para o Panamá. O transporte foi obtido graças à interferência de um político socialista chileno, Salvador Allende, que 20 anos depois seria presidente de seu país e terminaria assassinado durante um sangrento golpe militar.
 
Do Panamá, o grupo foi para a Costa Rica, onde vivia uma grande comunidade de exilados latino-americanos, incluindo alguns remanescentes do ataque ao quartel de Moncada em 26 de julho de 1953. Esses cubanos garantiram que voltariam a Cuba para derrubar Fulgêncio Batista, mas, de acordo com Rojo, nem ele nem Guevara os levaram muito a sério.
 
Primeira luta
Em janeiro de 1954, eles chegaram à Guatemala para mergulhar em um universo político conturbado. Foi lá que Guevara conheceu a peruana Hilda Gadea Acosta, com quem se casou mais tarde. Ela daria importante contribuição a sua formação política. Também foi lá que conheceu o cubano Nico Lopez, um dos líderes do ataque a Moncada, e que, no futuro, apresentaria Guevara a Raul e a Fidel Castro, no México.
 
Na Guatemala, o exército invasor norte-americano operava a partir de Honduras, sob o comando da CIA e com a aprovação do presidente Dwight Eisenhower. Guevara ficou impressionado com a facilidade com que um governo popular era esmagado. “A última democracia revolucionária da América Latina – a de Jacobo Arbens – caiu como resultado da fria e premeditada agressão conduzida pelos EUA [...]. Quando a invasão norte-americana começou, tentei juntar um grupo de jovens como eu para contra-atacar. Na Guatemala era necessário lutar e quase ninguém lutou. Era necessário resistir e quase ninguém resistiu”, escreveu Guevara.
 
Na invasão, Che foi guarda voluntário durante o blecaute, nos momentos em que a cidade estava sendo bombardeada. Ele também pediu para ir para o front, mas não foi autorizado. As exortações de resistência feitas por Guevara foram suficientes para colocar seu nome na lista negra dos golpistas. Avisado pelo embaixador argentino de que sua vida e de sua esposa estavam em perigo, eles se refugiam na embaixada.
 
As experiências na Guatemala foram importantes para a construção de sua consciência política. Foi lá que Che se autodefine como revolucionário e se convenceu da necessidade da luta armada, de tomar a iniciativa contra o imperialismo. “Quando estava na Guatemala de Arbenz, comecei a tomar nota e pensar sobre quais seriam as responsabilidades de um médico revolucionário. Então, depois que vi a agressão norte-americana, entendi uma coisa fundamental: para ser um médico revolucionário, você primeiro precisa de uma revolução”, escreveu certa vez.
 
Guevara iria atrás dela, mas, inicialmente, precisaria sair vivo da Guatemala. Recusou a oferta de um salvo-conduto para voltar para a Argentina. Resolveu ir para o México, porque se tratava de um país mais hospitaleiro para os refugiados políticos. Chegando lá com um amigo guatemalteco, os dois viraram fotógrafos de rua para sobreviver. Depois de algum tempo, Guevara foi trabalhar no setor de alergia do Hospital Geral da Cidade do México, ao mesmo tempo que lecionava na Universidade Autônoma do México. Um dia encontrou no hospital o cubano Nico Lopez, que o levou para conhecer um compatriota recém-chegado à capital mexicana: Raul Castro.
 
Encontro com Fidel
Hilda Gadea relata em uma carta que Che e Raul se tornaram amigos, passando a se encontrar todos os dias. Ela descreve Raul como “um dedicado revolucionário, que era aberto, seguro de si, muito claro nas exposições de suas ideias”. Em julho de 1955, Raul apresenta a Guevara seu irmão mais velho: Fidel Castro. Foi amizade à primeira vista.
 
Che escreveu como se deu o primeiro encontro: “Encontrei Fidel em uma dessas noites frias da Cidade do México. Lembro que nossa primeira discussão foi sobre política internacional. Algumas horas mais tarde, bem de madrugada, já tinha me decidido que participaria da expedição do Movimento 26 de Julho, que em breve pretendia iniciar uma revolução em Cuba. Depois de minhas experiências pela América Latina e principalmente na Guatemala, era necessário muito pouco para me convencer a me juntar a qualquer revolução contra a tirania. Fidel causou boa impressão em mim. Ele estava absolutamente certo de que iríamos para Cuba. Uma vez lá, nós lutaríamos e que, lutando, venceríamos. Seu otimismo era contagiante. Tínhamos de agir e lutar para a consolidação de nossa posição. Era necessário parar de hesitar e começar a luta real. Para provar ao povo cubano que podia confiar em sua palavra, disse em um de seus famosos discursos: ‘Em 1956, nós devemos ser homens livres ou mártires.’ Este era o anúncio que, antes do fim do ano, ele desembarcaria em algum lugar de Cuba no comando de uma força expedicionária.”
 
Treinamento e embarque
Guevara passou a se dedicar inteiramente à causa. Sob a orientação de Alberto Bayo, um veterano da Guerra Civil Espanhola, de 63 anos, cerca de 80 homens começaram um treinamento de combate em uma fazenda perto da Cidade do México. Os exercícios de simulação consistiam em táticas de guerrilha, operações de ataque e manobras para confundir os inimigos em montanhas e na selva. O grupo suportava marchas de 15 horas por terrenos difíceis, subindo morros, cruzando rios e abrindo caminho no mato, aprendendo e aperfeiçoando os procedimentos de emboscada e de retirada rápida. Em pouco tempo, Che – apelido dado pelos cubanos, que significa “irmão”, em guarani – se tornaria o aprendiz mais dedicado de Bayo.
 
Nesse meio tempo, Fidel levantava fundos para conseguir realizar a insurreição. Em julho de 1956, a fazenda foi descoberta e 20 pessoas, dentre elas Fidel, Guevara e Bayo, foram presas. Libertados um mês depois, tiveram de agilizar o embarque, pois temiam a pressão da polícia mexicana. Planejaram começar a revolução em novembro de 1956.
 
Com os fundos arrecadados pelo Movimento 26 de Julho, foi possível comprar o barco Granma – “vovó”, em inglês –, que não era dos melhores, armas, munições e suprimentos médicos. Guevara seria o médico da expedição. Em 25 de novembro de 1956, o Granma levantou âncora do porto de Tuxpan, levando a bordo, em seus 17,5 metros de extensão, 82 homens que mudariam a história de Cuba e do mundo. A viagem foi conturbada. Vários homens marearam durante o percurso e Guevara sofreu forte crise de asma.
 
O plano de Fidel era desembarcar, em 30 de novembro, perto da cidade de Niquero, na província de Oriente, cerca de 650 quilômetros de Havana. A chegada coincidiria com um levante em Santiago de Cuba, capital da província, comandado pelo líder estudantil Frank País. O objetivo era juntar forças com os rebeldes de Santiago, criando um movimento de duas pontas, rural–urbano, para atrair a população para a causa revolucionária. O levante eclodiu na data marcada, mas foi esmagado antes que Fidel e seus homens chegassem à praia, em 2 de dezembro.
 
Depois de sete dias no mar, o exército revolucionário desembarcou, mas não no local previsto onde estariam os suprimentos. Estavam a 16 quilômetros ao Sul, nos mangues da praia Colorado. O Granma encalhou na areia e logo foi descoberto pela Guarda Costeira. Os rebeldes precisaram nadar até a praia, perdendo vários equipamentos importantes, e tiveram que andar horas pelo terreno pantanoso até encontrar terra firme.
 
Guevara descreveu essa passagem em seu diário Reminiscências da guerra revolucionária da seguinte forma: “Nós encontramos terra firme, nos perdemos como sombras ou fantasmas, marchando em resposta a algum obscuro impulso psíquico. Havíamos enfrentado sete dias de constante fome e enfermidades durante a travessia do mar e nos defrontamos com três dias ainda mais terríveis em terra. Exatamente dez dias depois de nossa partida do México, nas primeiras horas do dia 5 de dezembro, após uma noite de caminhada constantemente interrompida pela fadiga e por períodos de descanso, encontramos a área paradoxalmente conhecida como Alegria de Pío.”
 
Os rebeldes de Fidel estavam sendo cercados pelo Exército cubano nos canaviais de Alegria de Pío. Os aviões, que circulavam o local, começaram a abrir fogo. Aconteceu uma correria desenfreada em busca de abrigo seguro. Che atendia alguns companheiros que estavam com ferimentos leves, quando um homem, querendo se refugiar, deixou cair seu carregador de munição. Guevara estava com a sacola de medicamentos cheia, seria impossível carregar as duas coisas por causa do peso. Foi aí que ele tomou a decisão de ser um revolucionário: pegou a munição e largou os medicamentos para trás, correndo para o meio do canavial.
 
Depois de muito andar para não serem capturados pela Guarda Rural de Batista, foram contabilizadas as perdas. Dos 82 homens que desembarcaram do Granma, apenas 17 sobreviveram. Nico Lopez havia morrido e Che teve ferimentos leves no peito e no pescoço.
 
Che cuidava da Rádio Rebelde na Sierra Maestra.
Destino: Sierra Maestra
Os rebeldes planejaram começar a revolução por Sierra Maestra, uma cadeia montanhosa de Cuba. A região era habitada por camponeses pobres e analfabetos, que lavravam pequenas roças para subsistência. As terras pertenciam a latifundiários, que pegavam uma parte de seus lucros. Em 1956, era praticamente impossível que a tropa regular de Batista conseguisse chegar ao local, pois era um lugar selvagem e não havia caminhos pela mata. Os treinamentos no México seriam úteis para os revolucionários nessa hora.
 
Em janeiro de 1957, Fidel e seu exército, agora com 20 homens, decidiram realizar um ataque para mostrar que o Movimento 26 de Julho estava vivo e ativo. Atacaram um pequeno posto da Guarda Rural na foz do rio La Plata. Conseguem capturar algumas armas e munições. Em fevereiro, Herbert Matthews, repórter do New York Times, foi à Sierra Maestra e fez uma longa entrevista com Fidel. Quando a reportagem saiu no jornal, o movimento ganhou notoriedade internacional, despertou simpatias e, principalmente, legitimidade. O governo de Fulgêncio Batista foi forçado a reconhecer que havia um exército rebelde em atividade dentro de Cuba.
 
Os revolucionários impressionavam as pessoas por seguirem um novo código de conduta bélica. As tropas regulares de Batista torturavam e executavam seus prisioneiros, além de cometer atrocidades contra civis. Já os rebeldes de Sierra Maestra tinham como norma liberar todos os soldados governamentais e jamais maltratar as pessoas da população local. Ao assumir princípios humanistas, os revolucionários conquistaram a confiança dos camponeses. Eles se mantinham firmes aos ensinamentos de José Martí, o herói nacional.
 
Ao longo de 1957, aumentava lentamente o número de rebeldes. Nesse mesmo ano, Fidel concede a Che a patente de comandante, posto que até então apenas ele próprio possuía, e o colocou na liderança da Segunda Coluna do Exército Rebelde. Depois de quase um ano em Sierra Maestra, os revolucionários perceberam que a semente estava germinando. Em toda parte de Cuba, surgiam protestos contra o governo. As forças de Fidel, agora com cerca de 300 combatentes, estavam bem organizadas. Ele e Che montaram fábrica de munição, escolas, clínicas, cozinhas coletivas, oficinas de trabalho, um jornal e uma estação de rádio na região (a Rádio Rebelde). Os camponeses receberam terras e se sentiam livres das arbitrariedades cometidas pela Guarda Rural.
 
Em abril de 1958, as forças anti-Batista no campo e nas cidades convocaram uma greve geral imaginando que o ditador fosse renunciar, mas o movimento fracassou. Em maio, o governo colocou 10 mil homens em Sierra Maestra, apoiados por tanques e aviões. A ofensiva durou quase três meses, porém o exército de Batista, desorganizado e não sabendo lutar nas montanhas, limitou-se a bombardear vilas e povoados, matando dezenas de civis.
 
Batalha final
Em agosto, as tropas regulares se retiraram do campo de batalha. Sierra Maestra estava nas mãos dos revolucionários. O comandante em chefe agora planejava sua ofensiva final para tomar o controle das grandes cidades. Fidel e Raul marcharam com 200 homens para Santiago de Cuba, onde receberiam o reforço de outros 600 rebeldes para tentar ocupar a cidade. Enquanto isso, Che Guevara, com 148 homens, atravessava a província de Las Villas, em direção às montanhas Escambray e à cidade de Santa Clara. Camilo Cienfuegos comandava uma coluna de 82 homens, movendo-se paralelamente às forças de Che. O alvo dele era Havana.
 
Em dezembro, Guevara recebeu a missão de tomar toda a província de Las Villas, cortando a ilha em duas partes. Em questão de dias, com brilhantes manobras táticas, ele conquistou toda a província, exceto a capital, Santa Clara. Defendida por 2 mil soldados, a cidade contava com apoio aéreo. Guevara tinha apenas 200 homens. Os arredores de Santa Clara se renderam rapidamente com as tropas governamentais evitando o combate, mas o controle do centro da cidade custou três dias de luta e convencimento dos soldados governistas. Com a tomada de Santa Clara em 31 de dezembro de 1958, não havia mais nenhum obstáculo entre os rebeldes e Havana.
 
Santiago de Cuba continuava cercada pelas forças de Fidel e Raul. O comandante militar da cidade telefonou para Batista dizendo que não poderia manter a cidade por muito tempo. Sabendo que seu exército estava aniquilado e nada mais poderia fazer, às 3 horas da madrugada do dia 1º de janeiro de 1959, o ditador, juntamente com alguns comparsas, fugiu de avião para a República Dominicana com medo de ser morto. Prudente, Fulgêncio Batista já havia transferido para o exterior fortuna estima em US$800 milhões, amealhada em anos de saque do Tesouro Nacional.
 
Quando Fidel soube da fuga de Batista, preparou-se para marchar sobre Santiago. O comandante militar da cidade, no entanto, rendeu-se sem oferecer resistência e Fidel entrou pacificamente na cidade. De Santiago, Fidel irradiou um apelo ao povo de Havana, conclamando-o a evitar violência e manter-se vigilante pela justiça. Prometeu que as forças rebeldes adentrariam as cidades de Cuba para restabelecer a ordem e impedir a contrarrevolução. “A ditadura desmoronou”, disse ele, “mas isso não significa que a revolução tenha triunfado. Revolução, sim! Golpe militar, não!”
 
Os revolucionários entram Havana.
Fidel pediu que Guevara e Cienfuegos seguissem para Havana. Em 2 de janeiro de 1959, eles entraram na cidade e assumiram o controle das instalações militares para evitar qualquer reação do Exército. No mesmo dia, Fidel começou sua lendária travessia de 800 quilômetros por toda extensão de Cuba, fazendo discursos e entusiasmando a multidão. Ele chegou a Havana em 8 de janeiro. A luta militar havia sido ganha. Agora, os revolucionários tinham pela frente o igualmente espinhoso trabalho de criar uma nova sociedade.
 
Em suas reflexões sobre a vitória final dos rebeldes, Che escreveu o seguinte: “A ditadura de Batista criara o necessário fermento, com sua política de opressão das massas e manutenção de um regime de privilégios. Privilégios para os servos do regime, para latifundiários parasitas e comerciantes. Privilégios para os monopólios estrangeiros. Uma vez que o conflito começou, as medidas repressivas do governo e sua brutalidade, em vez de diminuírem a resistência popular, fortaleceram-na. A desmoralização e a falta de vergonha da casta militar facilitaram a tarefa. A rudeza das montanhas em Oriente e a incapacidade tática do inimigo também fizeram sua parte. A guerra, contudo, foi vencida pelo povo, por meio da ação de sua vanguarda armada (o exército rebelde), cujas armas básicas eram seu moral e sua disciplina.”
 
Dever cumprido
Depois de seu trabalho como médico e comandante das tropas rebeldes, Che foi proclamado “cidadão cubano de nascimento” e, no governo revolucionário, assumiu o posto principal do Banco Nacional de Cuba. Em seguida, foi para o Ministério da Indústria, onde desenvolveu uma política econômica voltada à diversificação da agricultura e à industrialização a fim de reduzir a dependência externa. Guevara também foi embaixador cubano, tendo visitado vários países, inclusive o Brasil, em 1960, onde foi condecorado pelo presidente Jânio Quadros, ansioso para demonstrar que o País tinha uma política externa independente.
 
Che ficou no cargo até abril de 1965, quando saiu de Cuba para levar a Revolução para outros países. Além disso, tinha suas dúvidas quanto à excessiva aproximação cubana com os soviéticos, posição que deixou bem clara nos encontros nos quais participou na época. Queria voltar a voar, não se prender a uma revolução. Já tinha dito a Fidel, antes de entrar para o exército rebelde cubano, que “vou retomar minha liberdade de revolucionário depois do triunfo da Revolução Cubana”. Deixou Cuba e uma carta a Fidel, que dizia num trecho o seguinte: “Sinto que cumpri a parte de meu dever que me atava à Revolução Cubana em seu território e me despeço de ti, dos companheiros, de teu povo, que já é meu. Faço formal a renúncia de meus cargos na direção do partido, de meu posto de ministro, de meu posto de comandante, de minha condição de cubano... Outras terras do mundo reclamam o concurso de meus modestos esforços... Até a vitória, sempre. Pátria ou Morte!” Assim foi para o Congo, onde tentou organizar uma guerrilha, que acabou sendo frustrada. Retornou em segredo para Havana e dali partiu, em outubro de 1966, para as selvas bolivianas, levando alguns guerrilheiros cubanos para encontrar outros homens na Bolívia, de onde empreenderiam uma guerrilha similar à que saiu vitoriosa em Cuba.
 
Mesmo com cerca de 50 homens em território boliviano, as tropas de Che venceram algumas lutas contra os inimigos. Mas, isolados nas montanhas da Bolívia, Che Guevara e seus companheiros foram denunciados ao Exército boliviano. Em 8 de outubro de 1967, eles foram encurralados num encosta e poucos escaparam. Che, ferido na perna, ficou preso na cidade de La Higuera. O governo boliviano estava diante de um dilema: executar Guevara ou levá-lo a julgamento. Esta última hipótese foi descartada imediatamente por René Barrientos, presidente boliviano na época. O banco dos réus exporia La Paz a uma campanha internacional por sua libertação.
 
Em 9 de outubro, Guevara foi interrogado por agentes da CIA e da inteligência boliviana. Em seguida, foi destacado um oficial para executá-lo. O soldado disparou várias vezes. Che estava morto.
 
Poucas horas depois, vários repórteres e fotógrafos chegaram em La Higuera e foram levados para uma lavanderia onde o corpo de Guevara fora colocado em exposição. A notícia se espalhou pelo mundo, mas, durante dias, houve uma discussão internacional sobre a veracidade da morte do guerrilheiro. Todas as especulações terminaram em 15 de outubro, quando Fidel Castro anunciou que realmente Guevara tinha sido capturado e executado na Bolívia.
 
Em seu discurso, profundamente emocionado, Fidel pronunciou o seguinte: “Raramente pode-se dizer de um homem com maior justiça e com maior precisão o que vou falar sobre Che: ele foi um exemplo puro de virtudes revolucionárias; ele foi um ser humano extraordinário; um homem de extraordinária sensibilidade. Che era um homem de total integridade, um homem de supremo senso de honra, de absoluta sinceridade. Um homem de hábitos estoicos e espartanos, cuja conduta nenhuma mácula pode ser encontrada. Ele constituía, dentro de várias virtudes, o que podemos chamar de o verdadeiro modelo revolucionário.”
 
Os restos mortais de Guevara, depois de ficarem 30 anos enterrados num cemitério clandestino na Bolívia, foram identificados e exumados em julho de 1997. Atualmente, eles se encontram enterrados n Mausoléu Ernesto Che Guevara, na cidade de Santa Clara, em Cuba.
 
A postura de Che hoje é estudada como o “novo homem”, o homem necessário para construir a sociedade do futuro, altruísta e desprendido.
 
Um dos maiores legados deixado por Che foi a conscientização de se criar o “novo homem”, um ser desprovido do egoísmo e da mesquinhez característicos da sociedade capitalista. Um de seus biógrafos, John Gerassi, escreveu o seguinte: “A principal preocupação de Che era criar o Homem Socialista em Cuba [...]. Che sentiu que a economia por si só não valia o esforço, o sacrifício e os riscos de guerra se os fins encorajassem as ambições individuais à custa do espírito coletivo.”
 
Mesmo se não levarmos em conta seus sucessos e frustrações durante toda sua vida, Ernesto Che Guevara, por si só, serviu como um símbolo da dedicação revolucionária, cujas ações foram sempre consistentes e em harmonia com seus ideais morais. Ele morreu lutando por esses ideais, mas continua vivo nos corações de todos os povos solidários.
 
 
A fotografia mais conhecida do mundo
A célebre fotografia de Che Guevara, que é reproduzida em cartazes de manifestações reivindicatórias de liberdade e por melhores condições sociais, é de autoria do cubano Alberto Korda. Ela foi captada em março de 1960, mas só foi publicada sete anos depois. O Instituto Maryland de Arte, dos Estado Unidos, intitulou a foto de Korda de “a mais famosa fotografia no mundo e símbolo do século 20”.
 
Apesar de Korda nunca ter solicitado royalties daqueles que publicaram a imagem devido às suas convicções nos ideais de Guevara, não deixou que ela fosse usada em um anúncio de vodka. Korda era um comunista convicto e queria evitar a exploração comercial da fotografia.
 
Ele costumava dizer aos repórteres: “Como defensor dos ideais pelos quais Che Guevara morreu, não me oponho a sua reprodução por aqueles que desejam difundir sua memória e a causa da justiça social por todo o mundo.”
 
Nascimento
Segundo o escritor John Lee Anderson, Che Guevara teria nascido em 14 de maio e não a 14 de junho como consta de todas as biografias. Anderson cita como fonte uma das amigas da mãe de Che que lhe afirmou que à época do nascimento dele, sua mãe, Célia de la Serna, teve de adiantar a data em um mês porque ela havia se casado grávida e, se não o fizesse, sua família descobriria o seu segredo. No entanto, essa justificação não é totalmente convincente, uma vez que os pais de Guevara se casaram em novembro de 1927, ou seja, sete meses antes do nascimento do filho, pelo que não se justificaria um tal artifício.


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Vencedores do Nobel, escritores e artistas pedem libertação dos Cinco cubanos presos nos EUA

Agentes detidos na Flórida há quinze anos entraram em território norte-americano com a missão de espionar grupos que praticavam terrorismo contra Cuba

28/05/2013 | 03:00 | CÉLIO MARTINS, ENVIADO ESPECIAL   

Em 2010, pelo menos dez vencedores do Prêmio Nobel endossaram uma carta ao presidente dos EUA, Barack Obama, clamando pela libertação de cinco cubanos presos há 15 anos na Flórida acusados de espionagem. O pedido é assinado por nomes como Darío Fo (Itália), Günter Grass (Alemanha),Robert Engle (EUA), Desmond Tutu (África do Sul) e Adolfo Pérez Esquivel (Argentina).
O movimento pela libertação dos “Cinco Heróis”, como são chamados em Cuba, reúne ainda líderes políticos, como os sul-africanos Nelson Mandela e Jacob Zuma, o ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter e o uruguaio Jose Mujica. Engrossam a lista escritores, intelectuais e artistas, como a atriz Julie Chirstie, o ator Danny Glover, o escritor Gabriel García Marquez, o poeta Mario Benedetti e o jornalista Ignacio Ramonet.
Mulher de cubano preso diz que teme pela morte do marido
A cubana Rosa Aurora Freijanes (foto) passou os últimos 15 anos de sua vida empenhada em trazer de volta para casa seu marido, Fernando Gonzales, um dos cinco cubanos condenados por espionagem nos EUA. Quando foi preso, Gonzales tinha 35 anos e vivia com Rosa havia 8 anos. “Ele está correndo risco na Flórida. Os grupos que planejam ações terroristas contra Cuba podem matá-lo”, diz Rosa ao reclamar que seu “companheiro” cumpriu um tempo de pena excessivo. “Ele não praticou nenhum crime, a não ser entrar ilegalmente nos EUA”, diz.
Rosa reclama que os EUA não respeitam os direitos humanos, dificultando a visita de parentes dos agentes presos. (CM)
Os cinco cubanos foram encarcerados em Miami no dia 12 de setembro de 1998 após terem entrado no país com a missão de espionar grupos de cubano-americanos que, segundo o governo de Cuba, planejavam atentados terroristas contra a ilha.

Até 2001, o regime cubano diz que atentados terroristas planejados por grupos contrarrevolucionários baseados nos Estados Unidos, como o Coordination of United Revolutionary Organizations (Coru), Alpha 66 e Omega 7, deixaram um saldo de 3.478 mortes no país. Nesse número Cuba contabiliza a explosão em 1976, em pleno voo, do avião civil da empresa Cubana de Aviação que causou a morte de 73 pessoas. Entre as vítimas estavam todos os integrantes da equipe nacional juvenil de esgrima de Cuba.
Cuba acusa Luis Clemente Faustino Posada Carriles, um cubano tido como ex-agente da CIA [a agência de inteligência norte-americana], de ser o mentor do atentado ao voo. Na mídia da ilha Carriles – que tem também nacionalidade venezuelana – é classificado de "Bin Laden da América Latina".
Carriles tem também nacionalidade venezuelana e vive nos EUA. A Justiça da Venezuela pediu a sua extradição, mas o governo norte-americano alega que, se fosse deportado para a Venezuela, Carriles seria torturado.
Libertação
No último dia 3 de maio, René González, um dos “Cinco heróis cubanos” foi autorizado pela Justiça norte-americana a voltar para casa. Ele estava em liberdade condicional após ter cumprido 13 anos de prisão. A decisão foi emitida pela juíza Joan Lenard, de Miami.
Para obter a liberdade, Gonzáles “ofereceu sua renúncia à cidadania americana diante do escritório consular americano (em Havana)”, conforme afirmam documentos judiciais.
René é casado e tem duas filhas em Cuba. Ele foi detido em 1998, junto a Gerardo HernándezRamón LabaniñoFernando González e Antonio Guerrero, quando o FBI chegou ao grupo, que atuava no sul da Flórida com objetivo de obter informações sobre atentados planejados por opositores ao regime de Fidel Castro.
Gerardo Hernández, considerado o líder do grupo, está condenado à prisão perpétua. “Os Cinco heróis” admitiram que eram agentes de Cuba, mas que não espionavam Washington e sim grupos terroristas que conspiravam contra o regime comunista.
Os grupos os quais os agentes cubanos espionavam ficaram conhecidos por planejar sabotagens contra as plantações agrícolas cubanas e interferir nas comunicações do aeroporto de Havana. Nos anos 1990, passaram a centrar ações contra a indústria do turismo. As práticas incluíam de rajadas de metralhadoras contra turistas em praias cubanas a atentados a bomba em hotéis, segundo governo da ilha.
O assunto é tema do livro "Os Últimos Soldados da Guerra Fria", do escritor brasileiro Fernando Morais, publicado em 2011 e vencedor do Prêmio Brasília de Literatura na categoria reportagem. 
Retirado de GAZETA DO POVO

Leia outras reportagens:

http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/passagem-para-cuba/

sábado, 8 de junho de 2013

Guantânamo e o inferno em Cuba


Mais de uma centena de prisioneiros sem julgamento se encontram confinados desde 2002, em instalações precárias e provisórias, submetidos desde então a maus tratos e tortura física e psicológica

03/06/2013

Mauro Santayana,

Há, na ilha de Cuba, um campo de concentração que lembra os montados pelos nazistas na Europa de Hitler. Mais de uma centena de prisioneiros sem julgamento - já que não há nas leis nada que dê suporte legal para tal ato - se encontram confinados desde 2002, em instalações precárias e provisórias, submetidos desde então a maus tratos e tortura física e psicológica. Quase todos eles se encontram há meses em greve de fome. Depois da morte de nove deles, passaram a alimentá-los à força, prática condenada pela Comissão de Direitos Humanos da ONU.
É bom explicar que não é um presídio do governo de Cuba, mas, sim, estadunidense. Trata-se de parte da base naval de Guantânamo, ali instalada pelo governo dos Estados Unidos, depois da guerra vitoriosa contra a Espanha, em 1901. A partir de então, Cuba deixou de ser colônia de Madri para tornar-se dependência política de Washington.
A instalação formal da base e a assinatura de um tratado para a sua manutenção ocorreram em consequência da Emenda Platt, em 1903, pela qual Cuba perdia toda a sua soberania – imposta pela força. Ainda que Roosevelt, em 1934, tenha formalmente abolido a Emenda, o tratado de cessão da base foi mantido. Pelo documento, a ocupação militar de Guantânamo durará enquanto isso for do interesse de Washington.
Logo depois da Revolução Cubana, quando se iniciaram os desentendimentos com as empresas de petróleo estadunidenses, mas ainda em 1959, Havana denunciou formalmente o tratado: os Estados Unidos deviam retirar-se da base. No entanto, eles, além de não tomar conhecimento da decisão de Fidel, intensificaram sua ação diplomática contra Cuba, e a clandestina, a cargo da CIA e contra-revolucionários cubanos - o que levou à frustrada tentativa de invasão da Baía dos Porcos.
“Mais de 160 homens, que nunca foram acusados de nenhum crime, e menos ainda condenados por crimes de guerra, permanecem em Guantânamo, sem um fim à vista” – argumenta o Coronel Morris Davis, que foi o chefe dos promotores das comissões militares que julgaram (ilegalmente) os prisioneiros de Guantânamo, entre 2005 e 2007, durante o governo de Bush II.
Davis lidera um movimento nos Estados Unidos que recolheu 190.000 assinaturas de seus concidadãos em uma petição para fechar a base e libertar os prisioneiros, e a encaminhou no dia 23 de maio ao Congresso. Há mais de 3 anos que 86 prisioneiros de Guantânamo receberam - por falta absoluta de evidências de sua participação em atos de terrorismo - autorização para regressar a seus países. Os EUA têm medo de soltá-los: onde quer que estejam, os prisioneiros de Guantânamo, contarão ao mundo sua história e, tendo sido tão vilipendiados, estarão disponíveis contra os EUA.
Sequestrados, enjaulados, torturados, humilhados, estão moralmente autorizados a dar o troco.
Retirado de Brasil de Fato

Replicando excelente texto de Vânia Barbosa

ASSOCIAÇÃO CULTURAL DO RIO GRANDE DO SUL REALIZA “VIII CONVENÇÃO ESTADUAL DE SOLIDARIEDADE A CUBA”

Associação Cultural José Marti/RS

Em 02/06/2013

Por Vânia Barbosa – MTB 8927

No próximo dia 8 de junho de 2013, a Associação Cultural José Marti/RS realiza, em Porto Alegre, a “VIII Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba”, atividade preparatória para o encontro nacional, que ocorre entre nos dias 13, 14 e 15 de junho, em Foz do Iguaçu.

A convenção gaúcha terá a participação da Consulesa de Cuba no Brasil, Ivette Martinez, e debaterá temas como a Campanha pela Libertação dos Cinco Antiterroristas Cubanos Presos nos Estados Unidos; O Combate ao Terrorismo Internacional contra Cuba; A Luta contra o Bloqueio Econômico e Financeiro a Cuba e Organização das Brigadas Internacionais para Cuba.

O evento ocorre das 9 às 13h, na sede da AFOCEFE – SINDICATO, na Rua dos Andradas, 1234, 21º andar, centro de Porto Alegre.

Em Foz do Iguaçu a XXI Convenção Nacional, coordenada pelo professor Kico França vai contar com painéis formados por representantes das entidades de solidariedade a Cuba no Brasil e demais painelistas como o Vice – Presidente do Instituto Cubano de Amizade com os Povos – ICAP, Elio Gamez; Adriana Pérez, ativista e esposa de Gerardo Hernández, um dos Cinco antiterroristas cubanos nos EE.UU; a Presidenta do Conselho Mundial da Paz e do CEBRAPAZ, Socorro Gomes; os jornalistas Beto Almeida, da TV Senado e Iroel Sánchez, também blogueiro cubano; Carlos Permuy, familiar de uma das vítimas do atentado contra o avião cubano em Barbados e o Secretário Executivo do Foro de São Paulo, Valter Pomar. Ainda participam o Embaixador de Cuba, Carlos Zamora Rodríguez, e o Conselheiro Político da Embaixada Rafael Hidalgo, além de Fábio Simeón, representante do ICAP no Brasil.

São aguardados convidados de partidos políticos, centrais sindicais, movimentos sociais e estudantis, da União Brasileira de Mulheres – UBM; União de Negros e Negras pela Igualdade – UNEGRO; da Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA, Uniamérica; Unioeste; União Dinâmica Cataratas; CESUFOZ-FAFIG; UNIFOZ; Anglo-americano.; CONAN;IES e representantes da Venezuela, Paraguai e Argentina. Leia a programação completa no link http://www.convencaonacionalcubabrasil.org/

Os Cinco antiterroristas cubanos

Os “Cinco” cubanos foram sequestrados e presos por agentes do FBI, em setembro de 1998, no Sul da Flórida, ao tentar impedir os planos terroristas contra a Ilha, planejados por grupos extremistas cubano-estadunidenses radicados em Miami e capitaneados pela CIA.

Entre tantas ações terroristas dos Estados Unidos os cubanos tiveram os campos de cana de açúcar– essenciais para a economia do País – incendiados. A queima da produção teve como objetivo debilitar a principal fonte de trabalho e renda existente no País. Foram várias as cartas enviadas pelo governo cubano aos Estados Unidos para que detivessem os ataques, inclusive tendo como porta-voz o escrito colombiano Gabriel Garcia Marques. O imperialismo silenciou e a saída foi enviar os “Cinco” para que se infiltrassem no meio dos terroristas para informar sobre novos ataques e Cuba adotar medidas contra resultados fatais. Na época, os Cinco conseguiram evitar 170 ataques.

Após a prisão os antiterroristas foram mantidos em isolamento durante 17 meses, antes dos processos irem para o Tribunal. Com essa longa detenção preventiva e um julgamento perante a Corte Federal de Primeira Instância de Miami (Flórida) – que durou cerca de sete meses -, em junho de 2001 foram declarados culpados com as seguintes alegações: atuar e conspirar como agentes não oficiais de um governo estrangeiro; fraude e uso indevido de documentos de identidade e, no caso de três dos acusados, conspiração para reunir e transmitir informações sobre a segurança nacional. Em dezembro de 2001, sob pressão da comunidade anticastrista foram condenados a penas que somam desde 15 anos de prisão até cadeia perpétua.

Os acusados afirmaram que atuavam para o governo cubano como agentes não oficiais, mas negam as acusações mais graves contra eles e alegam que sua missão era a de vigiar os grupos cubanos que vivem nos Estados Unidos responsáveis por atos hostis contra Cuba, ou seja, seu próprio país. Outra missão era a de vigiar qualquer sinal visível de ações militares estadunidenses contra a Ilha. Em nenhum momento atuaram contra a segurança nacional dos EUA, afirmam.

Ainda que o governo estadunidense sustentasse que os “Cinco” manejaram ou transmitiram alguma informação ou documento oficial sobre o país, durante o julgamento não foi apresentada nenhuma prova que comprovasse essa afirmação.

Os advogados de defesa reiteradamente denunciaram as múltiplas violações legais cometidas no processo e as injustificadas penalidades. Pratica-se, portanto, contra os “Cinco”, uma farsa judicial absurda e sem nenhum valor, que violam, inclusive, dispositivos da Constituição Estadunidense e do Direito Internacional.

Entre tantos recursos, em junho de 2010 os advogados de defesa dos Cinco apresentaram moção perante a Corte Federal de Primeira Instância para solicitar um habeas corpus, com base em denúncias do Relatório da Anistia Internacional sobre os jornalistas em Miami que haviam escrito artigos prejudiciais a Cuba durante o julgamento dos Cinco. Os jornalistas eram empregados assalariados do governo estadunidense e trabalhavam para a Rádio e a TV Martí, meios de comunicação anticastrista pagos pelo governo dos EUA para induzir a opinião pública a acreditar na farsa que foi o julgamento.

Em um informe emitido no dia 13 de outubro de 2010, a Anistia Internacional demanda ao governo dos Estados Unidos que revise o caso e evite qualquer injustiça, seja através de proceso de indulto ou outro meio apropriado, no caso de novas apelações legais resultarem ineficazes.

Os processos dos “Cinco” são considerados uma surpreendente aberração jurídico-política e geram manifestações e protestos em centenas de entidades do mundo – além de 10 Prêmios Nobel, ativistas políticos e chefes de Estado e de Governo, sem que a farsa que foi o julgamento e a sentença imposta aos prisioneiros seja revisada.

Apesar de ter cumprido toda a pena em cárceres norte americanos, em 2012, René González Schwerert, um dos Cinco foi obrigado a permanecer naquele país por mais três anos, em regime de liberdade supervisada, com a justificativa de ter cidadania estadunidense. Recentemente, após a morte de seu pai, René obteve autorização para viajar a Cuba, medida permitida pela sua condição de liberdade supervisionada. E desde o último dia 3 de maio, a juíza da Flórida Joan Lenard aceitou a solicitação apresentada pelo antiterrorista para modificar as condições da sua liberdade e possibilitar sua permanência em Cuba, em troca da renúncia voluntária a sua cidadania estadunidense.

René já apresentou o pedido de renúncia e a juíza manifestou-se favoravelmente. No entanto, ainda falta uma nova manifestação para modificar a situação de liberdade supervisionada, o que deverá ocorrer nos próximos dias.

Segundo o presidente da Associação Cultural José Martí, Ricardo Haesbaert, “é preciso esclarecer cada vez” mais à comunidade internacional e, principalmente à estadunidense, que enquanto os “Cinco sofrem injustas prisões e pressões psicológicas, verdadeiros terroristas como Luís Posada Carriles circulam livremente nas ruas de Miami, o que demonstra a contradição moral dos Estados Unidos na condução do caso dos Cinco e nos discursos vazios de combate ao terrorismo”.

Quem são os “Cinco” prisioneiros do imperialismo estadunidense

Antonio Guerrero Rodriguez, cubano/americano, condenado a prisão perpétua,mais 10 anos. Nasceu em 18 de outubro de 1958, em Miami. É engenheiro de Construção de Aeródromos, pintor e poeta.

René González Schwerert, cubano/americano, condenado a 15 anos de prisão. Nasceu em 13 de agosto de 1956, em Chicago, filho de pais cubanos. É piloto e instrutor de vôo.

Gerardo Hernandéz Nordelo, condenado a duas prisões perpétuas, mais 15 anos de prisão. Nasceu em 4 de junho de 1965, em Havana. Formado em Relações Políticas Internacionais; caricaturista, com diversas publicações e exposições em Cuba.

Fernando González Llort, condenado a 19 anos de prisão. Nasceu em 18 de agosto de 1963, em Havana. Graduado com Diploma de Ouro, em 1987,em Relações Políticas Internacionais.

Ramón Labañino Salazar, condenado a prisão perpétua, mais 18 anos. Nasceu em 9 de junho de 1963, em Havana. Graduado com Diploma de Ouro, em 1986, em Economia.

Maiores informações no site www.josemarti.org.br, na categoria “Cinco Herois”

O Terrorismo Internacional contra Cuba

Desde a década de 60 já afirmavam que a política externa dos Estados Unidos é uma política de terrorismo de estado. E que também existe uma contradição entre o discurso político e a prática imperialista, pois enquanto se utiliza de conceitos de democracia, os direitos humanos são pouco cumpridos e, principalmente em sua política externa, estão ausentes há muito tempo.

Durante mais de meio século Cuba é vítima da guerra psicológica, operações de propaganda político-ideológica e atentados.A violência terrorista tem sido uma constante na forma de os Estados Unidos relacionar-se com a Ilha. Desde o triunfo da Revolução Cubana, em 1959, Washington vem descarregando contra a Ilha um mecanismo de agressão disseminado por oficiais da Agência Central de Inteligência (CIA), pelo Pentágono e a Oficina Federal de Investigação (FBI), que com o tempo conta, ainda, com o apoio de outras instituições governamentais.

Mediante esse mecanismo encoberto, a CIA arma, treina, financia e garante proteção a extremistas cubanos em Miami, a maioria dos quais integraram a Brigada 2506 que fracassou na invasão mercenária de Playa Girón (1962). Organizados em grupos terroristas, como a Coordenação de Organizações Revolucionárias Unidas (CORU), Alpha 66 e Irmãos para Resgate e com o apoio da Fundação Nacional Cubano-Americano (FNCA) vêm planejando sabotagens e atentados com explosivos na Ilha e em representações políticas no exterior, além de múltiplos atentados contra Fidel Castro.

Esses grupos aparecem vinculados ao assassinato de John Fitzgerald Kennedy, em Dallas e se constituíram na força de elite encoberta da rede golpista internacional que interviu na derrubada de Salvador Allende no Chile, na Operação Condor e nas guerras sujas da CIA nas Américas Central e do Sul nos anos 70 e 80. E que em pleno século XXI estiveram presentes na ação cívico-militar contra Manuel Zelaya em Honduras (2009).

Além dos atentados e do criminoso bloqueio, Cuba enfrenta uma onda midiática de poderosas redes de televisão dos EE.UU e da Europa seguidas de forma subalterna pela mídia colonizada do Brasil, que não aceita as conquistas da revolução cubana. Ocorre que apesar de um criminoso bloqueio, imposto há mais de 50 anos pelos EE.UU, a Ilha é reconhecida pelos avanços em saúde, educação e desenvolvimento científico – pedagógico, bem como pela sua solidariedade internacionalista ao prestar apoio aos países pobres como o Haiti, onde centenas de médicos e enfermeiros cubanos lutam para combater a epidemia do cólera.

De forma proposital a mídia se ajoelha diante do mundo capitalista e opta por omitir que a cada sete segundos uma criança de menos de dez anos morre de fome. Nenhuma delas é cubana! Segundo a FAO, 842 milhões de pessoas sofrem de desnutrição crônica no mundo. Nenhuma delas é cubana! No “mundo livre” 200 milhões de crianças vivem e dormem nas ruas. Nenhuma delas é cubana! Atualmente quase dois milhões de jovens morrem no mundo somente por falta de água potável e saneamento básico. Nenhum morre em Cuba por esta causa!

O brutal terrorismo midiático contra Cuba também coincide com as investidas para deter as políticas que vêm sendo adotadas por governos progressistas na América Latina e a consequente transformação emancipadora em curso na Região.

Maiores informações no site www.josemarti.org.br, na categoria “Nossos Argumentos”

O bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba.

O bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba começou a ser aplicado a partir do triunfo da Revolução Cubana, em 1959, e ao longo dos anos vem sendo reforçado por meio de medidas presidenciais e legislativas que o tornam mais ferrenho e abrangente.

A política de asfixia imposta pelo bloqueio reflete a obsessão dos sucessivos governos dos Estados Unidos em destruir o sistema político, econômico e social cubano e violar o direito do povo e do governo à livre determinação e soberania.

Considerando a Convenção de Genebra de 1948 para a Prevenção e a Sanção do Delito de Genocídio, as medidas que sustentam o bloqueio podem ser qualificadas como um ato brutal de genocídio e, de acordo com a Declaração relativa ao Direito da Guerra Marítima, adotada pela Conferência Naval de Londres de 1909, como um ato de guerra econômica. Se consultados os sites dos Departamentos do Tesouro e Comércio dos EUA poderá ser constatado que o bloqueio contra Cuba permanece como um sistema de sanções unilateral mais injusto, longo, abrangente e severo nunca aplicado contra nenhum país no mundo.

Como consequência da estrita e agressiva aplicação das leis e normativas que tipificam o bloqueio, Cuba continua sem poder exportar e importar livremente produtos e serviços para os Estados Unidos, e nem utilizar o dólar norte-americano em suas transações financeiras internacionais ou, ainda, ter contas nessa moeda em bancos de outros países. Também não lhe é permitido ter acesso a créditos de bancos nos Estados Unidos, em suas filiais em outros países e instituições internacionais como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional ou o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

O prejuízo econômico ocasionado ao povo cubano pela aplicação do bloqueio até dezembro de 2011, considerando a depreciação do dólar frente ao valor do ouro no mercado internacional, equivale a 1 bilhão e 66 mil milhões de dólares, causando enormes prejuízos ao desenvolvimento econômico, social e técnico-científico da Ilha.

Apesar de 20 condenações nas Assembleias – Gerais da ONU e dos sucessivos pedidos para que cesse o bloqueio, o governo estadunidense despreza a vontade da comunidade internacional e as resoluções daquele Órgão, e permanece afirmando que manterá a medida como uma “ferramenta de pressão” e “ não tem intenção alguma de alterar seu enfoque com Cuba”.

Maiores informações no site http://www.josemarti.org.br/informe-cuba-bloqueio-2012-em-portugues/informe-cuba-bloqueo-2012-portugues/

As Brigadas Internacionais de solidariedade com Cuba.

Coordenadas pelo Instituto Cubano de Amizade entre os Povos – ICAP, criado em 30 de dezembro de 1960, as Brigadas de Solidariedade e Trabalho Voluntário visam a promover a visão internacionalista de solidariedade e possibilitar um encontro de diversas culturas para reflexão e debates sobre a realidade nacional e internacional, além do intercâmbio de experiências entre grupos representativos dos setores populares e progressistas de todo o mundo.

Atualmente ocorrem as Brigadas de 1º de Maio (internacional); Che Guevara (Canadá); José Martí (europeia); “Pablo de la Tómente Brau”(Europa Oriental);Juan Ruis Rivera(Porto Rico); Brigada Venceremos (Estados Unidos); Brigada Latino-americana e Caribenha de Trabalho Voluntário; Brigada de Luta contra o Terrorismo Midiático e Brigada Pelos Caminhos de Che. Nos países e em cada estado, as brigadas são organizadas pelas entidades de solidariedade com Cuba, a partir de uma convocatória encaminhada pelo ICAP estabelecendo datas, tempo de estadia e programação.

As brigadas têm duração de 14 a 20 dias, com jornadas de trabalho nas plantações de cana de açúcar, pomares, hortas e outros tipos de agricultura, tudo intercalado por atividades culturais e conferências sobre temas da atualidade cubana, visita a lugares de interesse histórico-social, a centros de produção ou assistenciais, além de encontros com a população de bairros e comunidades, inclusive de outras províncias.

Desde a criação do ICAP milhares de pessoas foram recebidas e tiveram a oportunidade de conhecer de perto as transformações sociais, econômicas, politicas e culturais que ocorrem em Cuba, apesar das políticas hostis dos sucessivos governos estadunidenses, como o bloqueio econômico imposto desde 1962.

Maiores informações no site www.josemarti.org.br, na categoria “Brigadas Cubanas”

Comitê Internacional pela Liberdade dos Cinco promove em Washington Segunda Jornada “5 dias pelos 5 cubanos.

Coletiva de imprensa durante a Segunda Jornada pelos Cinco

Desde o dia 30 até cinco de junho, na capital de Estados Unidos, Washington, está ocorrendo uma jornada internacional em defesa dos antiterroristas cubanos, com a participação, entre outras, de reconhecidos intelectuais, escritores, políticos, artistas, sindicalistas, líderes religiosos e advogados, como a legendária lutadora afra – estadunidense Angela Davis, a líder hispana Dolores Huerta, o filósofo e euro – parlamentar Gianni Vattimo, o escritor brasileiro Fernando Morais e o escritor e jornalista radicado na França Ignacio Ramonet.

Neste primeiro de junho teve uma manifestação pacífica em frente à Casa Branca, da qual participaram, ainda, ativistas vindos de Quebec, Canadá e de diferentes cidades dos Estados Unidos, incluindo uma numerosa delegação de cubano- americanos residentes em Miami.