quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Pronunciamento do presidente Raúl Castro sobre relações de Cuba com os EUA

Compatriotas:


Desde minha eleição como Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, tenho reiterado em múltiplas ocasiões, nossa disposição a sustentar com o governo dos Estados Unidos um diálogo respeitoso, baseado na igualdade soberana, para tratar os mais diversos temas de forma recíproca, sem menosprezo à independência nacional e à autodeterminação de nosso povo.

Esta é uma posição que foi expressada ao Governo dos Estados Unidos, de forma pública e privada, pelo companheiro Fidel em diferentes momentos de nossa longa luta, com a proposta de discutir e resolver as diferenças mediante negociações, sem renunciar a um só de nossos princípios.

O heroico povo cubano demonstrou, frente a grandes perigos, agressões, adversidades e sacrifícios, que é e será fiel a nossos ideais de independência e justiça social. Estreitamente unidos em 56 anos de Revolução, guardamos profunda lealdade aos que caíram defendendo esses princípios desde o início de nossas guerras de independência em 1868.

Agora, levamos adiante, apesar das dificuldades, a atualização de nosso modelo econômico para construir um socialismo próspero e sustentável.

Resultado de um diálogo ao mais alto nível, que incluiu uma conversa telefônica que sustentei ontem com o Presidente Barack Obama, se pôde avançar na solução de alguns temas de interesse para ambas nações.

Como prometeu Fidel, em junho do 2001, quando disse: “Voltarão!”, chegaram hoje a nossa Pátria, Gerardo, Ramón e Antonio.

A enorme alegria de seus familiares e de todo nosso povo, que se mobilizou infatigavelmente com esse objetivo, se estende entre os centenas de comitês e grupos de solidariedade; os governos, parlamentos, organizações, instituições e personalidades que durante estes 16 anos exigiram e fizeram denotados esforços por sua libertação. A todos eles expressamos a mais profunda gratidão e compromisso.

Esta decisão do Presidente Obama, merece o respeito e reconhecimento de nosso povo.

Quero agradecer e reconhecer o apoio do Vaticano e, especialmente, do Papa Francisco, à melhoria das relações entre Cuba e Estados Unidos. Igualmente, ao Governo do Canadá pelas facilidades criadas para a realização do diálogo de alto nível entre os dois países.

Por sua vez, decidimos soltar e enviar aos Estados Unidos um espião de origem cubana que esteve a serviço dessa nação.

Além disso, baseados em razões humanitárias, hoje também foi devolvido a seu país o cidadão norte-americano Alan Gross.

De maneira unilateral, como é nossa prática e em estrito apego a nosso ordenamento legal, receberam benefícios penais os reclusos correspondentes, inclusive a libertação de pessoas sobre as quais o Governo dos Estados Unidos tinha demonstrado interesse.

Igualmente, acordamos a restauração das relações diplomáticas.

Isto não quer dizer que o principal tenha sido resolvido. O bloqueio econômico, comercial e financeiro que provoca enormes danos humanos e econômicos a nosso país deve cessar.

Ainda que as medidas do bloqueio tenham sido convertidas em Leis, o Presidente dos Estados Unidos pode modificar sua aplicação usando de suas faculdades executivas.

Propomos ao Governo dos Estados Unidos adotar medidas mútuas para melhorar o clima bilateral e avançar para a normalização dos vínculos entre nossos países, baseados nos princípios do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas.

Cuba reitera sua disposição a sustentar cooperação nos organismos multilaterais, como a Organização das Nações Unidas.

Ao reconhecer que temos profundas diferenças, fundamentalmente em matéria de soberania nacional, democracia, direitos humanos e política exterior, reafirmo nossa vontade de dialogar sobre todos esses temas.

Chamo o Governo dos Estados Unidos a remover os obstáculos que impedem ou restringem os vínculos entre nossos povos, as famílias e os cidadãos de ambos países, em particular os relativos às viagens, ao correio postal direto e às telecomunicações.

Os avanços atingidos nas conversas sustentadas demonstram que é possível encontrar solução a muitos problemas.

Como temos repetido, devemos aprender a arte de conviver, de forma civilizada, com nossas diferenças.

Sobre estes importantes temas voltaremos a falar mais adiante.

Muito obrigado.

Raúl Castro Ruz - 17 de dezembro de 2014

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

TURMA CÍCERO GUEDES DO MST PRESTA SOLIDARIEDADE AOS CINCO !



BRASIL
No Assentamento Osvaldo de Oliveira, em Macaé - Rio de Janeiro, neste sábado 6 de dezembro o Comitê Carioca pela Liberdade dos Cinco Cubanos teve a alegria e honra de participar da formatura da Turma Cícero Guedes - a primeira turma de uma área do MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra no Rio de Janeiro a ser alfabetizada pelo método cubano "Sim, eu posso !".
A cerimônia foi muito emocionante e o primeiro livro que receberam foi a cartilha do Comitê Carioca que conta a história dos Cinco antiterroristas. Após uma conversa sobre o caso, todos posaram com seus livros se comprometendo a divulgar o caso daqui para a frente como forma de retribuir a Cuba por mais esta conquista que alcançaram.



A "professora" do método, a atriz Tuca Moraes participou de toda a festa e também posou com o cartaz dos Cinco.
VOLVERÁN !! TODOS !!!



Mais fotos da formatura da Turma Cícero Guedes no Assentamento Osvaldo de Oliveira. Solidariedade aos Cinco. A Cuba. 
Cícero Guedes foi um companheiro do MST que foi assassinado em Campos dos Goytacazes por causa da questão agrária. Ele foi um militante e lutador pela emancipação dos trabalhadores rurais no estado. Sempre levou a educação como grande libertadora do povo trabalhador.
Os assentados prestam uma linda homenagem a Cícero batizando a primeira turma de alfabetizados em área do MST com seu nome. Presente !!!

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Todo apoio aos médicos brasileiros formados em Cuba


“Aqui no se pratica la caridad. Aqui lo que se practica es la solidariedad.” 

 Ernesto Che Guevara – Placa no Hall de entrada do Hospital Enrique Cabrera – Hospital Nacional de Cuba. 

 Desde a passagem dos furacões George y Mitch em 1998, que devastaram a América Central, o governo de Cuba resolveu criar a Escola Latino-americana de Medicina (ELAM), com o intuito de formar profissionais para brindar atenção em saúde ao povo latino-americano. Desde então, milhares de médicas e médicos são formados anualmente em Cuba, provenientes de países dos cinco continentes, inclusive brasileiros. 

No último ano, se graduaram em cuba cerca de 400 médicos brasileiros. Médicas e médicos que compreendem que a saúde do nosso povo não depende somente de profissionais capacitados, mas principalmente das condições de moradia, saneamento, educação, cultura, esporte, tempo livre e qualidade de vida que possibilitam que as pessoas tenham plenas condições de se desenvolver como sujeitos. Médicas e médicos formados com o princípio de defesa da saúde pública e de uma medicina humanizada. Profissionais formados na perspectiva de que o processo saúde-doença dos povos depende de suas condições de trabalho, de sua relação com os meios de produção e reprodução da vida e das relações sociais determinadas em cada modo de produção; ou seja, profissionais que compreendem que o processo saúde-doença dos povos é determinado pelas condições sociais de sua existência e que, numa sociedade dividida em explorados e exploradores, é distinto para cada classe social. Em síntese, médicas e médicos de ciência e consciência, capazes de compreender todos esses aspectos ao trabalhar a saúde, e não apenas enfocar nos aspectos biológicos como é costumeiro em nosso país. 

Contudo, de acordo com a legislação brasileira, estes médicos são impedidos de trabalhar, a não ser que façam uma prova de revalidação dos diplomas. Essa prova, o REVALIDA, é realizada anualmente pelo INEP, desde 2010, na qual menos de 10% dos estudantes aprovam. Lutamos por um sistema justo de revalidação dos diplomas de medicina no Brasil, para que médicos e médicas com uma formação humanista e altamente qualificada cientificamente, como os formados em Cuba, possam atuar imediatamente no Brasil e contribuir pra transformar nosso sistema de saúde. 

União da Juventude Comunista considera que a saúde é um direito da população brasileira, e a construção de um sistema de saúde público, gratuito, 100% estatal e humanizado é um dos princípios de nossa organização. Por isso apoiamos estes médicos e médicas que corajosamente, depois de sete anos aprendendo sobre as ciências médicas e a solidariedade internacional, regressam ao nosso povo trabalhador para compartilhar tudo o que aprenderam com nossos companheiros e hermanos cubanos e latino-americanos. 

Por uma saúde 100% pública e estatal, integral, gratuita e de alta qualidade! 

Viva a medicina cubana! 

 Viva a Escola Latino-Americana de Medicina em Cuba! 

Revalidação Já! 

Coordenação Nacional da União da Juventude Comunista-UJC.

Retirado de SOLIDÁRIOS

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Os CINCO. Liberdade já!!!


João Pedro Stédile com o Papa Francisco na ocasião da entrega da carta pelos Cinco


Líderes de organizações sociais participantes do II Encontro Mundial de Movimentos Populares no Vaticano, Itália, realizado de 27 a 29 de outubro, entregaram ao Papa Francisco uma carta com pedido de intervenção no caso dos Cinco.

" Santo Padre, 16 anos é demasiado  tempo. Apelamos à sua conhecida compaixão como Pastor e lhe rogamos que interceda junto ao Presidente Obama para que estes homens sejam devolvidos neste Natal a seu país, suas famílias e seu povo. Obama pode assinar um perdão presidencial, indulto, ou usar qualquer das prerrogativas que lhe confere a Constituição de seu país" requer a carta, uma iniciativa do Comitê brasileiro de Solidariedade aos Cinco assinada pelo Comitê Internacional, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra do Brasil (MST) e o Centro Memorial Martin Luther King Jr. de Cuba.

Durante o segundo dia do Encontro, os mais de cem ativistas sociais de todos os continentes celebraram um encontro com o Sumo Pontífice com a presença de Evo Morales, líder indígena e camponês, atual Presidente da Bolívia. Em um ambiente fraternal propiciado pela comitiva de cerca de 15 líderes sociais a quem o Papa Francisco deu as boas vindas no Salçao Antigo do Sínodo do Vaticano, João Pedro Stédile, dirigente histórico do MST, entregou o documento pela Liberdade dos cubanos. " Quero lhe entregar uma carta com um pedido de muitas entidades de movimentos de direitos humanos de todo o mundo para um tema de injustiça contra cinco cubanos", disse Stédile.

" Muitos na comunidade internacional cientes deste caso injusto, sobretudo na América Latina e no Caribe agradeceremos enormemente sua mediação para que o Presidente Obama encontre uma saída humanitária para este caso. Os cristãos e cristãs em Cuba também. Uma atitude positiva do Presidente Obama seria um gesto de generosidade e um forte sinal no caminho de melhorar as relações entre seu governo e o cubano, agora que a contribuição de Cuba na luta contra o ebola tem recebido reconhecimento público das autoridades estadunidenses" afirma mais adiante a carta.

Ao finalizar o encontro, durante a saudação pessoal do Papa a cada um dos participantes, Joel Suárez, coordenador geral do Centro Memorial Dr. Martin Luther King Jr., associação cubana de inspiração cristã, ao apertar as mãos do Papa, reiterou a petição : "Venho da amada ilha de Cuba, somos irmãos na fé. João Pedro do MST lhe entregou uma carta, eu lhe peço em nome de Deus que preste à carta especial atenção".

Em 12 de setembro passado Gerardo Hernández, Ramón Labañino e Antonio Guerrero cumpriram 16 anos de encarceramento em prisões dos EUA. René González e Fernando González Llort se encontram em Cuba após cumprirem várias penas. A campanha pela Liberdade dos Cinco começou com o povo cubano e tem recebido o apoio de advogados, artistas, intelectuais , ativistas , parlamentares, religiosos e movimentos populares e de solidariedade de diversos lugares do mundo.

VOLVERÁN !! TODOS !!!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

28/10 - Há 55 anos morria Camilo Cienfuegos


28 de outubro é o dia em que milhares de crianças cubanas jogam flores nos rios e no mar para homenagear Camilo Cienfuegos. O ritual é o mesmo desde 1959, quando o revolucionário desapareceu em um bimotor Cessna 310, que viajava da província de Camagüey até Havana. Nem o avião, nem Camilo, nem os outros dois passageiros – o piloto Luciano Fariñas e o soldado Félix Rodrigues – foram encontrados.

Crianças jogando flores no Malecón, mais famosa avenida da capital cubana (Foto: Ladyrene Pérez/Cubadebate)
Crianças jogando flores no Malecón, mais famosa avenida da capital cubana (Foto: Ladyrene Pérez/Cubadebate)
Camilo é lembrado até hoje pelos cubanos porque ele, junto de Fidel Castro, Ernesto Guevara e Vilma Espín, foi uma das personalidades de destaque da Revolução Cubana (1959). Foi o primeiro comandante do Exército Rebelde a entrar na capital e o responsável pela tomada do Regimento Columbia, um dos maiores símbolos da força militar do ditador Fulgêncio Batista (1940-1944 e 1952-1959).
Nasceu em 6 de fevereiro de 1932 na província de Havana. Começou a estudar, mas precisou deixar a escola para trabalhar. Seu primeiro emprego era no setor de limpeza de uma loja de roupas e ajudava seu pai, alfaiate, com pequenos serviços. Durante o governo de Batista, Camilo participou de alguns protestos até que, em 1954, quando tinha 21 anos, foi fichado e se viu obrigado a deixar Cuba. Exilado em Nova York, trabalhou como camareiro, pintor e alfaiate. Deportado no ano seguinte por participar de manifestações, foi para o México e depois para Cuba. Em 1956, foi preso novamente, voltou aos Estados Unidos e se aproximou do Movimento 26 de Julho. Um dos últimos a se integrar à “Expedição Granma”, participou de diversas batalhas até o 1° de janeiro em que os revolucionários conseguiram tomar o poder.
Após o início da Revolução, Camilo foi designado nomeado Jefe de todas las Fuerzas Armadas en la provincia de La Habana, um dos maiores cargos dentro do Exército, e Jefe de Estado Mayor del Ejército Rebelde. Sua vida, porém, acabou nove meses após o início do processo revolucionário.
Em 12 de novembro de 1959, Fidel fez um comunicado oficial na televisão sobre o desaparecimento de Camilo informando que, no dia 28, na região onde o avião dele passava, havia uma forte tempestade. Na tentativa de desviar, havia a possibilidade de o bimotor ter se dirigido ao norte da ilha. Em decorrência da nova rota, não prevista, possivelmente o combustível acabou, não foi suficiente para pousar em segurança em algum lugar da ilha e caiu no mar. Há quem conteste esta versão, sobretudo oposicionistas do governo cubano, insinuando que o próprio Fidel queria que ele desaparecesse e por isso premeditou seu assassinato.
Falam de Camilo como uma pessoa popular, carismática e simpática. Uma das histórias mais famosas é sobre um jogo de basebol, esporte nacional cubano, realizado com objetivo de arrecadar fundos para a reforma agrária. Os times eram Polícia Nacional Revolucionaria (PNR) e os Barbudos, composto por membros do Exército Rebelde. Inicialmente, tanto Camilo quanto Fidel eram lançadores. Instantes antes da partida, Camilo entrou no campo com uniforme de rebatedor do time dos Barbudos, junto de Fidel, e disse: “Yo no estoy contra Fidel ni en un juego de pelota” (Não estou contra o Fidel nem em jogo de bola). Juntos perderam: a partida acabou 3 a 0 para os policiais.
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Camilo e Fidel no jogo de basebol (Foto: Cubadebate)
Depois de sua morte, tornou-se um mártir da Revolução, e embora seu rosto não estampe camisetas e chaveiros mundo afora, como acontece com Che, sua foto está sempre em cartazes das manifestações realizadas na ilha. Seu rosto estampa ainda a nota de vinte pesos cubanos. É chamado de Señor de la Vanguardia e Héroe de Yaguajay – cidade cubana onde aconteceu o combate de maior destaque da trajetória de Camilo -, dá nome a uma universidade, Universidad Camilo Cienfuegos de Matanzas e a um colégio, a Escuela Militar Camilo Cienfuegos (EMCC), onde os alunos são chamados de “Camilitos”.
Abaixo seguem algumas fotos do Camilo divulgadas na imprensa cubana nesta terça-feira (28):
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Camilo na Serra Maestra (Foto: Cubadebate)
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Camilo e um grupo de combatentes (Foto: Perfecto Romero/Cubadebate)
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Foto: Cubadebate
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Camilo e Che (Foto: Cubadebate)
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Foto: Perfecto Romero/Cubadebate

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Fidel e Camilo na Serra Maestra (Foto: Cubadebate)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

New York Times afirma que ajuda de Cuba contra o ebola é "a mais robusta do mundo".

Primeira leva de médicos cubanos chegou a Serra Leoa na semana passada

Em editorial publicado neste domingo (19), o jornal The New York Times elogia a ação de Cuba na luta contra o ebola, afirmando que o país "desempenha o papel mais robusto entre as nações que buscam conter o vírus". Além disso, o maior veículo de comunicação impressa do mundo concordou e defendeu a posição do ex-presidente cubano Fidel Castro, que no fim de semana pediu para que Estados Unidos e Cuba ponham suas diferenças de lado e trabalhem juntos para combater a epidemia. Para o Times, Fidel está "totalmente certo". Leia abaixo o editorial:

"Cuba é uma ilha empobrecida que permanece em grande parte isolada do mundo e encontra-se a cerca de 4,5 mil quilômetros das nações do Oeste Africano onde o ebola está se espalhando a uma velocidade alarmante. No entanto, tendo se comprometido a enviar centenas de profissionais médicos para as linhas de frente da pandemia, Cuba desempenha o papel mais robusto entre as nações que buscam conter o vírus.
A contribuição cubana sem dúvidas indica a intenção de, pelo menos em parte, reforçar a sua já sitiada posição internacional. No entanto, ela deve ser elogiada e imitada.
O pânico global com o ebola não ainda não trouxe uma resposta adequada das nações que mais têm a oferecer. Enquanto os Estados Unidos e vários outros países ricos ficaram felizes em somente prometer fundos, apenas Cuba e algumas organizações não-governamentais estão oferecendo o que é mais necessário: profissionais de saúde no campo da epidemia.
Médicos na África Ocidental precisam desesperadamente de apoio para estabelecer instalações de isolamento e mecanismos para detectar casos mais agilmente. Mais de 400 profissionais de saúde foram infectados, e cerca de 4.500 pacientes morreram até o momento. O vírus já chegou aos Estados Unidos e à Europa, aumentando os temores de que a epidemia poderá em breve tornar-se uma ameaça global. 
É uma pena que Washington, o principal doador na luta contra o Ebola, é diplomaticamente afastado de Havana, justamente o contribuinte mais ousado. Neste caso, a cisma tem consequências de vida ou morte, porque as autoridades americanas e cubanas não estão equipadas para coordenar os esforços globais em alto nível. Isso deve servir como um lembrete urgente ao governo Obama de que os benefícios de se restabelecer rapidamente as relações diplomáticas com Cuba de longe superam as desvantagens.
Os profissionais de saúde cubanos estarão entre os estrangeiros mais expostos, e alguns poderiam muito bem contrair o vírus. A Organização Mundial de Saúde (OMS) está orientando a equipe de médicos, mas ainda não está claro como a instituição iria tratar e evacuar os cubanos que adoecerem. O transporte de pacientes em quarentena requer equipes sofisticadas e aeronaves especialmente adaptadas para tal fim. Mas a maioria das companhias de seguros que oferecem serviços de evacuação médica disse que não fará voos de pacientes com ebola.
O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, elogiou na última sexta-feira "a coragem de qualquer profissional de saúde que encara este desafio", e fez um breve reconhecimento da iniciativa de Cuba. Por uma questão de bom senso e compaixão, os militares dos Estados Unidos, que agora tem cerca de 550 tropas na África Ocidental, devem comprometer-se a oferecer a qualquer cubano doente o acesso ao centro de tratamento do Pentágono construído em Monrovia e a auxiliar com a evacuação do paciente.
O trabalho destes médicos cubanos beneficia todo o esforço global e deve ser reconhecido por isso. Mas as autoridades do governo Obama têm, insensivelmente, se recusado a dizer se lhes oferecerão alguma ajuda.
O setor de saúde cubano está ciente dos riscos em missões perigosas. Médicos cubanos assumiram o papel principal no tratamento de doentes de cólera no rescaldo do terremoto do Haiti em 2010. Alguns voltaram para casa doentes, fazendo então a ilha ter seu primeiro surto de cólera em um século. Uma epidemia de ebola em Cuba seria um risco muito mais perigoso e aumentaria as chances de uma rápida propagação do vírus no hemisfério ocidental.
Cuba tem uma longa tradição de envio de médicos e enfermeiros para áreas de desastre no exterior. Nos dias seguintes ao furacão Katrina, em 2005, o governo cubano criou um corpo médico de reação rápida e se ofereceu para enviar médicos para New Orleans. Os Estados Unidos, sem surpresa, não aceitaram o bom gesto de Havana. No entanto, autoridades em Washington pareciam sensibilizadas ao saberem nas últimas semanas que Cuba havia preparado equipes médicas para missões em Serra Leoa, Libéria e Guiné.
Com o apoio técnico da OMS, o governo cubano treinou 460 médicos e enfermeiros sobre as precauções rigorosas que devem ser tomadas para tratar pacientes com o vírus altamente contagioso. O primeiro grupo de 165 profissionais chegou a Serra Leoa nos últimos dias. José Luis Di Fabio, representante da OMS em Havana, disse que os médicos cubanos já estavam especialmente preparados para a missão, pois muitos tinham trabalhado na África.
- Cuba tem profissionais médicos muito competentes - disse Di Fabio, que é uruguaio.
Di Fabio afirmou ainda que os esforços de Cuba para ajudar em situações de emergência de saúde no exterior são frustrados pelo embargo dos Estados Unidos impõe na ilha, que luta para adquirir equipamentos modernos e manter as prateleiras médicas adequadamente abastecidas.

Em uma coluna publicada no fim de semana no jornal estatal de Cuba, Granma, Fidel Castro argumentou que os Estados Unidos e Cuba deveriam colocar de lado suas diferenças, mesmo que apenas temporariamente, para combater o flagelo mortal. Ele está absolutamente certo."


Fidel Castro: A hora do dever


Nosso país não demorou um minuto em dar resposta aos órgãos internacionais perante a solicitação de apoio à luta contra a brutal epidemia desatada na África Ocidental. 

É o que sempre fez nosso país sem excluir ninguém. O Governo já tinha dado as instruções apropriadas para mobilizar com urgência e reforçar o pessoal médico que prestava seus serviços nessa região do continente africano. Ao pedido das Nações Unidas também foi dada resposta rápida, como sempre fazemos frente a uma solicitação de cooperação. 

Qualquer pessoa consciente sabe que as decisões políticas que significam riscos para esses trabalhadores, altamente qualificados, implicam um alto nível de responsabilidade por parte de quem os convoca a cumprir uma tarefa perigosa. É mais difícil ainda que a [tarefa] de enviar soldados a combater e inclusive morrer por uma causa política justa, o que também sempre foi feito como um dever.

O pessoal médico que viaja a qualquer lugar para salvar vidas, ainda com risco de perder a sua, é o maior exemplo de solidariedade que o ser humano pode oferecer, principalmente quando não está movido por interesse material algum. Seus familiares mais próximos também contribuem com essa missão [ao dar] uma parte do que é para eles o mais querido e admirado. Um país curtido por longos anos de luta heróica pode compreender bem o que aqui se expressa. 

Todos compreendemos que, ao cumprir esta tarefa com o máximo de preparação e eficiência, estamos protegendo nosso povo e os povos irmãos do Caribe e da América Latina, ao evitar que se alastre, já que infelizmente foi introduzido e poderia se expandir pelos Estados Unidos, que tantos vínculos pessoais e intercâmbios mantém com o resto do mundo. Com prazer cooperaremos com os funcionários estadunidenses nessa tarefa, e não em busca da paz entre os dois Estados que têm sido adversários durante tantos anos, mas, em qualquer caso, pela Paz para o Mundo, um objetivo que pode e deve ser buscado. 

Na segunda-feira 20 de outubro, a pedido de vários países da região, será realizada uma reunião em Havana com a participação de importantes autoridades desses países que expressaram a necessidade de dar os passos apropriados para impedir a extensão da epidemia e combatê-la de forma rápida e eficiente. 

Os caribenhos e latino-americanos estaremos enviando também uma mensagem de alento e de luta aos demais povos do mundo. Chegou a hora do dever. 

17 de outubro de 2014

Fidel Castro.


Leia mais: NYT CUBA EBOLA
e ainda: link

sábado, 11 de outubro de 2014

Cuba Hoy está no ar. Divulguem. Participem. Comentem.


Clique aqui para conhecer CUBA HOY


Expondrán objetos personales del Che y algunos de sus compañeros de la guerrilla


El estuche de picadura de tabaco que llevaba consigo el Che en el mo­mento de su captura y muerte, el cual fue encontrado junto a sus restos en Valle Grande, forma parte de un grupo de prendas del Guerrillero Heroico y varios de sus compañeros caídos en la gesta boliviana, que será mostrado de manera transitoria los días 8 y 9 de octubre en el Complejo Escultórico que se honra con su nombre.
En el marco de las actividades en homenaje al Héroe de la Batalla de Santa Clara, en el aniversario 47 de su caída en combate, también será exhibido el reloj que el Che usara durante la gesta guerrillera en el Congo, y que luego él regalara al Comandante Víctor Dreke, quien formó parte de su tropa en la contienda africana.
Según la explicación de Mayra Romero Bermúdez, directora del recinto, durante la exhibición, igualmente serán expuestas una camiseta perteneciente a Eliseo Reyes, el capitán San Luis, considerado por su jefe como “el mejor hombre de la guerrilla”, y el cinto que usara el boliviano Freddy Maimura (Ernesto o Médico); objetos transferidos a la institución santaclareña por el Museo de la Revolución.
Asimismo, formará parte de la muestra, una camisa de Alberto Fernández Montes de Oca, Pacho o Pachungo en el grupo rebelde, la cual fue donada al Complejo por sus familiares, explicó la directora, quien añadió que junto al valioso tesoro, continuará la exposición de varios artículos pertenecientes a Tania la Gue­rrillera, donados por un grupo de solidaridad, a través del Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos (ICAP).
La referida muestra incluye fotos, textos, además de un uniforme de la Juventud Libre Alemana, que pudo haber usado la guerrillera en 1960, ropas escolares y diplomas de participación en eventos deportivos, entre otros objetos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

FIESP promove seminário sobre oportunidades de investimentos em Cuba

Seminário: Nova Lei de Investimento Estrangeiro em Cuba: Oportunidades atuais e futuras
Venha conhecer as oportunidades de negócios e investimentos em Cuba, dentro do contexto das novas medidas econômicas tomadas pelo país; bem como conhecer a maior feira de negócios de Cuba, a edição FIHAV 2014.
PROGRAMA
14h00 - Credenciamento
14h30 - Palavras de abertura
15h00 - Nova Lei de Investimento Estrangeiro em Cuba: Oportunidades atuais e futuras
Apresentação da Feira Internacional de Havana – FIHAV 2014
15h40 - Perguntas e respostas
Localização
Av. Paulista 1313 - SP
O evento está sendo organizado pela FIESP, pelo CIESP e pelo Consulado de Cuba em São Paulo
Retirado de FIESP

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

UFRN celebra acordo de cooperação com universidade de Cuba

Os reitores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Angela Maria Paiva Cruz, e da Universidade de La Isla de La Juventud (IUJ), em Cuba, Leonardo Cruz Cabrera, celebraram no dia 21 de agosto de 2014, na Reitoria, o acordo de cooperação mútua para ações de ensino, de pesquisa e de extensão.
 
Antes da formalização do acordo, o reitor Leonardo Cruz Cabrera observou a importância da UFRN no cenário educacional do Brasil, país de clima tropical e de origem que guarda semelhanças com a ilha de Cuba. Leonardo Cabrera destacou as boas relações entre as duas nacionalidades e a qualidade da Universidade com a qual a Isla de La Juventud está se associando, para parceria.
 
Ao se referir ao acordo com a IUJ, de Cuba, Angela Paiva Cruz realçou os interesses e as áreas que as instituições podem avançar, por meio dessa cooperação, como Línguas, Engenharias, entre elas a de alimentos, e de softwares. “Esse encontro entre as duas instituições representa uma oportunidade para avançarmos nas relações interacadêmicas”, disse a reitora.
 
O reitor da Universidade de Ciências Médicas Las Tunas, Luis Manoel Peréz Concepción, considerou o projeto pedagógico do Curso de Medicina Multicampi “uma experiência ousada e avançada”. Citou a metodologia e a estrutura curricular como diferenciais, e anunciou interesse em formalizar intercâmbio nessa área, entre a instituição que dirige com a UFRN. “Cuba é um dos países com os quais a UFRN quer ampliar a cooperação técnico-científica”, respondeu-lhes Angela Paiva, ao se despedir dos visitantes.
 
Trocas e validade
Esta é a quarta universidade cubana, entre as instituições estrangeiras, com quem a UFRN mantém convênios/acordos para a oferta de ensino, a produção de conhecimento e o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. A UIJ passa, a partir de agora, a enviar e receber estudantes, docentes e técnicos administrativos para visita técnicas, consultorias e realização de cursos, projetos e eventos.
 
Válido por cinco anos, o acordo mútuo contempla, ainda, o intercâmbio de informações e de publicações acadêmicas, científicas e culturais, assim como o acesso à infraestrutura informacional e laboratorial das duas instituições.
 
Interessados em participar desse tipo de ação interinstitucional devem apresentar projetos específicos, com respectivos planos de trabalho a serem aprovados pelas instâncias das universidades, e vinculados ao termo de cooperação firmado ente as duas instituições. Mais informações pelos endereços: sri.sri@ufrn.br (Brasil), IJU (Cuba) pelos telefones: +53(46)324819, +53(46) 327980.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Banco Mundial diz que Cuba tem o melhor sistema educativo da América Latina e do Caribe

De acordo com a organização internacional, Cuba é o único país da região que dispõe de um sistema educativo de alta qualidade


O Banco Mundial acaba de publicar um relatório revelador sobre a problemática da educação na América Latina e no Caribe. Intitulado Professores excelentes. Como melhorar a aprendizagem na América Latina e no Caribe, o estudo analisa os sistemas educativos públicos dos países do continente e os principais desafios que enfrentam. 1

Efe

Segundo o Banco Mundial, "nenhum sistema escolar latino-americano, com a possível exceção de Cuba", alcança parâmetros mundiais

Na América Latina, os professores de educação básica (pré-escolar, primária e secundária) constituem um capital humano de 7 milhões de pessoas, ou seja, 4% da população ativa da região, e mais de 20% dos trabalhadores técnicos e profissionais. Seus salários absorvem 4% do PIB do continente e suas condições de trabalho variam de uma região para outra, inclusive dentro das fronteiras nacionais. Os professores, mal remunerados, são, em sua maioria, mulheres — uma média de 75% — e pertencem às classes sociais modestas. Além disso, o corpo docente supera os 40 anos de idade e considera-se que esteja “envelhecido”. 2
O Banco Mundial lembra que todos os governos do planeta escrutinam com atenção “a qualidade e o desempenho dos professores” no momento em que os objetivos dos sistemas educativos se adaptam às novas realidades. Agora, o foco está na aquisição de competências e não apenas no simples acúmulo de conhecimentos.
As conclusões do relatório são implacáveis. O Banco Mundial enfatiza “a baixa qualidade média dos professores da América Latina e do Caribe”, o que constitui o principal obstáculo para o avanço da educação no continente. Os conteúdos acadêmicos são inadequados e as práticas ineficientes. Pouco e mal formados, os professores consagram apenas 65% do tempo de aula à instrução, “o que equivale a perder um dia completo de instrução por semana”. Por outro lado, o material didático disponível continua sendo pouco utilizado, particularmente as novas tecnologias de informação e comunicação. Além disso, os professores não conseguem impor sua autoridade, manter a atenção dos alunos e estimular a participação.
De acordo com a instituição financeira internacional, “nenhum corpo docente da região pode ser considerado de alta qualidade em comparação aos parâmetros mundiais”, com a notável exceção de Cuba. O Banco Mundial aponta que “na atualidade, nenhum sistema escolar latino-americano, com a possível exceção de Cuba, está perto de mostrar os parâmetros elevados, o forte talento académico, as remunerações altas ou, ao menos, adequadas e a elevada autonomia profissional que caracteriza os sistemas educativos mais eficazes do mundo, como os da Finlândia, Singapura, Xangai (China), da República da Coreia, dos Países Baixos e do Canadá”. 4
De fato, apenas Cuba, onde a educação tem sido a principal prioridade desde 1959, dispõe de um sistema educativo eficiente e com professores de alto nível. O país antilhano não tem nada para invejar das nações mais desenvolvidas. A ilha do Caribe é, além disso, a nação do mundo que dedica a parte mais elevada do orçamento nacional (13%) para a educação. 5

Não é a primeira vez que o Banco Mundial elogia o sistema educacional de Cuba. Em um relatório anterior, a organização lembrava a excelência do sistema social da ilha:

“Cuba é internacionalmente reconhecida por seus êxitos nos campos da educação e da saúde, com um serviço social que supera o da maior parte dos países em vias de desenvolvimento e em certos setores se compara ao dos países desenvolvidos. Desde a Revolução Cubana, em 1959, e do subsequente estabelecimento de um governo comunista com partido único, o país criou um sistema de serviços sociais que garante o acesso universal à educação e à saúde, proporcionado pelo Estado. Esse modelo permitiu a Cuba alcançar a alfabetização universal, erradicar certas doenças, [prover] acesso geral à água potável e salubridade pública de base, [atingir] as taxas mais baixas da região de mortalidade infantil e uma das maiores expectativas de vida. Uma revisão dos indicadores sociais de Cuba revela uma melhora quase contínua de 1960 até 1980. Vários indicadores principais, como a expectativa de vida e a taxa de mortalidade infantil continuaram melhorando durante a crise econômica do país nos anos 90 [...]. Atualmente, os serviços sociais de Cuba são parte dos melhores do mundo em desenvolvimento, como documentam numerosas fontes internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, além de outras agências da ONU e o Banco Mundial […]. Cuba supera amplamente a América Latina, o Caribe e outros países de renda média nos indicadores principais: educação, saúde e salubridade pública”. 6

O Banco Mundial lembra que a elaboração de bons sistemas educacionais é vital para o futuro da América Latina e do Caribe. Reforça, também, o exemplo de Cuba, que alcançou a excelência nesse setor e é o único país do continente que dispõe de um corpo docente de alta qualidade. Esses resultados são explicados pela vontade política do governo do país caribenho de colocar a juventude no centro do projeto de sociedade, dedicando os recursos necessários para a aquisição de saberes e competências. Apesar dos recursos limitados de uma nação do Terceiro Mundo e do estado de sítio econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de meio século, Cuba, baseando-se no adágio de José Martí, seu apóstolo e herói nacional, “ser culto para ser livre”, demonstra que uma educação de qualidade está ao alcance de todas as nações.

1. Barbara Bruns & Javier Luque, Profesores excelentes. Cómo mejorar el aprendizaje en América Latina y el Caribe, Washington, Banco Mundial, 2014. (site consultado no dia 30 de agosto de 2014).
2. Ibid.
3. Ibid.
4. Ibid.
5. Salim Lamrani, Cuba : les médias face au défi de l’impartialité, Paris, Estrella, 2013, p. 40.
6. Ibid., p. 87-88.
Salim Lamrani | Paris - 03/09/2014 - 13h17
Retirado de Opera Mundi

quarta-feira, 30 de julho de 2014

SP - 7ª Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba



Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba realizou sua 7ª Convenção Estadual
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No último sábado, 26 de julho, Dia da Rebeldia Cubana, o Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba realizou sua 7ª Convenção Estadual.

Mais de 100 pessoas participaram da atividade que aconteceu no Memorial da Resistência, antigo prédio do Dops de São Paulo.

A Consulesa Geral de Cuba em São Paulo, Nélida Hernández Carmona, participou da mesa de abertura do evento ao lados de representantes de entidades solidárias que compõe o MPSC.

Na sequência, uma mesa de debates apresentou informações sobre atualização econômica cubana, os 5 Patriotas e o assalto ao quartel Moncada, além da importância deste feito para 
as lutas atuais.

Na parte da tarde, em parceria com o Núcleo Memória, foi realizado um ato político em agradecimento ao povo cubano pelo acolhimento aos exilados brasileiros durante a ditadura militar onde foram homenageadas Clara Charf, Damaris Lucena, Ilda Gomes da Silva, Isaura Coqueiro e a "Tia" Tercina. Houve também uma homenagem aos médicos cubanos que trabalham no Brasil.

Veja abaixo a Carta de São Paulo, lida e aclamada pelo participantes da Convenção. 


7ª CONVENÇÃO PAULISTA DE SOLIDARIEDADE A CUBA

26 de julho de 2014
CARTA DE SÃO PAULO

Representantes de partidos e organizações políticas, movimentos sociais e militantes que compõem o MOVIMENTO PAULISTA DE SOLIDARIEDADE À CUBA, realizam esta sétima Convenção paulista em momento dramático da conjuntura mundial, mas, ao mesmo tempo, carregado de simbologias que reavivam as nossas lutas e com elas a certeza de que hoje, neste espaço de reflexão e confraternização, semeamos um futuro digno e igualitário para a espécie humana.


Neste 26 de julho de 2014, as companheiras e os companheiros que se encontram neste ato de solidariedade aqui chegaram com o sentimento contido de revolta pelo genocídio perpetrado pelo Estado de Israel ao sofrido e heroico povo palestino. Não se trata de uma guerra e nem de “dois lados” de um conflito, mas de um massacre covarde de um Estado opressor sustentado, armado e financiado pela maior potência genocida do planeta: os Estados Unidos da América.



Lamentavelmente, esse triste episódio da história humana, escrito no Oriente Médio com o sangue de milhares de inocentes, compõe um contexto de aprofundamento da política de terrorismo de Estado capitaneado pelos Estados Unidos, em consonância com os seus parceiros menores da União Europeia e aval das burguesias de cada país, o que tem provocado instabilidade e sério risco de alastramento de novas guerras pelo mundo.



Na carta paulista da nossa 6ª Convenção, realizada na Câmara Municipal de São Paulo, destacou-se que a América Latina vivia um contexto de uma nova ofensiva política e militar imperialista, exemplificada nos golpes de Estado em Honduras e no Paraguai, na ocupação militar do Haiti, na reativação da IV Frota Naval, no aumento das bases militares e na construção – por parte de governos pró-imperialistas de nosso continente – da Aliança do Pacífico.



Passado um ano, não só reiteramos essa análise, mas somos forçados a registrar novos episódios dessa infame marcha militarista e opressora que demonstra o desespero dos senhores do capital em se apropriar das riquezas naturais do planeta para satisfazer seus respectivos interesses de classe. Citamos a tentativa covarde de desestabilização do governo popular venezuelano, com incessantes ataques de obscuros grupos de mercenários, sabidamente financiados com dinheiro sujo do império, que insuflou parte da classe média daquele país contra um governo legitimado por vários referendos.



Simultaneamente, e do outro lado do mundo, grupos financiados pelo governo estadunidense e também alemão, se aproveitaram da crise econômica na Ucrânia, depuseram o governo eleito e instauraram no poder outro governo despótico, e o que é pior, apoiados por setores neonazistas que instalaram o terror contra judeus, comunistas e outras “minorias”, esparramando pela Europa a chama de um fenômeno que se acreditava derrotado no pós guerra em 1945.



Após ter criado o caos político, econômico e social com as intervenções militares no Afeganistão e no Iraque, as potências imperialistas não tiveram o mesmo sucesso no Irã e na Síria, mas proporcionou cicatrizes profundas e irreversíveis nos povos destes países.



Entretanto, não obstante a dramaticidade dessa conjuntura, o nosso ato em memória e solidariedade à Revolução Cubana, se alimenta de exemplos de pessoas como aquelas que, neste mesmo local que hoje se tornou memorial da resistência, se sacrificaram em prol da liberdade, democracia e da igualdade no Brasil. As paredes surdas deste local guardam as marcas dos gritos de dor e pela liberdade, lançados pelos lutadores do povo que se opuseram à ditadura. Outros tantos escaparam à sanha violenta do Estado brasileiro durante o período ditatorial implantado em 1964, justamente por terem sido acolhidos pela então jovem democracia popular cubana e seu governo revolucionário. Nesse sentido, podemos afirmar que a Cuba revolucionária é a mais autêntica antítese do calabouço criado e mantido pela ditadura civil-militar implantada no Brasil, sob os auspícios dos Estados Unidos.



Esta Convenção se realiza também na memorável data de 26 de julho que, com a heroica tentativa de assalto ao Quartel Moncada, em 1953, significa o marco decisivo da Revolução Cubana vitoriosa em janeiro de 1959, que mudou a face da América Latina desde então e difundiu a esperança de libertação dos povos pelo mundo.



Nesta 7ª Convenção, reforçamos o nosso apoio ao movimento de caráter anticapitalista que atualmente se reproduz em todas as partes do mundo e abre perspectivas concretas de enfrentamento às forças do capital e de alternativas igualitárias à crise e à sociedade de classes. Na nossa América Latina reafirmamos a importância da luta pela verdadeira integração dos povos latino-americanos que derrotará nossos maiores inimigos, o imperialismo e a burguesia internacional. Temos a certeza que a maior e melhor ação em solidariedade à Cuba que podemos realizar não são notas, cartas ou convenções, mas a construção do socialismo em nosso país e em toda a América Latina



Reiteramos a denúncia às violações aos direitos humanos praticadas pelo governo dos Estados Unidos da América na base militar de Guantánamo, às prisões, torturas, assassinatos e demais violações da condição humana em prisões clandestinas mantidas pelos Estados Unidos em outros recantos do mundo. Exigimos a retirada do exército estadunidense de Cuba, o fechamento da base de Guantánamo e das prisões e a devolução do território ao povo de Cuba, Yankees, go home!



Estar na Convenção de solidariedade à Revolução Cubana é se solidarizar com a luta dos povos oprimidos do mundo. A Revolução Cubana é marco insofismável das lutas nacionais de independência, principalmente de nações africanas. A Revolução Cubana foi crucial para golpear a segregação racial de negros em todo o mundo, pois ela foi decisiva para pôr fim ao apartheid na África do Sul, fato sempre ocultado pela mídia mundial quando faz referência o líder Nelson Mandela. A Revolução Cubana colocou em novo patamar a luta pela igualdade política, econômica e social dos povos do mundo e continua sendo fundamental para apontar caminhos possíveis para se superar a barbárie imposta à toda humanidade pelo capital.



Pelo imediato fim do massacre do Estado de Israel ao povo palestino!



Pela libertação imediata dos patriotas cubanos, antiterroristas, presos nos EUA!



Pela fim imediato da base dos EUA em Guantánamo!



Pelo fim do criminoso bloqueio dos EUA à CUBA!




"A liberdade custa muito caro e temos ou de nos resignarmos a viver sem ela ou de nos decidirmos a pagar o seu preço." (Jose Marti)




MOVIMENTO PAULISTA DE SOLIDARIEDADE À CUBA



Julho de 2014