quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Como Barack Obama pode pôr fim às sanções econômicas contra Cuba

Desde a adoção a lei Helms-Burton, em 1996 — uma aberração jurídica por seu caráter extraterritorial e retroativo, que agrava as sanções econômicas contra a população cubana — o Presidente dos Estados Unidos já não dispõe da faculdade executiva para pôr fim ao estado de sítio econômico anacrônico, cruel e contraproducente — segundo as palavras do próprio Barack Obama. De fato, só o Congresso pode acabar com uma política hostil condenada pela imensa maioria da comunidade internacional, pela opinião pública estadunidense, pela comunidade cubana da Flórida e, sobretudo, pelo mundo dos negócios dos Estados Unidos.
Agência Efe

Embargo econômico atinge não somente comércio, mas também área da saúde em Cuba
A Câmara de Comércio dos Estados Unidos, que representa o mundo dos negócios e cerca de três milhões de empresas, pediu aos responsáveis políticos, tanto ao governo como ao Congresso, que adotassem uma nova política em relação a Havana. Segundo seu presidente, Thomas Donohue, “é tempo de eliminar as barreiras políticas que foram estabelecidas há muito tempo e apagar nossas diferenças. Isso é do interesse do povo americano e das empresas americanas”.[1]
Em seu discurso histórico, de 17 de dezembro de 2014, no qual anunciou o restabelecimento das relações com Cuba depois de mais de meio século de ruptura, o presidente estadunidense chamou o Congresso a optar por um novo enfoque em relação a Havana. “Peço que o Congresso abra um debate sério e honesto sobre o cancelamento do embargo”, declarou Obama.[2]
A solução? Autorizar o turismo ordinário
Na realidade, o presidente Obama dispõe de uma forma bastante simples de acelerar o fim do estado de sítio econômico que afeta todas as categorias e todos os setores da sociedade cubana e que constitui o principal obstáculo para o desenvolvimento da ilha. Basta permitir que os cidadãos estadunidenses viagem para Cuba como turistas ordinários. Atualmente, os cidadãos dos Estados Unidos podem viajar para qualquer país do mundo, inclusive para a China, o Vietnã ou a Coreia do Norte, mas seu governo não lhes permite ainda que descubram a ilha do Caribe.
Ao romper essa barreira que separa os dois povos, Barack Obama permitiria, segundo as estimativas, que mais de um milhão de turistas estadunidenses viajassem a Cuba pela primeira vez. Essa cifra superaria os cinco milhões de pessoas anuais ao cabo de 5 anos, já que Cuba é um destino natural por razões históricas e geográficas evidentes. Assim, se abriria um imenso mercado para as companhias aéreas estadunidenses, para a indústria do transporte ou as agências de viagens, sem falar nos demais setores vinculados ao turismo massivo. Hoje, somente 90 mil cidadãos estadunidenses — fora os cubano-americanos — visitam Cuba todo ano por razões profissionais, acadêmicas, culturais, humanitárias ou esportivas, dentro das licenças concedidas pelo Departamento de Estado.[3]
O fluxo massivo de turistas para Cuba seria benéfico para a economia cubana, cujos recursos dependem, em grande parte, desse setor, mas também para a economia estadunidense. De fato, os produtores agrícolas estadunidenses seriam também grandes ganhadores de um recomeço do turismo entre ambas as nações e seria solicitado para alimentar os milhões de novos visitantes, já que Cuba importa a maior parte de suas matérias-primas alimentícias. Com a autorização do turismo ordinário para Cuba, o mundo dos negócios não deixaria de pressionar os membros do Congresso, cuja carreira política depende, em grande parte, dos financiamentos privados que recebem por parte das empresas, para que colocassem definitivamente um fim às sanções econômicas contra Cuba, que o priva de um mercado natural de 11.2 milhões de habitantes e potencialmente de 10 milhões de turistas procedentes de todo o mundo. Cuba acaba de superar os três milhões de turistas no ano de 2014.
Em um primeiro momento, o presidente Obama poderia dar ordens ao Departamento do Tesouro para não perseguir cidadãos estadunidenses que não estivessem enquadrados no estabelecido pela administração e viajassem para Cuba, já que as sanções econômicas que se aplicam aos que se arriscam a fazer uma viagem sem permissão, por meio do Canadá ou do México, são bastante dissuasivas. Isso teria como efeito flexibilizar as viagens de turistas para Cuba e — sobretudo —, reparar uma anomalia jurídica, uma vez que essa proibição viola a Constituição dos Estados Unidos, que defende o direito de mover-se livremente.
*Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV,  Salim Lamrani é professor-titular da Universidade de la Reunión e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se chama Cuba, the Media, and the Challenge of Impartiality, New York, Monthly Review Press, 2014, com prólogo de Eduardo Galeano.


[1]RTL, «La Chambre de commerce américaine souhaite une nouvelle relation USA-Cuba», 30 de maio de 2014 ; AFP, « La relation USA-Cuba doit changer maintenant, selon le président de la Chambre de commerce américaine », 30 de maio de 2014.
[2]The White House, « Barack Obama’s Speech: Charting a New Course of Era », 17 de dezembro de 2014. http://www.whitehouse.gov/issues/foreign-policy/cuba (site consultado em 17 de dezembro de 2014)
[3]Matt Beardmoredec, “How Travel to Cuba May Change”, The New York Times, 18 de dezembro de 2014.http://www.nytimes.com/2014/12/19/travel/how-travel-to-cuba-may-change.html?_r=0
Retirado de OperaMundi

Cuba ainda respira o respeito por sua história

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Havana é uma cidade das mais amistosas, organizada e operante no seu modo peculiar. E segura, absolutamente segura.
Se o futuro das tratativas sobre o fim do bloqueio econômico ainda é um mistério, sabe-se que apenas seu anúncio já mexe com a vida na ilha e deve acelerar e fortalecer processos de mudança.

Clarissa Pont e Eduardo Seidl (fotos), via RBA

La Revolución es invencible”, diz o outdoor. A frase acompanha uma foto de jovens meninas bailarinas, alinhadas, esticando-se para um ensaio. A imagem é bela e forte e a frase ressoa enquanto se caminha por Havana. Cuba hoje ainda respira respeito por sua história enquanto nutre expectativa por um processo mais intenso de atualização do modelo econômico e democrático cubano.
Para além do Floridita, apinhado de turistas e seus cigarros e daikiris numa tentativa um pouco decadente de se apropriar de Ernest Hemingway, dos restaurantes onde se come da melhor culinária internacional enquanto nas vendas das esquinas faltam manteiga e ovos, fora as ruínas de tantas casas coloniais e todas as idiossincrasias desse país, Cuba funciona muito melhor do que dizem.
Aos olhos de quem chega, preocupado com avisos de que a viagem não será fácil, Havana é uma cidade das mais amistosas, organizada e operante no seu modo peculiar. E segura, absolutamente segura. Salvo eventuais golpes que não assustariam nenhum latino-americano, caminhar a qualquer hora do dia e da noite pelas ruas da capital cubana é seguro. Do Malecón, a via urbana tão rente ao mar que em muitos trechos recebe espirros das ondas que jorram do Atlântico, às pequenas ruelas vicinais, da Habana Vieja apinhada de turistas de todas as línguas ao bairro mais residenciais livres de cocotaxis – a sensação de segurança acompanha quem caminha.
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Visitantes de todas as línguas se encontram no centro de Havana Velha, onde se respira reverência aos heróis e à história.
Nas ruas, a opinião geral em relação à expectativa do fim do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há seis décadas é ambígua. Será um processo lento e que precisa ser favorável a Cuba – não apenas aos Estados Unidos. O bloqueo, que existe desde 1962 e se intensificou com novas medidas na década de 90, afeta o bem-estar do povo cubano nos termos mais simples, além de prejudicar o desenvolvimento do país na sua economia.
De toda forma, a vida transcorre no dia a dia cheia de formas de driblar dificuldades. A maior parte da população possui celulares, muitos já equipados com uma espécie de correio eletrônico internacional pelo qual não é possível acessar nenhum endereço de internet do mundo, mas que possibilita de forma barata a correspondência por e-mail. O uso do correio eletrônico está tão popular que vem substituindo os SMS na comunicação interna na ilha. Antes disso, a única forma de acessar a rede fora de hospitais, grandes hotéis ou universidades era de forma ilegal através do compartilhamento de horas de internet liberadas para estrangeiros residentes na ilha.
De toda forma, com o anúncio da retomada das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba no final do ano passado, a juventude saiu às ruas para celebrar. A volta dos cinco heróis – os agentes de inteligência Gerardo Hernandez, Ramón Labañino, Antonio Guerrero, Fernando Gonzalez e René Gonzalez – à Cuba e a reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) na Costa Rica com apoios ao fim do bloqueio, principalmente da presidenta Dilma Rousseff, ampliaram o clima de mudanças.
Desde 1998, os cinco cubanos permaneciam presos nos Estados Unidos arbitrariamente condenados a pesadas penas. Os agentes, infiltrados entre grupos anticastristas organizados no estado da Flórida, ajudavam a monitorar planos terroristas organizados contra Cuba desde o território estadunidense. Segundo a Anistia Internacional, não foram apresentadas provas que demonstrassem culpa dos acusados, que tampouco tiveram pleno acesso a defesa.
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No cenário opaco que parece congelado na história, a presença vibrante das cores no dia a dia de Havana.
Em janeiro, Dilma classificou a retomada de relações diplomáticas entre os dois países de “transcendência histórica” em seu discurso na 3ª Cúpula da Celac: “Essa medida coercitiva, sem amparo no direito internacional, deve ser superada. Começa a se retirar da cena latino-americana e caribenha o último resquício da Guerra Fria em nossa região, não tenho dúvidas de que a Celac tem sido catalisador desse processo”.
Em Washington, a batalha legislativa para pôr fim às restrições de viagens de cidadãos norte-americanos à ilha já dá seus primeiros passos, mas a normalização das relações só será completa, todos reconhecem, quando o bloqueio acabar. Já foram anunciadas medidas de flexibilização, como a autorização de vendas e exportações de bens e serviços dos Estados Unidos para Cuba. No entanto, o grosso das sanções econômicas e comerciais será mantido e só podem ser desmanteladas com aprovação no Congresso.
Há, lógico, desconfiança. Justamente porque em pontos importantes, como a retirada de Cuba da lista de países que financiam o terrorismo, a retomada do território de Guantánamo e restauração das normas migratórias como um todo, os Estados Unidos não parecem querer mover uma palha sequer. Ficam restabelecidas relações turísticas – o que não chega a ser um problema em Cuba.
Em fevereiro de 2015 centenas de pessoas circulam pela cidade falando todas as línguas possíveis, cruzeiros gigantescos atracam no Malecón e de lá saem hordas de turistas que param por dez minutos em cada atração e seguem para o próximo selfie. Canadenses possuem colônias de férias próprias e brasileiros agora estão casando em resorts cubanos.
Cuba é uma pequena aventura, que dividiremos em mais cinco notas a partir de hoje. Se o futuro das tratativas sobre o fim do bloqueio ainda é um mistério, sabe-se que apenas seu anúncio já mexeu bastante coma vida na ilha e deve acelerar e fortalecer processos de mudança. Bem por isso, conhecer a ilha ainda hoje, enquanto a realidade é tão distinta da grande parte dos países do mundo, é um grande privilégio.
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Lentamente, à medida que os recursos permitem, prédios vão sendo recuperados do passar dos anos sob bloqueio econômico.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Política de internet em Cuba: "Com Todos e Para o Bem de Todos".

Miguel Díaz-Canel Bermúdez, Vicepresidente del Consejo de Estado y de Ministros, en la clausura del primer Taller Nacional de Informatización y Ciberseguridad, celebrado en el Centro de Investigaciones de Tecnologías Integradas (CITI). Foto: Raúl Pupo/ Juventud Rebelde
Miguel Díaz-Canel Bermúdez, vice-presidente do Conselho de Estado e de Ministros, no encerramento da Primeira Oficina Nacional de Informatização e Cibersegurança, ocorrida no Centro de Investigações de Tecnologias Integradas (CITI). Foto: Raúl Pupo/ Juventud Rebelde

Existe a vontade e disposição do Partido e do Governo cubanos de desenvolver a informatização da sociedade e colocar a Internet ao serviço de todos e conseguir uma inserção efetiva e autêntica dos cubanos nesse espaço, disse nesta sexta-feira (20/2) o Primeiro vice-presidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez.
O também membro do Bureau Político do Partido Comunista de Cuba, assistiu às conclusões da Primeira Oficina de Informatização e Cibersegurança, que ocorreu em Havana onde se propiciou “um debate honesto e sincero, crítico e justo, amplo e participativo, sério e comprometido, realista e objetivo e também visionário”.
É o início de uma imensa tarefa estratégica que vamos construir e que já estamos construindo, afirmou.
Díaz Canel assegurou que o tema, que reuniu cerca de 250 peritos do país e que abriu um fórum de debate ao vivo com mais de 75000 visitas em 48 horas, é “complexo, não existem receitas nem resposta única e se necessita trabalhar com visão de país e com a participação intersetorial, interdisciplinar e aberta, que permita construir uma estratégia nacional, que coloque esta tecnologia e a infraestrutura que deve acompanhá-la, ao serviço da construção do socialismo próspero e sustentável que se pretende”.
“Um tema como este não pode estar desvinculado dos grandes temas aos que se enfrenta o país”, afirmou.
Disse que “na medida em que possamos ter mais claro, mediante a construção coletiva, o projeto de país que queremos, estará muito mais clara a forma em que uma ferramenta como a Internet pode colocar-se a seu serviço”.
Recordou as palavras do líder da Revolução cubana, Fidel Castro, que em 7 de março de 2006, no ato pelo décimo-quinto aniversário do Palácio Central de Computação, afirmou que “a informática se converterá em uma poderosíssima força científica, econômica e até política” para Cuba.

O capital humano da Revolução é inegável

Assegurou que o enorme capital humano formado pela Revolução é inegável e constitui na principal fortaleza para enfrentar os desafios e metas futuros. “Este evento tem visibilizado esse potencial”.
Chamou a atenção sobre o fato de que o bloqueio dos EUA a Cuba -ainda que alguns não queiram considerar- tem limitado o acesso a financiamentos, tecnologias, sistemas, infraestruturas, software y aplicações.
“O reconhecimento de seu fracasso como política por parte do Presidente Obama e o anúncio de que realizarão investimentos no setor das telecomunicações, para que o povo cubano possa ter acesso a elas, é um reconhecimento disso”, disse Díaz-Canel.
A mudança de tática, com propósitos similares de destruir a Revolução -acrescentou-, penetrando subversivamente na sociedade, “também acentua a necessidade de que avancemos mais no processo de informatização”.
Recordou os planos de espionagem a governos e pessoas utilizando de maneira perversa estas tecnologias e a denúncia pública deste tema que fez o Presidente Raúl Castro na abertura da II Cimeira da CELAC, em Havana, em 28 de janeiro de 2014.

Muito foi feito mas não tudo que necessitamos

“Muito foi feito mas não tudo que necessitamos, nem da maneira mais coerente”, reconheceu.
É o marco propício para exigir a vontade do Partido e do Governo cubanos, para passar a um amplo processo de informatização que garanta o uso amplo e seguro da Internet, de maneira inclusiva e em função do desenvolvimento do país, disse.
O Primeiro vice-presidente assegurou que “o Estado trabalhará para que este recurso esteja disponível, acessível e barato para todos”.
Reconheceu que “há uma responsabilidade do Estado e da sociedade para que isso se faça efetivo e também pressupõe a convivência com outros direitos fundamentais: o direito à informação, comunicação, participação, prestação social de contas, unida à responsabilidade individual e coletiva”. 

Um direito e um dever

Díaz-Canel acrescentou que “o direito a Internet se acompanha por conseguinte dos deveres do cidadão e das organizações e instituições para com a sociedade. É, então, totalmente responsável reconhecer que o direito de todos a Internet supõe deveres em relação com seu uso adequado e conforme à Lei e supõe também a responsabilidade dos órgãos de controle que velam pela defesa do país e de sua integridade”.
Agregou que a Internet deve ser ”uma ferramenta ao serviço do desenvolvimento humano sustentável do país e sua inserção efetiva no mundo”.
Internet e o acesso às Tecnologias da Informação e das Comunicações em geral,“oferecem oportunidades para que as pessoas, as organizações e as comunidades possam desenvolver seu potencial pleno, promover seu desenvolvimento sustentável e melhorar sua qualidade de vida”, e disse: ”Internet não resolve os problemas por si só, mas pode ajudar a respaldar as estratégias em função do desenvolvimento social“.
“São os problemas fundamentais da sociedade, seus desafios econômicos, sociais e culturais os que devem estar no centro da estratégia e demandar o uso criativo e intensivo da Internet”, acrescentou o vice-presidente.
Inauguración del Primer Taller de Informatización y Ciberseguridad, en el Palacio de Convenciones, en La Habana, Cuba, el 18 de febrero de 2015. AIN FOTO/Abel ERNESTO
Abertura da Primeira Oficina de Informatização e Cibersegurança no Palácio de Convenções, em Havana, Cuba, em 18 de fevereiro de 2015. Foto: Abel Ernesto / AIN.

Princípios definidos num claro e importantíssimo discurso

Outras ideias de Miguel Díaz-Canel neste importantíssimo discurso:
  • O desenvolvimento da Ciência é, hoje, inconcebível sem Internet e a participação de nossos cientistas nas correntes principais da Ciência está mediada pela capacidade de acessar a uma Internet de qualidade.
  • A estratégia de acesso a Internet deve ser desenhada, desenvolvida e implementada sobre a base da mais ampla participação e para contribuir e potencializar o desenvolvimento humano sustentável, do contrário a fragmentação e irracionalidade dos processos se multiplicarão.
  • O acesso a Internet supõe ao mesmo tempo desafios e oportunidades mas constitui uma opção necessária para o desenvolvimento da sociedade nas condições contemporâneas.
  • A estratégia de acesso a Internet deve converter-se em uma arma fundamental dos revolucionários para conseguir a participação social na construção do projeto de sociedade que queremos, desde um desenho integral de país.
  • A estratégia de uso da Internet para o desenvolvimento humano sustentável, de acordo com o modelo de sociedade cubano, tem que ser liderada pelo Partido e deve envolver todas as instituições e a sociedade para conseguir o mais pleno uso de suas potencialidades em função do desenvolvimento nacional.
  • Internet como meio de acesso a informação e a comunicação impõe desafios às formas até agora predominantes de organização e participação social.
  • O socialismo outorga um lugar preferencial ao direito à informação como condição para o pleno exercício da crítica e da participação popular.
  • Internet levanta desafios às formas tradicionais de Comunicação Social, ao uso dos meios de comunicação, ao papel dos indivíduos no espaço público e exige a existência de políticas, normas e formas de funcionar novas, que devem alinhar infraestruturas, serviços e conteúdos para garantir esse direito.
  • Internet, mais que um espaço de acesso à informação, é um espaço para a comunicação social, a cooperação, a associação e o trabalho em suas mais variadas manifestações e, como tal, deve favorecer-se.
  • Os regulamentos da Internet devem ser coerentes com as normas, princípios e políticas sociais e devem ser transparentes para todos os cidadãos, deixando claramente estabelecidos direitos e deveres.
  • Os regulamentos e normas que regem o acesso a Internet e seu uso devem ser coerentes com a legislação e alinhar-se com os princípios gerais da Constituição e demais leis vigentes e ajustar-se às necessidades dinâmicas do desenvolvimento social.
  • Internet é uma ferramenta ao serviço da identidade e da cultura nacional e da inserção soberana e universal dos cubanos, incluindo a soberania tecnológica.
  • O fomento e universalização do acesso e uso da Internet deve formar parte do processo de desenvolvimento cultural nacional em seu mais amplo sentido e deverá ser acompanhado do fomento da produção cultural nacional, a promoção de seus valores e a mais ampla difusão nacional e internacional.
  • É parte da infraestrutura básica para o desenvolvimento das atividades econômicas e empresariais do país e o desenvolvimento das capacidades nacionais neste campo  ao próprio tempo é uma atividade econômica com alto potencial de desenvolvimento.
  • Neste contexto deverá fomentar a criação de uma infraestrutura de Internet de acordo com nossas possibilidades, que sirva de base para o desenvolvimento das atividades econômicas em todos os níveis, os estatais, as cooperativas e dos setores particulares (cuentapropistas).
  • Internet é um potencial gerador de serviços e de atividades econômicas que constituem elas mesmas em fontes geradoras de emprego e recursos e crescimento econômico.
  • Internet é uma plataforma para o desenvolvimento nacional que está sujeita ao controle social.
  • Além de garantir uma gestão efetiva de seus recursos, é imprescindível estabelecer mecanismos de prestação de contas que permitam verificar em que medida o uso deste recurso está em função das metas de desenvolvimento do país e do melhoramento da qualidade de vida dos cubanos.
  • É um dever e uma responsabilidade administrativa controlar que os recursos postos em função de metas sociais se usem nesta direção e que o uso dos recursos disponíveis se coloquem em função de apoiar as metas prioritárias da nação.

Problemas reconhecidos no evento

O Membro do Bureau Político do Comitê Central comentou que durante o debate desta I Oficina de Informatização e Cibersegurança, se reconheceram:
  • a ausência de políticas,
  • a implementação lenta e carente de integralidade,
  • a fragmentação,
  • a setorização;
  • o marco regulatório fragmentado, setorial e desintegrado;
  • a ineficiência dos serviços;
  • uma determinada não profissionalização e dispersão dos recursos humanos;
  • existência de ilegalidades;
  • centralização do desenvolvimento da infraestrutura;
  • falta de transparência no uso dos recursos da Internet cubana;
  • limitações no acesso desde as instituições;
  • dependência tecnológica;
  • insuficiente dinâmica no desenvolvimento de serviços e conteúdos.
  • complexidade na aprovação do acesso a Internet por pessoas e instituições.
Todos estes problemas, complementou Díaz-Canel, atentam contra a obtenção de uma adequada informatização da sociedade.
Incluiu também como desafios:
  • Aumento da capacidade do Centro de Dados Nacionais e dos dispositivos de acesso,
  • Uma legislação nacional coerente,
  • Legislação nacional coerente e coerente com os princípios ordenadores.
  • Educação em Internet e sobre Internet
  • Educação através da Internet
  • Acesso ao Conhecimento e a Cultura Geral Integral na Internet
  • Padrões livres e de código aberto
  • Participação on line nos assuntos públicos
  • Proteção dos consumidores na Internet
  • Saúde e os Serviços Sociais estratégicos
  • Soluções jurídicas e judiciais das autuações relacionadas com a Internet
  • O tema audiovisual, que é o código fundamental de comunicação com as novas gerações
  • A automatização, que deve responder aos problemas que exige a situação demográfica do país…

Com todos e para o bem de todos

O vice-presidente afirmou que solucionar estes problemas é o objetivo essencial das bases, eixos estratégicos e prioridades da estratégia de Informatização e Cibersegurança da nação cubana.
Reiterou que este sistema de trabalho é dirigido pela máxima instância do Partido, do Estado e do Governo através do Conselho de Informatização e Cibersegurança criado há dois anos, com a missão de proteger, coordenar e controlar as políticas e estratégias integrais deste processo.
Em correspondência com os riscos e ameaças identificadas no ciberespaço -acrescentou-, se desenham ações para proteger nossa soberania e afiançar a cooperação internacional em matéria de cibersegurança com outras nações, como China e Rússia, com as quais já existem acordos.
Assegurou que estes debates da Oficina e os que se formaram na rede, contribuirão em definir as ações de trabalho a curto e médio prazo no país, e concluiu:
Somente a integração da inteligência coletiva, como resultado da formação do capital humano criado em mais de 55 anos de Revolução permitirá alcançar os resultados esperados. 
A única forma em que Cuba pode integrar-se soberanamente à Internet é com uma visão de nação e uma infraestrutura com serviços nacionais integrados que beneficiem o universo de suas instituições, organizações e cidadãos. Necessitamos distinguir-nos, como país socialista, por una Informatização e uma Internet com todos e para o bem de todos.
Não podemos temer os desafios que impõe uma rede como a Internetnão podemos renunciar ao projeto de uma sociedade mais justa, livre e democrática que seja o culto dos cubanos à dignidade plena do homem e que se faça efetiva no contexto que nos toca viver.
A Informatização e a Internet deverão acompanhar a oportunidade de todos os cubanos de participar de forma ativa na construção do país socialista, próspero e sustentável que compartilhamos em nossas aspirações.
Trabalhemos todos para obter a necessária informatização na sociedade cubana. Nesta batalha, também venceremos.

I Oficina

A I Oficina de Informatização e Cibersegurança aconteceu durante três dias -de 18 a 20 de fevereiro de 2015- no Centro de Investigações de Tecnologias Integradas (CITI), do Instituto Superior Politécnico José Antonio Echeverría.
Participaram cerca de 250 peritos nacionais e se apresentaram 71 trabalhos. Teve a característica de habilitar na página web institucional do Ministério de Comunicações um fórum debate que esteve disponível durante 48 horas, ao qual visitaram 73 882 cibernautas.
Além disso, foram recolhidas mais de 1 000 opiniões que refletiram, de maneira geral, as ideias em torno às bases para a política de informatização da sociedade, as prioridades nacionais de informatização e a criação da organização social que agrupa os profissionais deste ramo: a União de Informáticos de Cuba.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

ETECSA assina acordo com empresa estadunidense para conexão direta entre Cuba e EUA


logo-etecsa

Empresa de Telecomunicações de Cuba S.A. (ETECSA) e a IDT Domestic Telecom, INC. concluiram as negociações com o propósito de assinar um Acordo de Serviços para a Operação de Telecomunicações Internacionais que permitirá a interconexão direta entre os EUA e Cuba. São esperadas as aprovações correspondentes das autoridades estadunidenses para sua posterior implementação.
O restabelecimento das comunicações diretas entre os Estados Unidos e Cuba permitirá maiores facilidades e qualidade nas comunicações entre os povos de ambas as nações.
Direção de Comunicação Institucional
ETECSA
Retirado de CUBADEBATE

Bloqueio dos EUA impede Cuba de receber 102 mil dólares por título no basebol


Foto: Ricardo López Hevia - Granma/Cubadebate
Segundo o jornalista Luis Augusto Símon, Cuba ficou sem o prêmio em dinheiro em que tinha direito pelo título da Liga do Caribe de basebol

A Liga do Caribe é um campeonato que tem o patrocínio da Major League Baseball (MLB) que segue as determinações do Departamento de Controle dos Bens Estrangeiros dos EUA, que diz que nenhum cubano residente em Cuba e nem organismos estatais cubanos podem receber pagamentos em dólares por qualquer tipo de transação. Gourriel, Cepeda e Despaigne, cubanos eleitos para o Jogo das Estrelas, também não receberam os prêmios. 

E, para piorar, as autoridades do basebol estadunidense criaram medidas que facilitam a “deserção” de jogadores cubanos. “Não é mais preciso que peçam permissão oficial ao governo dos Estados Unidos para firmar contrato com as franquias da MLB. E os jogadores que assinarem contrato precisam declarar que não são mais cidadãos cubanos”, informa Símon no "Cuba sem Barreiras". 

A declaração é a seguinte: “Declaro que assumi residência permanente fora de Cuba. Além disso, declaro que não pretendo voltar a Cuba e que não me permitirão voltar. Declaro também que não sou funcionário do Governo de Cuba e que não sou membro do Partido Comunista de Cuba''. 

Ainda segundo o jornalista, que agora tem um blog exclusivo sobre o esporte cubano no UOL, as decisões dos estadunidenses combatem a nova política cubana em relação à saída de jogadores para o exterior. Em relação ao Japão, por exemplo, os atletas cubanos “são liberados para jogar, através de contratos preparados conjuntamente entre as entidades esportivas dos dois países e se comprometem a voltar a Cuba para defender a seleção em competições internacionais”. 

Mais um exemplo que mostra que o bloqueio contra Cuba permanece bem ativo. 

Cuba conquistou o título heroico no último dia 8 de fevereiro.

Retirado de SOLIDÁRIOS

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

"Agora a gente conversa com o médico como se fosse um amigo"

EM DEPOIMENTOS DURANTE SIMPÓSIO EM SÃO PAULO SOBRE O MAIS MÉDICOS, MORADORES DO INTERIOR DO PAÍS RELATAM MUDANÇAS NAS COMUNIDADES A PARTIR DA PRESENÇA DIÁRIA DE MÉDICOS NOS POSTOS DE SAÚDE

Médica cubana atente morador da zona rural de Serra Talhada, interior de Pernambuco. Cuidados básicos essenciais às comunidades
São Paulo – Bem na divisa do estado de Rondônia com a Bolívia, a mais de 600 quilômetros da capital, Porto Velho, está São Francisco do Guaporé, cidade de 18 mil habitantes. Até bem pouco tempo, quando crianças, adultos e idosos ficavam doentes, o jeito era chamar a mãe, o pai, parentes, e buscar ajuda para poder ir a cidades vizinhas. "Médico era coisa difícil."
Quem conta é a dona de casa Edite Rodrigues. Ela esteve na capital paulista levar seu testemunho ao simpósio Programa Mais Médicos: Perspectivas e opiniões, que o Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) realizou no último dia 11.
Conforme relatou, em sua fala simples, antes do programa federal o atendimento no posto de saúde era muito precário. Até havia equipe de atenção à saúde da família, mas faltava justamente o médico, profissional que, além de diagnosticar doenças, ainda coordena a estratégia de trabalho na localidade.
E quando aparecia algum por lá, como ela destaca, mal conseguia conversar com as pessoas doentes e seus familiares, principalmente com aquelas mais humildes, de baixa escolaridade ou analfabetas. "Hoje, o médico vai na comunidade, vai visitar, ver criança nascer, atender criança de baixo peso. A gente consegue consulta até para micose; e conversa com ele como se fosse amigo. Antes não, ele era uma autoridade máxima."
No distrito de Albuquerque, zona rural de Corumbá (MT), também há novos vínculos sendo formados entre profissionais de saúde e a população. "Temos médico todo dia, e não mais uma vez por semana. Antes, quando a gente ia (ao posto), não sabia se ia ser atendido", conta a dona de casa Nilza de Souza. "Minha mãe é cadeirante; o médico vai atender em casa. Agora temos duas pessoas em uma: um médico e um amigo. Então só tenho a agradecer."
Os laços, conforme o agente comunitário de saúde Joilson da Silva, da mesma localidade, eram impossíveis há pouco mais de um ano. "Não tinha como criar vínculo. Faltava médico; ninguém queria vir para cá, na zona rural, a 70 quilômetros", afirma ele, na função desde 2005.
A agente de saúde Iraci Vera dos Santos, de São Francisco do Guaporé (RO), a situação também não era fácil: "É difícil andar sozinho, fazer nosso trabalho sozinho. E a consulta era super rápida porque o médico não tinha tempo para nada", lembra.
"Agora é possível acompanhar as famílias diariamente. Gestantes, diabéticos, crianças, idosos. Hoje acompanhamos hipertensos, acamados. Como é difícil tirar e levar para o postinho quem não pode andar! Por isso a população está adorando."
Iraci disse torcer para os médicos não irem embora tão cedo, já que agora é possível fazer reunião com médicos, enfermeiros, demais agentes e organizar o trabalho. E comemora: "A gente organiza o mês. Não é fácil, mas estamos avançando".
Também agente de saúdeMaria do Carmo Santos Pereira, do município de Nossa Senhora das Dores, no semiárido sergipano, a 72 quilômetros da capital, Aracaju, vê diversas melhorias com a chegada de médicos. "Antes, eles chegavam ao posto às 9h, 9h30, e queriam ir embora ao meio-dia", conta.
"Hoje, o médico vai às casas porque tem de conhecer a família. Acorda às 5h para ir para até a zona rural, muito distante de tudo. A gente chega lá às 6h30 para a ginástica das idosas. Todas estão felizes, vaidosas. Fizeram até desfile. Secaram o cabelo, fizeram maquiagem. Foi muito bonito mesmo". À vontade, brinca: "Espero que os médicos fiquem por muito tempo. Pelo menos até eu me aposentar".
Na mesma cidade há outra certeza: "Foi Deus que colocou o doutor Rodolfo aqui", acredita a sertaneja Maria da Graça Lima, 88 anos. O médico, de acordo com ela, "vai na casa do povo, visita todo mundo, recebe a gente bem". E garante: "Eu vivia doente das 'perna', não conseguia nem abaixar, apanhar nada no chão. Mas graças a Deus, e aos remédios do doutor, estou muito satisfeita. Não sei como vamos ficar se um dia ele se for", diz.
A fala da gente simples guarda semelhança com a de um doutor, o orientador de mestrado e doutorado do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp Elisaldo Carlini. Aos 83 anos, ele rememora os tempos de infância no interior paulista, no pequeno município de Pirajá. Numa infância sem médico, como costuma dizer, teve boqueira, que era queimada, e bronquite, tratada com tatuzinhos de jardim que sua mãe colocava num paninho que ele carregava pendurado no pescoço.
Cinco dias depois, quando morriam e já fediam, eram substituídos por outros vivos. A solitária era cuidada com mastruz com leite. Mordido por um cachorro louco, contou com soro antirrábico, que veio de cidades vizinhas, trazido de trem e depois a cavalo. E teve ainda muita sorte de chegar a tempo a outra cidade maior e conseguir curar o tracoma, doença inflamatória dos olhos, que poderia deixá-lo cego.
"O que vivi há mais de 80 anos ainda é vivido por metade da população brasileira, sobretudo a mais pobre, que vive pelo interior desse país sem assistência. É preciso maior compreensão sobre a grandeza da profissão do médico, que é mais digna quando bem exercida."
Carlini integra a comissão organizadora do simpósio realizado pela Faculdade de Medicina Unifesp, com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde, para discutir com estudantes, médicos, agentes comunitários de saúde, gestores municipais e usuários do sistema público os avanços, desafios e as perspectivas a curto, médio e longo prazo do programa federal que já levou 14.462 mil médicos a 3.785 municípios e 34 Distritos Sanitários Indígenas – e que atualmente atende 50 milhões de pessoas.
Outras vertentes do programa são o investimento de R$ 5,6 bilhões para construção, ampliação e reforma de Unidades Básicas de Saúde (UBS), e R$ 1,9 bilhão para construir e ampliar Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). De acordo com o Ministério da Saúde, das 26 mil UBS que tiveram recursos aprovados, 20,6 mil (79,2%) estão em obras ou já foram concluídas, e 363 UPAS, de um total de 943, já foram concluídas.
Também pelo programa há a reestruturação e ampliação da formação médica no país, que até 2017 deverá abrir 11,5 mil novas vagas de graduação em medicina e 12,4 mil vagas de residência médica para formar especialistas, até 2018, em saúde da família. O Ministério da Educação já autorizou a abertura de 4.460 novas vagas na graduação, sendo 1.343 em instituições públicas e 3.117 em faculdades privadas, principalmente em localidades do Norte e Nordeste, com escassez de profissionais.
"Espero que nossos brasileiros estudem mesmo para serem médicos e que enquanto isso possamos continuar esse programa com outros médicos, mesmo quando os de agora forem embora e vierem outros", diz Edite Rodrigues, de São Francisco do Guaporé.
Mais do que um encontro de avaliação da política por coordenadores do programa no Ministério da Saúde e do Ministério da Educação, o encontro foi espaço para que brasileiros de diversas regiões do país, como a dona Edite, pudessem falar sobre a diferença que faz em suas vidas ter um médico para consultar tanto na hora de resolver um problema de saúde como aprender a evitar doenças.
Convidados e trazidos a São Paulo pela comissão organizadora, eles dividiram a mesa de debate com agentes comunitários de saúde e médicos brasileiros e estrangeiros participantes para contar o significado do acesso ao atendimento médico.
Em suas participações, os médicos, mais familiarizados com entrevistas e palestras, falaram principalmente sobre os projetos construídos com as equipes das unidades de saúde para estreitar o vínculo com a população atendida, que, segundo eles, já vêm trazendo resultados positivos.
Entre eles, a confiança da população, que passa agora a procurar mais os centros de saúde e a seguir tanto os tratamentos prescritos como as recomendações para evitar problemas de saúde, como a prática de exercícios físicos e alimentação adequada, com mais cereais, verduras, legumes, frutas, carnes e laticínios frescos, em vez de frituras em excesso, comidas gordurosas e açucaradas – como em geral são os produtos industrializados.
Por Cida de Oliveira 
Retirado de Rede Brasil Atual

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Declaração final da Brigada Sul-Americana de Solidariedade a Cuba - 2015

Declaração final da XXII Brigada Sul-Americana de trabalho voluntário e solidariedade a Cuba - 2015

É com grande emoção e orgulho que nós, os 156 brigadistas do Brasil, Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai, compartilhamos este momento com o povo cubano. No 56 aniversário da Revolução Cubana e 162 do nascimento de José Martí, vemos importantes conquistas da luta incansável deste povo e dos movimentos sociais que, em todo o mundo, mostram-se solidários com esta nação.

Reconhecemos, em Cuba, o pleno exercício dos direitos humanos, o respeito às liberdades, entendendo como tal a universalização do acesso à saúde, à educação, à informação, à cultura e à participação nas decisões políticas do país.

Agora, novos desafios se apresentam com o processo de atualização do modelo econômico que exige, mais uma vez, a unidade do povo e sua força para consolidar as mudanças propostas pelo povo cubano.

Vemos com otimismo, a participação e o compromisso da juventude cubana com os princípios revolucionários, o que não deixa dúvidas sobre a continuidade do avanço da Revolução com os novos desafios que se apresentam.

Assistimos a um momento histórico em solo cubano, um novo triunfo da Revolução com o retorno à casa dos cinco heróis que lutaram valentemente contra o terrorismo estadunidense e que foram injustamente presos há 16 anos em território norte-americano.

Neste contexto, a XXII Brigada denuncia e exige:

- o fim do genocida bloqueio econômico, financeiro, comercial e tecnológico imposto há mais de 50 anos pelos Estados Unidos;

- a retirada de Cuba da lista de estados patrocinadores do terrorismo internacional;

- o fim do terrorismo midiático que, em diferentes partes do mundo, tenta desacreditar e desmoralizar a vitoriosa Revolução Socialista construída pelo povo cubano. A farsa midiática busca atentar contra as relações diplomáticas que Cuba busca permanentemente restabelecer sem renunciar a seus princípios;

- o fechamento imediato da ilegal base naval estadunidense em Guantánamo e seu cárcere denunciado internacionalmente pela sistemática violação dos Direitos Humanos;

- o reconhecimento à soberania nacional cubana em todo o seu território. Manifestamos também nossa solidariedade a todos os povos que lutam por sua soberania e independência. Condenamos todas as práticas de governos autoritários que tentam submeter a população aos interesses imperialistas.

Ao final desta XXII Brigada Sul Americana, reafirmamos nosso compromisso com:

- a disseminação dos ideais da Revolução Cubana;

- a difusão de forma articulada, da realidade cubana em oposição ao terrorismo midiático;

- o desenvolvimento de ações para fortalecer as relações entre Cuba e os estados sul americanos, compreendendo que somos um único povo e podemos caminhar juntos, certos de que um mundo melhor, mais solidário, igualitário e fraterno para todos e todas, é possível.

Agradecemos a oportunidade de compartilhar a realidade cubana e agradecemos a todos que tornam possível a existência do Campamento Internacional “Julio Antonio Mella”, o trabalho voluntário que é um dos pilares revolucionários ensinados por Che, estreitando laços entre nossos povos.

Saudamos a determinação e a criatividade heroica do povo cubano. Um povo que não se rende diante das adversidades e que além disso mostra continuamente sua generosidade em missões internacionais e abre suas portas para a formação de profissionais de todo o mundo.

Voltaremos a nossos países levando Cuba em nossos corações e buscando praticar o que nos ensina o Comandante Fidel Castro: “Revolução é unidade, é independência, é lutar por nossos sonhos de justiça para Cuba e para o mundo”.

A solidariedade e a amizade não se bloqueia!

Até à vitória, sempre!

Guayabal, Província de Artemisa, 30 de janeiro de 2015.

Ano 57 da Revolução.

Retirado de SOLIDÁRIOS

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

EUA finalmente confessam a respeito da internet em Cuba

Roberta Jacobson disse no Congresso dos EUA que a partir de agora “A política dos Estados Unidos deixará de ser uma barreira à conectividade em Cuba”. Assim, finalmente, um membro do governo estadunidense reconhece que o Embargo Econômico (ouça-se Bloqueio) tem sido uma “barreira” para o acesso a internet da Ilha. Esta diplomata tem uns momentos de sinceridade que me deixam de boca aberta.
por 
Retirado de Cartas de Cuba

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

"Fidel é um fora de série".

Randy Perdomo García, presidente da Federação de Estudantes Universitários
(FEU), da Universidade de Havana

Fotos: Cortesia do autor

Tudo começou com uma ligação de Fidel ao Gabinete da Federação dos Estudantes Universitários (FEU), da Universidade de Havana (UH), no dia 22 de janeiro, às 21:20 horas. Embora fosse precedida de um aviso acerca do momento que me deparava, aquela voz, tantas vezes escutada de longe, foi empolgante ao senti-la tão próxima.


“Randy, como você vai?”
“Comandante, eu estou bem. Não posso acreditar que esteja conversando com o senhor”.
Ele riu e agradeceu “a mensagem que você me fez chegar. Li-a várias vezes”. Referia-se ao nosso projeto de comemorar os 70 anos do seu ingresso na Universidade com uma jornada de amor e compromisso. Percebe-se seu entusiasmo quando anuncia uma surpresa e me convida a uma conversa pessoal no dia seguinte.
Mas nessa mesma noite conseguimos falar um pouco mais: por volta de 50 minutos. Sua voz soa tão presente, como se os dois estivéssemos sentados no Salão dos Mártires, que ele recordou várias vezes, por ter sido o lugar de reuniões em sua época na FEU.
“Já são 70 anos da minha entrada na Universidade, que se completarão em 4 de setembro”, diz-me.
Conversamos com alegria, como dois colegas de turma. Ele, com sua simplicidade impressionante, tentando que eu me sentisse em igualdade de condições. Eu, de minha parte, sem poder me explicar totalmente a sorte extraordinária que me fazia viver esse instante único. Ainda, estava irrequieto e preocupado, ao pensar como ia responder ao “bombardeio” de interrogantes ao qual sempre tem acostumado aos seus interlocutores este conversador audacioso.
Ele quis saber acerca das faculdades da Universidade e da Casa Estudantil, o que tinha sido antes de se converter na Casa da FEU, a quem pertenceu, em que ano ocorreu a mudança. Eu tentava responder tudo, ciente de que nós nunca estamos totalmente prontos para ter todas as respostas que exige um diálogo dessa índole. Não era um teste e, ao mesmo tempo, era isso. Eu precisava transmitir muito em nome da juventude universitária e essa pressão estava aí, embora o espírito da conversa quase que me fazia esquecer tudo.
Ele se interessou pela situação atual de todas as carreiras da Universidade e ao falar sobre a Faculdade de Física, antigamente a de Arquitetura, falou empolgado de José Antonio Echeverría. Expliquei-lhe que a Faculdade de Física está agora no edifício Varona e me interrompeu: “O prédio de Pedagogia!”, disse e aí mesmo começou a indagar acerca das salas de aula.
E justamente quando eu comecei a transpirar de novo, por causa do temor de não ter todas as respostas, Fidel lançou a interrogante que eu menos esperava: “Vem cá, Randy, qual é o número de cadeiras que tem uma sala de aula nesta Faculdade de Física?” E eu, naturalmente, fiquei sem palavras. Estava espantado por essa curiosidade infinita e a necessidade e anseios dele por saber, até o mínimo pormenor, como funciona o mundo.
Explico-lhe que o edifício é compartilhado por estudantes de diferentes nacionalidades que aprendem espanhol em Cuba: chineses, estadunidenses, vietnamitas. Então precisa: “Não posso acreditar! Chineses também? E me lembra com detalhes os programas desse acordo com a República Popular da China.
“E como é organizado o Conselho Universitário do edifício Varona ao ter a carreira de Física e os estudos para aprender espanhol?”, insiste. Comento-lhe que isso é provisório, até terminarem as obras no edifício de Física. Então, o Varona será o centro de convenções da Colina universitária.
Afinal consigo comentar-lhe acerca das atividades da jornada que os estudantes universitários preparamos para comemorar o 70º aniversário da entrada de Fidel à Universidade. Antecipo-lhe nossa ideia de subir também ao Pico Turquino.
“Ótimo, Randy, estejam prontos. Quando a gente se encontrar de novo contarei curiosidades da nossa experiência na Sierra.”
Não quero guardar nenhum detalhe e ainda lhe comento que visitaremos a casa onde ele nasceu. Responde com um silêncio longo que é quebrado para me perguntar como vão meus estudos de Filosofia, em que ano estou da carreira e o que pensa minha família do que faço.
Depois, ele quer conhecer como é que se organiza a FEU na Universidade. Descrevo-lhe o apoio do Reitor e da Universidade no melhoramento das condições de vida e da infraestrutura, das residências estudantis, das faculdades e do aperfeiçoamento do Estádio Universitário, conhecido pelo pessoal da UH como o SEDER.
Com uma precisão que espanta, Fidel detalha cada lugar desse estádio universitário, quando lhe informo de todos os preparativos para os Jogos Caribe. Percebe-se que conhece a Colina universitária como a palma de sua mão. Poderia dizer-se que sabe onde fica cada pedra dessa casa de altos estudos.
Também mostra interesse pela Aula Magna, pela organização da atividade pelo 162º aniversário do nascimento de José Martí, o concerto do pianista Frank Fernández e o lançamento da convocatória para comemorar os 70 anos de sua entrada na Universidade.
Na despedida “um abraço” e “amanhã a gente se vê”. E fico quase hipnotizado. Ainda meu sonho não acabou de tornar-se realidade.

FIDEL NÃO ESTÁ NO TELEFONE

Sexta-feira, 23 de janeiro. Está quase na hora de começar o encontro mensal do Conselho da FEU da UH, no Salão dos Mártires da Colina Universitária. Peço desculpas por não poder estar presente. Garanto aos colegas que nos próximos dias a UH será palco de uma notícia de alegria para nosso povo todo e de transcendência mundial.
Despeço-me de Henry, o secretário da União dos Jovens Comunistas (UJC) na Universidade, que alguns anos antes também teve a honra de conversar com o Comandante.
Aqueles que me vão levar até onde está Fidel são muito pontuais. Motoristas muito amáveis, que sabem reconhecer meu nervosismo e me acalmam, evidentemente solidarizados com a minha tensão, diante da perspectiva do meu primeiro encontro pessoal com Fidel, conversam sobre as nossas respectivas províncias: eles são de Santiago de Cuba e eu de Matanzas.
Pouco tempo depois, o carro pára e eles me soltam as palavras que eu estive esperando com desespero e contenção: “Você já está na casa do Comandante”. E eu saio pronto para viver o que poderá ser, com certeza, um dos meus instantes mais transcendentais. E afinal não será um instante. Porque falarei com Fidel durante mais de três horas.
Na porta do jardim espera Dália, sua esposa. Entrego-lhe uma flor que recebe com agradecimento especial e me acompanha até uma porta de vidro uns poucos metros mais à frente. Atrás, espera o Comandante.
“Randy — cumprimenta-me de forma jovial — vamos ver se afinal você é parecido com Echeverría...!”.
Começa a conversa desta tarde com Fidel. E já não está ao telefone, mas sim a poucos metros, como se fosse meu companheiro habitual nas conversas. Tento controlar minha emoção para poder guardar com precisão cada fato.
Mostra-me a compilação das suas Reflexões e refere-se a algumas delas, lendo ideias ou páginas inteiras. Conta-me que é uma coleção da qual foram editados uns 500 exemplares, que são acompanhados de um catálogo com desenhos do pintor Rancaño.
O tempo corre enquanto revemos muitos temas. Tento flagrar todos os detalhes de sua grandeza, não tiro os olhos da figura dele. Ele, convocando-me sempre ao conhecimento, conduz a conversa. Não deixo de pensar acerca da forma em que as circunstâncias da Sierra Maestra — da guerra — e os desafios atuais podem moldar tão especialmente um homem.
Comenta-me sobre astronomia, dos observatórios no mundo. Insiste na necessidade do desenvolvimento das ciências como a única forma em que a inteligência predomine, da relação dessas matérias com a economia e a qualidade da formação destes profissionais nas universidades.
Ainda, fala com muito entusiasmo da doação, ao Zoológico Nacional de Cuba, das espécies de animais trazidas da Namíbia e seu interesse na nova prática de transferência desses animais.
Persiste na sua chamada de atenção sobre a produção de alimentos para os seres humanos e animais e me mostra fotografias dos campos de plantas com as quais faz experimentação. Mostra-me várias sementes, falando do custo e da sua importância, da situação do combustível.
Sobre a mesa de trabalho há dezenas de papéis com notícias da imprensa recopiladas em uma pasta. Vejo de perto e verifico seu lendário interesse de estar informado de tudo, tanto dos acontecimentos nacionais como internacionais.
Detém-se, particularmente, na leitura de informações recentes, com uma infografia da cadeia Rusia Today, acerca de qual foi a nação que mais contribuiu para a derrota da Alemanha, em 1945. Durante anos, a maioria dos europeus reconhecia que tinha sido a URSS. Mais recentemente os dados se inverteram e se dá a proeminência aos EUA.
Mas também falamos dele, dos seus exercícios físicos diários, da alimentação correta. Continuo sem acreditar que eu estou ao lado do homem que mais fez, no sentido de atingir relações de justiça entre os homens, e descobria a maravilha de antever, a partir da recordação do passado, o que é o futuro.
Ainda ele tem bem gravado que eu sou da província de Matanzas. Não ia deixar passar isso tão fácil. Então me pede que lhe conte como funciona a prática dos esportes na minha cidade natal. Sem me dar tempo demais para pensar, inquire acerca das perspectivas do time de beisebol de Matanzas, sob a condução de Victor Mesa, e da alegria e a emotividade que consegue incutir no Campeonato Nacional desse esporte. Depois, refere-se a outros times presentes neste campeonato e ao meu desafio de ser de Matanzas mas viver na capital, onde quase todo mundo é fanático pela equipe local, os "Industriales". Rimos os dois. E eu admiro esse amor pelo esporte que ele sempre mostrou.
Depois, fala das revoluções que se estão produzindo contra a filosofia dominante e me conta que não se pode deixar de acreditar nelas, pois cada revolução acaba renascendo. Em um momento especial refere-se à Venezuela e fala com grande emoção de Hugo Chávez e de Nicolás Maduro.
Também comenta sobre a Nicarágua e o empenho de Daniel Ortega e sua esposa no desenvolvimento dessa pequena nação.
Voltando ao tema da nossa Universidade, mostro-lhe um catálogo e percorremos no mapa todos os lugares que ele frequentava: o café da Faculdade de Direito — conta-me alguns detalhes de sua construção e situação — outros lugares significativos para ele e me pede que lhe conte acerca das Faculdades da Colina e das que atualmente estão fora dela. Lembra dos tempos desafiadores de sua formação e dos encontros históricos com os estudantes universitários depois do triunfo revolucionário.
Ao mostrar-lhe uma série de desenhos dedicados a ele, pergunta-me quem os fez. Respondo que foi um estudante, também chamado Randy, com o sobrenome Pereira, que estuda no quarto ano de Comunicação. Então, ele sente interesse de saber onde nós imprimimos os cartazes e as camisetas, pois eu estava envergando uma com o símbolo dos Jogos Caribe.
Não vou partir sem deixar-lhe como recordação uma fotografia de Henry, atual secretário da UJC da Universidade, e outra da Indira, que trabalha na Direção de Extensão Universitária, aqueles dois jovens que lhe entregaram, em 2010, aquela fotografia onde aparece Fidel e que diz: “Aqui me tornei revolucionário...”· Leio a convocatória lançada por ocasião dos 70 anos de sua entrada na Universidade, comentando-lhe acerca dos convidados que virão e a forma em que temos concebido a atividade.
Também damos uma olhada em um exemplar do jornal Resumen Latinoamericano, dedicado aos Cinco. Empolgado, fita os olhos nos rostos de René, Fernando, Tony, Gerardo e Ramón, detalhando as características mais significativas de cada um dos Herois.
Quase que parece que estou saindo mas ele retoma a conversa sobre as novas formas de atacar algumas doenças, entre elas a diabetes, com a produção de alguns alimentos naturais; da relação de Cuba com a África, da contribuição à independência dos seus países, o fim do apartheid e da atual contribuição de médicos cubanos na luta contra o Ebola. E agradeço internamente que ainda não acabe este momento.
Finalmente, mostra-me algumas páginas de temas que está estudando neste momento. Entre elas, uma sobre o Banco Central de Cuba com os custos dos alimentos, metais básicos e preciosos, do açúcar, energia, taxas de juros.
Ele não me deixa ir sem que passe o DVD que eu levei como presente, com as imagens da recepção dos estudantes da Universidade aos estudantes estadunidenses do Cruzeiro Semestre no Mar, que visitaram nosso país no mês de dezembro.
Mostra interesse de saber como foi com nossos colegas estadunidenses e indaga acerca do programa de atividades. Ao olhar as imagens...não sei o porquê mas vejo um Fidel diferente, muito mais próximo do que pensava. A imagem de uns estudantes dos EUA sem camisa, que tinham escrito a palavra CUBA no peito, o fazem passar seu momento mais alegre e entusiástico.
Chega o instante de partir. Despedimo-nos primeiramente ao estilo tradicional. Depois ele quer conhecer um modo mais atual. Mostro-lhe então um jeito que nós ensaiamos muitas vezes com nossos parceiros, mais juvenil e diferente. Com muita insistência acabou aprendendo. E o praticou várias vezes até que finalmente nos dissemos “Até logo”.
Caminho novamente por minhas ruas e penso naquilo que acabei de viver. Levo com intensidade esse Fidel cheio de vida que conversou comigo, de forma animada e inteligente. Com a simplicidade que eu imaginava, mas com essa capacidade infinita de surpreender.
Penso em um escritor e acho uma frase que pode resumir o que penso. Se, a verdadeira grandeza, o homem só a pode conseguir no Reino deste mundo, não posso menos que ver a grandeza nele, que ultrapassou o escalão mais alto da espécie humana, para se transformar em lenda.
Vários dias depois, a emoção ainda faz meus olhos se encharcarem. Ainda o vejo em frente a mim, tão vivo, com muita energia e clareza, zombando com essa vitalidade daqueles que pretendem fazer crer que já não está. Continuo pensando nele coçando a barba, analisando sei lá quantas coisas.
Ele não deixou de ser estudante universitário. Em um ambiente familiar e cordial, com seu olhar mais além das aparências, aproximou-me do seu infinito caudal de inteligência. E eu quase fico espantado, ao ver o muito que me resta por aprender e estudar. Agradeço-lhe então por me ter revelado essa verdade e munir-me de um guia para entender como conduzir-me pelo inexplorado, com curiosidade e sensatez.
Ter ocupado boa parte do tempo dele é a maior honra que já recebi. Pela nossa FEU e nossa Universidade de Havana é que vivi essa oportunidade excepcional. Foram várias noites sem dormir por causa da alegria, dos desejos impacientes de voltar a conversar com ele...
Implícito em tudo, mais além do que possa dizer, vai o ensinamento da humildade, da confiança em nós, no futuro da Pátria. A certeza de que este encontro é a continuidade de mais deveres, de mais compromisso.
Fidel continua em uma marcha constante, ao compasso de nosso tempo, como símbolo imperecível, como eterno jovem universitário. Não posso flagrar tudo em palavras pois ainda estou acreditando que isso foi um sonho. A essência dos milagres é difícil de apanhar, ainda que tentemos muito. 
Fidel é um fora de série.






Descarregue essas e outras fotos em alta resolução no Flickr do CUBADEBATE
Retirado de GRANMA