segunda-feira, 6 de julho de 2015

Projeto de Biociências da UFRN leva estudantes para qualificação em Cuba

Temas fundamentais no desenvolvimento agrícola, relacionados ao cultivo de alimentos e ao aproveitamento de áreas marginalizadas para a produção de biocombustíveis, são objeto de estudo do Projeto de Formação e Qualificação de Profissionais Brasileiros e Cubanos.

Coordenado no Brasil pela professora Cristiane Macedo, do Centro de Biociências (CB) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, o projeto é uma parceria entre a UFRN, a Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) e a Universidade de Havana (UH-Cuba), promovendo o intercâmbio de professores, pesquisadores e estudantes de pós-graduação dos dois países.

A temática central do estudo está relacionada à atual situação em que vivem países da América Latina, onde o processo de desertificação se acentua cada vez mais devido ao desmatamento, ao uso intensivo do solo e à irrigação mal conduzida, que originam a salinização. A pesquisa é inserida no contexto do melhoramento de plantas e da busca por alternativas aos combustíveis fósseis.

Em 92% do território do Rio Grande do Norte, há predominância do clima semiárido, no qual a presença de elevados teores de sais solúveis no solo e na água é um processo natural, e que vem afetando o desenvolvimento da fruticultura no estado. A área de cultivo de algumas fruteiras de subsistência para o pequeno e médio agricultor apresenta uma sensível diminuição, provocada pelo aumento da salinidade e o déficit hídrico.

A exemplo do Brasil, Cuba também sofre com o processo de desertificação. Assim, o projeto estuda os efeitos do estresse hídrico e salino na fisiologia das plantas, problemas referentes à concentração ou ausência de água e sais solúveis no solo, tendo em vista a seleção de espécies de interesse econômico para ambos os países, mais adaptadas ao cultivo nessas regiões.

Nesse sentido, a pesquisa busca conhecer melhor os mecanismos de toxidez e resistência ao clima semiárido, onde são realizados estudos bioquímicos relacionados, por exemplo, a proteínas que possam implicar meios de tolerância à salinidade e ao déficit hídrico, conhecimento de fundamental importância, pois permite acelerar o processo de identificação e seleção de plantas mais resistentes.

Segundo a professora Cristiane Macedo, “a iniciativa visa introduzir espécies mais adaptadas ao cultivo em áreas salinizadas do semiárido e, ainda, demarcar características fisiológicas e bioquímicas de estresse salino que possam estar associadas ao maior rendimento em óleo, fornecendo matrizes para produção de biodiesel e viabilizando assim, o desenvolvimento sustentável do agronegócio para pequenos produtores”.

Financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o projeto teve início no ano de 2012, e promove missões de trabalhos e missões estudos. As primeiras têm a proposta de enviar profissionais e pesquisadores dos dois países para ministrar palestras, cursos e elaborar projetos que auxiliem na formação dos estudantes envolvidos. Já as missões de estudos promovem a ida de estudantes para instituições parceiras com o intuito de fazer intercâmbio acadêmico e obter uma formação mais diversificada.

Cristiane Macedo afirma que “a perspectiva é que o projeto seja renovado, para que assim seja mantida a cooperação existente entres as universidades, com o propósito de melhorar a troca de conhecimento científico entre as instituições”.

Retirado de UFRN

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