quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Como e onde investir em Cuba

Retirado de GRANMA




ASSEMBLÉIA NACIONAL DO PODER POPULAR
______
JUAN ESTEBAN LAZO HERNÁNDEZ, Presidente da Assembléia Nacional do Poder Popular
da República de Cuba.

FAÇO SABER: Que a Assembléia Nacional do Poder Popular da República de Cuba, em sua
Primeira Sessão Extraordinária da VIII Legislatura realizada no dia 29 de março de 2014
aprovou o seguinte:
CONSIDERANDO: Que o nosso país perante os desafios que encara para alcançar um
desenvolvimento sustentável pode, por meio do investimento estrangeiro, ter acesso ao
financiamento externo, tecnologias e novos mercados, bem como pode inserir produtos e
serviços cubanos em cadeias internacionais de valor e gerar outros efeitos positivos para sua
indústria nacional, contribuindo assim para o crescimento da nação.
CONSIDERANDO: Que as mudanças que acontecem na economia nacional em conseqüência
da atualização do modelo econômico cubano regido pelos Lineamentos da Política Econômica
e Social do Partido e da Revolução, aconselham rever e adequar o quadro legal do
investimento estrangeiro que estabelece a Lei No. 77 “Lei do Investimento Estrangeiro” de 5 de
setembro de 1995, para oferecer maiores incentivos à mesma, e garantir que a atração do
capital estrangeiro contribua eficazmente para os objetivos do desenvolvimento econômico
sustentável do país e para a recuperação da economia nacional baseado na proteção e no uso
racional dos recursos humanos e naturais e no respeito à soberania e independência nacionais.
CONSIDERANDO: Que a Constituição da República estabelece entre outras formas de
propriedade, as empresas mistas, sociedades e associações econômicas e prevê no que se
refere à propriedade estatal, a transmissão total ou parcial de objetivos econômicos destinados
a seu desenvolvimento, com caráter excepcional, se isso fosse útil e necessário para o país.
(PORTANTO: A Assembléia Nacional do Poder Popular, no uso das atribuições que lhe foram
conferidas no artigo 75, alínea b) da Constituição da República, acorda ditar a seguinte:

LEI No. 118

LEI DO INVESTIMENTO ESTRANGEIRO

CAPÍTULO I
DO OBJETO E CONTEÚDO
ARTIGO 1.1.- Esta Lei tem como objetivo estabelecer o quadro legal para o investimento
estrangeiro no território nacional baseado no respeito à lei, à soberania e à independência da
nação e em benefício mutuo contribuindo para o nosso desenvolvimento econômico em função
de uma sociedade socialista próspera e sustentável.
2. A presente Lei e sua legislação complementar estabelecem um regime de facilidades,
garantias e seguridade jurídica para o investidor estrangeiro que propicia a atração e o
aproveitamento do capital estrangeiro.
3. O investimento estrangeiro no país orienta-se para a diversificação e ampliação dos
mercados de exportação, para o acesso a tecnologias de ponta, a substituição de importações,
priorizando a área dos alimentos. Do mesmo modo, está dirigido à obtenção de financiamento
externo, à criação de novas fontes de emprego, à captação de métodos gerenciais e à
vinculação da mesma com o desenvolvimento de cadeias produtivas, bem como à uma
mudança da matriz energética do país através do aproveitamento de fontes renováveis de
energia.
4. As disposições que contém esta lei incluem garantias aos investidores, os setores
destinatários dos investimentos estrangeiros, as modalidades que eles podem adotar, os
investimentos em bens imóveis, suas contribuições e a sua valoração, bem como o regime
para sua negociação e autorização. Também estabelecem o regime bancário, de exportação e
importação, de trabalho, tributário, o de reservas e seguros e o regime de registro e informação
financeira; as normas referentes à proteção do meio ambiente, ao uso racional dos recursos
naturais, à proteção da inovação científica e tecnológica; institui as ações de controle do
investimento estrangeiro e o regime de resolução de conflitos.
CAPÍTULO II
DO GLOSSÁRIO
ARTIGO 2.- Nesta Lei e no seu Regulamento utilizam-se com a acepção que em cada caso se
indica, os seguintes termos:
a) Associação econômica internacional: união de investidores nacionais e estrangeiros
dentro do território nacional para a produção de bens, prestação de serviços, ou ambos, com
fins lucrativos, que compreende as empresas mistas e os contratos de associação econômica
internacional.
b) Autorização: título habilitante outorgado pelo Conselho de Ministros ou pelo chefe do
organismo da Administração Central do Estado no qual se delegue, para a realização de
alguma das modalidades de investimento estrangeiro previstas nesta Lei.
c) Capital Estrangeiro: capital procedente do exterior, bem como a parte dos lucros ou
dividendos pertencentes ao investidor estrangeiro que sejam reinvestidos em conformidade
com esta Lei.
d) Cargos de direção superior: cargos de membros dos órgãos de direção e administração da
empresa mista e da empresa de capital totalmente estrangeiro, bem como dos representantes
das partes nos contratos de associação econômica internacional.
e) Concessão administrativa: título habilitante outorgado com caráter temporário pelo
Conselho de Ministros para a gestão de um serviço público, a realização de uma obra pública
ou a exploração de um bem de domínio público, sob os termos e condições que se
estabelecerem.
f) Contrato de associação econômica internacional: acordo entre um ou mais investidores
nacionais e um ou mais investidores estrangeiros para realizarem atos próprios de uma
associação econômica internacional, embora sem constituir pessoa jurídica diferente para as
partes.
g) Empresa de capital totalmente estrangeiro: entidade mercantil com capital estrangeiro,
sem a participação de nenhum investidor nacional ou pessoa natural com capital estrangeiro.
h) Empresa Mista: companhia mercantil cubana que adota a forma de sociedade anônima por
ações, na qual participam como acionistas um ou mais investidores nacionais e um ou mais
investidores estrangeiros.
i) Entidade empregadora: entidade cubana com personalidade jurídica, facultada para
concertar com uma empresa mista ou de capital totalmente estrangeiro, um contrato mediante
o qual lhe facilitará a seu pedido, os trabalhadores que necessitar, os quais concertarão seus
contratos de trabalho com a referida entidade.
j) Proventos: salários, rendimentos e outras remunerações, bem como os aumentos,
compensações ou outros pagamentos adicionais recebidos pelos trabalhadores cubanos e
estrangeiros, salvo os provenientes do fundo de estimulação econômica, se este existir.
k) Investimento estrangeiro: contribuição realizada por investidores estrangeiros em
quaisquer das modalidades previstas na Lei, que implique, no prazo autorizado, a assunção de
riscos no negócio, a expectativa de obter lucros e uma contribuição para o desenvolvimento do
país.
l) Investidor estrangeiro: pessoa natural ou jurídica, com residência e capital estrangeiro, que
participa como acionista de uma empresa mista ou participa de uma empresa de capital
totalmente estrangeiro ou figure como parte num contrato de associação econômica
internacional.
m) Investidor nacional: pessoa jurídica de nacionalidade cubana, com residência no território
nacional, que participa como acionista de uma empresa mista ou figure como parte de um
contrato de associação econômica internacional.
n) Zona Especial de Desenvolvimento: zona na qual é estabelecido um regime e políticas
especiais, no intuito de fomentar o desenvolvimento econômico sustentável através da
captação do investimento estrangeiro, a inovação tecnológica e a concentração industrial com
o objetivo de incrementar as exportações, a substituição efetiva de importações e a geração de
novas fontes de emprego, em uma constante vinculação com a economia interna.
CAPÍTULO III
DAS GARANTIAS AOS INVESTIDORES
ARTIGO 3.- O Estado cubano garante que os benefícios concedidos aos investidores
estrangeiros e a seus investimentos serão mantidos durante todo o período pelo qual foram
outorgados.
ARTIGO 4.1.- Os investimentos estrangeiros dentro do território nacional gozam de plena
proteção e segurança jurídica e não podem ser expropriados, salvo que essa ação se execute
por motivos de utilidade pública ou de interesse social, previamente declarados pelo Conselho
de Ministros, em concordância com o disposto na Constituição da República, com os tratados
internacionais assinados pela República de Cuba sobre investimentos e com a legislação
vigente, com a devida indenização pelo seu valor comercial estabelecido de mutuo acordo,
pagadouro em moeda livremente convertível.
2.- Se não se chegar a acordo sobre o valor comercial, a fixação do preço é feita por uma
organização de prestígio internacional na avaliação de negócios, autorizada pelo Ministério de
Finanças e Preços e contratada por acordo das partes que intervêm no processo de
expropriação. De não existir acordo entre eles sobre a seleção da referida organização, a sua
eleição será feita mediante sorteio para determiná-la ou utilizar-se-á a via judicial.
ARTIGO 5.- Os investimentos estrangeiros estão protegidos no país contra reclamações de
terceiros que se ajustem ao direito ou à aplicação extraterritorial de leis de outros estados, de
acordo com as leis cubanas e com o que dispuserem os tribunais cubanos.
ARTIGO 6.1.- O prazo da autorização concedido para o desenvolvimento das operações de
uma empresa mista, das partes num contrato de associação econômica internacional ou da
empresa de capital totalmente estrangeiro, pode ser prorrogado pela própria autoridade que o
concedeu, sempre que for solicitado pelas partes interessadas antes do vencimento do prazo
fixado.
2.- Se o prazo para seu vencimento não for prorrogado, proceder-se-á à liquidação da empresa
mista, do contrato de associação econômica internacional ou da empresa de capital totalmente
estrangeiro, de acordo com os documentos constitutivos e o disposto pela legislação vigente. O
que couber ao investidor estrangeiro, será pago em moeda livremente convertível, salvo pacto
contrário expresso.
ARTIGO 7.1.- O investidor estrangeiro parte numa associação econômica internacional pode,
prévio acordo das partes, vender ou transmitir em qualquer outra forma ao Estado, ou a um
terceiro, ou às partes na associação, prévia autorização, total ou parcial, seus direitos nela,
recebendo em moeda livremente convertível o preço equivalente, salvo pacto contrário
expresso.
2.- O investidor estrangeiro numa empresa de capital totalmente estrangeiro pode, vender ou
transmitir em qualquer outra forma, ao Estado ou a um terceiro, prévia Autorização, seus
direitos total o parcialmente nela, recebendo o preço equivalente em moeda livremente
convertível, salvo pacto contrário expresso.
ARTIGO 8.- O preço que cabe receber o investidor estrangeiro nos casos a que se referem os
artigos 6 e 7 desta Lei é fixado por acordo de ambas as partes. Se for preciso acudir em
qualquer momento do processo a um terceiro para fixar o preço, será selecionada uma
organização de prestígio internacional na avaliação de negócios, autorizada pelo Ministério de
Finanças e Preços
ARTIGO 9.1.- O Estado garante ao investidor estrangeiro a livre transferência para o exterior,
em moeda livremente convertível, sem pagamento de taxas ou impostos relacionados com a
referida transferência, de:
a) os dividendos ou lucros que obtiver pela exploração do investimento; e
b) as quantidades que deverá receber nos casos referidos nos artigos 4, 6 e 7 desta Lei.
2.- As pessoas naturais estrangeiras que prestarem seus serviços numa empresa mista, as
partes em qualquer outra forma de associação econômica internacional ou numa empresa de
capital totalmente estrangeiro, sempre que não sejam residentes permanentes na República de
Cuba, têm direito de transferir para o exterior os proventos que receberem na quantidade
estipulada e de acordo com as restantes regulamentações ditadas pelo Banco Central de
Cuba.
ARTIGO 10.- As empresas mistas e os investidores nacionais e estrangeiros partes nos
contratos de associação econômica internacional, ficam sujeitos ao regime especial de
tributação previsto nesta Lei até vencer o prazo pelo qual foram autorizadas.
CAPÍTULO IV
DOS SETORES DESTINATÁRIOS
DE INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS E DO LEQUE DE OPORTUNIDADES
ARTIGO 11.1.- O investimento estrangeiro pode ser autorizado em todos os setores, exceto
nos serviços de saúde e educação da população e nas instituições armadas, salvo em seus
sistemas empresariais.
2.- O Conselho de Ministros aprova as oportunidades de investimento estrangeiro a promover
e as políticas gerais e setoriais para o investimento estrangeiro as quais serão publicadas no
Leque de Oportunidades do Investimento Estrangeiro pelo Ministério do Comércio Externo e
do Investimento Estrangeiro.
3.- Caberá aos órgãos, organismos da Administração Central do Estado e às entidades
nacionais patrocinadoras do investimento estrangeiro, identificar e apresentar ao Ministério do
Comércio Exterior e do Investimento Estrangeiro as propostas de negócios com investimento
estrangeiro, de acordo com as políticas aprovadas.
4.- O Ministro de Comércio Exterior e do Investimento Estrangeiro informará anualmente ao
Conselho de Ministros sobre o estado de conformação e atualização do Leque de
Oportunidades confeccionado pelos órgãos, organismos da Administração Central do Estado e
pelas entidades nacionais patrocinadoras do investimento estrangeiro.
CAPÍTULO V
DOS INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS
SEÇÃO PRIMEIRA
DAS MODALIDADES DO INVESTIMENTO ESTRANGEIRO
ARTIGO 12.- O investimento estrangeiro definido na presente Lei, pode manifestar-se como:
a) investimentos diretos, nos quais o investidor estrangeiro participa como acionista de
uma empresa mista ou de capital totalmente estrangeiro ou com contribuições em contratos de
associação econômica internacional, participando de forma efetiva no controle do negócio; e
b) investimentos em ações ou em outros títulos-valores, públicos ou privados, que não
tenham a condição de investimento direto.
ARTIGO 13.1.- O investimento estrangeiro adotará alguma das seguintes modalidades:
a) Empresa mista;
b) Contrato de associação econômica internacional; ou
c) Empresa de capital totalmente estrangeiro.
2.- Como contratos de associação econômica internacional classificam, dentre outros, os
contratos a risco para a exploração de recursos naturais não renováveis, para a construção, a
produção agrícola, a administração hoteleira, produtiva ou de serviços e os contratos para a
prestação de serviços profissionais.
SEÇÃO SEGUNDA
DA EMPRESA MISTA
ARTIGO 14.1.- A empresa mista implica a formação de uma pessoa jurídica diferente à das
partes, adotando a forma de companhia anônima por ações nominativas, sendo aplicável a ela
a legislação vigente na matéria.
2.- As proporções do capital social que os investidores nacionais e os investidores estrangeiros
devem fornecer são acordadas pelos sócios e estabelecidas na autorização.
3.- O convênio de associação é o acordo assinado entre os sócios e contém os pactos
fundamentais para a condução do negócio que tentam desenvolver.
4.- A constituição de uma empresa mista requer a forma de escritura pública, e como requisito
essencial para sua validez a ela são inseridos os estatutos sociais e anexados a Autorização e
o convênio de associação.
5.- Os estatutos sociais incluem disposições relacionadas com a organização e operação da
sociedade.
6.- A empresa mista adquire personalidade jurídica quando é inscrita no Registro Mercantil.
7.- Criada uma empresa mista, podem mudar os acionistas mediante acordo entre eles, prévia
aprovação da autoridade que outorgou a Autorização.
8.- As empresas mistas podem criar escritórios, representações, sucursais e filiais, tanto no
território nacional como no exterior, bem como ter participações em entidades no exterior.
9.- A dissolução e liquidação da empresa mista rege-se pelo disposto em seus estatutos
sociais, segundo o estabelecido na legislação vigente.
SEÇÃO TERCEIRA
DO CONTRATO DE ASSOCIAÇÃO ECONÔMICA INTERNACIONAL
ARTIGO 15.1.- O contrato de associação econômica internacional tem, dentre outras, as
seguintes características:
a) não implica a constituição de uma pessoa jurídica diferente da pessoa de suas
partes;
b) pode ter como fim a realização de qualquer atividade incluída na Autorização;
c) as partes têm a liberdade para estipularem todos os pactos e cláusulas que
convierem aos seus interesses, desde que não desrespeitem o objetivo autorizado, as
condições da Autorização ou a legislação vigente; e
d) cada parte contratante faz diferentes contribuições, constituindo uma acumulação de
participações, das quais são proprietários em todo momento e, embora sem chegar a constituir
um capital social, podem chegar a formar um fundo comum, desde que fique definida a
proporção de propriedade de cada um deles.
2.- Nos contratos de associação econômica internacional cujo fim seja a administração
hoteleira, produtiva ou de serviços ou a prestação de serviços profissionais, não se acumulam
participações nem se cria um fundo comum, e têm as características descritas nos parágrafos
3 e 4 deste artigo.
3.- Os contratos de associação econômica internacional para a administração hoteleira,
produtiva ou de serviços têm como objetivos oferecer melhores serviços ao cliente ou
produções com maior qualidade, beneficiar-se com o uso de uma marca internacionalmente
reconhecida e com a publicidade, bem como a comercialização e promoção internacionais do
investidor estrangeiro. Os mesmos têm dentre outras, as seguintes características:
a) o investidor estrangeiro atua em nome e representação do investidor nacional no que
se refere ao contrato de administração assinado;
b) não se partilham lucros; e
c) o pagamento ao investidor estrangeiro está sujeito aos resultados de sua gestão.
4.- Os contratos de associação econômica internacional para a prestação de serviços
profissionais têm, dentre outras, as seguintes características:
a) são assinados com companhias estrangeiras consultoras de reconhecido prestigio
internacional; e
b) têm como objetivo a prestação conjunta de serviços de auditoria, assessoria contábil,
serviços de avaliação e finanças corporativas, serviços de reengenharia organizacional,
marketing e gestão de negócios e intermediação de seguros.
5.- O contrato de associação econômica internacional requer, para ser válido, a forma de
escritura pública, começando a vigorar no momento de sua inscrição no Registro Mercantil.
6.- Outorgado um contrato de associação econômica internacional não podem mudar suas
partes, salvo por acordo entre elas e com a aprovação da autoridade que concedeu a
Autorização.
7.- A conclusão do contrato de associação econômica internacional rege-se pelo disposto no
mesmo, e estará sujeito ao previsto na legislação vigente.
SEÇÃO QUARTA
DA EMPRESA DE CAPITAL TOTALMENTE ESTRANGEIRO
ARTIGO 16.1.- Na empresa de capital totalmente estrangeiro, o investidor estrangeiro exerce a
direção da mesma, goza de todos os direitos e responde por todas as obrigações prescritas na
Autorização.
2.- O investidor estrangeiro em empresas de capital totalmente estrangeiro, prévia inscrição no
Registro Mercantil, pode estabelecer-se dentro do território nacional:
a) como pessoa natural, atuando por si próprio;
b) como pessoa jurídica, constituindo uma filial cubana da entidade estrangeira da qual
é proprietário por meio de escritura pública, sob a forma de companhia anônima por ações
nominativas; ou
c) como pessoa jurídica, estabelecendo uma sucursal de uma entidade estrangeira.
3.- As empresas de capital totalmente estrangeiro constituídas como filial podem criar
escritórios, representações, sucursais e filiais, tanto no território nacional quanto no exterior,
bem como ter participações em entidades no exterior.
4.- A dissolução e liquidação da empresa de capital totalmente estrangeiro sob a forma de
filial cubana, rege-se pelo disposto nos seus estatutos sociais, e está sujeito ao previsto na
legislação vigente.
5.- A conclusão das atividades autorizadas à pessoa natural e à sucursal de companhia
estrangeira rege-se pelo disposto na Autorização no que a esses efeitos seja estabelecido na
legislação vigente.
CAPÍTULO VI
DOS INVESTIMENTOS EM BENS IMÓVEIS
ARTÍCULO 17.1.- Em conformidade com as modalidades estabelecidas na presente Lei,
podem realizar-se investimentos em bens imóveis e obter a sua propriedade ou outros direitos
reais.
2.- Os investimentos em bens imóveis a que se refere o artigo anterior podem destinar-se a:
a) habitações e edificações para residência particular ou para fins turísticos;
b) habitações ou escritórios de pessoas jurídicas estrangeiras; ou
c) desenvolvimento na área imobiliária para exploração turística.
CAPÍTULO VII
DAS CONTRIBUIÇÕES E SUA AVALIAÇÃO
ARTIGO 18.1.- Aos fins desta Lei, são consideradas contribuições as seguintes:
a) contribuições monetárias, que no caso do investidor estrangeiro será em moeda livremente
convertível;
b) maquinarias, equipamentos ou outros bens tangíveis;
c) direitos de propriedade intelectual e outros direitos sobre bens intangíveis;
d) direito de propriedade sobre bens móveis e imóveis, e outros direitos reais sobre eles,
incluídos os de usufruto e superfície; e
e) outros bens e direitos.
As contribuições que não sejam em moeda livremente convertível serão avaliadas nessa
moeda.
2.- A transmissão a favor dos investidores nacionais da propriedade ou de outros direitos reais
sobre bens de propriedade estatal, para que Sejas entregues por aqueles, se realiza sob os
princípios estabelecidos na Constituição da República, e prévio certificado do Ministério das
Finanças e Preços, após ouvir o parecer do órgão, organismo ou entidade correspondente e
com a aprovação do Conselho de Ministros ou de seu Comitê Executivo, segundo proceda.
A respeito das contribuições sobre direitos de propriedade intelectual ou outros direitos sobre
bens intangíveis, estará sujeito ao disposto na legislação vigente nessa matéria.
3.- As contribuições em moeda livremente convertível, são taxadas pelo valor delas no
mercado internacional e, aos efeitos do em pesos cubanos, se aplicam as taxas de câmbio do
Banco Central de Cuba. A moeda livremente convertível como contribuição de capital
estrangeiro, ingressa ao país através de uma instituição bancária autorizada a realizar
operações no território nacional e será depositada nela de acordo com as regulamentações
vigentes nessa matéria.
4.- As contribuições que não sejam contribuições monetárias, que estejam destinadas ao
capital social de empresas mistas, de empresas de capital totalmente estrangeiro ou que
constituam contribuições em contratos de associação econômica internacional, serão
calculadas através dos métodos que decidam livremente os investidores, desde que sejam os
geralmente aceites pelas normas internacionais de valoração, acreditando-se o seu valor por
meio da certidão pericial correspondente estendida por entidades que possuam licença do
Ministério das Finanças e Preços e sejam transcritas na escritura pública que se outorgue.
CAPÍTULO VIII
DA NEGOCIAÇÃO E AUTORIZAÇÃO DO INVESTIMENTO ESTRANGEIRO
ARTIGO 19.1.- Para a criação de uma associação econômica internacional, o investidor
nacional deve negociar com o investidor estrangeiro cada aspecto do investimento, incluindo
sua viabilidade econômica, as respectivas contribuições, segundo corresponda, a forma de
direção e administração que tem essa associação, bem como os documentos jurídicos para
sua formalização.
2.- Tratando-se de uma empresa de capital totalmente estrangeiro, o Ministério do Comércio
Externo e do Investimento Estrangeiro indica ao investidor, a entidade cubana responsável pelo
ramo, sub-ramo ou da atividade econômica na qual se pretende realizar o investimento, e com
a qual se deve analisar sua proposta e obter a correspondente aprovação escrita.
ARTIGO 20.- O Estado cubano autoriza investimentos estrangeiros que não afetem a defesa e
a segurança nacional, o patrimônio da nação e o meio ambiente.
ARTIGO 21.1.- A aprovação para realizar investimentos estrangeiros no território nacional será
concedida segundo o setor, a modalidade e as características do investimento estrangeiro,
pelos órgãos seguintes do Estado:
a) o Conselho de Estado;
b) o Conselho de Ministros; e
c) o chefe do organismo da Administração Central do Estado autorizado para tal.
2.- O Conselho de Estado aprova o investimento estrangeiro, qualquer que seja sua
modalidade, nos seguintes casos:
a) quando se explorem recursos naturais não renováveis, salvo ao abrigo de contratos
de associação econômica internacional a risco, que sejam aprovados e autorizados de acordo
com o parágrafo 3 alínea d) do presente artigo; e
b) quando se realizem para a gestão de serviços públicos, tais como transporte,
comunicações, aquedutos, eletricidade, a realização de uma obra pública ou a exploração de
um bem público.
Após o Conselho de Estado aprovar o investimento estrangeiro, nos casos anteriormente
previstos, caberá ao Conselho de Ministros outorgar a autorização.
3.- O Conselho de Ministros aprova e outorga a Autorização para investimentos estrangeiros,
quando se tratar de:
a) desenvolvimento imobiliário;
b) empresas de capital totalmente estrangeiro;
c) a transmissão da propriedade estatal ou outros direitos reais sobre bens estatais;
d) os contratos de associação econômica internacional a risco para a exploração de
recursos naturais não renováveis e sua produção;
e) a intervenção de uma empresa estrangeira com participação de capital público;
f) o uso de fontes renováveis de energia;
g) o sistema empresarial dos setores da saúde, a educação e das instituições armadas;
e
h) outros investimentos estrangeiros que não precisem da aprovação do Conselho de
Estado.
4.- O Conselho de Ministros pode delegar aos chefes dos organismos da Administração Central
do Estado, a faculdade de aprovar e autorizar investimentos estrangeiros nos casos de sua
competência, e levando em conta sua modalidade ou setores destinatários.
ARTIGO 22.1.- Para a constituição de uma empresa mista ou empresa de capital totalmente
estrangeiro, bem como para a celebração de um contrato de associação econômica
internacional, o pedido deve ser apresentado ao Ministro de Comércio Externo e do
Investimento Estrangeiro, de acordo com o previsto no Regulamento da presente Lei.
2.- Se o objetivo do investimento aprovado é a gestão de um serviço público, a realização de
uma obra pública ou a exploração de bens públicos, o Conselho de Ministros, logo após ser
aprovado pelo Conselho de Estado, outorga a correspondente concessão administrativa, sob
os termos e condições que estabeleça, em conformidade com o previsto na legislação vigente.
3.- A decisão de negar ou autorizar o investimento estrangeiro pela autoridade competente,
será ditada dentro do prazo de sessenta dias naturais, contados a partir da data de
apresentação do pedido, o qual deve ser notificado aos requerentes.
Nos casos das modalidades de investimento estrangeiro sujeitas à aprovação dos chefes de
organismos da Administração Central do Estado a decisão será ditada dentro do prazo de
quarenta e cinco dias naturais, contados a partir da data em que foi admitida.
ARTIGO 23.- As modificações das condições estabelecidas na Autorização requerem da
aprovação da autoridade competente de acordo com o estabelecido no artigo 21 da presente
Lei.
ARTIGO 24.- As condições estabelecidas na Autorização podem ser esclarecidas pelo
Ministério do Comércio Externo e do Investimento Estrangeiro a pedido dos investidores.
CAPÍTULO IX
DO REGIME BANCÁRIO
ARTIGO 25.1.- As empresas mistas, os investidores nacionais e os investidores estrangeiros
que Sejas parte em contratos de associação econômica internacional e as empresas de capital
totalmente estrangeiro, podem abrir contas em qualquer banco do Sistema Bancário Nacional,
através das quais realizam cobranças e pagamentos gerados por suas operações, segundo o
regime monetário vigente. Também poderão ter acesso aos serviços oferecidos pelas
instituições financeiras estabelecidas no país.
2.- As empresas mistas e os investidores nacionais, que sejam partes em contratos de
associação econômica internacional, prévia autorização do Banco Central de Cuba, e de
acordo com as regulamentações vigentes, podem abrir e operar contas em moeda livremente
convertível em bancos no exterior. Também podem concertar ações creditícias com
instituições financeiras estrangeiras de acordo com as regulamentações vigentes nesta
matéria.
CAPÍTULO X
DO REGIME DE EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO
ARTIGO 26.1.- As empresas mistas, os investidores nacionais e os investidores estrangeiros
que sejam partes em contratos de associação econômica internacional e as empresas de
capital totalmente estrangeiro têm direito, de acordo com as disposições estabelecidas a esses
efeitos, a exportar e importar diretamente o necessário para alcançarem seus objetivos.
2.- As empresas mistas, as partes nos contratos de associação econômica internacional e as
empresas de capital totalmente estrangeiro adquirirão, preferentemente bens e serviços no
mercado nacional, oferecidos em iguais condições de qualidade, preços e prazos de entrega
aos do mercado internacional.
CAPÍTULO XI
DO REGIME TRABALHISTA
ARTIGO 27.- Na atividade dos investimentos estrangeiros se cumpre a legislação trabalhista e
de previdência social vigente na República de Cuba, com as modificações estabelecidas nesta
Lei e sua Regulamentação.
ARTIGO 28.1.- Os trabalhadores que prestem seus serviços nas atividades correspondentes
aos investimentos estrangeiros serão, como norma geral, cubanos ou estrangeiros residentes
permanentes na República de Cuba.
2.- Não obstante, os órgãos de direção e administração das empresas mistas ou das empresas
de capital totalmente estrangeiro ou as partes nos contratos de associação econômica
internacional podem decidir que determinados cargos de direção superior ou alguns postos de
trabalho de caráter técnico sejam desempenhados por pessoas não residentes permanentes no
país e, nesses casos, determinar o regime trabalhista a ser aplicado, bem como os direitos e
obrigações desses trabalhadores
3.- As pessoas não residentes permanentes no país que sejam contratadas ficam sujeitas às
disposições legais sobre imigração e estrangeiros vigentes em Cuba.
ARTIGO 29.1.- As empresas mistas, as partes nos contratos de associação econômica
internacional e as empresas de capital totalmente estrangeiro, podem autorizadas pelo
Ministério do Comércio Externo e do Investimento Estrangeiro a criar um fundo de estimulação
econômica para os trabalhadores cubanos e estrangeiros residentes permanentes na
República de Cuba, que prestem seus serviços em atividades correspondentes aos
investimentos estrangeiras. As contribuições para o fundo de estimulação econômica realizam-se
a partir dos lucros obtidos.
2.- Excetuam-se da criação do fundo de estimulação previsto no parágrafo anterior, os
contratos de administração hoteleira, produtiva ou de serviços e os contratos para a prestação
de serviços profissionais.
ARTIGO 30.1.- O pessoal cubano ou estrangeiro residente permanente na República de Cuba
que preste serviços nas empresas mistas, com exceção dos integrantes de seu órgão de
direção e administração, é contratado por una entidade empregadora proposta pelo Ministério
do Comércio Externo e do Investimento Estrangeiro e autorizado pelo Ministério de Trabalho e
Previdência Social.
Os membros do órgão de direção e administração da empresa mista são nomeados pela junta
geral de acionistas e estarão vinculados ao trabalho na empresa mista nos casos que
corresponder.
Só excepcionalmente, ao outorgar-se a Autorização, pode-se dispor que todas as pessoas que
prestem seus serviços na empresa mista poderão ser contratadas diretamente por ela, sempre
em correspondência com as disposições legais vigentes sobre contratação trabalhista.
2.- Os trabalhadores cubanos ou estrangeiros residentes permanentes na República de Cuba
que prestem seus serviços às partes nos contratos de associação econômica internacional são
contratados pela parte cubana, de acordo com as disposições legais vigentes sobre
contratação trabalhista.
3.- Nas empresas de capital totalmente estrangeiro, os serviços do pessoal cubano ou
estrangeiro residente permanente na República de Cuba, exceto os integrantes de seu órgão
superior de direção e administração, são prestados mediante um contrato assinado pela
empresa com uma entidade empregadora proposta pelo Ministério do Comércio Externo e do
Investimento Estrangeiro, autorizada pelo Ministério de Trabalho e Previdência Social.
Os membros dos órgãos de direção e administração da empresa de capital totalmente
estrangeiro são nomeados e estarão vinculados ao trabalho na empresa nos casos que
corresponder.
4.- Os pagamentos aos trabalhadores cubanos e estrangeiros residentes permanentes na
República de Cuba serão feitos em pesos cubanos.
ARTIGO 31.1.- A entidade empregadora a que se refere o artigo anterior, contrata
individualmente os trabalhadores cubanos e estrangeiros residentes permanentes na República
de Cuba, que com ela mantêm vínculo de trabalho, de acordo com o disposto na legislação
vigente nessa matéria.
2.- Quando as empresas mistas ou as empresas de capital totalmente estrangeiro considerem
que um determinado trabalhador não cumpre suas exigências no trabalho, podem solicitar à
entidade empregadora que o substituam. Qualquer reclamação trabalhista será resolvida na
entidade empregadora em conformidade com o procedimento estabelecido na legislação
específica.
ARTIGO 32.- Apesar do disposto nos artigos anteriores deste Capítulo, na Autorização que
aprove o investimento estrangeiro, como exceção, podem ser estabelecidas regulamentações
trabalhistas especiais.
ARTIGO 33.- Segundo o previsto na legislação vigente, são reconhecidos os direitos dos
trabalhadores cubanos que participem da obtenção de resultados tecnológicos ou organizativos
tais como inovações que contribuam para a consecução de lucros econômicos, benefícios
sociais ou meio ambientais.
CAPÍTULO XII
DO REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO
ARTIGO 34.- As empresas mistas e os investidores nacionais e estrangeiros que sejam partes
em contratos de associação econômica internacional, no que se refere ao cumprimento das
obrigações tributárias e seus direitos como contribuintes reger-se-ão pelo estabelecido nas
disposições vigentes sobre essa matéria, com as modificações dispostas nos seguintes artigos:
ARTIGO 35.- Os investidores estrangeiros parceiros em empresas mistas ou que sejam partes
em contratos de associação econômica internacional ficam isentos do pagamento do imposto
de renda pessoal, pelas receitas obtidas a partir dos dividendos ou lucros do negócio.
ARTÍGO 36.1.- O imposto sobre lucros será pago pelas empresas mistas, os investidores
nacionais e estrangeiros que sejam partes em contratos de associação econômica
internacional aplicando um tipo impositivo do quinze por cento sobre o lucro líquido imponível.
2.- As empresas mistas e as que sejam parte nos contratos de associação econômica
internacional ficam isentas do pagamento do imposto sobre os lucros por um período de oito
anos a partir de sua constituição. O Conselho de Ministros poderá prorrogar o período de
isenção aprovado.
3.- Ficam isentos do pagamento do imposto sobre lucros, pelo lucro líquido ou por outros
benefícios autorizados a reinvestir, nos casos em que seja aprovado o seu reinvestimento no
país pela autoridade competente.
4.- Quando ocorra a exploração de recursos naturais, renováveis ou não, poderia aumentar-se
o imposto sobre os lucros por decisão do Conselho de Ministros. Neste caso, o imposto podese
elevar até 50%.
ARTIGO 37.1.- As empresas mistas e os investidores nacionais e estrangeiros que sejam
partes nos contratos de associação econômica internacional pagam o imposto sobre as vendas
com uma bonificação de 50% do imposto a ser aplicado sobre as vendas por atacado.
2.- Ficam isentas do pagamento deste imposto as empresas mistas e os investidores nacionais
e estrangeiros que sejam partes nos contratos de associação econômica internacional durante
o primeiro ano de operação do investimento.
ARTIGO 38.1.- As empresas mistas e os investidores nacionais e estrangeiros que sejam
partes nos contratos de associação econômica internacional pagam o imposto sobre os
serviços com uma bonificação de 50% no imposto a aplicar.
2.- Ficam isentos do pagamento deste imposto as empresas mistas e os investidores nacionais
e estrangeiros que sejam partes nos contratos de associação econômica internacional durante
o primeiro ano de operação do investimento.
ARTIGO 39.- Ficam isentos do pagamento do imposto pela utilização da força de trabalho as
empresas mistas e os investidores nacionais e estrangeiros que sejam partes nos contratos de
associação econômica internacional.
ARTIGO 40.- As empresas mistas e os investidores nacionais e estrangeiros que sejam partes
em contratos de associação econômica internacional pagam os impostor pelo uso ou pela
exploração das praias, pelo escoamento aprovado de residuais nas bacias hidrográficas, pelo
uso e exploração das baías, pela utilização e exploração dos recursos florestais e a fauna
silvestre e pelo direito de uso das águas terrestres, com uma bonificação de 50% durante o
período de recuperação do investimento.
ARTIGO 41.- Ficam isentas do pagamento das tarifas alfandegárias as empresas mistas, os
investidores nacionais e estrangeiros que sejam parte nos contratos de associação econômica
internacional pelas importações de equipamentos, maquinarias e outros meios durante o
processo de investimento, de acordo com as normas estabelecidas sobre essa matéria pelo
Ministro de Finanças e Preços.
ARTIGO 42.- São sujeitos passivos da contribuição territorial para o desenvolvimento local, as
empresas mistas, os investidores nacionais e estrangeiros que sejam parte no contrato de
associação econômica internacional e as empresas de capital totalmente estrangeiro.
Ficam isentos da contribuição territorial para o desenvolvimento local, durante o período de
recuperação do investimento, as empresas mistas, bem como os investidores nacionais e
estrangeiros que sejam parte nos contratos de associação econômica internacional.
ARTIGO 43.1.- Ficam excluídos do estabelecido nos artigos anteriores os investidores
nacionais e estrangeiros que sejam parte nos contratos de associação econômica internacional
que tenham como objetivo a administração hoteleira, produtiva ou de serviços e a prestação de
serviços profissionais, que tributam de acordo com o disposto na Lei do Sistema Tributário e
com as normas que a complementam.
2.- Os investidores estrangeiros que sejam parte nos contratos a que se refere o parágrafo
precedente ficam isentos do imposto sobre as vendas e do imposto sobre os serviços.
ARTIGO 44.- As empresas de capital totalmente estrangeiro são obrigadas durante seu prazo
de vigência, ao pagamento dos tributos de acordo com a legislação vigente, sem prejuízo dos
benefícios de caráter fiscal que sejam estabelecidos pelo Ministério de Finanças e Preços,
desde que seja de interesse para o país.
ARTIGO 45.- Aos fins desta Lei, a Alfândega Geral da República pode conceder às pessoas
naturais e jurídicas a que se refere o presente Capítulo, facilidades especiais sobre as
formalidades e o regime alfandegário, em correspondência com o estabelecido na legislação
vigente.
ARTIGO 46.- O pagamento de tributos e outros direitos arrecadáveis nas alfândegas realiza-se
em conformidade com a legislação vigente sobre essa matéria, salvo os casos que sejam
estabelecidos pelo Conselho de Ministros no momento de autorizar a modalidade do
investimento.
ARTIGO 47.- O Ministério das Finanças e Preços, ouvindo o parecer do Ministério do Comércio
Externo e do Investimento Estrangeiro, levando em conta os benefícios e a quantia do
investimento, da recuperação do capital, das indicações que disponha o Conselho de Ministros
para os setores da economia prioritários, bem como os benefícios que possam trazer à
economia nacional, pode conceder isenções totais ou parciais, de maneira temporária ou
permanente, ou conceder outros benefícios fiscais de conformidade com o estabelecido na
legislação tributária vigente, para quaisquer das modalidades de investimento estrangeiro
reconhecidos nesta Lei.
CAPÍTULO XIII
DAS RESERVAS E SEGUROS
ARTIGO 48.1.- As empresas mistas, os investidores nacionais e estrangeiros que sejam partes
nos contratos de associação econômica internacional e as empresas de capital totalmente
estrangeiro criarão, baseados em seus lucros e com caráter obrigatório, uma reserva para
cobrir as contingências que possam produzir-se em suas operações.
2.- O procedimento para a formação, utilização e liquidação da reserva prevista no parágrafo
anterior, é regulamentado pelo Ministério das Finanças e Preços.
ARTIGO 49.- Sem prejuízo da reserva citada no artigo anterior, as empresas mistas, os
investidores nacionais e estrangeiros que sejam partes nos contratos de associação econômica
internacional e as empresas de capital totalmente estrangeiro, podem criar reservas com
caráter voluntário de acordo com as regulamentações do Ministério das Finanças e Preços.
ARTIGO 50.1.- As empresas mistas, os investidores nacionais e estrangeiros que sejam partes
nos contratos de associação econômica internacional e as empresas de capital totalmente
estrangeiro são obrigadas a contratar o seguro dos bens de qualquer tipo e as
responsabilidades. As asseguradoras cubanas terão o direito de primeira opção sob condições
competitivas em nível internacional.
2.- As instalações industriais, turísticas ou de outra classe ou os terrenos que sejam
arrendados a empresas estatais ou a outras organizações nacionais, são asseguradas pelo
arrendatário a favor do arrendador, em correspondência com as condições previstas no
parágrafo anterior.
CAPÍTULO XIV
DO REGIME DE REGISTRO E INFORMAÇÃO FINANCEIRA
ARTIGO 51.- As empresas mistas, os investidores nacionais e estrangeiros que sejam parte
nos contratos de associação econômica internacional e as empresas de capital totalmente
estrangeiro antes do começo de suas operações, têm um prazo de 30 dias naturais, contados a
partir da data de notificação da Autorização para o outorgamento dos documentos públicos
notariais necessários e dentro dos trinta dias subseqüentes a este ato, são inscritas no Registro
Mercantil.
ARTIGO 52.- As empresas mistas, as partes nos contratos de associação econômica
internacional e as empresas de capital totalmente estrangeiro ficam sujeitas ao cumprimento
das Normas Cubanas de Informação Financeira ditadas pelo Ministério das Finanças e Preços.
ARTIGO 53.1.- Os sujeitos referidos no artigo anterior apresentam, ao Ministério do Comércio
Externo e do Investimento Estrangeiro, o relatório anual de suas operações e qualquer outra
informação que seja requerida, em conformidade com o previsto no Regulamento da presente
Lei.
2.- A apresentação do relatório anual disposto no parágrafo anterior se faz com independência
de suas obrigações informativas ao Ministério das Finanças e Preços, à administração tributária
correspondente, ao Escritório Nacional de Estatísticas e Informação, bem como a informação
exigida pelas normativas metodológicas e de controle do Plano da Economia Nacional.
CAPÍTULO XV
CIÊNCIA, TECNOLOGIA,
MEIO AMBIENTE E INOVAÇÃO
ARTIGO 54.- O investimento estrangeiro é promovido, autorizado e operará no contexto do
desenvolvimento sustentável do país, o que implica que, em todas suas fases, atenderá
cuidadosamente a introdução de tecnologia, a conservação do meio ambiente e o uso racional
dos recursos naturais.
ARTIGO 55.- O Ministério do Comércio Externo e do Investimento Estrangeiro submeterá as
propostas de investimento que receba ao parecer do Ministério de Ciência, Tecnologia e Meio
Ambiente, o qual avalia sua conveniência do ponto de vista ambiental e decide se se requer
uma avaliação sobre o impacto ambiental, bem como a conveniência do outorgamento das
licenças ambientais e estabelecendo o regime de controle e inspeção, de acordo com o
previsto na regulamentação vigente.
ARTIGO 56.1.- O Ministério de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente determina as medidas
necessárias dar adequada solução às situações que provoquem danos, perigos ou riscos para
o meio ambiente e para o uso racional dos recursos naturais.
2.- A pessoa natural ou jurídica responsável pelo dano ou prejuízo é obrigada a restabelecer a
situação ambiental anterior e a realizar a correspondente reparação ou indenização, segundo
for o caso.
ARTIGO 57.- O Ministério do Comércio Externo e do Investimento Estrangeiro submeterá ao
parecer do Ministério de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente a proposta de investimento que
receba, sendo avaliada por este sua viabilidade tecnológica e as medidas para a proteção e
gestão da propriedade intelectual necessárias para garantir a soberania tecnológica do país.
ARTIGO 58.- Os direitos sobre os resultados conseguidos no quadro de quaisquer das
modalidades de investimento estrangeiro, susceptíveis de serem protegidas pela via da
propriedade intelectual, regem-se em conformidade com o acordado nos documentos
constitutivos de acordo com a legislação vigente nessa matéria.
CAPÍTULO XVI
DAS AÇÕES DE CONTROLE
ARTIGO 59.1.- As modalidades do investimento estrangeiro estão sujeitas às ações de controle
estabelecidas na legislação vigente e são realizadas pelo Ministério do Comércio Externo e do
Investimento Estrangeiro, bem como por outros órgãos, organismos da Administração Central
do Estado ou entidades nacionais reitoras nas diferentes atividades que têm competência para
isso.
2.- As ações de controle têm o propósito de avaliar, dentre outros, o cumprimento da(s):
a) disposições legais vigentes; e
b) condições aprovadas pela constituição ou instrumentação de cada negócio.
CAPÍTULO XVII
DO REGIME DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS
ARTIGO 60.1.- Os conflitos que surjam nas relações entre os sócios de uma empresa mista ou
entre os investidores nacionais e estrangeiros que sejam partes nos contratos de associação
econômica internacional ou entre os sócios de uma empresa de capital totalmente estrangeiro,
sob a forma de companhia anônima por ações nominativas, serão resolvidos segundo o
acordado nos documentos constitutivos, exceto os casos previstos neste Capítulo.
2.- A mesma regra é aplicada quando o conflito acontece entre um ou mais sócios e a empresa
mista ou a empresa de capital totalmente estrangeiro a qual pertencem.
3.- Os conflitos que surjam devido à inatividade dos órgãos de governo das modalidades do
investimento estrangeiro previstos na Lei, bem como da dissolução ou da conclusão o
liquidação delas, serão resolvidos em todos os casos pelas instâncias das varas de Economia
do Tribunal Provincial Popular que corresponder.
4.- Os conflitos que surjam das relações entre os sócios de uma empresa mista ou de uma
empresa de capital totalmente estrangeiro, sob a forma de companhia anônima por ações
nominativas ou entre os investidores nacionais e estrangeiros, que sejam parte nos contratos
de associação econômica internacional, que foram autorizados para levar a cabo atividades
vinculadas aos recursos naturais, aos serviços públicos e à execução de obras públicas, são
resolvidos pelas instâncias das varas de Economia do Tribunal Provincial Popular que
corresponder, exceto disposição contrária prevista na Autorização.
A regra anterior é aplicada quando o conflito se produz entre um ou mais sócios estrangeiros e
a empresa mista ou a empresa de capital totalmente estrangeiro a qual pertencem.
ARTIGO 61.- Os litígios sobre a execução de contratos econômicos que surgem entre as
diferentes modalidades de investimento estrangeiro previstos na Lei ou entre elas com pessoas
jurídicas ou naturais cubanas, podem ser resolvidos pelas instâncias das varas de Economia
do Tribunal Provincial Popular que corresponder, sem prejuízo de submetê-lo às instâncias
arbitrais em conformidade com a Lei cubana.
DISPOSIÇÕES ESPECIAIS
PRIMEIRA: As empresas mistas, os investidores nacionais e estrangeiros que sejam partes em
contratos de associação econômica internacional e as empresas de capital totalmente
estrangeiro, ficam sujeitas às regulamentações estabelecidas na legislação vigente sobre
redução de desastres.
SEGUNDA: As disposições desta Lei, sua Regulamentação e as normas complementares são
aplicadas aos investimentos estrangeiros estabelecidos nas zonas especiais de
desenvolvimento com as modificações dispostas nas normas especiais ditadas para elas,
desde que não se oponham a seu funcionamento. Sem prejuízo do anterior, os regimes
especiais concedidos na presente Lei serão aplicados a estes investimentos, quando sejam
mais beneficiosos.
DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS
PRIMEIRA: Esta Lei será aplicada às associações econômicas internacionais, às empresas de
capital totalmente estrangeiro existentes e às que já operam na data de sua entrada em vigor.
Os benefícios concedidos ao abrigo do Decreto-Lei No. 50 “Sobre associação econômica entre
entidades cubanas e estrangeiras”, de 15 de fevereiro de 1982 e da Lei No. 77 “Lei do
Investimento Estrangeiro”, de 5 de setembro de 1995 continuarão vigentes durante todo o
prazo, de vigência da associação econômica internacional ou da empresa de capital totalmente
estrangeiro.
SEGUNDA: Esta Lei é aplicável às solicitações de autorização do investimento estrangeiro que
estejam em processo de tramitação na data de sua entrada em vigor.
TERCEIRA: As disposições complementares ditadas pelos diferentes organismos da
Administração Central do Estado para a melhor aplicação e execução das normas da Lei No.
77, de 5 de setembro de 1995, no concernente a cada um, continuarão aplicando-se, desde
que não se oponham à presente Lei.. Os organismos envolvidos, num prazo não maior de três
meses, contados a partir da entrada em vigor desta Lei, revisarão as referidas normas e,
ouvido o parecer do Ministério do Comércio Externo e do Investimento Estrangeiro, serão
harmonizadas de acordo com o estabelecido na presente Lei.
QUARTA: As empresas mistas, as partes nos contratos de associação econômica internacional
e as empresas de capital totalmente estrangeiro, podem ser autorizadas excepcionalmente
pelo Conselho de Ministros, para realizarem determinadas cobranças e pagamentos em pesos
cubanos.
QUINTA: Para proceder ao pagamento em pesos cubanos estabelecido no parágrafo 4 do
artigo 30, deverão obter-se previamente essas quantidades em pesos convertíveis.
SEXTA: O pagamento dos tributos e de outros direitos arrecadáveis nas alfândegas pelos
investidores realizar-se-á em pesos convertíveis, inclusive naqueles casos em que esse
importe seja expresso em pesos cubanos.
SÉTIMA: O regulamentado nas Disposições Quarta, Quinta e Sexta supracitadas, mantêm a
sua vigência até que seja estabelecida no país a unificação monetária, a partir da qual , os
sujeitos obrigados nesta Lei se regerão pelas normas que sejam ditadas a esses efeitos.
DISPOSIÇÕES FINAIS
PRIMEIRA: O Conselho de Ministros ditará o Regulamento da presente Lei dentro dos noventa
dias subseqüentes a sua aprovação.
SEGUNDA: Derogam-se a Lei No. 77 “Lei do Investimento Estrangeiro” de 5 de setembro de
1995; o Decreto-Lei No. 165 “Das Zonas Francas e Parques Industriais” de 3 de junho de 1996;
e os acordos No. 5279, de 18 de outubro de 2004; No. 5290, de 11 de novembro de 2004; No.
6365, de 9 de junho de 2008, adotados pelo Comitê Executivo do Conselho de Ministros e
quantas outras disposições legais se oponham às prescrições desta Lei.
TERCEIRA: A presente Lei entra em vigor aos noventa dias subseqüentes a sua aprovação.
QUARTA: Publique-se, junto da sua Regulamentação e demais disposições complementares
no Diário Oficial da República para seu conhecimento geral.
FEITA, na sala de sessões da Assembléia Nacional do Poder Popular, Palácio das
Convenções, na cidade de Havana, aos 29 dias do mês de março de 2014.
Juan Esteban Lazo Hernández

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